Nebulosa de emissão
Nebulosa Ômega
Uma das regiões de formação de estrelas mais brilhantes da Via Láctea, onde só a superfície escavada de uma nuvem gigante aparece iluminada.

Crédito NASA, H. Ford (JHU), G. Illingworth (UCSC/LO), M.Clampin (STScI), G. Hartig (STScI), the ACS Science Team, and ESAThe ACS Science Team: H. Ford, G. Illingworth, M. Clampin, G. Hartig, T. Allen, K. Anderson, F. Bartko, N. Benitez, J. Blakeslee, R. Bouwens, T. Broadhurst, R. Brown, C. Burrows, D. Campbell, E. Cheng, N. Cross, P. Feldman, M. Franx, D. Golimowski, C. Gronwall, R. Kimble, J. Krist, M. Lesser, D. Magee, A. Martel, W. J. McCann, G. Meurer, G. Miley, M. Postman, P. Rosati, M. Sirianni, W. Sparks, P. Sullivan, H. Tran, Z. Tsvetanov, R. White, and R. Woodruff. ESA/Hubble CC BY 4.0
- Tipo
- Nebulosa de emissãoSIMBAD: OpC
- Distância
- 5.500 anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem, em 2015
- Constelação
- SagitárioSgr
- Tamanho no céu
- 1,6 minutos de arcoextensão catalogada no SIMBAD
- Observado por
- Hubble Space Telescope, Very Large Telescope, New Technology Telescope
- Imagem publicada
- abril de 2002
- Original do acervo
- 4.257 × 4.426 px19 megapixels
A Nebulosa Ômega fica na direção de Sagitário, região do céu que aponta para o centro da nossa galáxia e por isso concentra uma quantidade fora do comum de gás, poeira e estrelas jovens. A 5.500 anos-luz, nas coordenadas AR 275,1958 graus e Dec -16,1717 graus, é uma das fábricas de estrelas mais ativas conhecidas na Via Láctea.
O nome vem da forma. Em telescópios do século 18 a parte mais brilhante desenhava um arco que lembrava a letra grega ômega, ou o pescoço de um cisne visto de lado, e daí saíram os dois apelidos. Fotografias modernas mostram muito mais estrutura do que aquele arco, mas o nome ficou.
Há um detalhe do catálogo que vale explicar antes de tudo. O identificador canônico é NGC 6618, tipo aglomerado aberto, com tamanho aparente de apenas 1,63 minuto de arco. Isso não descreve a nebulosa: descreve o aglomerado de estrelas jovens que está dentro dela e fornece toda a energia do conjunto.
Por que só uma parte da nuvem aparece?
A Ômega é o exemplo didático do que se chama região HII de superfície. A maior parte da massa ali é uma nuvem molecular fria e escura, invisível em luz comum. As estrelas nasceram dentro dela, e a radiação ultravioleta dessas estrelas está escavando a nuvem de dentro para fora, ionizando o gás que encontra pela frente.
O que se fotografa é a parede da escavação: uma camada fina de gás ionizado brilhando na fronteira entre a região já limpa e a nuvem intacta. Não é uma bolha fechada. Em algum ponto a escavação rompeu a borda e o gás quente escapa. Por isso a nebulosa parece um arco encostado numa massa escura.
A consequência é que qualquer estimativa de massa feita a partir da parte visível subestima o objeto de forma grosseira. O gás aceso é uma casca; o reservatório de matéria-prima que sustenta a formação de estrelas está atrás dela e só aparece em rádio, submilimétrico e infravermelho.
O que as cores das imagens estão medindo?
Uma das imagens do acervo, feita com a câmera WFPC2 do Hubble, usa três filtros bem escolhidos: 502 nanômetros para oxigênio duas vezes ionizado, 656 para hidrogênio na linha H-alfa e 673 para enxofre ionizado. Cada faixa virou uma cor diferente, e a combinação mapeia o estado do gás ponto a ponto.
Arrancar dois elétrons de um átomo de oxigênio exige muito mais energia do que arrancar um do hidrogênio. Onde o oxigênio duplamente ionizado domina, a radiação é mais dura, o que significa proximidade das estrelas quentes. Onde o enxofre se destaca, o gás está mais frio e mais denso. A imagem é um mapa disfarçado de fotografia.
Outra imagem, feita com a câmera ACS em 2002, troca uma dessas faixas por um filtro em 814 nanômetros, já no vermelho profundo, onde a poeira atrapalha menos. Comparar as duas versões mostra quanta estrutura fica escondida atrás da poeira mesmo em regiões que parecem completamente iluminadas.
Por que o desvio para o vermelho é negativo?
O catálogo registra z igual a menos 0,00015. Valor negativo significa desvio para o azul, ou seja, o objeto está se aproximando. Isso confunde quem aprendeu que o universo está em expansão e que tudo se afasta de nós.
A expansão só domina em escalas muito maiores. Dentro da Via Láctea, o que um desvio espectral mede é movimento local: a nebulosa e o Sol orbitam o centro da galáxia em velocidades e direções ligeiramente diferentes. Para objetos da nossa galáxia, o redshift do catálogo é cinemática interna, não cosmologia.
O valor em si é minúsculo. Multiplicado pela velocidade da luz, dá algo em torno de 45 quilômetros por segundo, velocidade banal para movimentos dentro de uma galáxia. Números dessa ordem servem para estudar a rotação do disco da Via Láctea e a que braço espiral o objeto pertence, e não para estimar distância.
O que o infravermelho encontra dentro da nuvem
Uma imagem de 2010, feita com o instrumento ISAAC em faixas de 1.250, 1.600 e 2.200 nanômetros, num campo de 6,1 por 6,2 minutos de arco, atravessa boa parte da poeira que bloqueia a luz visível. O que aparece é uma população de estrelas jovens que a fotografia óptica não contém, ainda envolvidas nos casulos em que se formaram.
