Qual foi o melhor presidente do Brasil? O que os números oficiais mostram, critério por critério

A pergunta aparece em toda discussão política, e nenhum órgão oficial mede o melhor presidente. O que existe são os números de cada governo, publicados pelo IBGE, pelo Banco Central, pelo INPE e pelo Ipea. Esta página põe esses números na mesma régua e mostra, critério por critério, qual mandato desde o Plano Real teve o maior e o menor resultado.

Resposta rápida

  • Não existe ranking oficial de presidentes, e cada critério tem um governo diferente na frente.
  • A menor inflação por ano foi no mandato Temer (+3,6% por ano).
  • A maior inflação por ano foi no mandato Dilma 2 (+10,5% por ano).
  • O maior crescimento do PIB por ano foi no mandato Lula 2 (+4,6% por ano).
  • O menor crescimento do PIB por ano foi no mandato Dilma 2 (−5,5% por ano).
  • O maior aumento real do salário mínimo por ano foi no mandato Lula 1 (+8,4% por ano).

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Este observatório mede quanto os preços mudaram em cada período. Ele não diz que um governo causou a alta ou a queda: preço depende de safra, clima, câmbio, petróleo, tributos, custo de produção e mercado internacional, e separar o efeito de uma política exigiria um estudo causal próprio. Os mesmos critérios valem para todos os períodos, e qualquer pessoa pode refazer as contas com os dados das fontes abaixo.

Os presidentes desde o Plano Real, critério por critério

Cada linha ordena os mandatos encerrados com a série completa. Maior e menor não querem dizer melhor e pior: para inflação, desemprego e dívida, o número menor é o que pesa menos no bolso. O mandato em andamento fica de fora até terminar. Períodos de antes de julho de 1994 são de hiperinflação e também ficam fora.

Maior e menor número de cada indicador entre os mandatos desde o Plano Real
IndicadorMaiorMenorMandatos comparados
IPCAvariação por anoDilma 2+10,5% por anoTemer+3,6% por anoFHC 1, FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Alimentos (IPCA)variação por anoDilma 2+13,6% por anoTemer+1,8% por anoFHC 1, FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
PIB realcrescimento por anoLula 2+4,6% por anoDilma 2−5,5% por anoFHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Desempregomudança em pontos percentuaisDilma 2+4,7 p.p.Bolsonaro−3,8 p.p.Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Renda realvariação por anoTemer+1,4% por anoDilma 2−2,7% por anoDilma 2, Temer, Bolsonaro
Salário mínimovariação real por anoLula 1+8,4% por anoBolsonaro−0,3% por anoFHC 1, FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Saldo do Caged antigomédia por anoLula 2+1,55 milhão de empregos por anoDilma 2−1,51 milhão de empregos por anoLula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer
Dólarvariação por anoFHC 2+31,7% por anoLula 1−12,2% por anoFHC 1, FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Selic efetivamudança em pontos percentuaisBolsonaro+7,25 p.p.FHC 1−22,01 p.p.FHC 1, FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Gasolinavariação real por anoDilma 2+5,4% por anoLula 2−4,2% por anoLula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Gás de cozinhavariação real por anoTemer+6,2% por anoLula 1−2,1% por anoLula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Dívida brutamudança em pontos percentuaisDilma 2+10,3 p.p.Lula 2−3,7 p.p.Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Resultado primáriomudança em pontos percentuaisBolsonaro+2,8 p.p.Dilma 1−3,2 p.p.Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Arrecadação federalmudança em pontos percentuaisFHC 2+3,0 p.p.Lula 2−0,9 p.p.FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Gini desde 1995mudança em pontos do índiceTemer+0,008Bolsonaro−0,028FHC 2, Lula 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Extrema pobreza desde 1995mudança em pontos percentuaisDilma 2+0,6 p.p.Lula 1−7,1 p.p.FHC 2, Lula 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Famílias no Bolsa Famíliavariação por anoBolsonaro+10,3% por anoDilma 2−0,5% por anoLula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Homicídiosmudança em por 100 mil habitantesFHC 1+4,7 por 100 mil habitantesBolsonaro−6,1 por 100 mil habitantesFHC 1, FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro
Desmatamento na Amazôniavariação por anoDilma 2+23,8% por anoLula 2−16,3% por anoFHC 1, FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro

Por que não existe um ranking geral de presidentes

Juntar critérios diferentes numa nota única exige decidir quanto vale cada um: um ponto de inflação vale quantos pontos de desemprego? Essa escolha é política, não estatística, e cada pessoa faz a sua. Por isso o observatório mostra os critérios separados e não soma nada.

