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ObservatórioAstronomia

Remanescente de supernova

Laço do Cisne

O que sobrou de uma estrela que explodiu há milhares de anos, hoje uma bolha de gás em choque com quase oito luas cheias de largura.

Laço do Cisne, remanescente de supernova, em imagem do DSS
"Wide-field ground-based astrophoto of the Veil Nebula", como o acervo nomeou esta imagem.Uma imagem de campo largo da Nebulosa do Véu, feita como composição colorida a partir de exposições individuais do Digitized Sky Survey 2. O campo de visão é de 4,2 x 4,4 graus.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, the Hubble Heritage (STScI/AURA)-ESA/Hubble Collaboration, and the Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: J. Hester (Arizona State University) and Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0

Tipo
Remanescente de supernovaSIMBAD: SNR
Distância
1.500 anos-luzpublicadores declaram de 1.500 a 2.400 anos-luz; aqui vale o comunicado de 2007
Constelação
CisneCyg
Tamanho no céu
3,8 grausextensão catalogada no SIMBAD
Observado por
DSS, Hubble Space Telescope
Imagem publicada
julho de 2007
Original do acervo
13.344 × 13.720 px183 megapixels

O Laço do Cisne é um remanescente de supernova na constelação do Cisne, a cerca de 2.100 anos-luz da Terra segundo a distância declarada pelo publicador da imagem. O SIMBAD o registra como SNR, sigla de supernova remnant, e o objeto aparece na literatura com vários nomes: Cygnus Loop para o conjunto todo, Nebulosa do Véu para a aparência filamentar, e NGC 6960 para uma de suas partes catalogadas separadamente no século 19, quando ninguém sabia que eram pedaços de uma coisa só.

A estrutura é uma bolha. Uma estrela massiva chegou ao fim da vida, o núcleo colapsou e as camadas externas foram arremessadas para fora numa explosão. Esse material varreu o gás interestelar ao redor e formou uma casca em expansão, que continua crescendo até hoje. O que os telescópios registram não é a estrela nem os destroços dela isolados, e sim a superfície dessa casca brilhando onde o choque aquece o gás.

Com 230 minutos de arco de extensão registrados no SIMBAD, o Laço do Cisne é enorme no céu: quase oito vezes a largura aparente da Lua cheia. Isso o torna um caso extremo de descompasso entre objeto e retrato. A imagem do Hubble no acervo cobre 7,1 por 4,7 minutos de arco, um recorte cerca de trinta vezes mais estreito que o objeto inteiro. É um close num pedaço da borda, não um retrato de corpo inteiro.

Por que o remanescente aparece como fios finos?

A primeira impressão diante da imagem é de cordas e fitas suspensas no vazio. A explicação não está na forma do gás, mas na geometria da observação. O material brilhante forma uma casca aproximadamente esférica e fina, como a superfície de uma bolha de sabão. Quando a linha de visada atravessa essa superfície de raspão, ela cruza muito mais gás emissor do que quando passa pelo meio da bolha.

O resultado é que as bordas da casca aparecem como linhas estreitas e brilhantes, e o interior parece quase vazio. Não existe fio nenhum: existe uma superfície curva vista de canto. É o mesmo motivo pelo qual o contorno de uma bolha de sabão parece mais colorido e definido que o centro dela.

As dobras e ondulações da casca acrescentam a segunda camada de complexidade. O gás interestelar que a onda de choque encontrou não é uniforme: tem regiões densas e regiões rarefeitas. Onde o choque bate em material denso, ele desacelera e a casca amassa; onde encontra vazio, avança mais rápido. As curvas que parecem caprichosas no retrato são o registro dessa irregularidade.

O que cada cor da imagem está mostrando?

