Estudo ValorFinalTrabalhista

INSS e IRRF: como a mordida no salário mudou de 2019 a 2026

Estudo ValorFinal que reconstrói as tabelas oficiais de INSS e IRRF de 2019 a 2026 e calcula, ano a ano, quanto perde quem ganha 1, 2, 3 e 5 salários mínimos. Mostra o efeito do congelamento da tabela do IR, as correções desde 2023 e a reforma de 2026, que zerou o imposto até R$ 5.000.

Metodologia ValorFinalPortarias Interministeriais do INSS 2019-2026; Receita Federal (Lei 13.149/2015, Lei 14.663/2023, Lei 14.848/2024, Lei 15.191/2025, Lei 15.270/2025); decretos do salário mínimo
de 18,3% para 25,8%cresceu a mordida de INSS + IRRF de quem ganha 5 salários mínimos entre 2019 e 2026, sem nenhuma alíquota nominal subir; já em 3 mínimos a mordida caiu a 9,9% com a reforma do IR de 2026.

Principais conclusões

  • Quem ganha 5 salários mínimos perdia 18,3% do salário em 2019 e perde 25,8% em 2026: a defasagem da tabela do IR aumentou o imposto sem mudança de alíquota.
  • Na direção oposta, a reforma de 2026 (Lei 15.270/2025) derrubou a mordida de quem ganha 3 mínimos de 14,5% em 2025 para 9,9%, zerando o IRRF até R$ 5.000.
  • Com a tabela congelada de 2015 a 2023, quem ganhava 2 salários mínimos chegou a pagar Imposto de Renda; hoje essa faixa paga só o INSS.
  • Medida em salários mínimos, a isenção do IRRF caiu de 1,91 mínimo (2019) para 1,57 (2022) e saltou para 3,08 mínimos em 2026, o maior patamar da série.
  • Quem ganha o salário mínimo paga 7,5% desde 2020 (8% em 2019): a mordida do piso é toda INSS, que é contribuição e conta para a aposentadoria.

Todo mês, antes de o salário cair na conta, o INSS e o Imposto de Renda na fonte levam a primeira fatia. O tamanho dessa fatia muda de ano para ano, e quase nunca pelo motivo que as pessoas imaginam. Neste estudo, o ValorFinal reconstruiu as tabelas oficiais de INSS e IRRF de 2019 a 2026 e calculou, ano a ano, quanto perdeu quem ganha 1, 2, 3 e 5 salários mínimos. A régua em salários mínimos mantém a comparação justa: 2 mínimos de 2019 e 2 mínimos de 2026 representam um poder de compra parecido, ainda que os valores em reais sejam bem diferentes.

O resultado conta duas histórias opostas ao mesmo tempo. Para quem ganha até 3 salários mínimos, a mordida caiu, e caiu forte no fim do período: a reforma do Imposto de Renda de 2026 derrubou o desconto de quem ganha 3 mínimos de 14,5% para 9,9%. Para quem ganha 5 mínimos, a direção foi a contrária: a mordida saiu de 18,3% em 2019 para 25,8% em 2026, o maior nível da série.

Como a mordida evoluiu, faixa a faixa

As tabelas abaixo mostram, para cada ano, o salário da faixa (múltiplo do mínimo vigente), o INSS, o IRRF, o líquido e o percentual total descontado. O cálculo usa zero dependentes e a tabela vigente em dezembro de cada ano.

Quem ganha 1 salário mínimo

Mordida de quem ganha 1 salário mínimo, por ano
AnoSalárioINSSIRRFLíquido% descontado
2019R$ 998,00R$ 79,84R$ 0,00R$ 918,168,0%
2020R$ 1.045,00R$ 78,38R$ 0,00R$ 966,637,5%
2021R$ 1.100,00R$ 82,50R$ 0,00R$ 1.017,507,5%
2022R$ 1.212,00R$ 90,90R$ 0,00R$ 1.121,107,5%
2023R$ 1.320,00R$ 99,00R$ 0,00R$ 1.221,007,5%
2024R$ 1.412,00R$ 105,90R$ 0,00R$ 1.306,107,5%
2025R$ 1.518,00R$ 113,85R$ 0,00R$ 1.404,157,5%
2026R$ 1.621,00R$ 121,57R$ 0,00R$ 1.499,437,5%

No mínimo, nunca houve Imposto de Renda no período: a mordida é só INSS. Ela caiu de 8,0% em 2019 para 7,5% a partir de 2020, quando a reforma da Previdência trocou a alíquota única de 8% pela primeira faixa progressiva de 7,5%. Desde então, quem ganha o mínimo perde o mesmo percentual todos os anos, e o valor em reais só sobe porque o próprio mínimo sobe.

