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ObservatórioAstronomia

Nebulosa planetária

Nebulosa do Anel do Sul

Uma estrela em fase terminal ejetando as próprias camadas externas, num anel de gás a 2.500 anos-luz da Terra, na constelação de Vela.

Nebulosa do Anel do Sul, nebulosa planetária
"A glowing pool of light", como o acervo nomeou esta imagem.NGC 3132 é um exemplo marcante de nebulosa planetária. Essa nuvem de gás em expansão, que envolve uma estrela moribunda, é conhecida pelos astrônomos amadores do hemisfério sul como Nebulosa 'Eight-Burst' ou 'Southern Ring'.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito Hubble Heritage Team (STScI/AURA/NASA/ESA) ESA/Hubble CC BY 4.0

Tipo
Nebulosa planetáriaSIMBAD: PN
Distância
2.500 anos-luzpublicadores declaram de 2.000 a 2.500 anos-luz; aqui vale o comunicado de 2022
Constelação
VelaVel
Tamanho no céu
45 segundos de arcoextensão catalogada no SIMBAD
Observado por
James Webb Space Telescope
Imagem publicada
novembro de 1998
Original do acervo
935 × 700 px1 megapixels
Dois telescópios, o mesmo objeto

Veja Nebulosa do Anel do Sul pelo Hubble e pelo James Webb

Os dois fotografaram este objeto, e o resultado não é a mesma imagem em qualidade diferente. O Hubble registra sobretudo a luz que o olho enxerga; o Webb enxerga infravermelho, que atravessa a poeira e mostra o que estava escondido atrás dela. Arraste a divisória e veja a poeira sumir.

Comparar as duas imagens
Nebulosa do Anel do Sul, em imagem do Hubble
Hubble

Crédito Hubble Heritage Team (STScI/AURA/NASA/ESA) ESA/Hubble CC BY 4.0

Nebulosa do Anel do Sul, em imagem do James Webb
James Webb

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, and the Webb ERO Production Team ESA/Webb CC BY 4.0

A Nebulosa do Anel do Sul, catalogada como NGC 3132, é uma nebulosa planetária na constelação de Vela, a 2.500 anos-luz segundo a distância declarada pelo publicador da imagem. O SIMBAD a classifica com o código PN, e o tamanho aparente registrado é de 0,75 minuto de arco, o equivalente a 45 segundos de arco, um alvo pequeno mesmo para padrões de nebulosa.

O nome da categoria é um acidente histórico que confunde há mais de dois séculos. Nebulosas planetárias não têm relação alguma com planetas. O rótulo pegou porque, em telescópios pequenos do século 18, esses objetos apareciam como discos pequenos e esverdeados, parecidos com a imagem que Urano oferecia no mesmo tipo de instrumento. O nome ficou; a explicação física veio muito depois.

O que se vê de fato é o desfecho de uma estrela de massa parecida com a do Sol. Depois de esgotar o combustível nuclear no núcleo, uma estrela assim expulsa as camadas externas em episódios sucessivos e deixa exposto o caroço quente e denso do centro, uma anã branca. A radiação ultravioleta desse caroço ioniza o gás lançado e faz a casca brilhar. A imagem deste acervo, feita pela NIRCam do James Webb e publicada em julho de 2022, cobre 2,4 por 2,3 minutos de arco desse processo.

Qual estrela produziu a nebulosa?

No centro da imagem aparecem duas estrelas, e a resposta intuitiva está errada. A mais brilhante das duas não é a responsável pela nebulosa. A que ejetou o gás é a companheira mais fraca, já convertida em anã branca, um caroço estelar quente e compacto que emite sobretudo em ultravioleta e por isso não domina o brilho visível.

Essa distinção não é detalhe de nomenclatura. Ela muda a leitura de toda a estrutura. Um par de estrelas orbitando uma à outra durante a fase de ejeção não produz uma casca esférica limpa: a órbita bagunça a distribuição do material expelido, gerando anéis, jatos e assimetrias que uma estrela solitária dificilmente criaria.

As imagens infravermelhas do Webb reforçaram esse ponto ao revelar poeira em volta da estrela brilhante, algo que só se explica se material da ejeção tiver sido capturado ou perturbado pela companheira. Nebulosas planetárias com formas complicadas são comuns, e a presença de sistemas múltiplos no centro é uma das explicações mais aceitas para essa complexidade.

Por que a casca não é uniforme?