A imagem do Hubble no acervo foi montada com cinco filtros, e o metadado diz o papel de cada um. O azul recebeu 502 nanômetros, linha do oxigênio duas vezes ionizado. O ciano recebeu 555 nanômetros, filtro largo do visível. O vermelho recebeu 657 nanômetros, a linha H-alfa do hidrogênio. O verde recebeu 673 nanômetros, do enxofre ionizado. O laranja recebeu 814 nanômetros, já no limiar do infravermelho.

Essas escolhas separam fenômenos físicos distintos. Arrancar dois elétrons de um átomo de oxigênio exige muito mais energia do que fazer o hidrogênio emitir em H-alfa. Por isso o oxigênio duplamente ionizado marca a região logo atrás da frente de choque, onde o gás acabou de ser atingido e ainda está muito quente, enquanto o hidrogênio brilha mais adiante, no gás que já começou a esfriar e a recombinar elétrons com prótons.

Na prática, a sequência de cores ao longo de um filamento conta a história temporal do choque em poucos segundos de leitura visual. De um lado está o gás recém-atingido, do outro o gás que já esfriou. A imagem colorida não é ilustração: é um mapa de estados físicos diferentes do mesmo gás.

Que tamanho tem essa bolha em anos-luz?

Combinando os 230 minutos de arco de extensão aparente com a distância declarada de 2.100 anos-luz, a casca chega a cerca de 140 anos-luz de ponta a ponta. É uma escala difícil de encaixar na intuição: mais de trinta vezes a distância entre o Sol e a estrela mais próxima dele.

Toda essa extensão veio de uma única estrela. O material lançado na explosão era bem menor, mas ele funcionou como um pistão que varreu o gás interestelar do caminho e o empilhou numa casca. Boa parte da massa que hoje brilha no Laço do Cisne nunca pertenceu à estrela que explodiu: é gás da vizinhança, empurrado e aquecido.

A bolha continua se expandindo, e vai continuar até o choque desacelerar tanto que se dissolva no meio interestelar. Nesse ponto, o material enriquecido pela supernova terá se misturado ao gás da galáxia, disponível para entrar na próxima geração de estrelas e planetas.

Por que o objeto tem tantos nomes diferentes?

O metadado da imagem lista Cygnus Loop, NGC 6960 e Veil Nebula para o mesmo alvo, e essa confusão tem origem histórica. Os catálogos do século 19 registravam manchas nebulosas conforme apareciam no ocular, uma por uma. As partes mais brilhantes do remanescente estão separadas por trechos fracos, então cada trecho brilhante ganhou seu próprio número, como se fossem nebulosas independentes.

Só depois, com fotografia de longa exposição cobrindo campos amplos, ficou claro que os pedaços fecham um anel quase completo e pertencem ao mesmo evento. O nome Laço do Cisne, ou Cygnus Loop, se refere justamente ao conjunto. Nebulosa do Véu descreve a aparência translúcida e rendada, e costuma ser aplicada tanto ao todo quanto a partes específicas, o que aumenta a bagunça.

O SIMBAD adota NAME Cyg Loop como identificação canônica, e é essa a referência usada aqui. Os outros nomes continuam válidos na literatura e em cartas celestes, mas apontam para recortes diferentes da mesma casca.

Quando essa estrela explodiu?

A explosão aconteceu há milhares de anos, e a estimativa exata depende de duas medidas difíceis: a velocidade atual de expansão da casca e a distância até ela. Conhecendo o tamanho físico e a velocidade, é possível estimar há quanto tempo a expansão começou, mas o choque desacelera com o tempo, e reconstruir a desaceleração passada exige suposições sobre a densidade do gás em volta.

A distância também não é trivial. Por muito tempo os valores publicados para o Laço do Cisne variaram numa faixa larga, e cada revisão de distância mexe na idade estimada e no tamanho físico ao mesmo tempo. O portal cita os 2.100 anos-luz declarados pelo publicador da imagem, sem tratar esse número como definitivo.

