Nebulosa de emissão
Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia
Três colunas de gás e poeira onde estrelas estão nascendo, na imagem mais reproduzida da história do Hubble.

- Tipo
- Nebulosa de emissãoSIMBAD: OpC
- Distância
- 7.000 anos-luz
- Constelação
- SerpenteSer
- Tamanho no céu
- 1,3 graus
- Observado por
- VLT Survey Telescope, James Webb Space Telescope, MPG/ESO 2.2-metre telescope
- Imagem publicada
- junho de 2017
- Original do acervo
- 93.031 × 35.412 px3294 megapixels
Os Pilares da Criação são o recorte mais famoso da Nebulosa da Águia, e provavelmente a imagem astronômica mais reproduzida de todos os tempos. O Hubble a registrou em 1995, e ela virou pôster, capa de disco e ilustração de livro didático no mundo inteiro.
As colunas são o que sobrou de uma nuvem molecular muito maior. Estrelas jovens e massivas, fora do quadro na parte de cima, emitem radiação ultravioleta tão intensa que estão literalmente evaporando o gás em volta. Onde a nuvem é mais densa, ela resiste por mais tempo e protege o material atrás de si, e é assim que as colunas se formam: são sombras densas no meio de uma erosão.
Nas pontas dos pilares há glóbulos ainda mais densos, e dentro de vários deles estrelas estão se formando agora. É uma corrida: ou a estrela termina de se formar, ou a radiação dissipa o gás antes disso.
Quando o James Webb fotografou a mesma região em infravermelho, o resultado mudou a leitura da imagem. As colunas, opacas e sólidas na versão do Hubble, ficaram semitransparentes, e dezenas de estrelas jovens apareceram dentro e atrás delas. Nenhuma das duas imagens está errada: elas mostram coisas diferentes do mesmo lugar.
O que reparar nesta imagem
- As pontas brilhantes dos pilaresAs bordas iluminadas são gás sendo aquecido e arrancado pela radiação ultravioleta das estrelas de cima. A erosão está acontecendo ali.
- Os dedos no topo das colunasSaliências densas que resistiram melhor à erosão. Dentro de várias delas há estrelas em formação.
- As manchas vermelhas na versão do WebbSão jatos de material lançados por estrelas recém-nascidas, batendo no gás em volta. Aparecem só em infravermelho.
Por que esta imagem tem essas cores
As cores desta imagem se aproximam do que um olho humano veria, se ele fosse sensível o bastante: cada filtro registrou luz visível e recebeu uma cor coerente com o próprio comprimento de onda.
ultravioletainfravermelho e ondas de rádio
- Azulluz visível · OmegaCAM · g480 nmolho enxerga
- Verdeluz visível · OmegaCAM · g480 nmolho enxerga
- Verdeluz visível · OmegaCAM · r625 nmolho enxerga
- Vermelholuz visível · OmegaCAM · r625 nmolho enxerga
- Vermelholuz visível · OmegaCAM · H-alpha659 nmolho enxerga
Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESO junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.
Que tamanho é isso, de verdade
Este recorte do céu é cerca de 11 vezes mais largo que a Lua cheia. O recorte fotografado mede 5,5 graus de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 162,9 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.
A luz desta imagem levou 7.000 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta da época em que a escrita foi inventada na Mesopotâmia.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, em boa altura, a 43° de altura, na direção L.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 80 graus acima do horizonte.
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Uma coisa que quase ninguém sabe
Circula muito a afirmação de que os pilares já foram destruídos por uma supernova e que estaríamos vendo um fantasma. Não há confirmação disso: a hipótese surgiu de dados em infravermelho de 2007 e continua sem comprovação.
Hubble e James Webb, lado a lado
Este objeto foi fotografado pelos dois telescópios. Como cada um enxerga faixas diferentes de luz, as imagens não são a mesma coisa em qualidade diferente: são informações diferentes.
Outras imagens deste objeto

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI; J. DePasquale, A. Koekemoer, A. Pagan (STScI). ESA/Webb CC BY 4.0


Crédito NASA, ESA/Hubble and the Hubble Heritage Team ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito ESA/Hubble & NASA, K. Noll ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, J. DePasquale (STScI), A. Pagan (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0

Crédito Jeff Hester and Paul Scowen (Arizona State University), and NASA/ESA ESA/Hubble CC BY 4.0
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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Nebulosa de Serpens
Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, K. Pontoppidan (NASA’s Jet Propulsion Laboratory), J. Green (Space Telescope Science Institute) ESA/Webb CC BY 4.0
- Aglomerado NGC 6604
- Nebulosa de Órion
Crédito NASA, ESA, M. Robberto ( Space Telescope Science Institute/ESA) and the Hubble Space Telescope Orion Treasury Project Team ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa da Lagoa
- Nebulosa Ômega
- Glóbulos de Thackeray
Crédito ESO/VPHAS+ team. Acknowledgement: CASU ESO CC BY 4.0
- Nebulosa NGC 3603
Crédito NASA, ESA and the Hubble Heritage (STScI/AURA)-ESA/Hubble Collaboration ESA/Hubble CC BY 4.0
- Região de formação estelar N79
Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, O. Nayak, M. Meixner ESA/Webb CC BY 4.0
Perguntas frequentes
Os Pilares da Criação ainda existem?
Provavelmente sim. Existe uma hipótese, levantada em 2007, de que uma supernova possa tê-los destruído há alguns milhares de anos, e que a luz dessa destruição ainda não teria chegado até nós. É especulação baseada em dados indiretos, e não uma conclusão estabelecida.
Qual o tamanho dos pilares?
As colunas têm alguns anos-luz de comprimento. Para comparar: a distância entre o Sol e a estrela mais próxima é de pouco mais de quatro anos-luz. Cabem sistemas solares inteiros dentro de cada pilar.
Por que a imagem do James Webb é tão diferente da do Hubble?
Porque o Webb enxerga infravermelho, e luz infravermelha atravessa poeira. O que no Hubble é uma coluna sólida e opaca vira, no Webb, uma nuvem semitransparente com estrelas visíveis lá dentro.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/pilares-da-criacao. Consultado em: 23/08/2026.