A régua também não separa o que foi decisão do governo e o que veio de fora. O preço do petróleo e dos alimentos no mundo, o câmbio, as crises internacionais de 2008 e a pandemia de 2020 mexeram nos números de quem governava naqueles anos. Medir o efeito de uma política exige um estudo causal próprio, que esta página não faz.

O que a régua garante é a mesma conta para todos: o período vai do último mês completo antes da posse ao último mês completo no cargo, inflação se acumula mês a mês e vira taxa anual equivalente, e taxas como desemprego e juros mudam em pontos percentuais. A inflação de cada mandato usa o Inflação oficial (IPCA) (SGS 433).

Comparações prontas entre dois presidentes

Fontes oficiais

Fórmulas, regra de alinhamento dos meses e critérios de ranking: metodologia do observatório. Como o portal valida cálculos: como validamos os cálculos.

Perguntas sobre o melhor e o pior presidente do Brasil

Qual foi o melhor presidente do Brasil?

Não existe uma medida oficial de melhor presidente, e os números oficiais não apontam um vencedor único: cada critério, como inflação, crescimento, emprego, renda, dívida ou desmatamento, tem um governo diferente na frente. Choques que nenhum governo controla, como câmbio, preço do petróleo, crises internacionais e a pandemia de 2020, pesam em qualquer mandato. Esta página mostra, critério por critério, qual mandato desde o Plano Real teve o maior e o menor número, com a mesma régua para todos, para que cada pessoa compare pelo que considera mais importante.

Qual foi o pior presidente do Brasil?

Também não há medida oficial de pior presidente. O que os dados permitem é ver em qual mandato cada número foi o maior e o menor. Inflação, desemprego e dívida altos pesam contra quem vive no país, mas o mesmo governo pode ter o pior número num critério e o melhor em outro. A tabela desta página ordena os números de cada indicador desde o Plano Real, sem nota e sem ranking geral.

Qual presidente teve a menor inflação desde o Plano Real?

Entre os mandatos encerrados desde o Plano Real com a série completa (FHC 1, FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro), a menor inflação por ano foi no de Michel Temer: +9,9% (+3,6% por ano), de abr/2016 a dez/2018. Na outra ponta ficou Dilma Rousseff (2º mandato): +14,3% (+10,5% por ano), de dez/2014 a abr/2016. Fonte: IBGE, SGS 433. O número mede o que a série registrou no período, sem dizer o que causou a mudança.

Qual presidente teve a maior inflação desde o Plano Real?

Entre os mandatos encerrados desde o Plano Real com a série completa (FHC 1, FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro), a maior inflação por ano foi no de Dilma Rousseff (2º mandato): +14,3% (+10,5% por ano), de dez/2014 a abr/2016. Na outra ponta ficou Michel Temer: +9,9% (+3,6% por ano), de abr/2016 a dez/2018. Fonte: IBGE, SGS 433. O número mede o que a série registrou no período, sem dizer o que causou a mudança.

Em qual governo o PIB do Brasil mais cresceu?

Entre os mandatos encerrados desde o Plano Real com a série completa (FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro), o maior crescimento do PIB por ano foi no de Luiz Inácio Lula da Silva (2º mandato): +19,6% (+4,6% por ano), de 4º tri/2006 a 4º tri/2010. Na outra ponta ficou Dilma Rousseff (2º mandato): −6,8% (−5,5% por ano), de 4º tri/2014 a 1º tri/2016. Fonte: IBGE, SIDRA 1621 / v584 e 1620 / v583. O número mede o que a série registrou no período, sem dizer o que causou a mudança.

Em qual governo o PIB do Brasil menos cresceu?