O que não está em dúvida é a ordem de grandeza. Não são séculos nem milhões de anos: o evento é recente o suficiente para a casca ainda brilhar forte, e antigo o suficiente para nenhum registro humano confiável tê-lo testemunhado.

Os números deste objeto

Distância2.100 anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem
ConstelaçãoCisne (Cyg)
Identificação principalNAME Cyg LoopSIMBAD
Outros nomesCygnus Loop, NGC 6960, Veil Nebula
Tiporemanescente de supernova (SNR)SIMBAD
Tamanho aparente230 minutos de arcoSIMBAD
Coordenadas J2000AR 312,75 graus, Dec 30,6667 graus
Campo da imagem7,1 x 4,7 minutos de arcometadado do Hubble
Imagens no acervo1

O que reparar nesta imagem

  • A espessura mínima dos filamentosRepare como as fitas brilhantes são finas em comparação com o comprimento. Essa desproporção é a assinatura de uma superfície curva vista de raspão, e não de um fio de gás flutuando solto.
  • A separação de cores dentro de um mesmo filamentoSiga um filamento e note que a cor muda de um lado para o outro. O azul do oxigênio marca o gás recém-atingido pelo choque; o vermelho do hidrogênio marca o gás que já esfriou.
  • As estrelas de fundo espalhadas pelo quadroA maior parte dos pontos luminosos nada tem a ver com o remanescente. São estrelas da Via Láctea à frente e atrás da casca, que a nebulosa translúcida deixa passar.
  • O quanto o recorte é pequenoO campo do Hubble tem 7,1 minutos de arco de largura contra 230 minutos de arco do objeto inteiro. O que se vê aqui é um trecho da borda, cerca de trinta vezes mais estreito que a bolha completa.

Por que esta imagem tem essas cores

Todos os filtros registraram luz visível, mas as cores foram redistribuídas no processamento para separar melhor o que a imagem mostra. O resultado é próximo do real, e não idêntico.

ultravioletainfravermelho e ondas de rádio

  • Azulluz visível · B502 nmolho enxerga
  • Verdeluz visível · WFPC2 · Sii656 nmolho enxerga
  • Azulluz visível · WFPC2 · Oiii673 nmolho enxerga

Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Hubble junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.

Que tamanho é isso, de verdade

Este recorte do céu é cerca de 7,2 vezes mais largo que a Lua cheia. O recorte fotografado mede 3,7 graus de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 100,4 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.

A luz desta imagem levou 1.500 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta da chegada das primeiras naus portuguesas ao litoral brasileiro.

Dá para ver isso daqui?

Agora este objeto está abaixo do horizonte de São Paulo, SP. Ele volta a subir mais tarde, e alcança no máximo 36° de altura daqui.

Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 36 graus acima do horizonte.

Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.

Quanto já se olhou para aqui

  • 5registros do GALEX

Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 30 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.

O que ainda não se sabe

A distância até o Laço do Cisne foi revista várias vezes, e ela é o gargalo de quase tudo o que se quer saber sobre o objeto: tamanho físico, idade e energia da explosão dependem dela. Não há também identificação segura do objeto compacto deixado pela estrela que explodiu. Uma supernova de colapso de núcleo costuma deixar para trás uma estrela de nêutrons, mas encontrar essa fonte no meio de um campo estelar denso exige que ela emita o suficiente para se destacar, e no Laço do Cisne isso ainda não foi resolvido de forma consensual. Segue em discussão, além disso, quanto da estrutura irregular da casca vem da explosão em si e quanto vem apenas do gás desigual que ela encontrou pelo caminho.

Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.

Uma coisa que quase ninguém sabe

A parte oeste do remanescente passa muito perto de uma estrela brilhante o suficiente para ser vista sem instrumento em céu escuro. A coincidência é apenas de perspectiva: a estrela está a uma distância bem diferente da nebulosa e não teve papel algum na explosão. Ela só calha de estar quase na mesma direção, e serve como ponto de referência para quem procura o remanescente no céu.

