Região de formação de estrelas
Nuvem escura de Lupus 3
Nuvem escura a 600 anos-luz, uma das regiões de formação de estrelas mais próximas da Terra, onde o gás bloqueia a luz em vez de emitir.

Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2Acknowledgement: Davide De Martin ESO CC BY 4.0
- Tipo
- Região de formação de estrelasSIMBAD: SFR
- Distância
- 600 anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem, em 2023
- Constelação
- EscorpiãoSco
- Tamanho no céu
- 4,3 grausextensão catalogada no SIMBAD
- Observado por
- Digitized Sky Survey 2, NSF Víctor M. Blanco 4-meter Telescope, MPG/ESO 2.2-metre telescope
- Imagem publicada
- janeiro de 2013
- Original do acervo
- 10.573 × 10.570 px112 megapixels
Lupus 3 é uma nuvem escura e uma região de formação estelar a 600 anos-luz segundo a distância declarada pelo publicador das imagens. Está entre os berçários de estrelas mais próximos que se conhece, e essa proximidade é toda a diferença: em vez de estudar um borrão a milhares de anos-luz, é possível separar estrelas jovens individuais e acompanhar cada uma delas.
O objeto se comporta de maneira oposta às nebulosas de emissão. Não há aqui estrelas massivas o bastante para ionizar o gás em larga escala e fazer a nuvem brilhar. O que existe é poeira densa que absorve a luz de tudo o que está atrás, e por isso a nuvem aparece nas imagens como uma faixa escura recortada contra um fundo cheio de estrelas. O que se enxerga é ausência de luz, e ausência de luz também é dado.
Duas imagens do acervo foram feitas com o mesmo instrumento, o WFI, em 2013 e 2018, cobrindo respectivamente 35 por 34,2 e 90,6 por 57,2 minutos de arco. Nenhuma das duas contém o objeto por inteiro: o SIMBAD registra 260 minutos de arco de tamanho aparente para Lupus 3, mais de quatro graus de céu, cerca de nove diâmetros da Lua cheia enfileirados.
O que é uma nuvem escura interestelar?
Nuvens escuras são concentrações frias e densas de gás molecular e poeira. A poeira é o componente que define a aparência: grãos sólidos de tamanho comparável ao comprimento de onda da luz visível, que absorvem e espalham essa luz com muita eficiência. Basta uma quantidade modesta de poeira ao longo da linha de visada para apagar completamente o que está atrás.
A temperatura dentro dessas nuvens é baixíssima, próxima do que existe de mais frio no meio interestelar, e é justamente o frio que permite a formação estelar. Gás quente tem pressão interna suficiente para resistir à própria gravidade; gás muito frio não tem. Quando uma região da nuvem fica densa o bastante, ela começa a desabar sobre si mesma, e o colapso termina numa estrela.
Regiões assim foram catalogadas desde que se percebeu que as manchas negras na Via Láctea não eram buracos entre as estrelas, e sim matéria bloqueando a visão. A confirmação veio com a observação em comprimentos de onda mais longos: onde o visível mostra vazio, o infravermelho e o rádio mostram gás e estrelas embutidas.
Por que o nome diz Lupus e o catálogo diz Escorpião?
O nome do objeto vem do complexo de nuvens de Lupus, que em português é a constelação do Lobo. Mas o catálogo consultado registra a constelação de Escorpião para as coordenadas deste objeto, ascensão reta 242,4 graus e declinação -39,05 graus. Não é contradição nem erro: é o que acontece quando um complexo se estende por vários graus de céu.
As fronteiras entre constelações são linhas convencionais definidas por acordo internacional, não estruturas físicas. Um complexo de nuvens com 260 minutos de arco de extensão, mais de quatro graus, atravessa fronteiras com facilidade. O nome histórico do conjunto ficou associado a Lupus, e a coordenada específica registrada para esta nuvem cai do lado do Escorpião.
Vale como aviso geral de leitura de catálogo. Constelação é um endereço de céu, não uma propriedade do objeto, e nomes populares carregam história em vez de precisão. Quando os dois discordam, o certo é reportar os dois, que é o que este acervo faz, em vez de escolher um e esconder o outro.
O que as estrelas quentes fazem nessa nuvem?
O título original da imagem de 2013 no acervo fala na nuvem escura de Lupus 3 e nas estrelas jovens e quentes associadas a ela. Essa combinação é o ponto mais interessante do objeto, porque mostra a transição entre dois estágios no mesmo quadro.
