Módulo 4 - Entrada e saída, a conversa com o programa

Seu primeiro programa completo, do oi ao tchau

9 min de leitura · por Cesar Gargiulo, revisado pela equipe ValorFinal e GuardiaSec · Atualizado em 02/07/2026

O que você vai aprender

  • Estruturar um programa completo: abertura, entrada, processamento e saída.
  • Escrever o roteiro em português antes de escrever o pseudocódigo.
  • Montar o divisor de conta do rodízio do zero, linha por linha.
  • Testar o programa fingindo ser a máquina, com valores de exemplo.

O roteiro de três atos de todo programa

Diagrama em três blocos ligados por setas: o bloco de entrada recebe os dados digitados pela pessoa, o bloco de processamento faz os cálculos com as variáveis e o bloco de saída mostra o resultado na tela.
Os três atos: dados entram, o programa trabalha, o resultado sai.

Fim de rodízio, chega a conta: 180 reais para 5 pessoas. Alguém sempre saca o celular, mas hoje o programa é seu. Antes de escrever qualquer linha, monte o roteiro em português: o programa dá boas-vindas, pergunta o total da conta, pergunta quantas pessoas vão dividir, calcula o valor por pessoa e mostra o resultado com uma despedida. Cinco frases, três atos. Escrever esse roteiro antes do código é o hábito que separa quem programa com método de quem digita e torce: quando o roteiro está claro, o pseudocódigo vira quase uma tradução.

Repare no que o roteiro entrega de graça: a lista de variáveis. “Total da conta” pede uma caixinha total; “quantas pessoas” pede pessoas; “valor por pessoa” pede valorPorPessoa, calculada a partir das outras duas. Os nomes seguem a regra do módulo 3: dizem o que guardam, sem abreviação misteriosa. Se um dia você travar sem saber por onde começar um programa, comece assim: escreva o roteiro, sublinhe as informações que ele menciona e cada informação sublinhada vira uma variável.

Mãos à obra: o divisor de conta do rodízio

// Divisor de conta do rodízio
escreva("Bem-vindo ao divisor de conta!")
escreva("Qual o total da conta?")
leia(total)
escreva("Quantas pessoas vão dividir?")
leia(pessoas)
valorPorPessoa <- total / pessoas
escreva("Cada pessoa paga: ", valorPorPessoa, " reais")
escreva("Até a próxima!")
// com total 180 e pessoas 5, a saída termina em:
// Cada pessoa paga: 36 reais

Nove linhas, um programa inteiro: abertura, duas leituras, uma conta, resultado e despedida.

Leia o programa como a máquina, com 180 e 5 nas mãos. A abertura aparece primeiro e situa a pessoa. Os dois pares de aviso e leitura enchem total e pessoas. A atribuição divide 180 por 5 e guarda 36 em valorPorPessoa. O ESCREVA do resultado monta a frase com as três partes que você dominou na aula 3, e a despedida fecha a conversa. Nenhuma linha nova, nenhum truque: só as peças do módulo, na ordem que o roteiro pediu. É assim que programas grandes também nascem, peça conhecida sobre peça conhecida.

🎮 Jogo da aula

Monte o divisor de conta

Os passos do programa foram embaralhados. Toque na ordem correta, do primeiro ao último, lembrando do roteiro de três atos.

    Um teste de mesa rápido, ainda informal, fecha o trabalho: invente um segundo caso, digamos conta de 100 reais para 4 pessoas, e percorra as linhas anotando o valor de cada variável. Se o papel disser 25, o programa está pronto para o mundo. Esse ritual de testar com valores diferentes do exemplo original pega erros que o primeiro caso esconde, e no módulo 13 ele ganha nome, tabela própria e o posto de ferramenta mais barata da programação.

    Acabamento profissional e o gancho do próximo módulo

    Antes de dar qualquer programa por pronto, passe a régua de acabamento: toda leitura tem aviso claro? O resultado sai com contexto e unidade (“36 reais”, não um 36 solto)? A abertura diz o que o programa faz e a despedida avisa que acabou? Os nomes das variáveis se explicam? Um comentário registra a saída esperada? São cinco perguntas que custam um minuto e mudam a experiência de quem usa. Máquina não repara em capricho, mas quem usa o programa é gente.

    Item da réguaSem caprichoCom capricho
    Aviso de leituratela muda esperando digitação“Qual o total da conta?”
    Resultado36“Cada pessoa paga: 36 reais”
    Abertura e despedidaprograma começa e some sem aviso“Bem-vindo!” e “Até a próxima!”
    Nomes de variáveisx, y, ztotal, pessoas, valorPorPessoa

    A régua de acabamento: o mesmo cálculo, duas experiências completamente diferentes.

    E o gancho: no rodízio de 100 reais para 3 pessoas, a divisão dá 33,333... e ninguém paga um terço de centavo. Arredondar, separar a parte inteira, decidir quem paga a diferença: tudo isso pede as contas do módulo 5, incluindo a divisão inteira e o resto, dois operadores que parecem miúdos e resolvem problemas enormes, de par ou ímpar a rodízio de plantão. Seu programa completo já funciona; agora ele vai ficar esperto.

    Teste rápido

    Qual sequência descreve o roteiro correto de um programa completo como o divisor de conta?

    Perguntas frequentes

    Por que escrever o roteiro em português antes do pseudocódigo?
    Porque pensar e digitar ao mesmo tempo sai caro: metade da atenção vai para a forma e a lógica fica coxa. O roteiro resolve a lógica primeiro, em cinco frases, e ainda entrega a lista de variáveis de brinde. Com ele pronto, o pseudocódigo vira tradução.
    Abertura e despedida são obrigatórias num programa?
    A máquina não exige, mas quem usa agradece: a abertura diz o que o programa faz e a despedida confirma que ele terminou, em vez de sumir da tela sem explicação. É o mesmo papel do “pois não?” e do “volte sempre” no balcão.
    O que o comentário // faz no programa?
    Nada, e essa é a graça: o computador ignora tudo que vem depois de //, então a linha existe só para o leitor humano. Use para registrar a saída esperada, explicar uma decisão ou deixar um lembrete. Comentário bom responde “por quê?”, não repete o óbvio.
    E se a divisão da conta não der um número redondo?
    Com 100 reais para 3 pessoas, o resultado é 33,333..., e o programa mostra a dízima do jeito que calculou. Arredondar para centavos e decidir quem cobre a diferença pede as ferramentas do módulo 5, como a divisão inteira e o resto. O caso está anotado lá como exemplo.
    Como testar meu programa sem computador?
    Fingindo ser a máquina: escolha valores de entrada, percorra as linhas na ordem e anote num papel o conteúdo de cada variável a cada passo, até a saída final. Se o papel bater com o esperado em dois casos diferentes, a lógica está sólida. O módulo 13 formaliza isso como teste de mesa.
    Esse programinha de dividir conta tem a ver com sistemas de verdade?
    Tem tudo a ver: o aplicativo do restaurante que divide a comanda faz exatamente esse roteiro, com mais validações e uma tela bonita por cima. Entrada, processamento e saída são a espinha de qualquer sistema, do divisor de conta ao internet banking. A escala muda; o esqueleto, não.

    Fontes

    Seu progresso fica salvo neste aparelho. Assinantes sincronizam entre os aparelhos.