Objeto de Herbig-Haro
Objeto de Herbig-Haro 49 e 50
Jato de uma estrela recém-nascida na região do Camaleão, com uma galáxia distante alinhada por acaso exatamente na ponta do fluxo.

- Tipo
- Objeto de Herbig-HaroSIMBAD: HH
- Constelação
- CamaleãoCha
- Observado por
- James Webb Space Telescope
- Imagem publicada
- março de 2025
- Original do acervo
- 4.152 × 5.044 px21 megapixels
O Objeto de Herbig-Haro 49 e 50 fica na constelação do Camaleão, no céu do sul. O SIMBAD registra a identificação canônica HH 49 e lista HH 50 como designação associada, ambos com o código HH, de objeto de Herbig-Haro. São regiões de gás aquecido por choque, produzidas quando um jato lançado por uma estrela em formação atinge o material da nuvem ao redor.
O apelido informal desse par é Tornado Cósmico, por causa da forma. O que aparece na imagem é uma estrutura alongada e cônica, composta por arcos empilhados que apontam todos para a mesma direção. Não há rotação envolvida, apesar do apelido: os arcos são frentes de choque sucessivas, e o padrão em leque vem da geometria do impacto, não de um redemoinho.
A imagem do acervo foi feita pelo James Webb em 2025, combinando as câmeras NIRCam e MIRI. São cinco filtros, de 2.000 a 7.700 nanômetros, cobrindo tanto o infravermelho próximo quanto o médio. O detalhe que deu fama à imagem está na ponta do fluxo: uma mancha difusa que, ao ser resolvida pelo Webb, se revelou uma galáxia espiral muito distante, alinhada ali por puro acaso de perspectiva.
O que o Tornado Cósmico realmente é
A estrutura não gira. Cada arco visível na imagem é uma frente de choque, produzida quando material lançado em alta velocidade por uma estrela em formação alcança gás mais lento à frente e o comprime. O gás comprimido aquece e depois esfria emitindo luz em linhas espectrais características.
Os arcos aparecem empilhados porque a ejeção não é contínua. Estrelas jovens lançam material em episódios, com intervalos e intensidades variáveis, e cada episódio produz sua própria frente de choque. O que se vê é um histórico visual, com os eventos mais antigos mais afastados da fonte e os mais recentes mais próximos.
A curvatura dos arcos indica a direção do movimento. As frentes se abrem para o lado oposto ao da fonte, exatamente como a onda de proa que se forma na frente de um barco. Seguir a orientação dos arcos é a forma mais direta de descobrir de onde o jato vem, mesmo sem enxergar a estrela responsável.
A galáxia que aparece na ponta
Na extremidade do fluxo há uma mancha que, em imagens de menor resolução, poderia ser confundida com mais um nó de choque. O Webb resolveu a estrutura e mostrou que não é isso: trata-se de uma galáxia espiral distante, vista aproximadamente de frente, com braços e núcleo distinguíveis.
O alinhamento é fortuito. A galáxia não tem relação nenhuma com o jato, com a estrela que o lança ou com a nuvem do Camaleão. Ela está a uma distância incomparavelmente maior, e o encontro entre as duas coisas acontece apenas na nossa linha de visão.
Coincidências assim são mais comuns do que parece e são uma armadilha clássica em astronomia. Duas coisas na mesma direção do céu não estão necessariamente no mesmo lugar, e distinguir superposição de associação física é uma das tarefas rotineiras de quem analisa imagens. Aqui o caso é didático justamente por ser flagrante.
Como NIRCam e MIRI se completam
A imagem usa dois instrumentos com faixas diferentes. Da NIRCam vêm os filtros de 2.000, 3.350, 4.440 e 4.700 nanômetros. Da MIRI vem o filtro de 7.700 nanômetros, já no infravermelho médio. Cada faixa responde a um fenômeno físico distinto.
O filtro de 4.700 nanômetros pega hidrogênio molecular, o traçador clássico de gás aquecido por choque. É ele que desenha os arcos do fluxo com mais nitidez. Os filtros de 3.350 e 7.700 nanômetros pegam moléculas orgânicas grandes, que absorvem radiação ultravioleta e reemitem no infravermelho. Onde essas cores acendem, o que brilha é poeira, não gás chocado.
Combinar os dois instrumentos permite ver simultaneamente o jato e o ambiente. Sem o infravermelho médio, a distribuição da poeira ficaria de fora. Sem o infravermelho próximo, os detalhes finos das frentes de choque se perderiam, porque a resolução angular cai conforme o comprimento de onda aumenta.
