Atualização de débitos trabalhistas: correção, juros e a ADC 58

Guia da atualização de débitos trabalhistas: o que mudou com a decisão do STF na ADC 58/59 e a Lei 14.905/2024, a diferença entre fase pré-judicial (IPCA mais juros) e fase judicial (Selic), por que a Selic embute correção e juros, e como estimar o valor atualizado.

Revisado pela equipe editorial ValorFinalSTF ADC 58/59 / Lei 14.905/2024 / Justiça do Trabalho

Resposta rápida

  • Critério atual (ADCs 58/59 do STF): IPCA-E na fase pré-judicial e, a partir do ajuizamento, Selic (que já embute correção + juros).
  • Antes da definição do STF, usava-se TR/IPCA-E + juros de 1% ao mês, conforme o período.
  • O valor oficial no processo é o da contadoria judicial; calculadoras servem para estimar.

Atualizar um débito trabalhista é somar ao valor original a correção monetária (que repõe a inflação) e os juros (que remuneram o atraso). O critério mudou bastante nos últimos anos, com a decisão do STF nas ADCs 58 e 59 e a Lei 14.905/2024. Este guia explica o que vale hoje, a diferença entre as fases e como estimar o valor. Para fazer a conta, use a calculadora de atualização de débitos.

Aviso importante

O conteúdo é educativo. O valor com validade no processo é o da contadoria judicial, pela tabela única da Justiça do Trabalho. Não use esta estimativa como cálculo oficial.

O que mudou com a ADC 58/59

Durante anos houve disputa sobre qual índice corrigia os débitos trabalhistas. Em 2020, o STF decidiu, nas ADCs 58 e 59, que se aplica o IPCA-E na fase pré-judicial (com juros) e a taxa Selic a partir do ajuizamento da ação. A Selic, por já reunir correção e juros, passou a ser o índice único da fase judicial. Essa definição encerrou a aplicação isolada da TR e trouxe previsibilidade ao cálculo.

A Lei 14.905/2024

Em 2024, a Lei 14.905 alterou as regras de correção e juros do Código Civil, com efeitos a partir de 30 de agosto de 2024. Ela consolidou o IPCA como índice de correção e a Selic como referência de juros, alinhando o direito civil ao que já valia para os débitos trabalhistas. Para débitos com marcos anteriores, podem conviver critérios distintos por período, o que torna o cálculo oficial mais complexo.

Fase pré-judicial x fase judicial

Na fase pré-judicial (do vencimento até o ajuizamento), o valor é corrigido pela inflação (IPCA/IPCA-E) e recebe juros. Na fase judicial (a partir da ação), aplica-se apenas a Selic acumulada, que já embute correção e juros. Por isso, na fase Selic, não se soma um índice de correção à parte: isso geraria dupla contagem.

Como estimar o valor atualizado

Reúna os percentuais acumulados do período e aplique o critério da fase. Na fase de correção mais juros, corrija primeiro o principal e depois aplique os juros sobre o valor corrigido. Na fase Selic, multiplique o valor original por (1 mais a Selic acumulada). A calculadora de atualização de débitos faz essa conta. Para estimar as verbas antes da atualização, veja a calculadora de rescisão e a multa do art. 477.

Limitações deste guia

Este conteúdo traz uma visão geral e estimativas. A jurisprudência e a regulamentação sobre correção e juros continuam em evolução, e o cálculo com validade no processo é o da contadoria judicial, com a tabela única da Justiça do Trabalho. Para um valor definitivo, consulte um advogado ou contador.

Calculadoras deste guia

Fontes oficiais

Links externos para os documentos oficiais consultados na construção desta página. O conteúdo deles pode mudar sem aviso; em caso de divergência, vale sempre a fonte oficial.

Como validamos os cálculos

Os valores citados neste guia são estimativos e baseados em fontes oficiais (STF ADC 58/59 / Lei 14.905/2024 / Justiça do Trabalho). Eles podem variar conforme convenção coletiva, situação individual e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

Qual é o índice de correção dos débitos trabalhistas hoje?
Após a decisão do STF nas ADCs 58 e 59 e a Lei 14.905/2024, a regra geral é: na fase pré-judicial (até o ajuizamento da ação), correção pelo IPCA mais juros; a partir do ajuizamento, aplica-se a taxa Selic, que já reúne correção e juros. Antes dessa definição, prevalecia o IPCA-E mais juros de 1% ao mês.
Por que a Selic substitui correção e juros?
Porque a Selic é uma taxa que já embute, ao mesmo tempo, a recomposição da inflação (correção) e a remuneração pelo atraso (juros). Aplicá-la junto com outro índice de correção geraria dupla contagem. Por isso, na fase judicial, usa-se apenas a Selic acumulada.
O que muda com a Lei 14.905/2024?
A Lei 14.905/2024 alterou as regras de correção e juros do Código Civil, com efeitos a partir de 30 de agosto de 2024, consolidando o uso de índices como o IPCA para correção e a Selic como referência de juros. Isso harmonizou o critério com o que o STF havia decidido para os débitos trabalhistas.
Como eu calculo o valor atualizado?
Na fase de correção mais juros, primeiro corrige-se o valor (principal mais correção) e depois aplicam-se os juros sobre o valor já corrigido. Na fase Selic, multiplica-se o valor original por (1 mais Selic acumulada). A calculadora de atualização de débitos faz essa conta com os percentuais que você informar.
Essa estimativa vale no processo?
Não. O valor com validade no processo é calculado pela contadoria judicial, com a tabela única da Justiça do Trabalho, que aplica os marcos temporais e os índices oficiais exatos. A estimativa serve para ter uma noção do valor; confirme sempre com um advogado ou contador.
Onde encontro os percentuais acumulados de IPCA e Selic?
O IPCA e o IPCA-E estão no IBGE; a Selic acumulada, no Banco Central. A Justiça do Trabalho também publica a tabela única de atualização, que consolida os índices por período de forma oficial.