Pular para o conteúdo
ObservatórioAstronomia

Estrela supergigante vermelha

Betelgeuse

A supergigante vermelha do ombro de Órion. Em 2019 escureceu tanto que a mudança foi percebida a olho nu por quem conhecia a constelação.

Betelgeuse, estrela supergigante vermelha, em imagem do Digitized Sky Survey 2
"Wide-field view of Betelgeuse (ground-based image)", como o acervo nomeou esta imagem.Esta imagem é uma composição colorida feita a partir de exposições do Digitized Sky Survey 2 (DSS2). Ela mostra a área ao redor da estrela supergigante vermelha Betelgeuse.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin. ESA/Hubble CC BY 4.0

Tipo
Estrela supergigante vermelhaSIMBAD: s*r
Distância
600 anos-luzpublicadores declaram de 600 a 725 anos-luz; aqui vale o comunicado de 2025
Constelação
ÓrionOri
Observado por
Digitized Sky Survey 2, Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, Gemini North
Imagem publicada
agosto de 2020
Original do acervo
7.106 × 5.332 px38 megapixels

Betelgeuse marca o ombro da constelação de Órion, nas coordenadas AR 88,79 graus e Dec 7,41 graus, e é uma das estrelas mais reconhecíveis do céu, em parte pela cor alaranjada evidente mesmo sem instrumento. Ela é uma supergigante vermelha, estágio avançado da vida de uma estrela massiva, e está a cerca de 725 anos-luz segundo a distância declarada pelo publicador das imagens.

O tamanho é o que impressiona. Se Betelgeuse ocupasse o lugar do Sol, sua superfície passaria da órbita de Marte, e nenhum planeta interno sobreviveria dentro dela. Esse inchaço não vem de a estrela ter ganhado matéria, e sim de o núcleo ter mudado de regime e as camadas externas terem se expandido enormemente, esfriando no processo.

Em 2019 e 2020 ela passou pelo episódio conhecido como Grande Escurecimento. O brilho caiu ao nível mais fraco já registrado com instrumentos, e a mudança foi grande o suficiente para ser percebida a olho nu por quem conhecia a constelação. Não era o prenúncio de uma explosão, embora tenha sido interpretado assim na época por muita gente.

O que causou o Grande Escurecimento

Imagens obtidas com o instrumento SPHERE, no Very Large Telescope, mostraram que a queda de brilho não foi uniforme. Uma parte do disco da estrela ficou visivelmente mais escura que o resto, o que descartou de imediato a hipótese de um simples esfriamento global. O acervo guarda duas dessas imagens, uma de janeiro e outra de dezembro de 2019, feitas com o mesmo filtro na linha do hidrogênio em 645 nanômetros.

A explicação que se consolidou combina dois fatores. A estrela ejetou uma quantidade grande de material de uma região da superfície, e simultaneamente essa mesma região esfriou. O gás expelido, ao se afastar, condensou em grãos de poeira que ficaram entre nós e parte do disco estelar. Ou seja, boa parte da luz continuou sendo emitida e foi absorvida no caminho.

O episódio mostrou algo além do próprio evento. Uma supergigante vermelha perde massa de forma irregular, aos empurrões, e não num fluxo constante. Esse detalhe importa porque a taxa de perda de massa determina quanto material a estrela ainda terá quando o núcleo colapsar, e portanto que tipo de supernova ela vai produzir. Ver o processo acontecendo em tempo real, com resolução suficiente para localizar a região responsável, é raro.

Como se enxerga a superfície de uma estrela distante

Estrelas são pontos até para os maiores telescópios, e Betelgeuse é uma das pouquíssimas exceções, pela combinação de tamanho descomunal com proximidade relativa. Já em 1920 astrônomos estimaram o diâmetro dela por interferometria, técnica que combina a luz recebida em pontos separados para simular um instrumento maior. O acervo guarda também imagens do Hubble feitas com a câmera FOC e divulgadas em 1996, apresentadas como registros da atmosfera da estrela.

O que essas imagens mostram é uma superfície irregular. A camada externa de uma supergigante vermelha é dominada por células de convecção gigantescas, bolhas de gás quente subindo e material frio descendo. Em estrelas como o Sol essas células são pequenas e numerosas; em Betelgeuse, poucas células cobrem frações grandes do disco, e isso produz manchas que mudam ao longo de meses.

Cada faixa do espectro mostra uma camada diferente. A imagem feita com o ALMA registra a estrela em 338 gigahertz, ou seja, em ondas de rádio de cerca de 0,89 milímetro, que vêm de regiões da atmosfera mais externas e mais frias que as observadas em luz visível. Ver a mesma estrela em visível, em ultravioleta e em milimétrico é ver três alturas distintas da mesma atmosfera, não três versões da mesma foto.

