Galáxia
Galáxia de Barnard
A galáxia anã irregular NGC 6822, a 1,5 milhão de anos-luz, uma das que ajudaram a provar que existe universo fora da Via Láctea.

Crédito CTIO/NOIRLab/NSF/AURA Acknowledgments: P. Massey (Lowell Obs.), G. Jacoby, K. Olsen, C. Smith (NOAO/AURA/NSF) & T.A. Rector (NRAO/AUI/NSF). Image processing: Travis Rector (University of Alaska Anchorage), Mahdi Zamani & Davide de Martin NOIRLab CC BY 4.0
- Tipo
- GaláxiaSIMBAD: G
- Distância
- 1,5 milhões de anos-luzpublicadores declaram de 1,5 milhões de a 2 milhões de anos-luz; aqui vale o comunicado de 2023
- Constelação
- SagitárioSgr
- Tamanho no céu
- 14 minutos de arcoextensão catalogada no SIMBAD
- Classificação
- IBm
- Observado por
- NSF Víctor M. Blanco 4-meter Telescope, MPG/ESO 2.2-metre telescope, James Webb Space Telescope
- Imagem publicada
- abril de 2020
- Original do acervo
- 6.299 × 5.774 px36 megapixels
Veja Galáxia de Barnard pelo Hubble e pelo James Webb
Os dois fotografaram este objeto, e o resultado não é a mesma imagem em qualidade diferente. O Hubble registra sobretudo a luz que o olho enxerga; o Webb enxerga infravermelho, que atravessa a poeira e mostra o que estava escondido atrás dela. Arraste a divisória e veja a poeira sumir.
Comparar as duas imagens
Crédito NASA, ESA, and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

A Galáxia de Barnard, catalogada como NGC 6822, é uma galáxia anã irregular na direção da constelação de Sagitário, a 1.594.904 anos-luz segundo a distância declarada pelo publicador das imagens. O SIMBAD a classifica com o tipo G, de galáxia, e registra a morfologia como IBm, um código de três partes que resume o que ela é: irregular, com barra e do tipo magalhânico, ou seja, parecida com as Nuvens de Magalhães.
Ela é pequena. Com 13,8 minutos de arco de tamanho aparente, menos da metade da largura da Lua cheia, e à distância declarada, o corpo principal tem algo em torno de 6.000 anos-luz de extensão. Para comparação, o disco da Via Láctea tem por volta de 100.000 anos-luz de diâmetro. Não há braços espirais, não há bojo central, não há a arquitetura ordenada das galáxias grandes: o que existe é uma barra de estrelas e um conjunto de regiões de formação estelar espalhadas sem simetria.
O nome vem do astrônomo Edward Emerson Barnard, que a identificou no fim do século 19 usando um telescópio de abertura modesta. Décadas depois ela entrou de vez na história da ciência, quando Edwin Hubble mediu estrelas variáveis dentro dela e concluiu que o sistema estava muito longe demais para pertencer à Via Láctea. Foi um dos argumentos que encerraram a discussão sobre se as nebulosas espirais eram objetos da nossa galáxia ou universos-ilha independentes.
Por que essa galáxia entrou para a história?
Até a década de 1920, não havia acordo sobre o tamanho do universo. Uma corrente sustentava que a Via Láctea era tudo o que existia e que as manchas espirais dos catálogos eram nuvens de gás dentro dela. A outra defendia que essas manchas eram sistemas estelares completos, muito distantes. Faltava o que faltava sempre: um método confiável de medir distância.
O método veio das estrelas variáveis cefeidas. Cefeidas pulsam com período regular, e existe uma relação entre esse período e a luminosidade real da estrela: quanto mais lenta a pulsação, mais luminosa ela é. Medindo o período, deduz-se o brilho verdadeiro. Comparando o brilho verdadeiro com o brilho aparente, chega-se à distância, porque a luz enfraquece com o quadrado da distância percorrida.