Outras imagens deste objeto

Laço do Cisne, remanescente de supernova
Esta imagem mostra o remanescente de supernova do Véu e o céu ao redor. Por causa do tamanho da Nebulosa, o Telescópio Espacial Hubble, da NASA/ESA, só conseguiu observar em detalhe uma pequena parte dela.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, Digitized Sky Survey 2 Acknowledgement: Davide De Martin ESA/Hubble CC BY 4.0

Laço do Cisne, remanescente de supernova, em imagem do DSS
DSS.Esta imagem do Laço do Cisne obtida do solo mede 3 x 2 graus e foi feita com o Oschin Schmidt Telescope e digitalizada como parte do Digitized Sky Survey.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito ESA & Digitized Sky Survey (Caltech) ESA/Hubble CC BY 4.0

Laço do Cisne, remanescente de supernova
Uma imagem de campo largo do plano da Via Láctea obtida do solo. A constelação do Cisne, onde fica a nebulosa do véu, aparece na parte superior da imagem.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito A. Fujii ESA/Hubble CC BY 4.0

Laço do Cisne, remanescente de supernova, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFPC1.Esta é uma imagem de uma pequena porção do remanescente de supernova Laço do Cisne, obtida com a Wide Field and Planetary Camera do Telescópio Espacial Hubble, da NASA, em 24 de abril de 1991. O Laço do Cisne marca a borda de uma onda de choque em expansão, semelhante a uma bolha, vinda de uma colossal explosão estelar que ocorreu há cerca de 15.000 anos.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito J.J. Hester (Arizona State University), and NASA ESA/Hubble CC BY 4.0

Laço do Cisne, remanescente de supernova, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFC3.Esta imagem mostra uma pequena seção da Nebulosa do Véu, como foi observada pelo Telescópio Espacial Hubble, da NASA/ESA. Esta seção da camada externa do famoso remanescente de supernova fica numa região conhecida como NGC 6960 ou, mais coloquialmente, a Nebulosa Vassoura da Bruxa.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.Recorte de uma região a 1,2 graus do centro do objeto, e não uma vista do objeto inteiro.

Crédito NASA, ESA, Hubble Heritage Team ESA/Hubble CC BY 4.0

Laço do Cisne, remanescente de supernova, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFPC2.Esta imagem mostra uma bela porção da Nebulosa do Véu, os restos despedaçados de uma supernova que explodiu há cerca de 5.000 a 10.000 anos. Os filamentos de gás entrelaçados, parecidos com cordas, resultam das enormes quantidades de energia liberadas quando os destroços velozes da explosão avançam contra o meio ao redor e criam frentes de choque.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.Recorte de uma região a 1,2 graus do centro do objeto, e não uma vista do objeto inteiro.

Crédito NASA, ESA, and the Hubble Heritage (STScI/AURA)-ESA/Hubble Collaboration. Acknowledgment: J. Hester (Arizona State University) ESA/Hubble CC BY 4.0

Laço do Cisne, remanescente de supernova, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFPC2.Esta imagem mostra uma pequena porção da Nebulosa do Véu, os restos despedaçados de uma supernova que explodiu há cerca de 5.000 a 10.000 anos. Os filamentos de gás entrelaçados, parecidos com cordas, resultam das enormes quantidades de energia liberadas quando os destroços velozes da explosão avançam contra o meio ao redor e criam frentes de choque.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.Recorte de uma região a 1,2 graus do centro do objeto, e não uma vista do objeto inteiro.

Crédito NASA, ESA, and the Hubble Heritage (STScI/AURA)-ESA/Hubble Collaboration. Acknowledgment: J. Hester (Arizona State University) ESA/Hubble CC BY 4.0

Laço do Cisne, remanescente de supernova, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFPC2.Esta delicada imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra uma minúscula porção do Laço do Cisne, um remanescente de supernova na constelação de Cygnus, o Cisne. Medições feitas nesta imagem superdetalhada de um véu cósmico mostram que a explosão original de supernova ocorreu há apenas 5.000 anos.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.Recorte de uma região a 1,7 graus do centro do objeto, e não uma vista do objeto inteiro.