A expulsão das camadas externas não acontece num sopro único e regular. Ela ocorre em episódios, com intensidades e direções que variam, e o material lançado depois alcança e colide com o material lançado antes. Cada colisão produz uma frente de choque que comprime o gás e cria uma borda visível.

Nas imagens em infravermelho aparecem anéis concêntricos e estruturas em arco na parte externa. Cada um desses arcos é registro de um episódio distinto de perda de massa, e a distância entre eles carrega informação sobre o intervalo de tempo entre um episódio e outro. A nebulosa funciona como um registro estratificado do fim da estrela.

Há ainda o efeito da radiação. O caroço quente no centro não apenas ilumina o gás: ele o esculpe. Onde o material é menos denso, a radiação e o vento estelar rápido abrem caminho mais depressa, e a cavidade cresce naquela direção. O resultado, em muitos casos, é uma estrutura bipolar, com duas lóbulos opostos, vista de um ângulo qualquer.

O que as seis faixas mostram?

A NIRCam registrou este campo em seis faixas declaradas, um número alto que permite separar componentes físicas distintas. São elas: 900 nanômetros no azul, 1.870 nanômetros associados à linha Paschen-alfa no ciano, 2.120 nanômetros associados a hidrogênio molecular no verde, 3.560 nanômetros no amarelo, 4.050 nanômetros associados à linha Brackett-alfa no vermelho e 4.700 nanômetros, novamente hidrogênio molecular, também no vermelho.

As faixas se dividem em dois grupos com significados opostos. Paschen-alfa e Brackett-alfa são linhas do hidrogênio atômico ionizado, e mostram onde o gás está sendo aquecido e excitado pela radiação da anã branca. As duas faixas de hidrogênio molecular mostram onde o gás está frio o bastante para os átomos permanecerem ligados em moléculas de H2, o que só acontece em regiões protegidas da radiação direta.

Comparar os dois grupos revela a estrutura em camadas da nebulosa. O gás ionizado fica perto da fonte, onde a radiação chega com força total. O gás molecular sobrevive mais longe, ou em nós densos que fazem sombra para si mesmos. A fronteira entre as duas condições é onde a nebulosa está sendo processada agora.

Quanto tempo dura uma nebulosa planetária?

Nebulosas planetárias são fenômenos curtos. O gás ejetado continua se expandindo e, à medida que se afasta, sua densidade cai e o brilho superficial diminui até a estrutura se dissolver no meio interestelar. A escala típica de visibilidade dessa fase é de algumas dezenas de milhares de anos, um piscar de olhos comparado aos bilhões de anos que a estrela passou na sequência principal.

Isso torna essas nebulosas raras em termos estatísticos, apesar de o processo ser comum. A maioria absoluta das estrelas da galáxia, incluindo o Sol, terminará assim, e ainda assim o número de nebulosas planetárias catalogadas na Via Láctea é modesto: só se enxerga o punhado que está atravessando essa etapa breve neste exato momento cósmico.

O que fica depois é a anã branca. Sem fusão nuclear para se sustentar, ela apenas irradia o calor acumulado e esfria lentamente, ao longo de bilhões de anos, sem nunca colapsar mais, sustentada por um efeito quântico chamado pressão de degenerescência dos elétrons. O anel some, a brasa permanece.

Como localizar NGC 3132 no céu?

A declinação de -40,4 graus é confortável para o observador brasileiro: de uma cidade a 23 graus de latitude sul, a nebulosa culmina a mais de 70 graus acima do horizonte. A constelação de Vela é uma das quatro em que a antiga figura do Navio Argo foi dividida, e fica numa região rica do céu austral, próxima a Carina e Popa.

Com 45 segundos de arco de tamanho aparente, NGC 3132 é pequena mas suficientemente brilhante para aparecer em telescópios amadores de porte médio como um disco esverdeado bem definido, com a estrela central visível. É um dos alvos clássicos do céu do sul justamente por combinar brilho razoável e forma reconhecível. A estrutura de anéis externos que a imagem do Webb mostra, porém, está fora do alcance de qualquer instrumento amador.