Por que a distância dela é tão incerta

Medir distância estelar com precisão depende de paralaxe, o pequeno deslocamento aparente da estrela conforme a Terra se move ao redor do Sol. O método exige uma posição bem definida, e Betelgeuse não colabora: o disco dela é grande, irregular e variável, e o centro de brilho se desloca conforme as manchas de convecção mudam.

O resultado é uma faixa de estimativas em vez de um número fechado. A distância declarada pelo publicador das imagens do acervo é de 725 anos-luz, e valores publicados se espalham em torno disso. Como luminosidade e raio dependem do quadrado da distância, essa incerteza se propaga para praticamente todas as outras propriedades da estrela.

O catálogo também não registra tamanho aparente para Betelgeuse, e várias imagens do acervo aparecem sem campo de visão declarado. Nada disso é descuido: são campos que a fonte não preencheu. Tratar ausência de dado como valor zero produziria absurdos, e este portal prefere dizer que o número não existe a inventar um.

A companheira que apareceu nas imagens recentes

O acervo guarda uma imagem de julho de 2025, feita com o instrumento 'Alopeke em 466 nanômetros, publicada com o título de Betelgeuse e sua companheira estelar. E guarda uma montagem do ESO de 2026, apresentada como imagens do Very Large Telescope de Betelgeuse e sua companheira. Dois instrumentos independentes, portanto, produziram registros divulgados sob essa descrição.

A hipótese de uma companheira não é nova. Betelgeuse apresenta uma variação de brilho de longo período que os modelos de pulsação de uma estrela isolada explicam mal, e uma segunda estrela orbitando o sistema é uma das saídas propostas para essa irregularidade. Uma detecção direta transformaria uma explicação plausível em fato medido.

A prudência aqui é obrigatória. Detectar um objeto fraco a poucas frações de segundo de arco de uma das estrelas mais brilhantes do céu é tecnicamente brutal, e resultados assim costumam pedir confirmação em mais de uma época e em mais de um instrumento antes de virarem consenso. O acompanhamento continua, e o que este portal registra é o que o acervo documenta: duas observações recentes publicadas com essa interpretação.

O que vem depois de uma supergigante vermelha

Uma estrela como Betelgeuse já fundiu o hidrogênio do núcleo e passou a queimar elementos progressivamente mais pesados, em camadas concêntricas, cada uma durando menos que a anterior. O fim dessa cadeia é o ferro, que não libera energia ao fundir. Quando o núcleo de ferro fica pesado demais para se sustentar, ele colapsa em fração de segundo, e a estrela explode como supernova.

O intervalo de tempo até lá é o ponto em aberto. Nada do que se mede na superfície informa em que estágio da queima o núcleo está, porque a energia produzida ali dentro leva muito tempo para atravessar as camadas externas. As estimativas publicadas colocam o evento em algum ponto dos próximos cem mil anos, uma janela curta em astronomia e imensa em escala humana.

Há ainda o atraso da própria observação. A luz que chega hoje partiu de Betelgeuse há cerca de 725 anos, quando a Europa vivia o século 14. Se a estrela tivesse explodido nesse intervalo, a informação simplesmente não teria chegado ainda. O que se observa de qualquer objeto astronômico é sempre o passado dele, e para Betelgeuse esse passado tem sete séculos.

Os números deste objeto

Identificação principalalfa OrionisSIMBAD
Classificaçãosupergigante vermelhaSIMBAD
ConstelaçãoÓrion (Ori)
Coordenadas J2000AR 88,7929 graus, Dec 7,4071 graus
Distância725 anos-luzdeclarada pelo publicador das imagens
Tamanho aparentenão registradocampo ausente no catálogo
Desvio0,00007, cerca de 21 km/sSIMBAD
Grande Escurecimentoentre o fim de 2019 e o começo de 2020
Observação em rádio338 gigahertz, cerca de 0,89 milímetrometadado da imagem do ALMA
Imagens no acervo12

O que reparar nesta imagem

  • O disco resolvidoNas imagens de alta resolução, Betelgeuse aparece como um disco e não como um ponto. Pouquíssimas estrelas além do Sol permitem isso.
  • As manchas de brilho desigualAs irregularidades na superfície são células de convecção enormes, bolhas de gás quente subindo do interior e material frio descendo.
  • A comparação antes e duranteA montagem da estrela antes e durante o escurecimento evidencia que a perda de brilho atingiu uma região do disco, não o conjunto.
  • O ponto próximo nas imagens recentesNas observações de 2025 e 2026 aparece um objeto fraco junto da estrela, publicado como candidato a companheira. A detecção é recente e segue em acompanhamento.