Entre os mandatos encerrados desde o Plano Real com a série completa (FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro), o menor crescimento do PIB por ano foi no de Dilma Rousseff (2º mandato): −6,8% (−5,5% por ano), de 4º tri/2014 a 1º tri/2016. Na outra ponta ficou Luiz Inácio Lula da Silva (2º mandato): +19,6% (+4,6% por ano), de 4º tri/2006 a 4º tri/2010. Fonte: IBGE, SIDRA 1621 / v584 e 1620 / v583. O número mede o que a série registrou no período, sem dizer o que causou a mudança.

Qual presidente mais aumentou o salário mínimo?

Entre os mandatos encerrados desde o Plano Real com a série completa (FHC 1, FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro), o maior aumento real do salário mínimo por ano foi no de Luiz Inácio Lula da Silva (1º mandato): +38,3% real (+8,4% por ano), de dez/2002 a dez/2006. Na outra ponta ficou Jair Bolsonaro: −1,2% real (−0,3% por ano), de dez/2018 a dez/2022. Fonte: Ipeadata e Banco Central, MTE12_SALMIN12 / SGS 1619. O número mede o que a série registrou no período, sem dizer o que causou a mudança.

Em qual governo o desemprego mais caiu?

Entre os mandatos encerrados desde o Plano Real com a série completa (Dilma 2, Temer, Bolsonaro), a maior queda da taxa de desemprego foi no de Jair Bolsonaro: 11,7% para 7,9% (−3,8 p.p., de dez/2018 a dez/2022). Na outra ponta ficou Dilma Rousseff (2º mandato): 6,6% para 11,3% (+4,7 p.p., de dez/2014 a abr/2016). Fonte: IBGE, SIDRA 6381 / v4099. O número mede o que a série registrou no período, sem dizer o que causou a mudança.

Qual governo mais gerou empregos com carteira assinada?

Entre os mandatos encerrados desde o Plano Real com a série completa (Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer), a maior média anual de empregos com carteira no Caged antigo foi no de Luiz Inácio Lula da Silva (2º mandato): +6,20 milhões de empregos somados de jan/2007 a dez/2010 (+1,55 milhão de empregos por ano). Na outra ponta ficou Dilma Rousseff (2º mandato): −2,01 milhões de empregos somados de jan/2015 a abr/2016 (−1,51 milhão de empregos por ano). Fonte: Ipea e Ministério do Trabalho, Ipeadata CAGED12_SALDO12. O número mede o que a série registrou no período, sem dizer o que causou a mudança.

Em qual governo a dívida pública mais subiu?

Entre os mandatos encerrados desde o Plano Real com a série completa (Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro), a maior alta da dívida bruta em proporção do PIB foi no de Dilma Rousseff (2º mandato): 56,3% do PIB para 66,6% do PIB (+10,3 p.p., de dez/2014 a abr/2016). Na outra ponta ficou Luiz Inácio Lula da Silva (2º mandato): 55,5% do PIB para 51,8% do PIB (−3,7 p.p., de dez/2006 a dez/2010). Fonte: Banco Central, SGS 13762. O número mede o que a série registrou no período, sem dizer o que causou a mudança.

Em qual governo a extrema pobreza mais caiu?

Entre os mandatos encerrados desde o Plano Real com a série completa (FHC 2, Lula 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro), a maior queda da extrema pobreza foi no de Luiz Inácio Lula da Silva (1º mandato): 23,7% para 16,6% (−7,1 p.p., de 2002 a 2006). Na outra ponta ficou Dilma Rousseff (2º mandato): 7,0% para 7,6% (+0,6 p.p., de 2014 a 2015). Fonte: Ipea, Ipeadata PNADS_PERCPOBRE300. O número mede o que a série registrou no período, sem dizer o que causou a mudança.

Em qual governo o desmatamento da Amazônia mais subiu?

Entre os mandatos encerrados desde o Plano Real com a série completa (FHC 1, FHC 2, Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro), a maior alta do desmatamento por ano foi no de Dilma Rousseff (2º mandato): +23,8% (+23,8% por ano), de 2014 a 2015. Na outra ponta ficou Luiz Inácio Lula da Silva (2º mandato): −51,0% (−16,3% por ano), de 2006 a 2010. Fonte: INPE, PRODES Amazônia Legal, taxa anual. O número mede o que a série registrou no período, sem dizer o que causou a mudança.