Essa diferença tem consequência direta em como se conta a produção de estrelas de uma região. Um censo feito só em luz visível registra as que já limparam a vizinhança e ignora as mais jovens, que são justamente as que informam se o processo continua acontecendo. A Ômega em infravermelho é bem mais povoada do que a Ômega em luz visível.
As três faixas usadas são as bandas clássicas do infravermelho próximo, conhecidas como J, H e K. Elas cobrem a janela em que a atmosfera terrestre ainda deixa passar radiação e em que a poeira já perdeu boa parte do poder de bloqueio, o que faz delas a ferramenta padrão para olhar dentro de berçários estelares a partir do solo.
Por que existe uma foto de mais de cinco graus
A maior imagem deste acervo cobre 331,5 por 126,2 minutos de arco, ou seja, mais de cinco graus por dois. É um campo dezenas de vezes maior que a área normalmente associada à nebulosa, e foi feito com a câmera OmegaCAM, projetada exatamente para levantamentos de céu largo.
O motivo de um enquadramento assim é o contexto. Nesse campo cabem três nebulosas ao mesmo tempo, todas na mesma faixa da Via Láctea, e ver as três juntas mostra que não são objetos isolados: pertencem a uma mesma região de formação estelar que se estende por milhares de anos-luz. Ampliar num objeto só esconde essa relação.
Outras imagens do acervo percorrem toda a escala intermediária, de 53,4 por 53,4 minutos de arco até 1,8 por 1,5 minuto de arco. Ler as fichas na ordem de campo, do maior para o menor, é a maneira mais rápida de entender onde termina a estrutura e onde começa o detalhe.
Os números deste objeto
| Identificação principal | NGC 6618SIMBAD |
|---|---|
| Distância | 5.500 anos-luzdeclarada pelo publicador |
| Constelação | Sagitário (Sgr) |
| Coordenadas J2000 | AR 275,1958 graus, Dec -16,1717 graus |
| Tamanho aparente | 1,63 minuto de arcoSIMBAD, referente ao aglomerado central e não à nebulosa inteira |
| Desvio para o vermelho | z = -0,00015 (aproximação)SIMBAD |
| Imagens no acervo | 11 |
| Produtos de observação no arquivo MAST | 62 do Hubbleconsulta num raio de 0,02 grau; produto de observação não equivale a noite de telescópio |
| Outras designações | M 17, Nebulosa do Cisne |
O que reparar nesta imagem
- O arco brilhanteÉ a parede de gás ionizado na fronteira da escavação, não uma faixa flutuando no vazio. O que está atrás dela é nuvem escura.
- Os glóbulos escuros com contorno claroGrumos densos que resistem à erosão. A borda iluminada é a superfície deles sendo evaporada pela radiação das estrelas próximas.
- As estrelas azuladas agrupadasO aglomerado NGC 6618. São elas que fornecem a radiação ultravioleta que faz o resto da nebulosa brilhar.
- A massa escura que encosta no arcoA parte sem brilho ao lado da região iluminada não é céu vazio: é a nuvem molecular intacta, que guarda quase toda a massa do objeto.
Por que esta imagem tem essas cores
Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.
ultravioletainfravermelho e ondas de rádio
- Azulluz visível · ACS · B435 nmolho enxerga
- Verdeluz visível · ACS · Oiii502 nmolho enxerga
- Vermelholuz visível · ACS · H-alpha658 nmolho enxerga
- Vermelhoinfravermelho · ACS · I814 nminvisível ao olho
Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Hubble junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.
Que tamanho é isso, de verdade
Cerca de 8,7 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 3,5 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 2,6 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.
A luz desta imagem levou 5.500 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta da época em que a escrita foi inventada na Mesopotâmia.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está abaixo do horizonte de São Paulo, SP. Ele volta a subir mais tarde, e alcança no máximo 83° de altura daqui.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 83 graus acima do horizonte.
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Quanto já se olhou para aqui
- 62registros do Hubble
Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 1,2 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.
O que ainda não se sabe
A distância de regiões de formação estelar é difícil de fixar, e valores publicados para esta nebulosa variam de forma significativa conforme o método. Como massa, idade e luminosidade das estrelas dali são calculadas a partir da distância, essa incerteza se propaga para praticamente todo número associado ao objeto. Segue em aberto também quanta massa de gás ainda resta atrás da parede iluminada, número que decide quantas estrelas a nuvem ainda pode produzir.
Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.
Uma coisa que quase ninguém sabe
Vários catálogos misturam os metadados desta nebulosa com os da Nebulosa da Águia, que fica na mesma região do céu e é igualmente famosa. Os dois objetos são distintos, e uma única imagem de campo largo do telescópio VST chega a enquadrar ambos e ainda uma terceira nebulosa vizinha.
Outras imagens deste objeto

