Galáxia
Galáxia NGC 4945
Uma espiral gigante vista quase exatamente de perfil no Centauro, a 13 milhões de anos-luz, com um núcleo ativo escondido atrás de poeira.

- Tipo
- GaláxiaSIMBAD: Sy2
- Distância
- 13 milhões de anos-luzpublicadores declaram de 11,6 milhões de a 13 milhões de anos-luz; aqui vale o comunicado de 2010
- Constelação
- CentauroCen
- Tamanho no céu
- 20 minutos de arcoextensão catalogada no SIMBAD
- Classificação
- SB(s)cd?edge
- Observado por
- MPG/ESO 2.2-metre telescope, Danish 1.54-metre telescope, Very Large Telescope
- Imagem publicada
- março de 1999
- Original do acervo
- 2.009 × 1.979 px4 megapixels
- Desvio para o vermelho
- z = 0,002
NGC 4945 é uma galáxia espiral que a Terra enxerga quase exatamente de lado, na constelação do Centauro, a cerca de 13 milhões de anos-luz segundo a distância declarada pelo publicador da imagem. Essa distância a coloca entre as galáxias grandes mais próximas da Via Láctea. No céu ela ocupa 20,42 minutos de arco de comprimento, o que corresponde a aproximadamente dois terços do diâmetro aparente da Lua cheia. É um objeto grande e, ainda assim, pouco conhecido fora do hemisfério sul.
A classificação morfológica registrada é SB(s)cd, com a observação de que se trata de uma galáxia vista de perfil. Traduzindo o código: SB indica que existe uma barra central de estrelas atravessando o núcleo, o (s) indica que os braços saem diretamente das pontas dessa barra em vez de partirem de um anel, e cd indica braços abertos e frouxos, com bojo central pequeno. Como a inclinação é quase de canto, nada disso aparece na imagem: o que se vê é um fuso alongado cortado por uma faixa escura.
O SIMBAD classifica NGC 4945 como Sy2, sigla para galáxia Seyfert do tipo 2. Isso significa que no centro dela existe um buraco negro supermassivo consumindo matéria, e que a região onde esse material se aquece está encoberta por gás e poeira densos. A galáxia parece calma em luz visível e é uma das mais brilhantes do céu em raios X duros, que atravessam a barreira. As duas descrições convivem porque descrevem faixas diferentes do espectro.
Por que ela parece um risco no céu?
Uma galáxia espiral é um disco fino. A proporção entre o diâmetro e a espessura desse disco é comparável à de um prato, e não à de uma bola. Quando o plano do disco fica alinhado com a linha de visada, todo o material se acumula visualmente numa faixa estreita, e a estrutura em espiral desaparece por completo. Não existe processamento capaz de recuperar a forma dos braços numa galáxia vista assim: a informação de profundidade não chega até a imagem.
Em compensação, a geometria de perfil entrega algo que a vista de cima esconde. Com o disco de lado, dá para medir a espessura dele, ver como a poeira se distribui em relação ao plano médio e observar material que está sendo empurrado para fora, perpendicular ao disco. Galáxias com formação estelar intensa no centro costumam expelir gás nessa direção, porque é o caminho de menor resistência, e só a vista de perfil separa esse gás do resto.
A faixa escura que corta NGC 4945 ao meio é a assinatura direta disso. Ela não é um vazio nem uma fenda. É poeira concentrada no plano do disco, exatamente entre nós e as estrelas de trás, absorvendo a luz que vem delas. A mesma poeira que bloqueia a imagem é a matéria-prima das próximas gerações de estrelas.
O que significa ser uma galáxia Seyfert 2?
Galáxias Seyfert são galáxias comuns, em geral espirais, com um núcleo anormalmente brilhante e com espectro dominado por gás fortemente ionizado. A fonte de energia não são estrelas: é matéria caindo em direção a um buraco negro supermassivo central, que se aquece por atrito antes de cruzar o horizonte de eventos. Essa família de objetos é a versão de baixa potência do mesmo fenômeno que produz os quasares.
A divisão entre tipo 1 e tipo 2 vem das linhas do espectro. No tipo 1 aparecem linhas de emissão muito largas, produzidas por gás que se move a milhares de quilômetros por segundo bem perto do buraco negro. No tipo 2 essas linhas largas somem e restam apenas as linhas estreitas, de gás mais afastado e mais lento. A interpretação mais aceita é geométrica: nos dois casos existe a mesma máquina central, mas no tipo 2 a linha de visada atravessa uma estrutura espessa de gás e poeira que esconde a região interna.
Em NGC 4945 a combinação com a inclinação de perfil deixa o caso ainda mais extremo. Além da poeira do próprio núcleo, a luz precisa atravessar todo o disco visto de canto. O resultado é uma galáxia que, num retrato em luz visível, não denuncia o que tem no centro.
Como se sabe que ela está a 13 milhões de anos-luz?
