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ObservatórioAstronomia

Galáxia

Galáxia de Bode

Espiral de braços impecáveis na Ursa Maior, presa numa dança gravitacional com a vizinha M 82 que deixou marcas nas duas.

Galáxia de Bode, galáxia, em imagem do DSS
"Grand Spiral Messier 81 (ground-based)", como o acervo nomeou esta imagem.Esta imagem obtida em solo mostra a galáxia espiral Messier 81 por inteiro. A imagem é uma combinação de exposições do Telescópio Isaac Newton, em La Palma (cortesia de Jonathan Irwin), e de imagens do Digitized Sky Survey 2.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito ESA/INT/DSS2 ESA/Hubble CC BY 4.0

Tipo
GaláxiaSIMBAD: Sy2
Distância
12 milhões de anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem, em 2008
Constelação
Ursa MaiorUMa
Tamanho no céu
21 minutos de arcoextensão catalogada no SIMBAD
Classificação
SA
Observado por
DSS, GALEX, Hubble Space Telescope
Imagem publicada
janeiro de 2004
Original do acervo
2.603 × 1.896 px5 megapixels

A Galáxia de Bode, catalogada como M 81 e NGC 3031, fica na constelação da Ursa Maior, a cerca de 12 milhões de anos-luz segundo a distância declarada pelo publicador das imagens. O nome vem de Johann Elert Bode, o astrônomo alemão que a identificou em 1774. Na mesma noite ele registrou também a vizinha M 82, e as duas seguem sendo citadas juntas até hoje, por bons motivos.

M 81 é outra espiral de desenho grandioso: braços largos, simétricos e contínuos, percorríveis do começo ao fim sem interrupção. Ela combina isso com um núcleo bem definido, e o SIMBAD a classifica com o código Sy2, de galáxia Seyfert do tipo 2, o que significa que há matéria caindo em um buraco negro supermassivo no centro.

A vizinhança é o assunto principal desta página. M 81 e M 82 estão suficientemente próximas para se perturbarem, e essa interação teve efeitos muito diferentes em cada uma. Em M 81 ela organizou os braços; em M 82 ela disparou uma explosão de formação de estrelas cujo material está sendo expulso do disco. Imagens de campo largo do acervo, com 63 por 42 minutos de arco, mostram as duas no mesmo quadro.

O que a vizinhança fez com ela?

Um encontro entre galáxias não precisa de contato para produzir efeito. Basta que a atração gravitacional exercida pela intrusa seja diferente de um lado ao outro do disco: essa diferença estica, comprime e reorganiza a matéria. É a mesma física que produz as marés oceânicas na Terra, em escala incomparavelmente maior.

Em M 81, o efeito visível é a nitidez dos braços. Uma perturbação externa reforça a onda de densidade que organiza o padrão espiral, e o disco responde com braços mais definidos e mais ricos em formação estelar. Espirais de desenho grandioso quase sempre têm uma história de interação por trás.

Entre as galáxias do grupo existem também pontes de hidrogênio neutro, gás arrancado dos discos pelas marés e esticado no espaço entre elas. Esse material não brilha em luz visível e é detectado por rádio, mas a existência dele é o que confirma que a interação foi física e não apenas aparente na projeção do céu.

Por que a imagem em ultravioleta é tão diferente?

Uma das imagens do acervo, feita pelo satélite GALEX, mostra M 81 e M 82 em ultravioleta, com 34,1 por 60,3 minutos de arco de campo. O aspecto muda completamente em relação às versões em luz visível, e o motivo é físico.

A quantidade de ultravioleta que uma estrela emite depende fortemente da temperatura da superfície. Estrelas quentes, azuis e massivas despejam a maior parte da energia nessa faixa, e vivem apenas alguns milhões de anos. Estrelas frias e velhas praticamente não contribuem. Uma imagem ultravioleta, portanto, mostra quase exclusivamente onde houve formação de estrelas em passado muito recente.

O resultado é que os braços aparecem realçados e o núcleo, dominado por estrelas velhas, quase desaparece. Comparar essa imagem com o composto heic0710b, que soma Hubble em 440 nanômetros, GALEX em 150 nanômetros e Spitzer em 8.000 nanômetros, é uma aula sobre o que cada faixa do espectro entrega: estrelas jovens no ultravioleta, população geral no visível, poeira aquecida no infravermelho.

Que galáxia é Holmberg IX?

Uma das imagens do acervo, de 2008, é dedicada a Holmberg IX, uma galáxia anã irregular que fica na vizinhança imediata de M 81. Ela cobre 3,1 por 3,3 minutos de arco e usa filtros em 555 e 814 nanômetros.