Aplicando esse raciocínio a variáveis identificadas em NGC 6822, Edwin Hubble obteve um valor grande demais para caber na Via Láctea. O trabalho, publicado em 1925, foi um dos primeiros a estabelecer, com número em vez de argumento, que existiam sistemas estelares fora do nosso. A galáxia continua servindo de degrau na escada de distâncias cósmicas até hoje.
O que significa a classificação IBm?
O código condensa três informações. O I inicial marca galáxia irregular, sem a simetria de espirais e elípticas. O B indica presença de barra, uma faixa alongada de estrelas que atravessa a região central. O m final remete ao tipo magalhânico, categoria criada justamente para descrever galáxias parecidas com as Nuvens de Magalhães, que são as companheiras mais conhecidas da Via Láctea e ficam bem visíveis no céu do hemisfério sul.
Galáxias irregulares não são versões defeituosas das espirais. Elas correspondem ao tipo mais comum de galáxia do universo em número, apenas são pequenas e pouco luminosas, o que faz com que apareçam menos nas fotografias famosas. Sem massa suficiente para sustentar uma estrutura em disco bem organizada, o gás nelas se distribui de forma desigual e a formação de estrelas acontece em manchas espalhadas em vez de braços contínuos.
A Galáxia de Barnard tem ainda uma característica importante para o estudo dessas anãs: a abundância de elementos mais pesados que o hélio é bem menor do que a da Via Láctea. Isso acontece porque um sistema pequeno passou por menos gerações de estrelas e enriqueceu menos o próprio gás. Uma galáxia assim se aproxima quimicamente das condições do universo jovem, sem estar longe no tempo.
O que é a região chamada Hubble-X?
Uma das imagens do Hubble no acervo mostra uma região específica dentro da galáxia, identificada como Hubble-X. O nome confunde por dois motivos, e nenhum dos dois corresponde ao que parece. A letra X não é o algarismo romano de dez nem se refere a raios X: é apenas uma etiqueta de catálogo, atribuída quando as regiões luminosas de NGC 6822 foram inventariadas e receberam letras. E o nome homenageia o astrônomo Edwin Hubble, não o telescópio que fez a fotografia.
O que a etiqueta designa é uma região H II gigante: uma nuvem de hidrogênio mantida ionizada pela radiação ultravioleta de estrelas jovens e quentes nascidas dentro dela. Nesse sentido, é o mesmo tipo de objeto que a Nebulosa de Órion, só que de porte muito maior, com um agrupamento denso de estrelas massivas concentrado em pouco espaço.
Os filtros da imagem contam a química. O metadado declara azul em 487 nanômetros, correspondente à linha do hidrogênio conhecida como H-beta, verde em 502 nanômetros, do oxigênio duplamente ionizado, e vermelho em 656 nanômetros, a linha H-alfa do hidrogênio. As três são linhas de recombinação e emissão típicas de gás ionizado, e onde elas aparecem fortes há certeza de estrelas quentes por perto.
Por que o James Webb fotografou uma galáxia anã tão perto?
O acervo traz cinco imagens do Webb desta galáxia, feitas em 2023 com as câmeras NIRCam e MIRI. O interesse não está na galáxia como paisagem, e sim na poeira dentro dela. Com pouca abundância de elementos pesados, NGC 6822 oferece um ambiente quimicamente parecido com o das galáxias do universo jovem, e perto o bastante para que grãos individuais de estrutura possam ser estudados.
Os filtros da MIRI são os mais informativos do conjunto. O metadado declara 7.700 nanômetros com a etiqueta PAH, que designa hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, moléculas grandes de carbono que absorvem ultravioleta e reemitem em infravermelho médio. Declara também 10.000 nanômetros com a etiqueta silicato, faixa em que grãos minerais deixam uma assinatura característica. Os canais de 15.000 e 21.000 nanômetros registram poeira mais fria.
