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ObservatórioAstronomia

Remanescente de supernova

Nebulosa do Lápis

Um risco brilhante em Vela, feito pelo encontro entre a onda de choque de uma supernova antiga e uma nuvem de gás mais densa.

Nebulosa do Lápis, remanescente de supernova, em imagem do MPG/ESO 2.2-metre telescope
"The Pencil Nebula, a strangely shaped leftover from a vast explosion", como o acervo nomeou esta imagem.A Nebulosa do Lápis (NGC 2736), de formato estranho, aparece nesta imagem do Observatório de La Silla do ESO, no Chile. Esta nebulosa é uma pequena parte de um enorme remanescente deixado por uma explosão de supernova ocorrida há cerca de 11.000 anos.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO CC BY 4.0

Tipo
Remanescente de supernovaSIMBAD: HII
Distância
800 anos-luzpublicadores declaram de 800 a 1.600 anos-luz; aqui vale o comunicado de 2012
Constelação
VelaVel
Observado por
MPG/ESO 2.2-metre telescope, Hubble Space Telescope, Digitized Sky Survey 2
Imagem publicada
setembro de 2012
Original do acervo
8.357 × 8.357 px70 megapixels

A Nebulosa do Lápis, catalogada como NGC 2736, fica na constelação de Vela, a cerca de 800 anos-luz da Terra segundo a distância declarada pelo publicador da imagem. O nome vem da forma: um traço estreito e quase reto, muito diferente das nuvens arredondadas que costumam ilustrar o assunto. Vista assim isolada, ela parece uma peça solta. Não é.

O objeto é uma pequena parte da borda de um remanescente de supernova gigantesco, que ocupa boa parte da constelação. Milhares de anos atrás, uma estrela massiva daquela região explodiu e lançou uma onda de choque que segue varrendo o gás interestelar. Onde a onda encontra apenas gás rarefeito, ela passa sem deixar marca visível. Onde encontra uma nuvem mais densa, a colisão aquece o material e o faz brilhar. A Nebulosa do Lápis é uma dessas colisões.

O SIMBAD classifica NGC 2736 como região H II, ou seja, uma zona de hidrogênio ionizado. O portal adota editorialmente a etiqueta supernova, porque é a origem do brilho que importa para entender a imagem. As duas classificações estão corretas e descrevem coisas diferentes: uma diz o estado do gás, a outra diz o que colocou o gás nesse estado.

Como uma onda de choque acende o gás?

O gás interestelar comum é frio e escuro. Ele não emite luz visível porque seus átomos estão em repouso relativo, com os elétrons nos níveis mais baixos de energia. Para brilhar, esse gás precisa receber energia de fora, e existem dois caminhos: absorver radiação de uma estrela quente próxima ou ser atingido por algo em alta velocidade.

No caso da Nebulosa do Lápis o caminho é o segundo. A frente de choque da supernova chega a velocidades muito superiores à do som naquele meio, comprime o gás e converte energia de movimento em calor. Os átomos passam a colidir com violência, elétrons são arrancados, e quando esses elétrons são recapturados eles emitem luz em comprimentos de onda característicos de cada elemento.

Isso explica por que o brilho está concentrado numa faixa estreita e não espalhado por todo o campo. A emissão marca exatamente a superfície onde a onda está batendo agora. Atrás dela o gás já esfriou; à frente, ainda não foi atingido. O traço luminoso é uma fronteira em movimento, fotografada num instante.

Por que a nebulosa tem forma de risco?

A forma alongada é produto de dois fatores combinados. O primeiro é a geometria do obstáculo: a onda de choque encontrou uma nuvem com formato de lâmina ou de folha, e o brilho copia o contorno dela. O segundo é a orientação. Uma superfície plana vista de canto concentra muito material na linha de visada e aparece como uma linha fina e brilhante; a mesma superfície vista de frente se espalharia numa mancha fraca.

É o mesmo princípio que faz uma folha de papel desaparecer quando vista pela borda ou preencher o campo quando vista de frente. A Nebulosa do Lápis está numa orientação favorável a parecer estreita, e essa é uma das razões de ela se destacar dentro de um remanescente onde a maior parte do gás é difusa demais para chamar atenção.

O nome popular veio direto dessa aparência. Astrônomos do século 19 registraram o objeto como um raio ou traço luminoso, muito antes de existir qualquer teoria capaz de explicar do que ele era feito. O apelido sobreviveu porque descreve bem o que se vê.

Por que o SIMBAD não registra tamanho aparente?