Por que esta imagem tem essas cores

As cores desta imagem se aproximam do que um olho humano veria, se ele fosse sensível o bastante: cada filtro registrou luz visível e recebeu uma cor coerente com o próprio comprimento de onda.

ultravioletainfravermelho e ondas de rádio

  • Cianoluz visível · B479 nmolho enxerga
  • Laranjaluz visível · R649 nmolho enxerga

Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Hubble junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.

Que tamanho é isso, de verdade

Este recorte do céu é cerca de 3,9 vezes mais largo que a Lua cheia. O recorte fotografado mede 2,0 graus de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

A luz desta imagem levou 600 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta da chegada das primeiras naus portuguesas ao litoral brasileiro.

Dá para ver isso daqui?

Agora este objeto está abaixo do horizonte de São Paulo, SP. Ele volta a subir mais tarde, e alcança no máximo 59° de altura daqui.

Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 59 graus acima do horizonte.

Este é um dos poucos objetos do acervo que dá para encontrar a olho nu, em céu escuro. O que você vai ver é bem mais pálido e menor que a imagem: telescópios acumulam luz por horas, e o olho não.

Quanto já se olhou para aqui

  • 733registros do Hubble
  • 12registros do GALEX

Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 1,2 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.

O que ainda não se sabe

A distância continua incerta, e com ela o raio e a luminosidade da estrela. Também segue sem resposta em que estágio da queima nuclear ela se encontra, que é o que determinaria quanto tempo falta para o colapso. A companheira registrada nas imagens de 2025 e 2026 é a novidade mais relevante e ainda pede acompanhamento, porque detectar um objeto fraco tão perto de uma estrela brilhante é tecnicamente difícil e resultados assim costumam exigir repetição em épocas diferentes. E o catálogo não registra tamanho aparente para Betelgeuse, o que obriga qualquer estimativa de raio a passar por medidas indiretas.

Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.

Uma coisa que quase ninguém sabe

Betelgeuse foi a primeira estrela além do Sol a ter o diâmetro medido, em 1920, com um interferômetro montado sobre um telescópio no Monte Wilson. A técnica é a mesma que hoje sustenta os maiores instrumentos de alta resolução, incluindo os que registraram as manchas na superfície dela um século depois.

Outras imagens deste objeto

Betelgeuse, estrela supergigante vermelha, em imagem do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array
Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, instrumento Band 7.Esta mancha alaranjada mostra a estrela próxima Betelgeuse, vista pelo Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). Esta é a primeira vez que o ALMA observou a superfície de uma estrela, e essa primeira tentativa resultou na imagem de mais alta resolução de Betelgeuse disponível.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/E. O’Gorman/P. Kervella ESO CC BY 4.0

Betelgeuse, estrela supergigante vermelha, em imagem do Gemini North
Gemini North, instrumento ‘Alopeke.Usando o instrumento 'Alopeke, financiado pela NASA e pela NSF, no telescópio Gemini North, uma das duas metades do International Gemini Observatory, financiado em parte pela U.S. National Science Foundation (NSF) e operado pelo NSF NOIRLab, os astrônomos descobriram uma estrela companheira numa órbita incrivelmente fechada ao redor de Betelgeuse.Descrição do acervo NOIRLab, traduzida.

Crédito International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURAImage Processing: M. Zamani (NSF NOIRLab) NOIRLab CC BY 4.0

Betelgeuse, estrela supergigante vermelha, em imagem do Very Large Telescope
Very Large Telescope, instrumento SPHERE.A estrela supergigante vermelha Betelgeuse, na constelação de Orion, vem passando por um escurecimento sem precedentes. Esta impressionante imagem da superfície da estrela, obtida com o instrumento SPHERE no Very Large Telescope do ESO no fim do ano passado, está entre as primeiras observações a sair de uma campanha de observação voltada a entender por que a estrela está ficando mais fraca.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/M. Montargès et al. ESO CC BY 4.0

Betelgeuse, estrela supergigante vermelha, em imagem do Very Large Telescope
Very Large Telescope, instrumento SPHERE.A estrela supergigante vermelha Betelgeuse, na constelação de Orion, vem passando por um escurecimento sem precedentes. Esta impressionante imagem da superfície da estrela foi obtida com o instrumento SPHERE no Very Large Telescope do ESO em janeiro de 2019, antes de a estrela começar a escurecer.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/M. Montargès et al. ESO CC BY 4.0

