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Remanescente de supernova

Nebulosa do Caranguejo

Os destroços de uma estrela que explodiu em 1054, registrada por astrônomos chineses, com um pulsar girando 30 vezes por segundo no centro.

Nebulosa do Caranguejo, remanescente de supernova registrada pelo James Webb Space Telescope
“The Crab Nebula”, como o acervo nomeou esta imagem.

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, T. Temim (Princeton University) ESA/Webb CC BY 4.0

Tipo
Remanescente de supernovaSIMBAD: SNR
Distância
6.500 anos-luz
Constelação
TouroTau
Tamanho no céu
7,0 minutos de arco
Observado por
James Webb Space Telescope, Very Large Array (VLA), Spitzer Space Telescope
Imagem publicada
outubro de 2023
Original do acervo
10.509 × 9.151 px96 megapixels

Em julho de 1054, astrônomos da corte chinesa registraram uma estrela nova tão brilhante que ficou visível durante o dia por 23 dias e à noite por quase dois anos. Registros japoneses e árabes descrevem o mesmo evento. Aquilo era uma supernova, e o que restou dela é a Nebulosa do Caranguejo.

A nebulosa é o material ejetado pela explosão, ainda em expansão a cerca de 1.500 quilômetros por segundo. É possível comparar imagens feitas com décadas de diferença e literalmente ver a nuvem crescer, o que é raro em astronomia.

No centro há uma estrela de nêutrons: o núcleo colapsado da estrela original, com massa maior que a do Sol comprimida numa esfera de cerca de vinte quilômetros de diâmetro. Ela gira trinta vezes por segundo e emite feixes de radiação que varrem a Terra a cada rotação, como um farol. Esse pulsar é o motor que mantém a nebulosa brilhando: sem ele, ela já teria esfriado.

Este foi o primeiro objeto astronômico ligado com segurança a um evento histórico registrado, e por isso ele ancora boa parte do que se sabe sobre a evolução de restos de supernova.

O que reparar nesta imagem

  • Os filamentos avermelhadosMaterial ejetado pela explosão, rico em hidrogênio e hélio. Eles formam uma casca em expansão em volta do centro.
  • O brilho azulado difuso no meioNão é gás quente comum: é radiação produzida por elétrons acelerados a quase a velocidade da luz pelo campo magnético do pulsar.
  • O centroEntre as duas estrelas centrais da imagem, a de baixo à direita é o pulsar, que gira trinta vezes por segundo.

Por que esta imagem tem essas cores

Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.

ultravioletainfravermelho e ondas de rádio

  • Azulinfravermelho · NIRCam1,62 µminvisível ao olho
  • Cianoinfravermelho · NIRCam4,8 µminvisível ao olho
  • Cianoinfravermelho · MIRI5,6 µminvisível ao olho
  • Verdeinfravermelho · MIRI · PAH11,3 µminvisível ao olho
  • Laranjainfravermelho · MIRI · Silicate18 µminvisível ao olho
  • Vermelhoinfravermelho · MIRI21 µminvisível ao olho

Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Webb junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.

Que tamanho é isso, de verdade

Cerca de 5,7 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 5,5 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 13,2 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.

A luz desta imagem levou 6.500 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta da época em que a escrita foi inventada na Mesopotâmia.

Dá para ver isso daqui?

Agora este objeto está abaixo do horizonte de São Paulo, SP. Ele volta a subir mais tarde, e alcança no máximo 44° de altura daqui.

Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 44 graus acima do horizonte.

Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.

Uma coisa que quase ninguém sabe

O pulsar do Caranguejo gira tão rápido e de forma tão regular que já foi usado como relógio de precisão em experimentos de física.

Hubble e James Webb, lado a lado

Este objeto foi fotografado pelos dois telescópios. Como cada um enxerga faixas diferentes de luz, as imagens não são a mesma coisa em qualidade diferente: são informações diferentes.

Outras imagens deste objeto

Nebulosa do Caranguejo, remanescente de supernova registrada pelo Very Large Array (VLA)
Very Large Array (VLA).

Crédito NASA, ESA, G. Dubner (IAFE, CONICET-University of Buenos Aires) et al.; A. Loll et al.; T. Temim et al.; F. Seward et al.; VLA/NRAO/AUI/NSF; Chandra/CXC; Spitzer/JPL-Caltech; XMM-Newton/ESA; and Hubble/STScI ESA/Hubble CC BY 4.0

Nebulosa do Caranguejo, remanescente de supernova registrada pelo Very Large Telescope
Very Large Telescope, instrumento FORS2.

Crédito ESO CC BY 4.0

Nebulosa do Caranguejo, remanescente de supernova registrada pelo Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFPC2.

Crédito NASA, ESA and Allison Loll/Jeff Hester (Arizona State University). Acknowledgement: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0

Nebulosa do Caranguejo, remanescente de supernova registrada pelo James Webb Space Telescope
James Webb Space Telescope, instrumento NIRCam.

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, T. Temim (Princeton University) ESA/Webb CC BY 4.0

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A licença CC BY 4.0 permite usar a imagem, inclusive comercialmente, desde que o crédito apareça inteiro e visível junto dela. Copie o crédito acima junto com o arquivo.

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Nuvem escura L1527

    Crédito NASA, ESA, CSA, and STScI, J. DePasquale (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0

  • Cassiopeia A

    Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, D. Milisavljevic (Purdue University), T. Temim (Princeton University), I. De Looze (University of Gent) ESA/Webb CC BY 4.0

  • Laço do Cisne

    Crédito NASA, ESA, Hubble Heritage Team ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Nebulosa do Lápis

    Crédito ESO CC BY 4.0

  • Supernova 1987A

    Crédito ESO/R. Fosbury (ST-ECF) ESO CC BY 4.0

Perguntas frequentes

Por que a nebulosa se chama Caranguejo?

Por causa de um desenho feito por Lord Rosse em 1844, no qual a estrutura lembrava as pernas de um caranguejo. O desenho não se parece muito com as fotos modernas, mas o nome ficou.

A explosão de 1054 foi realmente vista da Terra?

Foi, e há registro escrito. Astrônomos da corte chinesa documentaram a estrela nova em julho de 1054, descrevendo que ela ficou visível durante o dia por mais de três semanas. Há registros compatíveis no Japão e no mundo árabe.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Nebulosa do Caranguejo. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/nebulosa-do-caranguejo. Consultado em: 23/08/2026.