Nebulosa de emissão
Nebulosa de Órion
O berçário de estrelas mais próximo da Terra, visível a olho nu como uma mancha borrada na espada de Órion.

Crédito NASA, ESA, M. Robberto ( Space Telescope Science Institute/ESA) and the Hubble Space Telescope Orion Treasury Project Team ESA/Hubble CC BY 4.0
- Tipo
- Nebulosa de emissãoSIMBAD: HII
- Distância
- 1.350 anos-luz
- Constelação
- ÓrionOri
- Tamanho no céu
- 1,1 graus
- Observado por
- Hubble Space Telescope, VLT Survey Telescope, Very Large Telescope
- Imagem publicada
- janeiro de 2006
- Original do acervo
- 18.000 × 18.000 px324 megapixels
A Nebulosa de Órion é o único berçário estelar grande que dá para ver sem telescópio. Ela fica na espada de Órion, aquela linha de três estrelas fracas logo abaixo das Três Marias, e num céu razoável já aparece como uma mancha difusa. Num binóculo simples ela vira nitidamente uma nuvem.
Ela é a ponta visível de algo muito maior. A nebulosa faz parte de um complexo molecular que se estende por centenas de anos-luz e é quase todo escuro e frio. O que vemos é apenas uma cavidade escavada na face dessa nuvem, iluminada por dentro por um punhado de estrelas jovens e muito quentes.
Essas estrelas são conhecidas como Trapézio, por causa da forma que quatro delas desenham. São jovens em escala astronômica, com poucos milhões de anos, e a radiação ultravioleta que emitem é o que faz o gás em volta brilhar. Ao mesmo tempo, essa radiação está destruindo os discos de gás e poeira em torno de outras estrelas jovens da região, discos que poderiam formar planetas.
É por isso que Órion é a região mais estudada do céu para entender formação de estrelas e de sistemas planetários. Nela dá para ver, num único campo, estrelas ainda envelopadas, discos protoplanetários sendo esculpidos e estrelas já livres da nuvem.
O que reparar nesta imagem
- As quatro estrelas do TrapézioNo centro da região mais brilhante. São elas que ionizam todo o gás em volta e fazem a nebulosa brilhar.
- Os discos protoplanetáriosPequenas manchas escuras alongadas, recortadas contra o gás brilhante. Cada uma é um sistema planetário em formação sendo evaporado pela radiação das estrelas grandes.
- As bordas onduladas da cavidadeA nebulosa não é uma bolha fechada: é uma cratera na face de uma nuvem muito maior e escura, que continua atrás.
Por que esta imagem tem essas cores
Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.
ultravioletainfravermelho e ondas de rádio
- Azulluz visível · ACS · B435 nmolho enxerga
- VerdeACS555 nmolho enxerga
- Laranjaluz visível · ACS · V658 nmolho enxerga
- Vermelholuz visível · ACS · H-alpha775 nminvisível ao olho
- Vermelhoinfravermelho · ACS · I850 nminvisível ao olho
Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Hubble junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.
Que tamanho é isso, de verdade
Este recorte do céu tem quase o mesmo tamanho aparente da Lua cheia. O recorte fotografado mede 30 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 25,9 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.
A luz desta imagem levou 1.350 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta da chegada das primeiras naus portuguesas ao litoral brasileiro.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está abaixo do horizonte de São Paulo, SP. Ele volta a subir mais tarde, e alcança no máximo 72° de altura daqui.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 72 graus acima do horizonte.
Este é um dos poucos objetos do acervo que dá para encontrar a olho nu, em céu escuro. O que você vai ver é bem mais pálido e menor que a imagem: telescópios acumulam luz por horas, e o olho não.
Uma coisa que quase ninguém sabe
A luz da Nebulosa de Órion leva cerca de 1.300 anos para chegar até nós. O que você vê ao olhar para a espada de Órion é como aquela região estava por volta do ano 700.
Outras imagens deste objeto




Crédito ESO/J. Emerson/VISTA. Acknowledgment: Cambridge Astronomical Survey Unit ESO CC BY 4.0

Crédito ESA/Webb, NASA, CSA, M. Zamani (ESA/Webb), the PDRs4All ERS Team ESA/Webb CC BY 4.0
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A licença CC BY 4.0 permite usar a imagem, inclusive comercialmente, desde que o crédito apareça inteiro e visível junto dela. Copie o crédito acima junto com o arquivo.
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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Nebulosa Cabeça de Cavalo
- Betelgeuse
Crédito ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/E. O’Gorman/P. Kervella ESO CC BY 4.0
- Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia
- Nebulosa da Lagoa
- Glóbulos de Thackeray
Crédito ESO/VPHAS+ team. Acknowledgement: CASU ESO CC BY 4.0
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Crédito NASA, ESA and the Hubble Heritage (STScI/AURA)-ESA/Hubble Collaboration ESA/Hubble CC BY 4.0
- Região de formação estelar N79
Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, O. Nayak, M. Meixner ESA/Webb CC BY 4.0
Perguntas frequentes
Dá para ver a Nebulosa de Órion a olho nu?
Dá. Ela aparece como uma mancha esbranquiçada e difusa no meio da espada de Órion, que é a linha vertical de estrelas fracas abaixo das Três Marias. Em céu urbano fica difícil; em céu de campo é evidente. Num binóculo comum, a forma de nuvem já é clara.
Por que na foto ela é colorida e a olho nu parece cinza?
Porque o olho humano perde a percepção de cor em baixa luminosidade: quem enxerga no escuro são células da retina que não distinguem cor. A câmera acumula luz por minutos ou horas e registra a cor que está lá o tempo todo.
Quando dá para ver Órion no Brasil?
Órion é visível do Brasil inteiro entre novembro e abril, alta no céu durante o verão. No hemisfério sul ela aparece de cabeça para baixo em relação às ilustrações europeias clássicas.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Nebulosa de Órion. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/nebulosa-de-orion. Consultado em: 23/08/2026.