As estrelas jovens já nasceram: saíram do colapso do gás e agora brilham por conta própria. A nuvem que as gerou ainda está ali, em parte. A radiação das estrelas recém-formadas ilumina o material vizinho e, ao mesmo tempo, começa a dispersá-lo. Com o tempo, esse processo remove o casulo e deixa apenas as estrelas visíveis, sem sinal da nuvem de origem.
É por isso que regiões como Lupus 3 são consideradas laboratórios. Nelas se pode observar, lado a lado, gás que ainda não colapsou, objetos em pleno colapso e estrelas já formadas dispersando o que sobrou. Numa região mais distante, essas três fases apareceriam misturadas dentro do mesmo pixel.
Como os filtros das imagens foram escolhidos?
A imagem de 2013 lista três canais: 451 nanômetros no azul, 539 nanômetros no verde e 651 nanômetros atribuído à cor laranja. É uma combinação próxima da percepção humana, com um filtro em cada terço aproximado do espectro visível. O resultado se parece razoavelmente com o que um olho muito mais sensível veria.
A imagem de 2018 usa outro arranjo, com canais em 467,5 nanômetros e em 651 e 660 nanômetros, incluindo um canal de luminosidade. Canais de luminosidade carregam a informação de brilho e detalhe, enquanto os canais coloridos carregam a informação de cor, uma divisão de trabalho comum em processamento de imagem astronômica que permite exposições mais curtas nos canais de cor.
Em nenhum dos dois casos a cor é uma medida direta do que o olho veria. As cores são atribuições declaradas no metadado, e conhecer o mapeamento é o que separa olhar uma imagem astronômica de interpretá-la. Num objeto que se define por absorver luz, aliás, a informação mais importante não está na cor: está no contraste entre a região escura e o fundo estelar.
Os números deste objeto
| Distância | 600 anos-luzdeclarada pelo publicador das imagens |
|---|---|
| Constelação | Escorpião (Sco)SIMBAD, apesar do nome referir-se a Lupus |
| Identificação principal | Lupus 3SIMBAD |
| Classificação | região de formação estelar (SFR)SIMBAD |
| Tamanho aparente | 260 minutos de arcoSIMBAD |
| Desvio para o vermelho | z = 0 |
| Coordenadas J2000 | AR 242,4 graus, Dec -39,05 graus |
| Imagens no acervo | 2 |
O que reparar nesta imagem
- A faixa escura recortadaA região sem estrelas não é um vazio no espaço. É poeira densa entre nós e o fundo estelar, bloqueando a luz de tudo o que está atrás dela.
- A densidade de estrelas ao redorCompare a quantidade de pontos dentro e fora da região escura. A diferença mede quanta luz a nuvem está barrando naquele trecho.
- As estrelas quentes iluminando o gásPerto das estrelas jovens e brilhantes o material em volta aparece iluminado. É a mesma nuvem que gerou essas estrelas, agora sendo dispersada por elas.
- O que fica de fora do quadroO objeto tem 260 minutos de arco de extensão e a imagem mais larga do acervo cobre pouco mais de 90. O que se vê é sempre um pedaço do complexo.
Que tamanho é isso, de verdade
Este recorte do céu é cerca de 5,7 vezes mais largo que a Lua cheia. O recorte fotografado mede 3,0 graus de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 45,4 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.
A luz desta imagem levou 600 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta da chegada das primeiras naus portuguesas ao litoral brasileiro.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, em boa altura, a 29° de altura, na direção SO.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 74 graus acima do horizonte.
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Quanto já se olhou para aqui
- 729registros do Hubble
- 457registros do James Webb
Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 30 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.
O que ainda não se sabe
Não há resposta consolidada para qual fração do gás de uma nuvem como Lupus 3 termina de fato dentro de estrelas e qual fração acaba dispersada de volta ao meio interestelar. A eficiência de formação estelar é uma das grandezas mais discutidas da área, e medi-la exige contar tanto as estrelas formadas quanto o gás restante, com incertezas grandes dos dois lados. Também segue em discussão o gatilho: se o colapso nessas nuvens é desencadeado por perturbações externas, como ondas de choque de gerações anteriores de estrelas, ou se acontece pela própria evolução interna da nuvem quando ela atinge densidade suficiente.
Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.
Uma coisa que quase ninguém sabe
Lupus 3 se estende por mais de quatro graus de céu, cerca de nove diâmetros de Lua cheia enfileirados. É um objeto tão largo que nenhuma dduas imagens do acervo consegue contê-lo: a mais ampla delas, com 90,6 minutos de arco de largura, cobre pouco mais de um terço da extensão registrada no catálogo.
