Módulo 3 - Variáveis, as caixas da memória

Tipos de informação: número, texto e lógico

8 min de leitura · por Cesar Gargiulo, revisado pela equipe ValorFinal e GuardiaSec · Atualizado em 02/07/2026

O que você vai aprender

  • Reconhecer os três tipos básicos: número, texto e lógico.
  • Aplicar o teste da conta: se faz cálculo com o valor, é número.
  • Entender por que CEP, telefone e senha são texto, mesmo cheios de dígitos.
  • Conhecer o tipo lógico (V ou F), o combustível das decisões futuras.

Três tipos de conteúdo para as suas caixas

Na cozinha, você não guarda feijão no pote de vidro do café nem despeja óleo no saco de papel: cada conteúdo pede um recipiente com comportamento adequado. Com informação é igual. O número 25 aceita conta: dá para somar 1 e obter 26. O texto “Maria” aceita outras operações: dá para juntá-lo com “Olá, ” e montar uma saudação. E o valor lógico “verdadeiro” não é nem conta nem escrita: é uma resposta de sim ou não, pronta para decidir um caminho. Conhecer o tipo de cada caixa evita uma família inteira de erros, do troco calculado errado à mensagem sem sentido.

Três caixas lado a lado com conteúdos diferentes: a caixa de número guarda 25 e 8.50 e mostra símbolos de soma e subtração; a caixa de texto guarda Maria e 01310-100 entre aspas; a caixa de valor lógico mostra apenas as opções verdadeiro e falso.
Número entra em conta, texto entra em mensagem, lógico entra em decisão.

Repare na convenção das aspas, porque ela carrega significado: no pseudocódigo, texto sempre aparece entre aspas e número, nunca. A linha idade <- 25 guarda um número; a linha idade <- "25" guarda um TEXTO de dois caracteres que por acaso desenham um dois e um cinco. Para os seus olhos a diferença é sutil; para a máquina, é um abismo. Somar 1 ao número 25 dá 26. Somar 1 ao texto “25” é como somar 1 à palavra “abacaxi”: a operação não faz sentido, e o programa reclama ou, pior, produz um resultado esquisito em silêncio.

Número ou texto? Faça o teste da conta

A dúvida clássica aparece com dados que PARECEM números: CEP, telefone, número da casa, CPF. Cheios de dígitos, todos. E ainda assim são texto. O teste que resolve em dois segundos: faz sentido fazer conta com isso? Somar dois telefones? Tirar a média de dois CEPs? Multiplicar um CPF por 3? Não. Esses dados são códigos de identificação, não quantidades. Um sinal extra entrega o segredo: CEP tem hífen, telefone tem parênteses, e muitos começam com zero, que a matemática descartaria (o CEP 01310-100 virando 1310100 já não encontra o endereço).

DadoTipo certoPor quê
Idade da pessoanúmeroentra em contas: idade + 1 no aniversário
Preço do pão (8.50)númeroentra no total da compra e no troco
CEP (01310-100)textocódigo de identificação; o zero inicial e o hífen importam
Telefonetextoninguém soma telefones; parênteses e traço fazem parte
Cliente é VIP?lógicosó existem duas respostas: verdadeiro ou falso

O teste da conta na prática: quantidade é número; código é texto; sim ou não é lógico.

🎮 Jogo da aula

Número ou texto?

Aplique o teste da conta: se faz sentido calcular com o dado, é número; se ele é escrita ou código, é texto.

Esse cuidado com tipos não é frescura de professor: sistemas reais quebram por causa dele. Cadastros que guardaram CEP como número perderam o zero inicial de milhões de endereços de São Paulo. Planilhas que trataram o telefone como número exibiram 11988887777 como 1,19888878 vezes 10 elevado a 10. Quando você escolhe o tipo certo na criação da variável, está prevenindo o erro na raiz, que é sempre mais barato do que caçá-lo depois.

O tipo lógico: a caixa que só guarda sim ou não

O terceiro tipo é o mais enxuto e, curiosamente, o mais poderoso. A caixa lógica só aceita dois valores: verdadeiro ou falso. Parece pouco, mas olhe para o seu dia: a catraca do ônibus decide entre girar ou travar (saldo suficiente? V ou F); o semáforo de pedestre entre andar ou esperar; o aplicativo do banco entre abrir ou pedir a senha de novo. Toda decisão, por mais sofisticada que pareça, desce até uma pergunta de sim ou não. A variável lógica guarda essa resposta: tem_saldo <- verdadeiro, senha_confere <- falso.

Por enquanto, o tipo lógico fica na prateleira, apresentado e pronto. Nos módulos 6 e 7 você vai aprender a FABRICAR valores lógicos com comparações (idade >= 18 produz verdadeiro ou falso) e a combiná-los com os operadores E, OU e NÃO. No módulo 8, eles assumem o volante nas decisões SE. Guardar a intuição de hoje já basta: sempre que uma informação só admite duas respostas, a caixa certa é a lógica. Guardar “sim” como texto funciona por um tempo, até alguém escrever “Sim”, “SIM” ou “s” e o programa se perder.

Teste rápido

Um cadastro vai guardar o CEP dos clientes. Qual tipo de variável é o mais adequado e por quê?

Perguntas frequentes

Existem só esses três tipos de dados?
Esses três são a base da lógica; as linguagens reais adicionam refinamentos: números inteiros separados dos decimais, datas, listas, objetos. Todos os refinamentos, porém, se apoiam nos três básicos. Quem domina número, texto e lógico aprende os demais como variações.
Por que o preço usa ponto (8.50) em vez de vírgula?
É a convenção das linguagens de programação, herdada da notação em inglês: o ponto separa a parte decimal. No pseudocódigo do curso seguimos o mesmo padrão para facilitar a sua transição futura. A vírgula brasileira aparece na hora de EXIBIR o valor para o usuário, uma etapa de formatação que vem depois.
O que acontece se eu somar um número com um texto?
Depende da linguagem, e nenhuma resposta é boa: algumas param com erro na hora, outras improvisam um resultado silencioso (juntar “25” com 1 e produzir “251” é um clássico). No pseudocódigo do curso, tratamos como erro. A prevenção é sempre a mesma: saber o tipo de cada caixa antes de operar com ela.
Número de casa é número ou texto?
Texto, pelo teste da conta: ninguém calcula com ele, e endereços reais têm valores como “1578-A” ou “s/n”, que nem são dígitos puros. O nome “número da casa” engana; o papel do dado é identificar, não quantificar.
De onde vem o nome “booleano”?
De George Boole, matemático inglês do século 19 que formalizou a álgebra do verdadeiro e falso. Um século depois, essa álgebra virou o alicerce dos circuitos digitais e das linguagens de programação. Toda vez que você usa um valor lógico, está usando a matemática dele.
Por que não guardar tudo como texto e simplificar?
Porque você perderia as operações de cada tipo: texto não entra em conta, então o preço guardado como texto não soma no total da compra. E as comparações mudam: como texto, “9” fica DEPOIS de “10” na ordenação, porque a comparação é caractere por caractere. O tipo certo dá ao valor o comportamento certo.

Fontes

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