Os números deste objeto

Identificação principalNGC 3132SIMBAD
Classificaçãonebulosa planetária (PN)SIMBAD
ConstelaçãoVela (Vel)
Distância2.500 anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem
Coordenadas J2000AR 151,7574 graus, Dec -40,4364 graus
Tamanho aparente0,75 minuto de arco (45 segundos de arco)SIMBAD
Desvio para o vermelhoz = 0,00016
Campo da imagem2,4 x 2,3 minutos de arcometadado do publicador
InstrumentoNIRCam (James Webb)
Imagens no acervo1

O que reparar nesta imagem

  • As duas estrelas no centroO par central é a chave da imagem. A mais brilhante não é a que produziu a nebulosa; a responsável é a companheira mais fraca, já convertida em anã branca e emitindo sobretudo em ultravioleta.
  • Os anéis concêntricos externosArcos sucessivos na borda registram episódios distintos de perda de massa. O espaçamento entre eles guarda informação sobre o intervalo de tempo entre uma ejeção e a seguinte.
  • Os raios que atravessam a bordaFeixes finos partindo do centro para fora indicam pontos onde o gás é menos denso e a radiação escapa com mais facilidade, como luz atravessando frestas em uma cortina irregular.
  • As galáxias de fundoManchas alongadas espalhadas pelo campo não pertencem à nebulosa. São galáxias muito distantes, atrás dela, visíveis porque a casca de gás é parcialmente transparente no infravermelho.

Que tamanho é isso, de verdade

Cerca de 20 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 1,6 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 34.493 unidades astronômicas de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.

A luz desta imagem levou 2.500 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta da chegada das primeiras naus portuguesas ao litoral brasileiro.

Dá para ver isso daqui?

Agora este objeto está abaixo do horizonte de São Paulo, SP. Ele volta a subir mais tarde, e alcança no máximo 73° de altura daqui.

Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 73 graus acima do horizonte.

Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.

Quanto já se olhou para aqui

  • 65registros do Hubble
  • 10registros do James Webb
  • 1registros do GALEX

Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 1,2 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.

O que ainda não se sabe

A geometria complicada de NGC 3132 ainda não tem explicação fechada. Sabe-se que sistemas binários no centro ajudam a produzir assimetrias, e há indícios de que este objeto tenha mais de uma companheira envolvida, mas o número de corpos, suas órbitas e a contribuição de cada um para a forma final não estão determinados. A distância também comporta incerteza: distâncias de nebulosas planetárias são notoriamente difíceis de estabelecer, porque dependem de estimar o tamanho físico real da casca ou de medir a paralaxe de uma estrela central apagada, e valores publicados por métodos diferentes costumam divergir. O valor de 2.500 anos-luz registrado aqui é o declarado pelo publicador da imagem, não um consenso definitivo.

Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.

Uma coisa que quase ninguém sabe

O Sol terá um fim parecido com este. Daqui a alguns bilhões de anos, depois de esgotar o hidrogênio do núcleo e passar pela fase de gigante vermelha, ele expulsará as camadas externas e deixará exposto um caroço quente do tamanho aproximado da Terra. Por algumas dezenas de milhares de anos haverá uma nebulosa planetária no lugar onde hoje está o Sistema Solar.

Outras imagens deste objeto

Nebulosa do Anel do Sul, nebulosa planetária, em imagem do James Webb Space Telescope
James Webb Space Telescope, instrumento NIRCam.A estrela brilhante no centro de NGC 3132, embora se destaque quando vista pelo Telescópio James Webb da NASA/ESA/CSA em luz infravermelha próxima, tem papel coadjuvante na escultura da nebulosa ao redor. Uma segunda estrela, mal visível no canto inferior esquerdo, ao longo de uma das pontas de difração da estrela brilhante, é a origem da nebulosa.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, and the Webb ERO Production Team ESA/Webb CC BY 4.0

Nebulosa do Anel do Sul, nebulosa planetária, em imagem do James Webb Space Telescope
James Webb Space Telescope, instrumento MIRI.O Telescópio James Webb da NASA/ESA/CSA revelou pela primeira vez o manto de poeira ao redor da segunda estrela, mostrada à esquerda em vermelho, no centro da Nebulosa do Anel do Sul. Ela é uma estrela anã branca quente e densa. Enquanto se transformava em anã branca, a estrela ejetou massa periodicamente, as camadas de material que você vê aqui.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, and the Webb ERO Production Team ESA/Webb CC BY 4.0

Montagem de várias imagens de Nebulosa do Anel do Sul, nebulosa planetáriaMontagem de várias imagens
Esta comparação lado a lado mostra observações da Nebulosa do Anel do Sul em luz infravermelha próxima, à esquerda, e em luz infravermelha média, à direita, feitas pelo Telescópio Webb da NASA/ESA/CSA. Esta cena foi criada por uma estrela anã branca, o remanescente de uma estrela como o nosso Sol depois que ela expulsou suas camadas externas e parou de queimar combustível por fusão nuclear.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, and the Webb ERO Production Team ESA/Webb CC BY 4.0