Quem ganha 2 salários mínimos

Mordida de quem ganha 2 salários mínimos, por ano
AnoSalárioINSSIRRFLíquido% descontado
2019R$ 1.996,00R$ 179,64R$ 0,00R$ 1.816,369,0%
2020R$ 2.090,00R$ 172,44R$ 1,02R$ 1.916,558,3%
2021R$ 2.200,00R$ 181,50R$ 8,59R$ 2.009,918,6%
2022R$ 2.424,00R$ 199,98R$ 24,00R$ 2.200,029,2%
2023R$ 2.640,00R$ 219,86R$ 0,00R$ 2.420,148,3%
2024R$ 2.824,00R$ 237,70R$ 0,00R$ 2.586,308,4%
2025R$ 3.036,00R$ 257,73R$ 0,00R$ 2.778,278,5%
2026R$ 3.242,00R$ 277,64R$ 0,00R$ 2.964,368,6%

Aqui aparece o efeito mais silencioso da série: o congelamento da tabela do IRRF. De 2020 a 2022, quem ganhava 2 mínimos pagava Imposto de Renda, porque a isenção estava parada em R$ 1.903,98 desde 2015 enquanto o mínimo subia (em 2019, a dedução do INSS ainda segurava essa faixa fora do imposto). Em 2022, 2 mínimos eram R$ 2.424,00 e pagavam R$ 24,00 de IRRF por mês. A correção de 2023 zerou esse imposto, e a redução de 2026 afastou ainda mais essa faixa do IR: hoje a mordida de 2 mínimos é só o INSS.

Quem ganha 3 salários mínimos

Mordida de quem ganha 3 salários mínimos, por ano
AnoSalárioINSSIRRFLíquido% descontado
2019R$ 2.994,00R$ 329,34R$ 57,05R$ 2.607,6112,9%
2020R$ 3.135,00R$ 297,85R$ 70,77R$ 2.766,3811,8%
2021R$ 3.300,00R$ 313,40R$ 93,19R$ 2.893,4112,3%
2022R$ 3.636,00R$ 345,32R$ 138,80R$ 3.151,8813,3%
2023R$ 3.960,00R$ 380,32R$ 144,40R$ 3.435,2813,3%
2024R$ 4.236,00R$ 411,86R$ 169,24R$ 3.654,9013,7%
2025R$ 4.554,00R$ 447,16R$ 212,54R$ 3.894,3014,5%
2026R$ 4.863,00R$ 482,33R$ 0,00R$ 4.380,679,9%

A faixa de 3 mínimos é a que melhor mostra a virada de 2026. A mordida vinha subindo devagar, de 12,9% em 2019 até 14,5% em 2025, empurrada pela defasagem da tabela. Em 2026, com o IRRF zerado até R$ 5.000 pela Lei 15.270/2025, o desconto despencou para 9,9%: quem ganha R$ 4.863 deixou de pagar Imposto de Renda na fonte e ficou só com o INSS.

Quem ganha 5 salários mínimos

Mordida de quem ganha 5 salários mínimos, por ano
AnoSalárioINSSIRRFLíquido% descontado
2019R$ 4.990,00R$ 548,90R$ 363,12R$ 4.077,9818,3%
2020R$ 5.225,00R$ 590,45R$ 406,64R$ 4.227,9119,1%
2021R$ 5.500,00R$ 621,29R$ 472,28R$ 4.406,4219,9%
2022R$ 6.060,00R$ 684,58R$ 608,88R$ 4.766,5421,3%
2023R$ 6.600,00R$ 749,92R$ 723,81R$ 5.126,2722,3%
2024R$ 7.060,00R$ 807,22R$ 823,51R$ 5.429,2723,1%
2025R$ 7.590,00R$ 872,20R$ 938,67R$ 5.779,1423,9%
2026R$ 8.105,00R$ 936,21R$ 1.153,17R$ 6.015,6225,8%

Nas faixas mais altas, a história é de alta contínua. Quem ganha 5 mínimos perdia 18,3% do salário em 2019 e perde 25,8% em 2026. São quase 8 pontos percentuais a mais em oito anos, sem que nenhuma alíquota nominal tenha subido. O mecanismo é a defasagem: as faixas de 22,5% e 27,5% do IRRF seguem começando em valores nominais definidos em 2015, então cada reajuste do mínimo empurra uma fatia maior do salário para dentro delas.