Galáxias anãs assim são companheiras comuns de espirais grandes. O interesse específico em Holmberg IX está na população estelar dela: um sistema dominado por estrelas jovens, sem a componente velha que se esperaria de uma galáxia formada no início do universo. Isso levanta a hipótese de que ela seja uma anã de maré, formada a partir de material arrancado dos discos de M 81 e M 82 durante o encontro entre elas.

Anãs de maré são um subproduto pouco intuitivo de interações. Quando dois discos são deformados, o gás expelido pode se concentrar longe das galáxias originais e formar estrelas no meio do caminho, produzindo um objeto novo. Se a hipótese se confirmar para Holmberg IX, ela seria um exemplo próximo o bastante para ser estudada estrela a estrela.

O que aconteceu ali em 1993?

Em 1993 uma estrela explodiu em M 81, e o evento se tornou uma das supernovas mais estudadas do século 20. A proximidade da galáxia é o motivo: a 12 milhões de anos-luz, uma explosão dessas é brilhante o bastante para ser acompanhada em detalhe por muitos instrumentos, ao longo de anos.

O acompanhamento de longo prazo permite observar coisas que uma supernova distante nunca revela. O material lançado continua se expandindo e batendo no gás em volta, e essa colisão produz emissão em rádio e em raios X que dura décadas. A curva de como esse brilho decai carrega informação sobre quanta massa a estrela tinha perdido antes de explodir.

Aqui vale a mesma lógica do arquivo que se aplica a outras galáxias próximas: com 1.876 produtos de observação do Hubble registrados na região, imagens anteriores ao evento existem e permitem investigar a estrela que explodiu. Nenhuma dessas observações foi feita prevendo a explosão, e é justamente por isso que arquivos astronômicos são mantidos indefinidamente.

Como se lê um núcleo Seyfert?

O código Sy2 no SIMBAD marca que o centro de M 81 emite mais do que as estrelas concentradas ali conseguiriam explicar. A fonte extra é um buraco negro supermassivo acretando matéria: gás que cai em espiral esquenta por atrito e irradia antes de cruzar o ponto sem volta.

A massa desse buraco negro é estimada em dezenas de milhões de vezes a do Sol, e a estimativa não vem de vê-lo, e sim do movimento das estrelas e do gás nas imediações. Quanto mais rápido esse material orbita a uma dada distância, mais massa precisa estar concentrada dentro daquela órbita.

A atividade nuclear de M 81 é modesta comparada à de quasares distantes, e essa moderação é típica de galáxias próximas. A maior parte dos núcleos ativos violentos está longe, o que significa cedo na história do universo, quando havia mais gás disponível para alimentá-los. Ver um núcleo ativo de baixa luminosidade a 12 milhões de anos-luz é observar a versão contemporânea e discreta de um fenômeno que já foi comum.

Os números deste objeto

Distância12.000.000 anos-luzdeclarada pelo publicador das imagens
ConstelaçãoUrsa Maior (UMa)
Identificação principalM 81 (NGC 3031)SIMBAD
ClassificaçãoSeyfert 2 no SIMBAD, tratada aqui como galáxia
MorfologiaSASIMBAD
Tamanho aparente21,38 minutos de arcoSIMBAD
Coordenadas J2000AR 148,888 graus, Dec 69,065 graus
Observações no arquivo MASTHubble 1.876, James Webb 76, GALEX 8
Imagens no acervo12

O que reparar nesta imagem

  • A companheira no mesmo quadroNas imagens de campo largo, uma segunda galáxia aparece ao lado, alongada e irregular: é M 82, cuja formação estelar explosiva foi disparada pela interação com M 81.
  • As faixas de poeira nos braçosLinhas escuras acompanham a borda interna de cada braço. É poeira interestelar bloqueando a luz de trás, e marca onde o gás é mais denso e comprimido.
  • O contraste entre núcleo e discoO centro é amarelado, dominado por estrelas velhas; os braços são azulados, dominados por estrelas jovens. A cor separa duas populações com idades muito diferentes.
  • A anã irregular vizinhaUm dos recortes do acervo mostra Holmberg IX, galáxia anã próxima de M 81 e candidata a ter se formado com material arrancado pelas marés do encontro.

Que tamanho é isso, de verdade

Este recorte do céu tem quase o mesmo tamanho aparente da Lua cheia. O recorte fotografado mede 29 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 74.630 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.

A luz desta imagem levou 12 milhões de anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era quando os primeiros representantes do gênero Homo apareciam na África.

Dá para ver isso daqui?

Deste ponto do Brasil este objeto nunca sobe acima do horizonte: a latitude de São Paulo, SP deixa ele sempre abaixo da linha do chão.

Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.

Quanto já se olhou para aqui

  • 1.876registros do Hubble
  • 76registros do James Webb
  • 8registros do GALEX

Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 11 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.

O que ainda não se sabe

A massa do buraco negro central de M 81 continua com margem ampla, porque é estimada indiretamente pelo movimento do gás e das estrelas próximas, e diferentes métodos entregam valores diferentes. A origem de Holmberg IX segue em disputa: a hipótese de anã de maré, formada com material arrancado durante o encontro entre M 81 e M 82, concorre com a de uma galáxia anã antiga capturada. Também não há consenso sobre a geometria exata do encontro entre as galáxias do grupo, nem sobre quando ele ocorreu, e diferentes reconstruções produzem cronologias distintas para a explosão de formação estelar observada em M 82.

Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.

Uma coisa que quase ninguém sabe

Johann Elert Bode identificou M 81 e M 82 na mesma noite de 1774, e as duas continuam inseparáveis na prática astronômica: quase toda imagem de campo largo do acervo enquadra as duas juntas, porque a interação entre elas é o assunto científico principal da região.

Outras imagens deste objeto

Galáxia de Bode, galáxia, em imagem do GALEX
GALEX.Uma imagem ultravioleta do GALEX das galáxias em interação M81 e M82, que ficam a 12 milhões de anos-luz de distância, na constelação da Ursa Maior. A gravidade de cada galáxia afetou drasticamente a outra durante seu último encontro próximo, há 200 milhões de anos.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, and D. de Mello (Catholic University of America/GSFC) & NASA/GALEX ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia de Bode, galáxia
Esta imagem obtida em solo de M81 (à esquerda) e M82 (à direita) foi feita por Robert Gendler com um telescópio de 12 polegadas, em um subúrbio nos arredores de Hartford, Connecticut. A distância entre as duas galáxias populares é de 37 minutos de arco (aproximadamente o diâmetro da Lua).Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito Robert Gendler ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia de Bode, galáxia
Esta imagem grande-angular feita pelo astrofotógrafo Robert Gendler mostra a impressionante dupla formada por Messier 81 (à direita) e Messier 82 (à esquerda). Essas duas poderosas galáxias no Carro (Ursa Maior) estão entre as galáxias mais famosas e queridas que os astrônomos amadores conhecem.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito Robert Gendler (http://www.robgendlerastropics.com/) ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia de Bode, galáxia, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.A imagem mais nítida já obtida da grande galáxia espiral de "grande desenho" M81 está sendo divulgada hoje no encontro da American Astronomical Society, em Honolulu, Havaí. Um sistema de estrelas, poeira e nuvens de gás em forma de espiral, os braços da galáxia se enrolam até o próprio núcleo.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA). Acknowledgment: A. Zezas and J. Huchra (Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics) ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia de Bode, galáxia, em imagem do GALEX
GALEX, instrumento ACS.Esta imagem combina dados das missões Telescópio Espacial Hubble, Telescópio Espacial Spitzer e Galaxy Evolution Explorer (GALEX). Os dados ultravioleta do GALEX vieram da porção do ultravioleta distante do espectro (135 a 175 nanômetros).Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA and A. Zezas (Harvard-Smithsonian Centre for Astrophysics); GALEX data: NASA, JPL-Caltech, GALEX Team, J. Huchra et al. (Harvard-Smithsonian Centre for Astrophysics); Spitzer data: NASA/JPL/Caltech/Harvard-Smithsonian Centre for Astrophysics. ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia de Bode, galáxia
Esta imagem grande-angular feita pelo astrofotógrafo Robert Gendler mostra a impressionante dupla formada por Messier 81 (à direita) e Messier 82 (à esquerda). Essas duas poderosas galáxias no Carro (Ursa Maior) estão entre as galáxias mais famosas e queridas que os astrônomos amadores conhecem.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, Z. Levay (STScI) and R. Gendler ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia de Bode, galáxia, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.Esta foto do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra a majestosa galáxia espiral M81. No meio dessa galáxia está a supernova 1993J, sobre a qual se descobriu recentemente que tem uma estrela companheira, escondida no brilho da supernova por 21 anos.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, A. Zezas (CfA), and A. Filippenko (UC Berkeley) Acknowledgment: Hubble Heritage Team (STScI/AURA) & O. Fox (University of California, Berkeley) ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia de Bode, galáxia, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.Transição entre bojo e disco em M81 e cadeia de regiões HII.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA). Acknowledgment: A. Zezas and J. Huchra (Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics) ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia de Bode, galáxia, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.Este conjunto disperso de estrelas é na verdade uma galáxia anã irregular, chamada Holmberg IX. Ela fica logo além da borda externa de M81, uma grande galáxia espiral na Ursa Maior. Esta imagem foi feita com a Advanced Camera for Surveys do Hubble no início de 2006.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA). Acknowledgment: D. de Mello (Catholic University of America and GSFC) ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia de Bode, galáxia, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.