Outras imagens deste objeto

Crédito CTIO/NOIRLab/DOE/NSF/AURA/ T.A. Rector (University of Alaska Anchorage/NSF NOIRLab)Image Processing: D. de Martin & M. Zamani (NSF NOIRLab) NOIRLab CC BY 4.0






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A licença CC BY 4.0 permite usar a imagem, inclusive comercialmente, desde que o crédito apareça inteiro e visível junto dela. Copie o crédito acima junto com o arquivo.
Outros objetos em Escorpião
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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Nebulosa Pata de Gato
Crédito ESO/J. Emerson/VISTA Acknowledgment: Cambridge Astronomical Survey Unit ESO CC BY 4.0
- Aglomerado NGC 6388
Crédito ESO, F. Ferraro (University of Bologna) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Aglomerado Messier 7
- Nebulosa de Órion
- Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia
Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin. ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa de Carina
Crédito NASA, ESA, N. Smith (University of California, Berkeley), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa Cabeça de Cavalo
Crédito NASA, ESA, and the Hubble Heritage Team (AURA/STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa do Caranguejo
Crédito NASA, ESA and Allison Loll/Jeff Hester (Arizona State University). Acknowledgement: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa da Lagoa
Crédito NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA NOIRLab CC BY 4.0
Perguntas frequentes
- O que é a nuvem escura de Lupus 3?
- Lupus 3 é uma nuvem escura e região de formação estelar a 600 anos-luz da Terra segundo a distância declarada pelo publicador das imagens, entre os berçários de estrelas mais próximos conhecidos. Diferente das nebulosas de emissão, que brilham porque o gás está ionizado, Lupus 3 aparece escura: a poeira densa absorve a luz de tudo o que está atrás. O SIMBAD registra 260 minutos de arco de tamanho aparente, mais de quatro graus de céu.
- Por que a nuvem aparece escura em vez de brilhante?
- Porque não há ali estrelas massivas em quantidade suficiente para ionizar o gás em larga escala e fazê-lo emitir luz própria. O que domina é a poeira: grãos sólidos com tamanho comparável ao comprimento de onda da luz visível, que absorvem e espalham essa luz com muita eficiência. Uma quantidade modesta desses grãos ao longo da linha de visada já apaga completamente o fundo estelar, e o resultado é uma silhueta recortada.
- Por que o catálogo registra a constelação do Escorpião se o nome é Lupus?
- Porque o nome vem do complexo de nuvens de Lupus, a constelação do Lobo, enquanto a coordenada específica desta nuvem, ascensão reta 242,4 graus e declinação -39,05 graus, cai do lado do Escorpião. Fronteiras entre constelações são linhas convencionais definidas por acordo internacional, não estruturas físicas, e um complexo com mais de quatro graus de extensão atravessa essas fronteiras com facilidade. Os dois registros estão corretos.
- Como se formam estrelas dentro de uma nuvem escura?
- Pelo colapso gravitacional do gás frio. Gás quente tem pressão interna suficiente para resistir à própria gravidade, mas o interior dessas nuvens está entre os ambientes mais frios do meio interestelar. Quando uma região fica densa o bastante, a gravidade vence a pressão e o material desaba sobre si mesmo. A densidade cresce, a temperatura central sobe e, quando o núcleo fica quente o suficiente, começa a fusão nuclear e nasce uma estrela.
- Por que nenhuma imagem do acervo mostra Lupus 3 por inteiro?
- Porque o objeto é grande demais para os campos disponíveis. O SIMBAD registra 260 minutos de arco de tamanho aparente, e a imagem mais ampla do acervo, de 2018, cobre 90,6 por 57,2 minutos de arco. A de 2013 cobre 35 por 34,2 minutos. Cobrir um complexo de mais de quatro graus exigiria costurar várias exposições, e mesmo assim o resultado teria resolução limitada, já que campo largo e detalhe fino competem entre si.
- O que significa o desvio para o vermelho igual a zero?
- Significa que não há deslocamento espectral mensurável em relação ao laboratório, o que é esperado para um objeto dentro da própria Via Láctea a apenas 600 anos-luz. Objetos tão próximos não participam da expansão do universo de forma detectável e compartilham em boa medida o mesmo movimento orbital do Sol em torno do centro galáctico. Redshift só vira medida útil de distância em escalas extragalácticas, muito além dessa.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Nuvem escura de Lupus 3. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/nuvem-escura-de-lupus-3. Consultado em: 23/08/2026.