A isenção do IR medida em salários mínimos

Uma forma direta de enxergar a defasagem e a correção é medir o limite de isenção do IRRF em número de salários mínimos. Quando a tabela fica congelada e o mínimo sobe, esse número cai, e trabalhadores cada vez mais pobres passam a pagar imposto.

Limite de isenção do IRRF em salários mínimos, por ano
AnoIsenção do IRRFSalário mínimoIsenção em mínimos
2019R$ 1.903,98R$ 998,001,91 SM
2020R$ 1.903,98R$ 1.045,001,82 SM
2021R$ 1.903,98R$ 1.100,001,73 SM
2022R$ 1.903,98R$ 1.212,001,57 SM
2023R$ 2.112,00R$ 1.320,001,60 SM
2024R$ 2.259,20R$ 1.412,001,60 SM
2025R$ 2.428,80R$ 1.518,001,60 SM
2026R$ 5.000,00 (efetiva)R$ 1.621,003,08 SM

Em 2019, a isenção alcançava 1,91 salário mínimo. No fundo do congelamento, em 2022, ela valia só 1,57 mínimo: quem ganhava pouco mais de um mínimo e meio já pagava IR. Em 2026, com a redução da Lei 15.270/2025, a isenção efetiva saltou para R$ 5.000, ou 3,08 salários mínimos, o maior patamar da série. Vale notar que a linha de 2026 usa a isenção efetiva (a redução que zera o imposto), e não o topo formal da primeira faixa da tabela.

O que mudou em cada virada

Três mudanças estruturais explicam a série inteira. A primeira foi a reforma da Previdência (Emenda Constitucional 103/2019), em vigor desde março de 2020: o INSS do empregado deixou de ter alíquota única sobre o salário todo e passou a ser progressivo por faixas, de 7,5% a 14%. Quem ganha o mínimo passou a pagar menos; quem ganha perto do teto passou a pagar um pouco mais.

A segunda foi o fim do congelamento do IRRF. A tabela ficou parada de abril de 2015 a abril de 2023, o período em que a mordida cresceu para todo mundo acima da isenção. A partir de maio de 2023, correções anuais elevaram a isenção para R$ 2.112,00, depois R$ 2.259,20 (2024) e R$ 2.428,80 (2025), sempre acompanhadas do desconto simplificado, que garante isenção a quem ganha até 2 mínimos.

A terceira é a reforma de 2026. A Lei 15.270/2025 criou uma redução que zera o IRRF de quem recebe até R$ 5.000 por mês e diminui o imposto de forma decrescente logo acima disso. É a mudança que aparece na queda abrupta da faixa de 3 mínimos entre 2025 e 2026. Acima da zona da redução, nada mudou, e é por isso que a faixa de 5 mínimos não sentiu alívio nenhum.

Por que a mordida de cima continua subindo

A pergunta natural é: se a tabela foi corrigida em 2023, 2024, 2025 e 2026, por que quem ganha 5 mínimos paga cada vez mais? A resposta está em qual pedaço da tabela foi corrigido. As correções recentes mexeram na base: isenção e desconto simplificado. Os limites das faixas de 15%, 22,5% e 27,5%, porém, continuam nos valores nominais de 2015. Um salário de 5 mínimos em 2026 (R$ 8.105) está muito acima do início da faixa de 27,5% (R$ 4.664,68), então praticamente todo reajuste vai para a alíquota máxima.

Somam-se a isso os reajustes reais do salário mínimo, acima da inflação, que elevam o salário nominal das faixas atreladas ao mínimo mais rápido do que a tabela do IR se move. O resultado é o que a série mostra: a mordida de 5 mínimos subiu em todos os anos do período, de 18,3% para 25,8%, mesmo sem nenhuma lei aumentar alíquota. Economistas chamam isso de aumento de imposto por defasagem, e ele não aparece em manchete nenhuma.