Para NGC 2736 o SIMBAD não traz um valor de tamanho aparente. Isso é uma ausência de dado, e não um objeto minúsculo. O portal registra a ausência em vez de estimar um número, porque inventar uma medida por conveniência é justamente o que uma referência não pode fazer.

A razão da ausência é compreensível. Tamanho aparente é fácil de definir para objetos com contorno claro, como um aglomerado compacto ou uma galáxia elíptica. A Nebulosa do Lápis não tem borda definida: ela é um trecho brilhante de uma estrutura muito maior, que vai desbotando até se confundir com o fundo. Onde termina o objeto é uma decisão do observador, não um fato da natureza.

O que dá para dizer com segurança vem do metadado da imagem. O campo registrado pelo ESO cobre 33,2 por 33,2 minutos de arco, o equivalente a pouco mais do que a largura aparente da Lua cheia em cada lado. A nebulosa ocupa uma fração desse campo, e o resto é a vizinhança dela.

O que o filtro de H-alfa acrescenta à imagem?

A imagem do acervo combina quatro filtros: azul em 456 nanômetros, verde em 540, laranja em 652 e vermelho em 659 nanômetros. Os três primeiros são filtros largos, que registram faixas amplas do espectro visível e mostram principalmente estrelas. O quarto é diferente: 659 nanômetros corresponde à linha H-alfa do hidrogênio, e o filtro que a isola deixa passar apenas uma fatia estreitíssima do espectro.

Essa diferença muda o que a imagem consegue mostrar. Num filtro largo, a luz fraca do gás ionizado se perde no brilho de fundo do céu e das estrelas. Num filtro estreito centrado na linha certa, o fundo é cortado e o gás aparece com contraste alto. É por isso que a estrutura filamentar surge nítida em vermelho enquanto o restante do campo é dominado por pontos estelares.

A linha H-alfa nasce quando um elétron recombina com um próton e desce entre dois níveis específicos do átomo de hidrogênio. Como o hidrogênio é o elemento mais abundante do universo, essa transição é a assinatura mais confiável de gás que foi ionizado e está esfriando. Onde há H-alfa forte, alguma coisa entregou energia para aquele gás recentemente.

O que mais existe no mesmo remanescente?

O remanescente de supernova que abriga a Nebulosa do Lápis é um dos mais próximos e mais estudados do céu. Ele cobre uma área grande em Vela e, no centro dessa área, existe o objeto compacto deixado pela estrela que explodiu: uma estrela de nêutrons que gira sobre si mesma mais de dez vezes por segundo e emite pulsos de rádio detectáveis da Terra.

Essa combinação é rara e valiosa. Ter ao mesmo tempo a casca em expansão, a estrela de nêutrons remanescente e uma distância relativamente curta permite comparar teoria e observação com detalhe difícil de obter em objetos distantes. Muito do que se sabe sobre como uma supernova de colapso de núcleo interage com o gás em volta veio de estudos nessa região.

Vela também é uma constelação carregada. O remanescente se sobrepõe no céu a outras estruturas de gás da Via Láctea, algumas mais próximas e outras mais distantes, o que exige cuidado na hora de dizer o que pertence a quê. Nem tudo o que aparece no mesmo quadro está no mesmo lugar.

Os números deste objeto

Distância800 anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem
ConstelaçãoVela (Vel)
Identificação principalNGC 2736SIMBAD
Tipo no SIMBADregião H II (HII)
Tipo editorial adotadoremanescente de supernova
Tamanho aparentenão registrado no SIMBAD
Coordenadas J2000AR 135,05 graus, Dec -45,95 graus
Campo da imagem33,2 x 33,2 minutos de arcometadado do ESO
Imagens no acervo1

O que reparar nesta imagem

  • A borda mais nítida do traçoUm dos lados da faixa brilhante é mais definido que o outro. O lado nítido é onde a onda de choque está batendo agora; o lado difuso é gás que já foi atingido e está esfriando.
  • As franjas que se soltam da faixa principalDo corpo do risco saem filamentos mais finos e tortos. Eles marcam pontos em que o gás encontrado pela onda tinha densidade diferente, e por isso reagiu ao choque de outro jeito.
  • A predominância do vermelhoO tom avermelhado vem do filtro de H-alfa em 659 nanômetros, e não de aquecimento por estrelas próximas. É a assinatura direta do hidrogênio recombinando depois de ter sido ionizado.
  • O campo amplo em voltaO quadro cobre 33,2 minutos de arco de lado, mais que a Lua cheia. A nebulosa ocupa só uma parte, e o restante mostra a densidade de estrelas típica dessa direção da Via Láctea.