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Berçário estelar RCW 38

    Crédito ESO/VVVX survey ESO CC BY 4.0

  • Nebulosa do Lápis

    Crédito ESO CC BY 4.0

  • Nebulosa Gum 15

    Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgement: Davide De Martin ESO CC BY 4.0

  • Nebulosa Hélix, o Olho de Deus

    Crédito NASA, NOAO, ESA, the Hubble Helix Nebula Team, M. Meixner (STScI), and T.A. Rector (NRAO). ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Nebulosa da Aranha Vermelha

    Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, J. H. Kastner (Rochester Institute of Technology) ESA/Webb CC BY 4.0

  • Nebulosa Messier 76

    Crédito NASA, ESA, STScI, A. Pagan (STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0

Perguntas frequentes

O que é a Nebulosa do Anel do Sul?
A Nebulosa do Anel do Sul, catalogada como NGC 3132, é uma nebulosa planetária na constelação de Vela, a 2.500 anos-luz segundo a distância declarada pelo publicador da imagem. Trata-se do gás expulso por uma estrela de massa parecida com a do Sol ao chegar ao fim da vida. O caroço quente que sobrou no centro, uma anã branca, emite radiação ultravioleta que ioniza esse gás e o faz brilhar. O tamanho aparente registrado é de 45 segundos de arco.
Por que se chama nebulosa planetária se não tem planeta?
O Anel do Sul é gás soprado por uma estrela em fase terminal, e planeta nenhum participa da história. O nome da família é um acidente do século 18: em telescópios pequenos da época, esses objetos apareciam como discos esverdeados, parecidos com a imagem que Urano oferecia no mesmo tipo de instrumento, e o rótulo pegou antes que se soubesse o que eram. Nebulosas planetárias não têm relação com planetas: são camadas externas ejetadas por estrelas em fase terminal. O nome permaneceu por tradição, apesar de descrever mal o fenômeno.
Qual das duas estrelas centrais criou a nebulosa?
A mais fraca das duas. A estrela visivelmente mais brilhante no centro da imagem não é a responsável: quem ejetou o gás foi a companheira, já convertida em anã branca, um caroço estelar quente e compacto que emite sobretudo em ultravioleta e por isso não domina o brilho na luz visível. A presença do par explica boa parte da forma irregular da nebulosa, porque a órbita das duas estrelas bagunçou a distribuição do material expelido.
Por que a imagem do Webb usa seis filtros diferentes?
Porque cada filtro isola uma componente física distinta. Duas faixas registram linhas do hidrogênio atômico ionizado, Paschen-alfa em 1.870 nanômetros e Brackett-alfa em 4.050 nanômetros, e mostram onde o gás está sendo excitado pela radiação da anã branca. Outras duas registram hidrogênio molecular, em 2.120 e 4.700 nanômetros, e mostram onde o gás está frio o bastante para os átomos permanecerem ligados em moléculas. Comparar os grupos revela a estrutura em camadas.
Quanto tempo uma nebulosa planetária dura?
Algumas dezenas de milhares de anos, o que é muito pouco em termos astronômicos. O gás ejetado continua se expandindo, a densidade cai e o brilho superficial diminui até a estrutura se dissolver no meio interestelar. Por isso nebulosas planetárias são relativamente raras nos catálogos, apesar de o processo ser o destino comum da maioria absoluta das estrelas: só se enxerga o punhado que está atravessando essa fase breve neste momento.
Dá para ver NGC 3132 com telescópio amador?
Sim, e é um alvo clássico do céu do sul. A declinação de -40 graus faz a nebulosa culminar a mais de 70 graus de altura no sudeste do Brasil. Em telescópios de porte médio, sob céu escuro, ela aparece como um disco esverdeado bem definido com a estrela central visível. O que não aparece é a estrutura fina: os anéis concêntricos externos e os detalhes registrados pelo James Webb exigem resolução e sensibilidade fora do alcance amador.
O Sol vai virar uma nebulosa planetária?
Sim, e o Anel do Sul é uma prévia razoável do que sobra. Daqui a alguns bilhões de anos, depois de esgotar o hidrogênio do núcleo e passar pela fase de gigante vermelha, o Sol expulsará as camadas externas e deixará exposto um caroço quente e denso, com tamanho aproximado ao da Terra. Esse caroço ionizará o gás em volta por algumas dezenas de milhares de anos, produzindo uma nebulosa planetária, e depois seguirá esfriando como anã branca por bilhões de anos.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Nebulosa do Anel do Sul. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/nebulosa-do-anel-do-sul. Consultado em: 23/08/2026.