INSS não é tudo perda

Uma ressalva que este estudo repete sempre: das duas fatias da mordida, o INSS não é imposto puro. É contribuição previdenciária, conta para a aposentadoria, o auxílio-doença e a pensão, e tem teto. O IRRF, por sua vez, é imposto: sai do salário e não volta como benefício individual. Nas faixas de 1 e 2 mínimos, a mordida de 2026 é 100% contribuição. Na faixa de 5 mínimos, mais da metade da mordida já é Imposto de Renda.

Essa distinção importa para ler a série com honestidade. A queda da mordida nas faixas baixas veio toda do IR, sem mexer na contribuição. E a alta nas faixas maiores também veio toda do IR. O INSS progressivo de 2020 redistribuiu a conta dentro da folha, mas mudou pouco o total: o motor da variação, para cima e para baixo, foi sempre o Imposto de Renda.

Metodologia e limitações

Os números são calculados em tempo de build por uma engine histórica versionada no repositório do ValorFinal, que aplica, para cada ano, a tabela de INSS e de IRRF vigente em dezembro daquele ano: INSS por alíquota única até 2019 e progressivo desde 2020; IRRF com deduções legais e, a partir de maio de 2023, com o desconto simplificado quando mais vantajoso. O ano de 2026 usa a mesma engine da nossa calculadora de salário líquido, incluindo a redução da Lei 15.270/2025. O perfil é o empregado CLT com zero dependentes; dependentes e outras deduções reduzem o IRRF. Anos com troca de tabela no meio do ano (2020, 2023, 2024 e 2025) usam a tabela mais nova. Entenda nossa abordagem em como validamos os cálculos.

Fontes oficiais

Conclusão

Oito anos de tabelas contam uma história de dois Brasis tributários. Abaixo de 3 salários mínimos, o trabalhador de 2026 perde menos do que perdia em qualquer ano da série: a mordida de 3 mínimos caiu de 14,5% para 9,9% de um ano para o outro. Acima disso, a defasagem segue mandando: 5 mínimos perdem 25,8%, o recorde do período. Calcule a sua própria mordida na calculadora de salário líquido, confira o IRRF e o INSS isolados, e veja os demais estudos do ValorFinal, com dados livres para citação.

Como citar esta página

Vai usar este dado em uma matéria, post ou trabalho? Copie a referência pronta. O número vem do ValorFinal (metodologia própria sobre dados oficiais); a página é atualizada automaticamente.

ValorFinal. A mordida do salário ano a ano hoje: de 18,3% para 25,8%. Disponível em: https://valorfinal.com.br/estudos/quanto-o-governo-leva-do-salario-ao-longo-dos-anos. Fonte do dado: ValorFinal (metodologia própria sobre dados oficiais). Acesso em: 01/01/2026.

Para imprensa, blogs e professores

Os números deste estudo são livres para citação com crédito ao ValorFinal (licença Creative Commons BY 4.0). Você pode reproduzir as tabelas e o gráfico em uma matéria, post ou trabalho, desde que cite a fonte e o link desta página. Precisa de um recorte específico ou quer falar com a equipe? Veja a central de estudos e dados ou os widgets gratuitos para incorporar.

Calcule o seu caso

Como calculamos

Os números deste estudo são estimativas calculadas pelas mesmas engines abertas que movem as calculadoras do ValorFinal, a partir de tabelas oficiais (Portarias Interministeriais do INSS 2019-2026; Receita Federal (Lei 13.149/2015, Lei 14.663/2023, Lei 14.848/2024, Lei 15.191/2025, Lei 15.270/2025); decretos do salário mínimo). Eles podem variar conforme a situação individual, convenção coletiva e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