O desvio para o vermelho medido é z = 0,00226. Multiplicando esse valor pela velocidade da luz, chega-se a uma velocidade de afastamento de aproximadamente 680 quilômetros por segundo. Para galáxias muito distantes, esse número dividido pela constante de Hubble já dá a distância com boa aproximação, porque a expansão do universo domina o movimento.
Perto de casa a conta perde precisão. A 13 milhões de anos-luz, a atração gravitacional entre as galáxias do grupo local em torno produz velocidades próprias que se somam ou se subtraem da expansão, e uma diferença de algumas centenas de quilômetros por segundo muda bastante o resultado. Por isso distâncias nessa escala são estimadas por outros caminhos, que usam objetos de brilho intrínseco conhecido dentro da própria galáxia.
O acervo registra o valor de 13 milhões de anos-luz como declarado pelo publicador da imagem, e é assim que ele é apresentado aqui. Estimativas independentes na literatura variam em torno desse número, o que é normal para galáxias com muita poeira no caminho: a poeira avermelha e apaga as fontes usadas como referência de brilho.
O que a imagem de campo largo mostra?
A imagem do acervo foi registrada em 2009 pela câmera de campo largo WFI, num telescópio do ESO no Chile, e cobre 22 por 22 minutos de arco. Comparando com os 20,42 minutos de arco do tamanho aparente da galáxia, o enquadramento é justo: NGC 4945 preenche quase toda a largura do quadro, deixando pouca margem em volta. É um caso em que a foto mostra o objeto inteiro, e não um recorte do centro.
Câmeras de campo largo desse tipo existem justamente para alvos assim. Instrumentos de altíssima resolução, como os do Hubble, têm campo de visão pequeno e precisariam de vários apontamentos para cobrir a galáxia toda. Para medir a extensão total de um disco, contar aglomerados ao longo dele e enxergar as bordas fracas, o campo largo vale mais que a resolução extrema.
Vale reparar também no que não é a galáxia. Boa parte dos pontos espalhados pelo quadro são estrelas da própria Via Láctea, a alguns milhares de anos-luz, projetadas por acaso na mesma direção. A separação entre o primeiro plano local e o fundo extragaláctico é feita pelo brilho, pela cor e, quando há dados, pelo movimento próprio de cada ponto.
Os números deste objeto
| Distância | 13.000.000 anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem |
|---|---|
| Constelação | Centauro (Cen) |
| Identificação principal | NGC 4945SIMBAD |
| Classificação | Sy2, galáxia Seyfert do tipo 2SIMBAD |
| Morfologia | SB(s)cd, vista de perfil |
| Tamanho aparente | 20,42 minutos de arcoSIMBAD |
| Coordenadas J2000 | AR 196,3637 graus, Dec -49,4679 graus |
| Desvio para o vermelho | z = 0,00226 |
| Imagens no acervo | 1 |
O que reparar nesta imagem
- A faixa escura no meio do fusoA linha escura que divide a galáxia ao comprido é poeira concentrada no plano do disco, bloqueando a luz das estrelas que estão atrás. É o mesmo material que forma estrelas novas.
- O brilho concentrado no centroA parte central é mais clara e mais espessa que as pontas. Ali está o bojo, e é atrás dele que fica o núcleo ativo que o SIMBAD classifica como Seyfert 2.
- A galáxia preenchendo o quadroO campo da imagem tem 22 minutos de arco e a galáxia tem 20,42. Não sobra quase margem, o que confirma que se está vendo o objeto inteiro e não um recorte.
- Os pontos que não são delaBoa parte das estrelas espalhadas pelo quadro pertence à Via Láctea e está a alguns milhares de anos-luz. Elas só coincidem na direção, não no espaço.
Por que esta imagem tem essas cores
Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.
ultravioletainfravermelho e ondas de rádio
- Azulultravioleta · WFI · U336 nminvisível ao olho
- Verdeluz visível · WFI · B445 nmolho enxerga
- Vermelholuz visível · WFI · R658 nmolho enxerga
Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESO junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.
Que tamanho é isso, de verdade
Este recorte do céu tem quase o mesmo tamanho aparente da Lua cheia. O recorte fotografado mede 32 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 77.219 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.
A luz desta imagem levou 13 milhões de anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era quando os primeiros representantes do gênero Homo apareciam na África.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, baixo, perto do horizonte, a 2° de altura, na direção SO.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 64 graus acima do horizonte.
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Quanto já se olhou para aqui
- 255registros do Hubble
- 454registros do James Webb
Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 10 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.
O que ainda não se sabe
Continua difícil separar quanto da energia emitida por NGC 4945 vem do buraco negro central e quanto vem do surto de formação estelar que acontece na mesma região. Como a poeira absorve quase tudo em luz visível, a divisão depende de modelagem em raios X e infravermelho, e o resultado muda conforme as suposições sobre a quantidade de material que encobre o núcleo. A própria distância tem incerteza maior do que o número redondo sugere, porque a poeira interfere nos métodos que usam brilho aparente como régua.
Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.
