Nebulosa escura
Nebulosa Cabeça de Cavalo
Uma coluna de poeira escura recortada contra gás brilhante, e um dos casos em que o infravermelho muda tudo.

- Tipo
- Nebulosa escuraSIMBAD: DNe
- Distância
- 1.400 anos-luz
- Constelação
- ÓrionOri
- Tamanho no céu
- 6,0 minutos de arco
- Observado por
- Very Large Telescope, James Webb Space Telescope, Hubble Space Telescope
- Imagem publicada
- janeiro de 2002
- Original do acervo
- 4.961 × 5.105 px25 megapixels
A Cabeça de Cavalo é uma nuvem de poeira densa que não emite luz nenhuma. Nós a vemos apenas porque atrás dela há uma região de hidrogênio brilhante, e a silhueta escura se recorta contra esse fundo. É o mesmo princípio de uma sombra chinesa.
Ela faz parte do complexo molecular de Órion, o mesmo que abriga a Nebulosa de Órion, e fica logo abaixo de Alnitak, a estrela mais à esquerda das Três Marias. É um dos objetos mais fotografados do céu, apesar de ser bastante difícil de ver visualmente: precisa de céu escuro e filtro adequado.
Em infravermelho, a leitura se inverte. A poeira que bloqueia a luz visível fica transparente, e o que era uma silhueta preta vira uma nuvem tênue e detalhada, com estrutura interna visível. As imagens do Hubble e do James Webb da mesma região são um exemplo claro de como o comprimento de onda escolhido define o que se enxerga.
O que reparar nesta imagem
- O contorno da cabeçaÉ poeira densa. Não há nada de especial nela além de estar na frente de algo que brilha.
- O fundo avermelhadoHidrogênio ionizado pela radiação de estrelas quentes próximas. É a tela contra a qual a silhueta aparece.
- A base da colunaAli a nuvem se liga a um banco de poeira muito maior. A cabeça é só a parte que se destaca.
Que tamanho é isso, de verdade
Cerca de 4,7 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 6,5 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 2,4 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.
A luz desta imagem levou 1.400 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta da chegada das primeiras naus portuguesas ao litoral brasileiro.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está abaixo do horizonte de São Paulo, SP. Ele volta a subir mais tarde, e alcança no máximo 69° de altura daqui.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 69 graus acima do horizonte.
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Uma coisa que quase ninguém sabe
A forma vai mudar. A coluna está sendo corroída pela radiação das estrelas vizinhas e deve se desmanchar em alguns milhões de anos.
Hubble e James Webb, lado a lado
Este objeto foi fotografado pelos dois telescópios. Como cada um enxerga faixas diferentes de luz, as imagens não são a mesma coisa em qualidade diferente: são informações diferentes.
Outras imagens deste objeto

Crédito ESA/Webb, NASA, CSA, K. Misselt (University of Arizona) and A. Abergel (IAS/University Paris-Saclay, CNRS) ESA/Webb CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, and the Hubble Heritage Team (AURA/STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, NOAO, ESA and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Nebulosa de Órion
Crédito NASA, ESA, M. Robberto ( Space Telescope Science Institute/ESA) and the Hubble Space Telescope Orion Treasury Project Team ESA/Hubble CC BY 4.0
- Betelgeuse
Crédito ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/E. O’Gorman/P. Kervella ESO CC BY 4.0
- Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia
- Nebulosa de Carina
Crédito NASA, ESA, N. Smith (University of California, Berkeley), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa do Caranguejo
Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, T. Temim (Princeton University) ESA/Webb CC BY 4.0
- Nebulosa da Lagoa
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Nebulosa Cabeça de Cavalo. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/nebulosa-cabeca-de-cavalo. Consultado em: 23/08/2026.