Quanto o governo desconta do salário em 2026?
Depende da faixa. Quem ganha o salário mínimo (R$ 1.621) perde 7,5%, só de INSS. Quem ganha 3 salários mínimos (R$ 4.863) perde 9,9%, também sem Imposto de Renda, graças à redução da Lei 15.270/2025. Já quem ganha 5 mínimos (R$ 8.105) perde 25,8% entre INSS e IRRF.
A mordida no salário aumentou ou diminuiu nos últimos anos?
As duas coisas, dependendo da faixa. Para quem ganha 5 salários mínimos, a mordida subiu quase sem parar: era 18,3% em 2019 e chegou a 25,8% em 2026. Para quem ganha até 3 mínimos, a reforma do IR de 2026 inverteu a tendência: a mordida caiu de 14,5% em 2025 para 9,9% em 2026.
O que foi o congelamento da tabela do Imposto de Renda?
Entre abril de 2015 e abril de 2023, a tabela do IRRF ficou parada nos mesmos valores (isenção até R$ 1.903,98), enquanto os salários subiam com a inflação. O efeito é chamado de defasagem da tabela: a cada ano, salários menores em poder de compra passavam a pagar imposto, sem nenhuma lei nova aumentar a alíquota.
Quem ganha 2 salários mínimos paga Imposto de Renda?
Hoje não. Em 2026, 2 salários mínimos são R$ 3.242 e o IRRF é zero até R$ 5.000. Mas nem sempre foi assim: de 2020 a 2022, com a tabela congelada e o mínimo subindo, quem ganhava 2 mínimos pagava IRRF. Em 2022, por exemplo, 2 mínimos eram R$ 2.424 e pagavam R$ 24,00 por mês de imposto na fonte.
Qual é o limite de isenção do IRRF em 2026?
Na prática, R$ 5.000 por mês. A Lei 15.270/2025 criou uma redução que zera o imposto na fonte até esse rendimento, o equivalente a 3,08 salários mínimos. É o maior limite de isenção da história recente: em 2022, a isenção alcançava só 1,57 salário mínimo.
Por que a mordida de quem ganha mais continua subindo?
Porque a defasagem acumulada da tabela do IRRF não foi totalmente reposta nas faixas altas. As correções de 2023, 2024 e 2025 e a reforma de 2026 concentraram o alívio nas faixas de baixo. Acima da faixa da redução, as alíquotas de 22,5% e 27,5% seguem incidindo sobre limites nominais antigos, então a mordida percentual continua crescendo com os reajustes salariais.
O INSS também mudou nesse período?
Mudou. Até 2019, o INSS do empregado tinha três alíquotas (8%, 9% e 11%) aplicadas sobre o salário inteiro. Desde março de 2020, com a reforma da Previdência (EC 103/2019), o desconto virou progressivo por faixas, com alíquotas de 7,5% a 14%, cada uma incidindo só sobre a fatia do salário dentro da faixa. Quem ganha o mínimo passou a pagar 7,5% em vez de 8%.
Por que comparar em salários mínimos e não em reais?
Porque R$ 3.000 de 2019 e R$ 3.000 de 2026 não compram as mesmas coisas. Comparar quem ganha 2 ou 3 salários mínimos em cada ano mantém a régua de poder de compra parecida entre os anos, já que o mínimo é reajustado pelo menos pela inflação. É o jeito mais honesto de responder se a mordida de um mesmo perfil de trabalhador subiu ou caiu.
O desconto simplificado entra nessa conta?
Entra a partir de maio de 2023, quando ele foi criado. O desconto simplificado substitui as deduções legais da base do IRRF quando é mais vantajoso, e este estudo aplica exatamente essa regra, com zero dependentes. Antes de 2023, a base era o salário menos o INSS, sem opção simplificada.
Qual tabela vale quando ela muda no meio do ano?
Este estudo usa a tabela vigente em dezembro de cada ano. Em 2023, por exemplo, a isenção do IRRF subiu em maio, então o ano de 2023 aparece com a tabela de maio em diante. O mesmo critério vale para o INSS de 2020, que virou progressivo em março. O critério está descrito na metodologia e nas fontes.
Esses números valem para qualquer trabalhador?
Valem para o empregado CLT sem dependentes e sem outras deduções (pensão, previdência privada). Dependentes reduzem o IRRF, então quem os declara paga um pouco menos que a tabela do estudo. Servidores, autônomos e aposentados têm regras próprias de contribuição. Para o seu caso exato, use a calculadora de salário líquido do ValorFinal.
Posso citar estes números?
Pode. Os números são livres para citação com crédito ao ValorFinal e link para esta página, sob licença Creative Commons BY 4.0. Eles são calculados pelas tabelas oficiais de cada ano (Portarias do INSS e leis do IRRF), com a metodologia descrita no fim do estudo.