Crédito NASA, ESA and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA). Acknowledgment: A. Zezas and J. Huchra (Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics) ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia de Bode, galáxia, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.Associações OB no braço externo ao norte de M81.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA). Acknowledgment: A. Zezas and J. Huchra (Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics) ESA/Hubble CC BY 4.0

Vídeo de Galáxia de Bode

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Galáxia do Cata-vento

    Crédito NASA, ESA, CXC, SSC and STScI ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Charuto

    Crédito NASA, ESA, CSA, A. Smercina (STScI), T. Williams (University of Manchester). Image processing: A. Pagan (STScI). ESA/Webb CC BY 4.0

  • Galáxia de Andrômeda

    Crédito ESA/Hubble & Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Sombrero

    Crédito ESA/Hubble & NASA, K. Noll ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Redemoinho

    Crédito NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia Fantasma

    Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, A. Adamo (Stockholm University) and the FEAST JWST team ESA/Webb CC BY 4.0

Perguntas frequentes

Por que a galáxia se chama Galáxia de Bode?
Em referência a Johann Elert Bode, o astrônomo alemão que a identificou em 1774. Na mesma noite ele registrou também a galáxia vizinha, hoje catalogada como M 82. O nome próprio pegou porque a dupla é estudada em conjunto desde então. Nos catálogos formais a galáxia aparece como M 81 e como NGC 3031, e é por esses códigos que ela é referida em trabalhos científicos.
Qual a relação entre M 81 e M 82?
As duas são vizinhas próximas e se perturbam gravitacionalmente, com efeitos bem diferentes em cada uma. Em M 81 a interação reforçou o padrão espiral e deixou braços largos e simétricos. Em M 82 ela disparou uma explosão de formação de estrelas cujo material está sendo expelido do disco. Entre as galáxias do grupo existem pontes de hidrogênio neutro, gás arrancado pelas marés e detectado por rádio.
O que significa M 81 ser uma galáxia Seyfert 2?
Significa que o núcleo dela emite mais energia do que as estrelas concentradas ali conseguiriam produzir, sinal de matéria caindo em um buraco negro supermassivo. O tipo 2 indica que a região mais interna está obstruída, de modo que o espectro só mostra linhas formadas mais longe do centro. A atividade de M 81 é modesta comparada à de quasares distantes, o que é típico de núcleos ativos em galáxias próximas.
Por que M 81 quase some nas imagens em ultravioleta?
Porque a emissão ultravioleta vem quase toda de estrelas quentes, azuis e massivas, que vivem poucos milhões de anos. O núcleo de M 81 é dominado por estrelas velhas e frias, que quase não emitem nessa faixa, então ele praticamente desaparece. Os braços, onde a formação estelar é recente, aparecem realçados. Uma imagem ultravioleta funciona como filtro temporal: mostra o que se formou há pouco.
Que tamanho M 81 ocupa no céu?
O SIMBAD registra 21,38 minutos de arco de tamanho aparente, cerca de dois terços do diâmetro da Lua cheia. Uma das imagens do Hubble no acervo cobre 18,8 por 12,7 minutos de arco e enquadra a maior parte do disco. Para mostrar M 81 e M 82 no mesmo retrato é preciso ir a campos maiores, como os registros de solo de 63 por 42 minutos de arco presentes no acervo.
O que é Holmberg IX?
Uma galáxia anã irregular na vizinhança imediata de M 81, com um recorte próprio no acervo. O interesse nela vem da população estelar: predomina material jovem, sem a componente velha esperada de uma galáxia formada no início do universo. Isso sustenta a hipótese de que Holmberg IX seja uma anã de maré, formada a partir de gás arrancado dos discos durante o encontro entre M 81 e M 82. A questão não está encerrada.
Dá para observar M 81 com telescópio amador?
Sim, e ela é um alvo popular. Em céu escuro, um telescópio amador mostra M 81 como um oval difuso com centro mais brilhante, e M 82 aparece no mesmo campo como um fuso alongado. As duas cabem juntas na ocular em aumentos baixos, o que faz da dupla um dos pares mais procurados do céu do norte. A estrutura espiral, porém, exige fotografia com exposição longa.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Galáxia de Bode. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/galaxia-de-bode. Consultado em: 23/08/2026.