Betelgeuse, estrela supergigante vermelha, em imagem do Very Large Telescope
Very Large Telescope, instrumento SPHERE.A estrela supergigante vermelha Betelgeuse, na constelação de Orion, passou por um escurecimento sem precedentes no fim de 2019 e no início de 2020. Esta impressionante imagem da superfície da estrela foi obtida com o instrumento SPHERE no Very Large Telescope do ESO em dezembro de 2019 e é uma das imagens feitas durante uma campanha de observação voltada a entender por que a estrela ficou mais fraca.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/M. Montargès et al. ESO CC BY 4.0

Betelgeuse, estrela supergigante vermelha, em imagem do Very Large Telescope
Very Large Telescope, instrumento SPHERE.Quando a estrela supergigante vermelha Betelgeuse ficou visivelmente mais escura no fim de 2019 e no início de 2020, os astrônomos ficaram intrigados. Esta imagem da estrela foi obtida antes de Betelgeuse começar a enfraquecer, com o instrumento SPHERE no Very Large Telescope do ESO.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/M. Montargès et al. ESO CC BY 4.0

Betelgeuse, estrela supergigante vermelha, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento FOC.Esta é a primeira imagem direta de uma estrela que não o Sol, feita com o Telescópio Espacial Hubble. Chamada Alpha Orionis, ou Betelgeuse, é uma estrela supergigante vermelha que marca o ombro da constelação de inverno Orion, o Caçador.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito Andrea Dupree (Harvard-Smithsonian CfA), Ronald Gilliland (STScI), NASA and ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

Diagrama de Betelgeuse, estrela supergigante vermelha, em imagem do Gemini NorthDiagrama
Gemini North, instrumento ‘Alopeke.Usando o instrumento 'Alopeke, financiado pela NASA e pela NSF, no telescópio Gemini North, uma das duas metades do International Gemini Observatory, financiado em parte pela U.S. National Science Foundation (NSF) e operado pelo NSF NOIRLab, os astrônomos descobriram uma estrela companheira numa órbita incrivelmente fechada ao redor de Betelgeuse.Descrição do acervo NOIRLab, traduzida.

Crédito International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURAImage Processing: M. Zamani (NSF NOIRLab) NOIRLab CC BY 4.0

Montagem de várias imagens de Betelgeuse, estrela supergigante vermelhaMontagem de várias imagens
Usando o Very Large Telescope (VLT) do ESO, os astrônomos obtiveram a imagem mais nítida já feita do que provavelmente é Betelgeuse B, uma estrela que orbita Betelgeuse. Betelgeuse é uma estrela supergigante vermelha na constelação de Orion. Seu brilho muda periodicamente, e por décadas os astrônomos suspeitaram que parte dessas variações poderia ser causada por uma estrela companheira em órbita ao seu redor.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/M. Montargès et al. Background: N. Rissinger (skysurvey.org) ESO CC BY 4.0

Montagem de várias imagens de Betelgeuse, estrela supergigante vermelha, em imagem do Hubble Space TelescopeMontagem de várias imagens
Hubble Space Telescope, instrumento FOC.Esta é a primeira imagem direta de uma estrela que não o Sol, feita com o Telescópio Espacial Hubble. Chamada Alpha Orionis, ou Betelgeuse, é uma estrela supergigante vermelha que marca o ombro da constelação de inverno Orion, o Caçador (diagrama à direita).Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito Andrea Dupree (Harvard-Smithsonian CfA), Ronald Gilliland (STScI), NASA and ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

Montagem de várias imagens de Betelgeuse, estrela supergigante vermelhaMontagem de várias imagens
O Grande Escurecimento (GDE) de Betelgeuse, quando a estrela supergigante vermelha desbotou de forma visível no fim de 2019 e no começo de 2020, intrigou e fascinou o mundo enquanto acontecia. Alguns acharam que a estrela, que está chegando ao fim da vida, estava prestes a explodir e virar uma supernova.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/J. Drevon et al. ESO CC BY 4.0

Vídeo de Betelgeuse

O player do YouTube só carrega depois que você clica, e sem cookie de rastreio. Vídeo publicado por European Southern Observatory (ESO); o conteúdo é do canal, e não do ValorFinal.

Baixar esta imagem

A licença CC BY 4.0 permite usar a imagem, inclusive comercialmente, desde que o crédito apareça inteiro e visível junto dela. Copie o crédito acima junto com o arquivo.

