Escala 6x1: como funciona e o que muda com o fim da escala (2026)

O que é a escala 6x1, por que ela é permitida hoje, o que a PEC 221/2019 aprovada pela Câmara prevê (42 horas, depois 40 horas e duas folgas), em que pé está no Senado e quanto vale a hora em cada jornada.

Revisado pela equipe editorial ValorFinal, sob responsabilidade de Cesar GargiuloAgência Câmara de Notícias, 27/05/2026
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A escala 6x1 é trabalhar seis dias e folgar um por semana, dentro do limite de 8 horas por dia e 44 por semana da Constituição. Ela é permitida hoje e comum no comércio, na indústria e nos serviços. A PEC 221/2019, que acaba com ela, foi aprovada pela Câmara em 27 de maio de 2026 e prevê jornada de 40 horas semanais com dois dias de repouso, sem redução de salário, depois de uma transição por 42 horas. Para valer, ainda precisa passar pelo Plenário do Senado. Para fazer a conta da sua carga semanal, use a calculadora de jornada de trabalho.

Situação em 25/09/2026

  • 27/05/2026: Câmara aprova em dois turnos: 472 a 22 no primeiro e 461 a 19 no segundo.
  • 28/05/2026: Texto enviado ao Senado.
  • 02/09/2026: CCJ do Senado aprova o relatório do senador Omar Aziz, favorável ao texto da Câmara, e rejeita 35 emendas.
  • Falta: votação em dois turnos no Plenário do Senado, com três quintos dos votos. Até a promulgação, a escala 6x1 continua permitida.

Resposta rápida

  • Hoje a 6x1 é permitida: até 8 horas por dia, 44 por semana e uma folga semanal de 24 horas.
  • O texto aprovado na Câmara leva a 42 horas e dois dias de repouso 2 meses depois da publicação, e a 40 horas 12 meses depois disso.
  • O salário não pode ser reduzido; o valor da hora sobe cerca de 10%.
  • Falta a votação no Plenário do Senado, em dois turnos.

Conteúdo educativo. A PEC pode mudar no Senado; confira a situação nas fontes oficiais listadas no fim da página.

O que é a escala 6x1?

É a escala de seis dias de trabalho e um de folga por semana. A Constituição limita a jornada a 8 horas por dia e 44 por semana (art. 7º, XIII) e garante o repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos (art. 7º, XV). A CLT detalha: o descanso é de 24 horas consecutivas e deve coincidir com o domingo, no todo ou em parte, salvo conveniência pública ou necessidade do serviço (art. 67).

As 44 horas podem ser distribuídas de jeitos diferentes nos seis dias: 7 horas e 20 minutos por dia, ou 8 horas de segunda a sexta e 4 horas no sábado. Em qualquer arranjo, o que passa de 44 horas na semana é hora extra, com adicional mínimo de 50%, ou vai para o banco de horas quando há acordo. A calculadora de horas trabalhadas soma a sua semana a partir dos horários de entrada e saída.

A escala 6x1 é permitida hoje?

É. Nada na lei atual obriga dois dias de folga, e a 6x1 cumpre os limites da Constituição quando respeita as 44 horas semanais e o descanso de 24 horas. No comércio, o trabalho aos domingos é autorizado, observada a legislação municipal, e o repouso precisa cair no domingo pelo menos uma vez a cada três semanas (Lei 10.101/2000, art. 6º, parágrafo único).

O que muda a regra é a emenda à Constituição. Enquanto ela não for aprovada pelo Senado e promulgada pelo Congresso, a empresa pode continuar adotando a 6x1, e nenhum direito novo vale ainda.

Escala 6x1, 5x2 e 4x3: qual a diferença?

O que prevê a PEC do fim da escala 6x1

O texto aprovado pela Câmara em 27 de maio de 2026, por 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo, muda o art. 7º da Constituição. Pela notícia oficial da Câmara, os pontos são:

Quando a mudança começa a valer

Os prazos contam da publicação da emenda, que ainda não tem data. Se o Senado aprovar o texto sem mudanças, o Congresso promulga e o calendário fica assim:

Calendário da transição da jornada prevista na PEC 221/2019
MomentoJornada máxima semanalRepouso
Hoje, até a publicação44 horas1 dia por semana
2 meses depois da publicação42 horas2 dias por semana
14 meses depois da publicação40 horas2 dias por semana

Em que pé está a votação no Senado

A PEC chegou ao Senado em 28 de maio de 2026. Em 2 de setembro, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou o relatório do senador Omar Aziz, favorável ao texto da Câmara, e rejeitou 35 emendas. Na conferência de 25/09/2026, a matéria estava pronta para o Plenário, aguardando inclusão na ordem do dia.

Emenda à Constituição precisa de dois turnos de votação em cada Casa, com três quintos dos votos, ou seja, 49 dos 81 senadores (Constituição, art. 60, § 2º). Se o Senado aprovar o mesmo texto, a emenda é promulgada pelas Mesas da Câmara e do Senado, sem sanção presidencial. Se mudar o conteúdo, a proposta volta para a Câmara.

Quanto vale a sua hora com 44, 42 e 40 horas

Como o salário não muda e as horas diminuem, cada hora passa a valer mais. O mensalista acha a hora dividindo o salário por um divisor ligado à jornada: 220 para 44 horas e 200 para 40 horas, este fixado pela Súmula 431 do TST. Pela mesma lógica (horas semanais divididas por 6 e multiplicadas por 30), a etapa de 42 horas corresponde a 210. A hora sobe 4,76% na transição e 10% ao final.