Com esse conjunto é possível perguntar coisas concretas: qual a proporção entre poeira orgânica e poeira mineral num ambiente pobre em metais, e como isso se compara com o que existe na Via Láctea. A NIRCam, operando entre 1.150 e 4.440 nanômetros, entra com a contrapartida estelar, mostrando as estrelas individuais que aquecem essa poeira.
Que faixa do espectro o acervo cobre aqui?
As dez imagens desta página cobrem um intervalo de comprimentos de onda impressionante. O extremo curto está na imagem do NOIRLab, com um filtro ultravioleta em 357 nanômetros. O extremo longo está numa montagem que reúne dados do ESO e do ALMA, com um canal declarado em 210 milhões de nanômetros, ou seja, 21 centímetros. Entre um e outro há um fator próximo de seiscentas mil vezes.
Os 21 centímetros não são uma escolha arbitrária. Trata-se da linha de emissão do hidrogênio atômico neutro, produzida por uma transição sutil no átomo de hidrogênio, e ela é a principal ferramenta de rádio para mapear gás que não brilha de nenhuma outra forma. Muitas galáxias anãs têm envelopes de hidrogênio atômico bem maiores que a parte visível, e só nessa faixa esse material aparece.
A mesma montagem inclui um canal em 1,3 milímetro, identificado como emissão de monóxido de carbono. O monóxido de carbono funciona como marcador do hidrogênio molecular, que é o gás realmente envolvido na formação de estrelas mas quase impossível de detectar diretamente por não emitir bem nas temperaturas em que se encontra. Somando as faixas, a página mostra estrelas, poeira quente, poeira fria, gás molecular e gás atômico do mesmo objeto.
Os números deste objeto
| Distância | 1.594.904 anos-luzdeclarada pelo publicador das imagens |
|---|---|
| Constelação | Sagitário (Sgr) |
| Identificação principal | NGC 6822SIMBAD |
| Outros nomes | Barnard's Galaxy, IRAS 19421-1455 |
| Classificação | G, galáxiaSIMBAD |
| Morfologia | IBm, irregular com barra, tipo magalhânico |
| Tamanho aparente | 13,8 minutos de arcoSIMBAD |
| Coordenadas J2000 | AR 296,2342 graus, Dec -14,7976 graus |
| Imagens no acervo | 10 |
| Produtos no arquivo MAST | Hubble 1.380, James Webb 298, GALEX 9busca num raio de 0,115 grau em torno da posição |
O que reparar nesta imagem
- A barra de estrelas no meioA concentração alongada no centro é a barra que dá o B da classificação IBm. Fora dela, a distribuição de estrelas não obedece a nenhuma simetria.
- Os nódulos rosadosAs manchas avermelhadas ou rosadas nas imagens de campo largo são regiões de hidrogênio ionizado, onde estrelas jovens e quentes estão acendendo o gás em volta. Hubble-X é a maior delas.
- Estrelas individuais resolvidasA 1,5 milhão de anos-luz, os telescópios separam estrelas uma a uma. Os pontos que se veem nas imagens de perto são estrelas da própria galáxia, não do primeiro plano.
- As tiras estreitas do WebbAs imagens do James Webb cobrem faixas de menos de 2 minutos de arco de altura. São recortes de uma parte da galáxia, não o retrato inteiro que as imagens do ESO e do NOIRLab mostram.
Por que esta imagem tem essas cores
Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.
ultravioletainfravermelho e ondas de rádio
- Roxoluz visível · Mosaic II · U357 nminvisível ao olho
- Azulluz visível · Mosaic II · B436 nmolho enxerga
- Cianoluz visível · Mosaic II · OIII499 nmolho enxerga
- Verdeluz visível · Mosaic II · V537 nmolho enxerga
- Laranjaluz visível · Mosaic II · R644 nmolho enxerga
- Vermelholuz visível · Mosaic II · H-alpha656 nmolho enxerga
- Vermelholuz visível · Mosaic II · I805 nminvisível ao olho
Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio NOIRLab junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.