Outros objetos em Órion

Continue explorando

Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Nebulosa de Órion

    Crédito ESO/G. Beccari ESO CC BY 4.0

  • Nebulosa Cabeça de Cavalo

    Crédito NASA, ESA, and the Hubble Heritage Team (AURA/STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Eta Carinae

    Crédito NASA, ESA, N. Smith (University of Arizona, Tucson), and J. Morse (BoldlyGo Institute, New York) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Fomalhaut

    Crédito NASA, ESA, P. Kalas (UC Berkeley), J. DePasquale (STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Beta Pictoris

    Crédito NASA, ESA, D. Golimowski (Johns Hopkins University), D. Ardila (IPAC), J. Krist (JPL), M. Clampin (GSFC), H. Ford (JHU), and G. Illingworth (UCO/Lick) and the ACS Science Team ESA/Hubble CC BY 4.0

  • V838 Monocerotis

    Crédito NASA, ESA, and The Hubble Heritage Team (AURA/STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • AG Carinae

    Crédito ESA/Hubble and NASA, A. Nota, C. Britt ESA/Hubble CC BY 4.0

  • R Sculptoris

    Crédito ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/M. Maercker et al. ESO CC BY 4.0

Perguntas frequentes

Betelgeuse vai explodir em breve?
Betelgeuse vai explodir como supernova, e não há previsão de data. As estimativas colocam o evento em algum ponto dos próximos cem mil anos, uma janela curta para a astronomia e imensa para qualquer escala humana. O escurecimento de 2019 e 2020 foi interpretado por muita gente como sinal de explosão iminente, e a explicação que se consolidou foi outra: poeira formada pela própria estrela bloqueou parte da luz.
Por que Betelgeuse é vermelha?
A cor de uma estrela indica a temperatura da superfície. Betelgeuse é uma supergigante vermelha porque, ao inchar enormemente, a mesma energia passou a ser distribuída por uma superfície muito maior, e a temperatura superficial caiu. Estrelas mais frias emitem proporcionalmente mais luz na faixa vermelha do espectro. É o oposto das estrelas azuis, que são as mais quentes, como Rigel, no outro extremo da mesma constelação.
Qual é o tamanho de Betelgeuse?
Betelgeuse é uma das maiores estrelas conhecidas em raio, ainda que não em massa. Se ocupasse o lugar do Sol, sua superfície ultrapassaria a órbita de Marte, engolindo Mercúrio, Vênus, a Terra e Marte. O valor exato depende da distância adotada, que é incerta, e por isso as estimativas publicadas variam. A estrela também não tem borda nítida: a atmosfera dela é difusa, e onde ela termina depende do comprimento de onda usado na medida.
Uma explosão de Betelgeuse seria perigosa para a Terra?
Não. A distância declarada é de cerca de 725 anos-luz, muito além do limite em que uma supernova poderia afetar a atmosfera ou a biosfera terrestre. Estimativas conservadoras situam esse limite em algumas dezenas de anos-luz. O que se veria daqui é um ponto extremamente brilhante no céu, provavelmente visível durante o dia por semanas, e depois um desvanecimento lento ao longo de meses.
Onde encontrar Betelgeuse no céu?
Betelgeuse fica na constelação de Órion, em um dos vértices do quadrilátero que cerca o Cinturão de Órion, do lado oposto a Rigel. Do hemisfério sul, Órion aparece de cabeça para baixo em relação às ilustrações clássicas, e é bem visível nas noites de verão. A cor alaranjada é perceptível a olho nu e ajuda a identificá-la, sobretudo quando comparada ao branco azulado de Rigel.
Betelgeuse tem uma estrela companheira?
Duas observações recentes do acervo foram publicadas com essa interpretação: uma imagem de 2025 feita com o instrumento 'Alopeke e uma montagem do ESO de 2026 com dados do Very Large Telescope. A hipótese não é nova, porque Betelgeuse tem uma variação de brilho de longo período difícil de explicar com pulsação de estrela isolada. Detectar um objeto fraco tão perto de uma estrela brilhante é difícil, e o acompanhamento continua.
Quanto tempo a luz de Betelgeuse leva para chegar até nós?
Cerca de 725 anos, segundo a distância declarada pelo publicador das imagens. A luz que chega esta noite partiu da estrela no século 14. Por isso qualquer afirmação sobre o estado atual dela é impossível: se Betelgeuse tivesse colapsado a qualquer momento desses sete séculos, a informação ainda estaria a caminho. Observar o céu é sempre observar o passado, e a distância determina quão antigo é o registro.

Fontes oficiais

Continue explorando

Como citar esta página

ValorFinal. Betelgeuse. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/betelgeuse. Consultado em: 23/08/2026.