Valor da hora do mensalista com jornada de 44, 42 e 40 horas semanais
Salário mensalValor da hora, em R$
44 h÷ 22042 h÷ 21040 h÷ 200
R$ 1.621,00salário mínimo7,377,728,11
R$ 2.000,009,099,5210,00
R$ 2.500,0011,3611,9012,50
R$ 3.000,0013,6414,2915,00
R$ 4.000,0018,1819,0520,00
R$ 5.000,0022,7323,8125,00

A hora extra sai dessa hora mais o adicional de pelo menos 50%, então também sobe. Faça a conta com o seu salário na calculadora de salário por hora e na calculadora de horas extras. Os divisores de 42 e 40 horas são projeção sobre o texto aprovado na Câmara, e a convenção coletiva da categoria pode fixar outro.

Quem fica de fora

Pelo texto aprovado na Câmara, os limites de 40 horas semanais e 8 diárias, e as regras de controle de jornada, não se aplicam ao empregado com diploma de nível superior que ganhe mais de 2.5 vezes o teto da Previdência. Com o teto de R$ 8.475,55 em 2026, isso quer dizer salário acima de R$ 21.188,88. Para os contratos de terceirização na administração pública, a passagem para 42 horas fica condicionada, para não atingir de imediato os contratos em vigor.

O que não muda enquanto a PEC não for promulgada

Fontes oficiais

Conclusão

A escala 6x1 continua valendo enquanto o Senado não votar a PEC 221/2019. Se o texto da Câmara passar como está, a mudança vem em duas etapas: 42 horas e dois dias de folga 2 meses depois da publicação, e 40 horas um ano depois, sempre com o mesmo salário. Até lá, confira a sua jornada na calculadora de jornada de trabalho, veja o valor da sua hora na calculadora de salário por hora e as demais calculadoras trabalhistas.

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ValorFinal. Escala 6x1: como funciona e o que muda com o fim da escala (2026). Disponível em: https://valorfinal.com.br/guia/escala-6x1. Atualizado em: 25/09/2026.

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Base deste guia: Agência Câmara de Notícias, 27/05/2026. Os valores citados aqui são estimativas baseadas na legislação e nas tabelas vigentes. Convenção ou acordo coletivo, cláusulas do contrato, verbas próprias da categoria e mudanças na lei podem alterar o resultado do seu caso. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

A escala 6x1 acabou?
Não. Em 25/09/2026, a PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1, já tinha sido aprovada pela Câmara (em 27 de maio de 2026) e pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado (em 2 de setembro), mas ainda esperava a votação no Plenário do Senado. Enquanto a emenda não for promulgada, a escala 6x1 continua permitida, com até 44 horas por semana e uma folga semanal.
Quando a escala 6x1 vai acabar, se o Senado aprovar?
Não no dia seguinte. Pelo texto aprovado na Câmara, a jornada cai para 42 horas semanais, com dois dias de repouso, 2 meses depois da publicação da emenda. A jornada de 40 horas passa a valer 12 meses depois disso, ou seja, 14 meses depois da publicação. Se o Senado mudar o texto, ele volta para a Câmara.
O fim da escala 6x1 reduz o salário?
Não, pelo texto aprovado na Câmara. A redução da jornada tem de acontecer sem redução salarial, e a notícia oficial da Câmara registra a expressão usada no texto: sem qualquer redução salarial, seja nominal, proporcional ou de qualquer outra espécie. Na prática, o salário fica igual e o valor de cada hora trabalhada sobe.
O que é a escala 5x2?
É trabalhar cinco dias e folgar dois por semana. Hoje ela já é permitida e muito comum: com 8 horas e 48 minutos de segunda a sexta, por exemplo, a semana fecha as 44 horas sem trabalho no sábado. O texto aprovado na Câmara torna os dois dias de repouso por semana a regra geral, com um deles preferencialmente no domingo.
Quanto sobe o valor da hora com 40 horas semanais?
Cerca de 10%, porque o mesmo salário passa a pagar menos horas. A hora do mensalista sai do salário dividido pelo divisor da jornada: 220 para 44 horas e 200 para 40 horas, que é o divisor da Súmula 431 do TST. Com salário de R$ 3.000,00, a hora vai de R$ 13,64 para R$ 15,00, e é sobre ela que se calcula a hora extra.
Quem fica de fora do fim da escala 6x1?
O texto aprovado na Câmara não aplica os limites de 40 horas semanais e 8 horas diárias ao empregado com diploma de nível superior que receba mais de 2.5 vezes o teto da Previdência, o que em 2026 passa de R$ 21.188,88 por mês. Para os contratos de terceirização na administração pública, a passagem para 42 horas fica condicionada, para evitar impacto imediato nos contratos em vigor.
Como fica a escala 12x36 com o fim da 6x1?
O texto aprovado na Câmara prevê que convenções ou acordos coletivos poderão, excepcionalmente, criar um regime de compensação para garantir, na média, dois dias de repouso semanal remunerado dentro do mês. É o caminho citado para a 12x36 e para atividades essenciais como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana.
O comércio pode abrir aos domingos na escala 6x1?
Hoje pode, observada a legislação municipal (Lei 10.101/2000, art. 6º). A mesma lei exige que o repouso semanal caia no domingo pelo menos uma vez a cada três semanas. A Constituição fala em repouso preferencialmente aos domingos, e o texto aprovado na Câmara mantém essa preferência para um dos dois dias de folga.