Uma coisa que quase ninguém sabe
Apesar de ocupar no céu cerca de dois terços do diâmetro da Lua cheia e de estar entre as galáxias grandes mais próximas, NGC 4945 é pouco conhecida do público. A explicação é geográfica: com declinação de quase 50 graus negativos, ela nunca sobe no céu da Europa e de boa parte dos Estados Unidos, onde se concentrou historicamente a divulgação de astronomia.
Outras imagens deste objeto


Crédito ESO/IDA/Danish 1.5 m/R. Gendler and C. Thöne ESO CC BY 4.0





Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin ESO CC BY 4.0


Vídeo de Galáxia NGC 4945
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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Centaurus A
- Glóbulos de Thackeray
Crédito ESO/VPHAS+ team. Acknowledgement: CASU ESO CC BY 4.0
- Ômega Centauri
Crédito ESO/INAF-VST/OmegaCAM. Acknowledgement: A. Grado, L. Limatola/INAF-Capodimonte Observatory ESO CC BY 4.0
- Aglomerado NGC 3766
- Galáxia de Andrômeda
Crédito ESA/Hubble & Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0
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Crédito ESA/Hubble & NASA, K. Noll ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Redemoinho
Crédito NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Cata-vento
Crédito NASA, ESA, CXC, SSC and STScI ESA/Hubble CC BY 4.0
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Crédito NASA, ESA, CSA, A. Smercina (STScI), T. Williams (University of Manchester). Image processing: A. Pagan (STScI). ESA/Webb CC BY 4.0
- Galáxia de Bode
Crédito ESA/INT/DSS2 ESA/Hubble CC BY 4.0
Perguntas frequentes
- O que é a galáxia NGC 4945?
- NGC 4945 é uma galáxia espiral barrada vista quase exatamente de perfil, na constelação do Centauro, a cerca de 13 milhões de anos-luz segundo a distância declarada pelo publicador da imagem. Ela tem 20,42 minutos de arco de tamanho aparente e uma faixa de poeira que a corta ao comprido. O SIMBAD a classifica como Seyfert do tipo 2, o que indica um buraco negro supermassivo ativo no centro, escondido atrás de gás e poeira densos.
- Por que NGC 4945 aparece como uma faixa e não como uma espiral?
- Porque o disco dela está alinhado com a nossa linha de visada. Uma galáxia espiral é um disco fino, e quando ele é visto de canto todo o material se projeta numa faixa estreita, sem que os braços apareçam. A morfologia registrada, SB(s)cd, descreve uma barra central e braços abertos que existem de fato, mas que essa geometria não permite enxergar. A vista de perfil compensa mostrando a espessura do disco e a distribuição da poeira.
- O que é uma galáxia Seyfert do tipo 2?
- Galáxias Seyfert têm um núcleo muito brilhante alimentado por matéria caindo em um buraco negro supermassivo, e não por estrelas. No tipo 1, o espectro mostra linhas de emissão muito largas, produzidas por gás rápido bem perto do buraco negro. No tipo 2, essas linhas largas não aparecem, e a explicação mais aceita é que uma estrutura espessa de gás e poeira bloqueia a visão da região interna. A máquina central é a mesma nos dois casos, o que muda é o ângulo de visão.
- Dá para ver NGC 4945 com telescópio amador?
- Sim, do hemisfério sul e em céu escuro. Com 20,42 minutos de arco de extensão, ela é grande o bastante para aparecer em telescópios modestos como um fuso alongado e difuso, sem cor. A faixa de poeira central exige abertura maior e céu bem escuro para ser percebida. A galáxia fica na constelação do Centauro, com declinação próxima de 49 graus negativos, o que a torna alta no céu brasileiro e inacessível de boa parte do hemisfério norte.
- Qual a diferença entre NGC 4945 e a Via Láctea?
- As duas são galáxias espirais com barra central e disco fino, de porte comparável, o que faz de NGC 4945 uma espécie de espelho externo da nossa. A diferença principal está no centro: o buraco negro supermassivo da Via Láctea consome muito pouca matéria e é bastante apagado, enquanto o de NGC 4945 está ativo o suficiente para ser classificado como Seyfert. Existe também a vantagem de perspectiva, já que só é possível ver de fora uma galáxia que não seja a nossa.
- Por que a distância de 13 milhões de anos-luz não é exata?
- Porque nessa escala o desvio para o vermelho não basta. O valor medido, z = 0,00226, corresponde a cerca de 680 quilômetros por segundo de afastamento, mas parte dessa velocidade vem da atração gravitacional das galáxias vizinhas e não da expansão do universo. Métodos alternativos usam objetos de brilho conhecido dentro da própria galáxia, e neles a poeira de NGC 4945 atrapalha, porque avermelha e apaga as fontes de referência. O acervo apresenta o valor declarado pelo publicador.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Galáxia NGC 4945. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/galaxia-ngc-4945. Consultado em: 23/08/2026.