Por que esta imagem tem essas cores

As cores desta imagem se aproximam do que um olho humano veria, se ele fosse sensível o bastante: cada filtro registrou luz visível e recebeu uma cor coerente com o próprio comprimento de onda.

ultravioletainfravermelho e ondas de rádio

  • Azulluz visível · WFI · B456 nmolho enxerga
  • Verdeluz visível · WFI · V540 nmolho enxerga
  • Laranjaluz visível · WFI · R652 nmolho enxerga
  • Vermelholuz visível · WFI · H-alpha659 nmolho enxerga

Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESO junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.

Que tamanho é isso, de verdade

Este recorte do céu tem quase o mesmo tamanho aparente da Lua cheia. O recorte fotografado mede 33 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

A luz desta imagem levou 800 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta da chegada das primeiras naus portuguesas ao litoral brasileiro.

Dá para ver isso daqui?

Agora este objeto está abaixo do horizonte de São Paulo, SP. Ele volta a subir mais tarde, e alcança no máximo 68° de altura daqui.

Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 68 graus acima do horizonte.

Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.

Quanto já se olhou para aqui

  • 23registros do Hubble

Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 1,2 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.

O que ainda não se sabe

A velocidade atual da frente de choque na Nebulosa do Lápis e a densidade exata da nuvem que ela está atravessando continuam sendo objeto de medida e revisão, e as duas coisas estão amarradas: sem saber a densidade, é difícil converter o brilho observado em velocidade, e vice-versa. Também não é simples separar, dentro do remanescente de Vela, o que pertence à casca da supernova e o que pertence a outras estruturas de gás que estão na mesma direção mas a distâncias diferentes. A idade do remanescente é estimada em milhares de anos, com margem que depende diretamente da distância adotada e do modelo de desaceleração usado.

Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.

Uma coisa que quase ninguém sabe

O gás da Nebulosa do Lápis foi violentamente acelerado pelo choque, mas essa velocidade é bem menor do que a do material lançado no instante da explosão. Uma onda de choque perde energia justamente por fazer trabalho: cada nuvem que ela varre e aquece cobra um pedaço do impulso original. O brilho que se vê hoje é, em parte, essa energia sendo devolvida em forma de luz.

Outras imagens deste objeto

Nebulosa do Lápis, remanescente de supernova, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.Restos de uma estrela que explodiu há milhares de anos criaram um retrato abstrato celeste, como captado nesta imagem da Nebulosa do Lápis feita pelo Telescópio Espacial Hubble, da NASA/ESA. Oficialmente conhecida como NGC 2736, a Nebulosa do Lápis faz parte do enorme remanescente de supernova de Vela, na constelação austral de Vela.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA/ESA and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

Nebulosa do Lápis, remanescente de supernova, em imagem do Digitized Sky Survey 2
Digitized Sky Survey 2.Esta imagem da região do céu em torno da Nebulosa do Lápis mostra uma espetacular paisagem celeste com os filamentos azuis do remanescente de supernova de Vela, o brilho vermelho de nuvens de hidrogênio e incontáveis estrelas. É uma composição colorida feita a partir de exposições do Digitized Sky Survey 2.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2Acknowledgment: Davide De Martin. ESO CC BY 4.0

Nebulosa do Lápis, remanescente de supernova
Oficialmente conhecida como NGC 2736, a Nebulosa do Lápis faz parte do enorme remanescente de supernova de Vela, na constelação austral de Vela. Descoberta por Sir John Herschel na década de 1840, a aparência linear da nebulosa deu origem ao seu nome popular.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito © 1994-2002, Anglo-Australian Observatory,photograph by David Malin (DMI). ESA/Hubble CC BY 4.0

Diagrama de Nebulosa do Lápis, remanescente de supernovaDiagrama
Esta carta mostra a posição da Nebulosa do Lápis (NGC 2736) na constelação de Vela (as Velas). Este mapa mostra a maior parte das estrelas visíveis a olho nu em boas condições, e a posição da Nebulosa do Lápis está destacada com um círculo vermelho na imagem.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO, IAU and Sky & Telescope ESO CC BY 4.0

Montagem de várias imagens de Nebulosa do Lápis, remanescente de supernova, em imagem do OtherMontagem de várias imagens
Other.O levantamento em H-alfa foi realizado pelo Anglo-Australian Observatory em nome das comunidades britânica e australiana, e foi digitalizado e disponibilizado on-line sob os auspícios da Wide Field Astronomy unit. O mosaico de Vela foi montado a partir desses dados por Mike Read e Quentin Parker.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito Royal Observatory, Edinburgh ESA/Hubble CC BY 4.0

Vídeo de Nebulosa do Lápis

O player do YouTube só carrega depois que você clica, e sem cookie de rastreio. Vídeo publicado por European Southern Observatory (ESO); o conteúdo é do canal, e não do ValorFinal.