Que tamanho é isso, de verdade
Este recorte do céu tem quase o mesmo tamanho aparente da Lua cheia. O recorte fotografado mede 28 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 6.021 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.
A luz desta imagem levou 1,5 milhões de anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era quando os primeiros Homo sapiens surgiam na África.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, bem alto, a 72° de altura, na direção NO.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 81 graus acima do horizonte.
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Quanto já se olhou para aqui
- 1.380registros do Hubble
- 298registros do James Webb
- 9registros do GALEX
Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 6,9 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.
O que ainda não se sabe
A história de interação da Galáxia de Barnard continua sem resposta firme. Ela é um sistema relativamente isolado do Grupo Local, e não está claro se a distribuição desordenada de gás e a formação de estrelas fora do corpo principal resultam de um encontro antigo com outra galáxia ou apenas da própria evolução interna. O envelope de hidrogênio atômico é bem maior que a parte visível, e a origem dessa extensão continua em discussão. Também segue em aberto quanto as propriedades da poeira mudam num ambiente pobre em metais, questão que motivou as observações do James Webb e cuja resposta afeta a interpretação de galáxias distantes. E a distância, embora bem determinada para os padrões extragalácticos, varia entre métodos o suficiente para que o valor declarado deva ser lido com margem.
Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.
Uma coisa que quase ninguém sabe
A distância declarada, 1.594.904 anos-luz, tem sete dígitos que ninguém mediu. O número vem da conversão de cerca de 489 mil parsecs para anos-luz, e a precisão aparente é artefato da aritmética, não da observação. É um bom lembrete de que casas decimais em astronomia contam a história da unidade usada, e nem sempre a da medida.
Outras imagens deste objeto







Crédito NASA/ESA and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito ESO, ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/A. Schruba, VLA (NRAO)/Y. Bagetakos/Little THINGS ESO CC BY 4.0
Baixar esta imagem
A licença CC BY 4.0 permite usar a imagem, inclusive comercialmente, desde que o crédito apareça inteiro e visível junto dela. Copie o crédito acima junto com o arquivo.
Outros objetos em Sagitário
Continue explorando
Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Nebulosa da Lagoa
Crédito NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA NOIRLab CC BY 4.0
- Nebulosa Ômega
Crédito NASA, H. Ford (JHU), G. Illingworth (UCSC/LO), M.Clampin (STScI), G. Hartig (STScI), the ACS Science Team, and ESAThe ACS Science Team: H. Ford, G. Illingworth, M. Clampin, G. Hartig, T. Allen, K. Anderson, F. Bartko, N. Benitez, J. Blakeslee, R. Bouwens, T. Broadhurst, R. Brown, C. Burrows, D. Campbell, E. Cheng, N. Cross, P. Feldman, M. Franx, D. Golimowski, C. Gronwall, R. Kimble, J. Krist, M. Lesser, D. Magee, A. Martel, W. J. McCann, G. Meurer, G. Miley, M. Postman, P. Rosati, M. Sirianni, W. Sparks, P. Sullivan, H. Tran, Z. Tsvetanov, R. White, and R. Woodruff. ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa da Aranha Vermelha
Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, J. H. Kastner (Rochester Institute of Technology) ESA/Webb CC BY 4.0
- Aglomerado Messier 54
- Terzan 5
Crédito NASA/ESA/Hubble/F. Ferraro ESA/Hubble CC BY 4.0
- Aglomerado Messier 18
- Galáxia de Andrômeda
Crédito ESA/Hubble & Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Sombrero
Crédito ESA/Hubble & NASA, K. Noll ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Redemoinho
Crédito NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Cata-vento
Crédito NASA, ESA, CXC, SSC and STScI ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Charuto
Crédito NASA, ESA, CSA, A. Smercina (STScI), T. Williams (University of Manchester). Image processing: A. Pagan (STScI). ESA/Webb CC BY 4.0
- Galáxia de Bode
Crédito ESA/INT/DSS2 ESA/Hubble CC BY 4.0
Perguntas frequentes
- O que é a Galáxia de Barnard?