De onde vem o jato que forma os arcos
A fonte do fluxo não é a mancha na ponta e nem está necessariamente dentro do quadro em posição óbvia. Objetos de Herbig-Haro costumam ficar a uma distância considerável da protoestrela que os alimenta, porque o material viaja por muito tempo antes de encontrar gás denso o bastante para produzir choque visível.
O que se pode afirmar com segurança pela imagem é a direção. Como os arcos se abrem sempre para o lado oposto ao da origem, a geometria aponta para uma estrela em formação na mesma nuvem, escondida na poeira. Identificar exatamente qual objeto é a fonte exige observações complementares e não é decidido só olhando a foto.
Vale registrar que os catálogos historicamente trataram HH 49 e HH 50 como dois objetos. O SIMBAD registra HH 49 como identificação canônica e HH 50 como designação associada. Nomes múltiplos para partes de uma mesma estrutura são comuns quando o objeto foi catalogado antes de se entender que as partes pertenciam ao mesmo fenômeno.
O que o catálogo não traz sobre este objeto
Duas ausências merecem registro explícito. O SIMBAD não informa tamanho aparente para HH 49, e o publicador da imagem não declarou distância. Esta página não preenche nenhum dos dois com estimativa própria.
A ausência de tamanho tem a mesma causa que em outros fluxos de Herbig-Haro: essas estruturas não têm borda. Onde o objeto termina depende do instrumento, do filtro e do limiar de detecção adotado, e a resposta muda de campanha para campanha.
Sobre a distância, o que se pode dizer sem inventar número é que a região de formação estelar do Camaleão está entre as mais próximas do Sistema Solar. Isso explica por que estruturas relativamente pequenas aparecem com tanto detalhe: proximidade compra resolução espacial sem precisar de telescópio maior.
Os números deste objeto
| Distância | não declarada pelo publicador da imagem |
|---|---|
| Constelação | Camaleão (Cha) |
| Identificação principal | HH 49SIMBAD |
| Outras designações | HH 50 |
| Classificação | HH, objeto de Herbig-HaroSIMBAD |
| Coordenadas J2000 | AR 166,500 graus, Dec -77,560 graus |
| Tamanho aparente | não registrado no SIMBAD |
| Faixa observada | de 2.000 a 7.700 nanômetrosfiltros de NIRCam e MIRI |
| Campo da imagem | 2,2 por 2,6 minutos de arco |
| Imagens no acervo | 1 |
O que reparar nesta imagem
- Os arcos empilhados no fluxoCada arco é uma frente de choque de um episódio diferente de ejeção. Os mais afastados da fonte são os mais antigos, e o conjunto funciona como um registro cronológico.
- A galáxia espiral na extremidadeA mancha com núcleo e braços na ponta do fluxo é uma galáxia distante, sem qualquer relação física com o jato. O alinhamento é coincidência da nossa linha de visão.
- A direção para onde os arcos se abremAs frentes de choque se curvam para o lado oposto ao da origem do jato. Seguir essa orientação aponta onde está a estrela em formação, mesmo sem enxergá-la.
- A diferença entre gás chocado e poeiraAs cores dos filtros de 3.350 e 7.700 nanômetros marcam poeira e moléculas orgânicas. As do filtro de 4.700 marcam hidrogênio molecular aquecido por impacto. São fenômenos distintos no mesmo quadro.
Por que esta imagem tem essas cores
Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.
ultravioletainfravermelho e ondas de rádio
- Azulinfravermelho · NIRCam2 µminvisível ao olho
- Cianoinfravermelho · NIRCam · PAH3,35 µminvisível ao olho
- Verdeinfravermelho · NIRCam4,44 µminvisível ao olho
- Laranjainfravermelho · NIRCam · molecular hydrogen4,7 µminvisível ao olho
- Vermelhoinfravermelho · MIRI · PAH7,7 µminvisível ao olho
Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Webb junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.
Que tamanho é isso, de verdade
Cerca de 14 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 2,2 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, baixo, perto do horizonte, a 14° de altura, na direção S.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 36 graus acima do horizonte, e ele nunca chega a se pôr.
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Quanto já se olhou para aqui
- 33registros do Hubble
- 7registros do James Webb
- 6registros do GALEX
Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 1,2 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.
O que ainda não se sabe
A identificação definitiva da protoestrela que alimenta este fluxo depende de observações complementares e não se resolve pela imagem sozinha, porque a fonte está escondida na poeira e a distância entre ela e as frentes de choque pode ser grande. Em nível mais amplo, continua sem resposta fechada por que a ejeção é episódica: não se sabe ao certo o que dispara cada novo pulso de material, se instabilidades no disco, variações na taxa de queda de matéria ou reconfigurações do campo magnético. E a distância exata da região não está declarada nos metadados desta imagem, o que impede converter os tamanhos angulares observados em dimensões físicas com precisão.
Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.
Uma coisa que quase ninguém sabe
O apelido Tornado Cósmico descreve a aparência e não a física. Não há rotação nenhuma no objeto: a forma cônica com arcos empilhados vem de frentes de choque sucessivas, produzidas por ejeções em episódios diferentes, todas viajando na mesma direção.
Outras imagens deste objeto

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A licença CC BY 4.0 permite usar a imagem, inclusive comercialmente, desde que o crédito apareça inteiro e visível junto dela. Copie o crédito acima junto com o arquivo.
Outros objetos em Camaleão
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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Nuvem de Camaleão I
Crédito NASA, ESA, CSA, and M. Zamani (ESA/Webb); Science: F. Sun (Steward Observatory), Z. Smith (Open University), and the Ice Age ERS Team. ESA/Webb CC BY 4.0
- Nebulosa de Órion
- Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia
Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin. ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa de Carina
Crédito NASA, ESA, N. Smith (University of California, Berkeley), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa Cabeça de Cavalo
Crédito NASA, ESA, and the Hubble Heritage Team (AURA/STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa do Caranguejo
Crédito NASA, ESA and Allison Loll/Jeff Hester (Arizona State University). Acknowledgement: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa da Lagoa
Crédito NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA NOIRLab CC BY 4.0
Perguntas frequentes
- O que são os objetos de Herbig-Haro 49 e 50?
- O HH 49 e o HH 50 são regiões de gás aquecido por choque na constelação do Camaleão, produzidas quando material lançado em alta velocidade por uma estrela em formação atinge a nuvem ao redor. O SIMBAD registra HH 49 como identificação canônica e HH 50 como designação associada. A estrutura ganhou o apelido informal de Tornado Cósmico pela forma cônica, formada por arcos empilhados que apontam todos para a mesma direção.
- A estrutura chamada de Tornado Cósmico gira mesmo?
- Não. Não há rotação envolvida, apesar do apelido. Cada arco visível é uma frente de choque, formada quando gás lançado por uma estrela jovem alcança material mais lento à frente e o comprime. Como a ejeção acontece em episódios, e não de forma contínua, os arcos aparecem empilhados, com os eventos mais antigos mais distantes da fonte. A aparência de funil vem da geometria dos choques, não de movimento circular.
- O que é a mancha na ponta do fluxo?
- Uma galáxia espiral muito distante, vista aproximadamente de frente. Em imagens de menor resolução ela poderia passar por mais um nó de choque do jato, mas o Webb resolveu a estrutura e mostrou núcleo e braços. A galáxia não tem nenhuma relação física com o jato nem com a nuvem do Camaleão: ela está a uma distância incomparavelmente maior, e o encontro entre as duas coisas acontece apenas na nossa linha de visão.
- Por que a imagem usou dois instrumentos diferentes?
- Porque cada faixa do infravermelho mostra um fenômeno distinto. A NIRCam registrou 2.000, 3.350, 4.440 e 4.700 nanômetros, no infravermelho próximo, onde a resolução angular é melhor e os detalhes finos das frentes de choque aparecem. A MIRI registrou 7.700 nanômetros, no infravermelho médio, onde brilha a poeira e as moléculas orgânicas grandes. Juntas, as duas mostram ao mesmo tempo o jato e o ambiente em que ele avança.
- A que distância fica o HH 49?
- O publicador da imagem não declarou distância para este objeto, e este acervo registra a ausência em vez de estimar um valor. O que se pode afirmar sem inventar número é que a região de formação estelar do Camaleão está entre as mais próximas do Sistema Solar. Essa proximidade é justamente o que permite enxergar detalhes finos de estruturas relativamente pequenas sem precisar de um telescópio maior do que os disponíveis.
- Como saber de onde vem o jato olhando a imagem?
- Pela orientação dos arcos. As frentes de choque se curvam sempre para o lado oposto ao da origem do jato, do mesmo jeito que a onda de proa se forma à frente de um barco em movimento. Seguindo a direção em que os arcos se abrem, chega-se ao lado onde está a estrela em formação. Identificar exatamente qual objeto é a fonte, porém, exige observações complementares, porque ela está escondida na poeira.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Objeto de Herbig-Haro 49 e 50. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/objeto-herbig-haro-49. Consultado em: 23/08/2026.