Crédito NASA, Holland Ford (JHU), the ACS Science Team and ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito European Space Agency, NASA, and J. Hester (Arizona State University) ESA/Hubble CC BY 4.0


Crédito Akira Fujii ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito Copyright © Anglo-Australian Observatory. Photograph by David Malin ESA/Hubble CC BY 4.0



Crédito ESO/INAF-VST/OmegaCAM. Acknowledgement: OmegaCen/Astro-WISE/Kapteyn Institute ESO CC BY 4.0


Crédito NOAO/AURA/NSF ESA/Hubble CC BY 4.0
Vídeo de Nebulosa Ômega
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Outros objetos em Sagitário
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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Nebulosa da Lagoa
Crédito NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA NOIRLab CC BY 4.0
- Nebulosa da Aranha Vermelha
Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, J. H. Kastner (Rochester Institute of Technology) ESA/Webb CC BY 4.0
- Aglomerado Messier 54
- Terzan 5
Crédito NASA/ESA/Hubble/F. Ferraro ESA/Hubble CC BY 4.0
- Aglomerado Messier 18
- Centro da Via Láctea
Crédito NASA, ESA, and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA) Acknowledgment: NASA, ESA, T. Do and A. Ghez (UCLA), and V. Bajaj (STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa de Órion
- Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia
Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin. ESA/Hubble CC BY 4.0
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- Nebulosa NGC 3603
- Região de formação estelar N79
Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, O. Nayak, M. Meixner ESA/Webb CC BY 4.0
Perguntas frequentes
- Por que a Nebulosa Ômega tem tantos nomes?
- A Nebulosa Ômega acumulou apelidos por causa da forma. O arco mais brilhante lembrava a letra grega ômega para alguns observadores e o pescoço de um cisne para outros, e as duas leituras viraram nomes populares. A isso se somam os identificadores de catálogo: M 17, do catálogo de Messier, e NGC 6618, do New General Catalogue.
- Dá para observar a Nebulosa Ômega com telescópio pequeno?
- Sim, e ela está entre as nebulosas mais acessíveis do céu do sul. Fica em Sagitário, alta durante as noites de inverno e começo da primavera no Brasil, na mesma região da Via Láctea onde está o centro da galáxia. Em telescópio pequeno aparece como um arco esbranquiçado bem definido, sem as cores das fotografias.
- Qual a diferença entre a Nebulosa Ômega e a Nebulosa da Águia?
- São objetos diferentes, em constelações diferentes, embora vizinhos na mesma faixa da Via Láctea. A Nebulosa da Águia é a M 16, em Serpente, conhecida pelas colunas de poeira fotografadas pelo Hubble. A Ômega é a M 17, em Sagitário. A confusão vem de bancos de dados que misturam os nomes alternativos das duas.
- Por que se diz que vemos apenas a superfície da nuvem?
- Porque a maior parte da massa ali é gás molecular frio, que não emite luz visível e não aparece na fotografia. O que brilha é apenas a camada onde a radiação ultravioleta das estrelas jovens ioniza o gás, na fronteira com a nuvem intacta. A nebulosa colorida é uma casca fina; o corpo principal só aparece em rádio e infravermelho.
- Formam-se estrelas ali neste momento?
- Sim. A região é uma das mais ativas conhecidas na Via Láctea, com estrelas em vários estágios de nascimento espalhadas pela nuvem. Observações em infravermelho, como as feitas com o instrumento ISAAC em faixas entre 1.250 e 2.200 nanômetros, atravessam a poeira e revelam objetos jovens que a luz visível não alcança.
- Qual o tamanho da Nebulosa Ômega?
- O tamanho aparente de 1,63 minuto de arco que aparece no catálogo não descreve a nebulosa: descreve o aglomerado NGC 6618, que está dentro dela. A nebulosa é muito maior, e as imagens dão a melhor referência disponível. Uma delas, feita com a OmegaCAM, cobre 53,4 por 53,4 minutos de arco e ainda assim mostra a região de formação estelar ocupando boa parte do quadro. Nebulosas difusas não têm borda definida, e por isso um diâmetro único é sempre convenção.
- A Nebulosa Ômega é a mesma coisa que NGC 6618?
- Não exatamente, e a diferença importa. NGC 6618 é o identificador canônico registrado no catálogo para esta posição do céu, mas o tipo associado a ele é aglomerado aberto: são as estrelas jovens nascidas dentro da nuvem. A Nebulosa Ômega é o gás que as envolve e que brilha por causa delas. As duas coisas ocupam o mesmo lugar e são estágios do mesmo processo, e por isso os nomes acabaram usados como sinônimos.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Nebulosa Ômega. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/nebulosa-omega. Consultado em: 23/08/2026.