- A Galáxia de Barnard, catalogada como NGC 6822, é uma galáxia anã irregular na direção da constelação de Sagitário, a 1.594.904 anos-luz segundo a distância declarada pelo publicador das imagens. Ela pertence ao Grupo Local, o conjunto de galáxias ao qual a Via Láctea também pertence. Com 13,8 minutos de arco de tamanho aparente, o corpo principal mede algo em torno de 6.000 anos-luz, contra cerca de 100.000 anos-luz do disco da nossa galáxia.
- Por que essa galáxia é importante para a história da astronomia?
- Porque foi uma das primeiras em que se mediu, com método confiável, uma distância grande demais para caber dentro da Via Láctea. Edwin Hubble identificou estrelas variáveis cefeidas nela e usou a relação entre o período de pulsação e a luminosidade real para calcular a distância. O trabalho, publicado em 1925, ajudou a encerrar a discussão sobre se as nebulosas espirais eram nuvens da nossa galáxia ou sistemas estelares independentes.
- O que significa a classificação IBm?
- O código resume três características. O I indica galáxia irregular, sem a simetria de espirais e elípticas. O B indica que existe uma barra, uma faixa alongada de estrelas atravessando a região central. O m final marca o tipo magalhânico, categoria criada para descrever galáxias parecidas com as Nuvens de Magalhães. Galáxias assim são o tipo mais numeroso do universo, apenas pequenas e pouco luminosas, o que as mantém fora das fotografias mais famosas.
- O nome Hubble-X vem do telescópio Hubble?
- Não, vem do astrônomo Edwin Hubble, e a letra X é apenas uma etiqueta de catálogo atribuída quando as regiões luminosas da galáxia foram inventariadas. Nada ali tem relação com raios X nem com o algarismo romano de dez. O que a etiqueta designa é uma região H II gigante, uma nuvem de hidrogênio mantida ionizada por estrelas jovens e quentes nascidas dentro dela, de porte muito maior que a Nebulosa de Órion.
- Por que o James Webb observou a Galáxia de Barnard?
- Por causa da poeira dela. NGC 6822 tem abundância de elementos pesados bem menor que a da Via Láctea, o que a aproxima quimicamente das condições do universo jovem, com a vantagem de estar perto. As imagens de 2023 usam filtros da câmera MIRI declarados em 7.700 nanômetros para hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, 10.000 nanômetros para silicatos e 15.000 e 21.000 nanômetros para poeira fria, o que permite comparar a composição do pó com a do nosso ambiente galáctico.
- Dá para ver a Galáxia de Barnard com telescópio amador?
- É possível, mas está entre os alvos mais ingratos do catálogo. A galáxia tem tamanho aparente razoável, quase metade da Lua cheia, e justamente por isso a luz dela se espalha por uma área grande, resultando em brilho superficial muito baixo. Exige céu escuro de verdade, sem Lua e longe de cidade, e um instrumento de campo largo. A posição em Sagitário favorece observadores brasileiros no inverno, quando a constelação passa alto.
- Por que a distância aparece com sete dígitos?
- Porque o valor de 1.594.904 anos-luz é resultado de uma conversão de unidade, e não de uma medida com essa precisão. A distância foi determinada em parsecs, cerca de 489 mil, e a multiplicação pelo fator de conversão gerou todos aqueles dígitos. Medidas de distância extragaláctica carregam incertezas de vários por cento, então o número honesto é aproximadamente 1,5 milhão de anos-luz. O acervo mantém o valor original declarado pelo publicador e explica a origem dele.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
Continue explorando
Como citar esta página
ValorFinal. Galáxia de Barnard. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/galaxia-de-barnard. Consultado em: 23/08/2026.











