Aglomerado globular
Ômega Centauri
O maior aglomerado globular da Via Láctea, com dez milhões de estrelas, e possivelmente o núcleo de uma galáxia engolida.

Crédito ESA/Hubble & NASA, M. Häberle (MPIA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Tipo
- Aglomerado globularSIMBAD: GlC
- Distância
- 17.000 anos-luz
- Constelação
- CentauroCen
- Tamanho no céu
- 36 minutos de arco
- Observado por
- Hubble Space Telescope, VLT Survey Telescope, MPG/ESO 2.2-metre telescope
- Imagem publicada
- julho de 2024
- Original do acervo
- 13.719 × 13.719 px188 megapixels
Ômega Centauri é visível a olho nu do Brasil como uma estrela borrada na constelação do Centauro, e foi catalogada como estrela por Ptolomeu no século 2. Só em 1826 alguém percebeu que aquilo era um aglomerado, e não um astro único.
Ele é o maior aglomerado globular da Via Láctea, com cerca de dez milhões de estrelas comprimidas num volume de aproximadamente 150 anos-luz de diâmetro. No centro, a densidade é tal que as estrelas ficam a poucas semanas-luz umas das outras, contra os mais de quatro anos-luz que separam o Sol da vizinha mais próxima.
Ele é anômalo em algo importante. Aglomerados globulares comuns têm estrelas todas da mesma idade e da mesma composição química, porque nasceram juntas de uma nuvem só. Ômega Centauri tem várias populações distintas, com idades e composições diferentes. A explicação mais aceita é que ele não é um aglomerado de verdade, e sim o núcleo remanescente de uma galáxia anã que a Via Láctea engoliu e desmontou.
O que reparar nesta imagem
- A concentração centralAs estrelas ficam tão próximas no meio que a imagem quase satura. Ali a densidade é milhares de vezes maior que na vizinhança do Sol.
- As cores diferentesEstrelas amarelas e alaranjadas são velhas e evoluídas. As poucas azuis provavelmente são resultado de colisões ou de transferência de massa entre estrelas próximas.
Por que esta imagem tem essas cores
Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.
ultravioletainfravermelho e ondas de rádio
- Azulultravioleta · WFC3 · UV275 nminvisível ao olho
- Azulluz visível · WFC3 · U336 nminvisível ao olho
- Azulluz visível · ACS · B435 nmolho enxerga
- Azulluz visível · WFC3 · B438 nmolho enxerga
- Verdeluz visível · WFC3 · V606 nmolho enxerga
- Verdeluz visível · WFC3 · r625 nmolho enxerga
- Vermelholuz visível · WFC3 · N II658 nmolho enxerga
- Vermelholuz visível · WFC3 · I814 nminvisível ao olho
Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Hubble junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.
Que tamanho é isso, de verdade
Cerca de 3,4 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 9,2 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 179,5 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.
A luz desta imagem levou 17.000 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta do fim da última era glacial.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, bem alto, a 60° de altura, na direção SO.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 66 graus acima do horizonte.
Este é um dos poucos objetos do acervo que dá para encontrar a olho nu, em céu escuro. O que você vai ver é bem mais pálido e menor que a imagem: telescópios acumulam luz por horas, e o olho não.
Uma coisa que quase ninguém sabe
Se a Terra orbitasse uma estrela no centro de Ômega Centauri, o céu noturno teria milhares de estrelas mais brilhantes que Sirius, e a noite nunca ficaria realmente escura.
Outras imagens deste objeto

Crédito ESO/INAF-VST/OmegaCAM. Acknowledgement: A. Grado, L. Limatola/INAF-Capodimonte Observatory ESO CC BY 4.0

Baixar esta imagem
A licença CC BY 4.0 permite usar a imagem, inclusive comercialmente, desde que o crédito apareça inteiro e visível junto dela. Copie o crédito acima junto com o arquivo.
Outros objetos em Centauro
Continue explorando
Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Centaurus A
Crédito NASA, ESA, CSA, STScI. Image Processing: A. Pagan (STScI), J. Depasquale (STScI), M. Garcia Marin (ESA Office at STScI) ESA/Webb CC BY 4.0
- Glóbulos de Thackeray
Crédito ESO/VPHAS+ team. Acknowledgement: CASU ESO CC BY 4.0
- Galáxia NGC 4945
- Aglomerado NGC 3766
- 47 Tucanae
Crédito ESO/M.-R. Cioni/VISTA Magellanic Cloud survey.Acknowledgment: Cambridge Astronomical Survey Unit ESO CC BY 4.0
- Aglomerado Messier 54
- Terzan 5
- Aglomerado NGC 6388
Crédito NASA, ESA, F. Ferraro (University of Bologna) ESA/Hubble CC BY 4.0
Perguntas frequentes
Dá para ver Ômega Centauri a olho nu?
Dá, e do Brasil é fácil. Ela aparece na constelação do Centauro como uma estrela de brilho médio que, olhando com atenção, parece levemente borrada. Num binóculo simples já se resolve como uma bola difusa de estrelas.
Por que ele tem nome de estrela se é um aglomerado?
Porque foi catalogado como estrela. A nomenclatura com letra grega mais o nome da constelação é o sistema de Bayer, criado em 1603 para estrelas. Só depois se descobriu que aquele ponto era um aglomerado, e o nome ficou.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
Continue explorando
Como citar esta página
ValorFinal. Ômega Centauri. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/omega-centauri. Consultado em: 23/08/2026.