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Outros objetos em Vela

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Berçário estelar RCW 38

    Crédito ESO/VVVX survey ESO CC BY 4.0

  • Nebulosa Gum 15

    Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgement: Davide De Martin ESO CC BY 4.0

  • Nebulosa do Anel do Sul

    Crédito Hubble Heritage Team (STScI/AURA/NASA/ESA) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Nebulosa do Caranguejo

    Crédito NASA, ESA and Allison Loll/Jeff Hester (Arizona State University). Acknowledgement: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Cassiopeia A

    Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, D. Milisavljevic (Purdue University), T. Temim (Princeton University), I. De Looze (University of Gent) ESA/Webb CC BY 4.0

  • Laço do Cisne

    Crédito NASA, ESA, the Hubble Heritage (STScI/AURA)-ESA/Hubble Collaboration, and the Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: J. Hester (Arizona State University) and Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Supernova 1987A

    Crédito NASA, ESA and Pete Challis (Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics) ESA/Hubble CC BY 4.0

Perguntas frequentes

O que é a Nebulosa do Lápis?
Nebulosa do Lápis é o nome popular de NGC 2736, uma faixa estreita de gás brilhante na constelação de Vela, a cerca de 800 anos-luz da Terra. Ela não é um objeto isolado: é um trecho da borda de um remanescente de supernova muito maior, aceso no ponto em que a onda de choque da explosão está atravessando uma nuvem de gás mais densa. O SIMBAD a registra como região H II, ou seja, hidrogênio ionizado.
Por que a Nebulosa do Lápis é tão fina e reta?
A forma vem da combinação entre o obstáculo e o ângulo de visão. A onda de choque encontrou uma nuvem com geometria de lâmina, e o brilho copia esse contorno. Além disso, a estrutura está posicionada quase de canto em relação à Terra, o que concentra muito material na linha de visada e produz uma faixa estreita e brilhante. Vista de frente, a mesma nuvem apareceria como uma mancha larga e fraca.
Qual o tamanho da Nebulosa do Lápis?
O SIMBAD não registra tamanho aparente para NGC 2736, e o portal prefere apontar a ausência a estimar um número. A razão é que o objeto não tem borda definida: ele desbota gradualmente até se confundir com o resto do remanescente. O que se sabe com precisão é o campo da imagem do acervo, que cobre 33,2 por 33,2 minutos de arco, pouco mais que a largura aparente da Lua cheia em cada direção.
A supernova que criou a Nebulosa do Lápis foi recente?
Não em escala humana. A explosão ocorreu há milhares de anos, tempo suficiente para a onda de choque percorrer uma distância enorme e desacelerar bastante. A datação vem de medir o tamanho da casca e a velocidade de expansão, e depende da distância adotada e de suposições sobre a desaceleração. Não existe registro histórico dessa supernova, o que é esperado para um evento tão antigo.
Por que a imagem da Nebulosa do Lápis é avermelhada?
Por causa do filtro escolhido. A imagem do acervo usa quatro filtros, e o de 659 nanômetros isola a linha H-alfa do hidrogênio, atribuída ao canal vermelho. Filtros estreitos como esse cortam o brilho de fundo e deixam passar apenas a luz emitida pelo gás naquela transição específica. Como o hidrogênio domina a composição, o resultado é uma estrutura predominantemente vermelha sobre um fundo de estrelas.
Onde encontrar a Nebulosa do Lápis no céu?
NGC 2736 fica na constelação de Vela, nas coordenadas J2000 de ascensão reta 135,05 graus e declinação -45,95 graus. Vela é uma constelação do céu do sul, bem posicionada para observadores brasileiros durante o outono e o inverno. A nebulosa é fraca e exige céu escuro, telescópio de campo amplo e, de preferência, filtro que isole a linha do hidrogênio para separar o gás do fundo estelar.
Existe uma estrela de nêutrons associada a essa nebulosa?
Sim, no centro do remanescente de supernova ao qual a Nebulosa do Lápis pertence. A estrela que explodiu deixou para trás uma estrela de nêutrons que gira sobre si mesma mais de dez vezes por segundo e emite pulsos de rádio detectáveis da Terra. Ela não fica dentro da faixa brilhante da nebulosa, e sim bem afastada dela, no meio da casca em expansão que ocupa uma área grande da constelação de Vela.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Nebulosa do Lápis. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/nebulosa-do-lapis. Consultado em: 23/08/2026.