Crédito ESA & Digitized Sky Survey (Caltech) ESA/Hubble CC BY 4.0

Laço do Cisne, remanescente de supernova, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFPC2.Esta imagem é uma deslumbrante vista aproximada da Nebulosa do Véu, os restos despedaçados de uma supernova que explodiu há cerca de 5.000 a 10.000 anos. A imagem oferece uma bela vista da estrutura delicada e tênue resultante dessa explosão cósmica.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.Recorte de uma região a 1,3 graus do centro do objeto, e não uma vista do objeto inteiro.

Crédito NASA, ESA, and the Hubble Heritage (STScI/AURA)-ESA/Hubble Collaboration. Acknowledgment: J. Hester (Arizona State University) ESA/Hubble CC BY 4.0

Laço do Cisne, remanescente de supernova, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFPC2.Embora pareça um véu delicado e leve estendido pelo céu, esta imagem do Telescópio Espacial Hubble, da NASA/ESA, na verdade retrata uma pequena seção da onda de choque da supernova do Cisne, a cerca de 2.400 anos-luz de distância.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.Recorte de uma região a 1,7 graus do centro do objeto, e não uma vista do objeto inteiro.

Crédito ESA/Hubble & NASA, W. Blair Acknowledgement: Leo Shatz ESA/Hubble CC BY 4.0

Laço do Cisne, remanescente de supernova, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFPC2.Esta imagem mostra uma pequena porção de uma nebulosa chamada 'Laço do Cisne'. Cobrindo uma região do céu com seis vezes o diâmetro da Lua cheia, o Laço do Cisne é, na verdade, a onda de choque em expansão de um cataclismo estelar, uma explosão de supernova, que ocorreu há cerca de 15.000 anos.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.Recorte de uma região a 1,2 graus do centro do objeto, e não uma vista do objeto inteiro.

Crédito Jeff Hester (Arizona State University) and NASA/ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Nebulosa do Caranguejo

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    Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, D. Milisavljevic (Purdue University), T. Temim (Princeton University), I. De Looze (University of Gent) ESA/Webb CC BY 4.0

  • Nebulosa do Lápis

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  • Supernova 1987A

    Crédito NASA, ESA and Pete Challis (Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics) ESA/Hubble CC BY 4.0

Perguntas frequentes

O que é o Laço do Cisne?
Laço do Cisne é o nome dado ao remanescente de uma supernova na constelação do Cisne, a cerca de 2.100 anos-luz da Terra. Uma estrela massiva explodiu há milhares de anos e o material lançado varreu o gás ao redor, formando uma casca em expansão que continua brilhando. O SIMBAD registra o objeto como SNR e usa a identificação NAME Cyg Loop. No céu ele ocupa 230 minutos de arco, quase oito vezes a largura aparente da Lua cheia.
Qual a diferença entre Laço do Cisne, Nebulosa do Véu e NGC 6960?
Os três nomes apontam para o mesmo evento, em recortes diferentes. Laço do Cisne designa a casca inteira em expansão. NGC 6960 é o número de catálogo de uma das partes brilhantes, registrada no século 19 como se fosse uma nebulosa independente. Nebulosa do Véu descreve a aparência rendada e translúcida, e é usada tanto para o conjunto quanto para trechos específicos. A confusão nasceu porque os pedaços brilhantes estão separados por regiões fracas.
Por que a nebulosa parece feita de fios?
Porque o gás forma uma casca fina e curva, e não fios soltos. Quando a linha de visada atravessa essa superfície de raspão, ela cruza muito mais material emissor do que quando passa pelo centro da bolha. O resultado é que as bordas aparecem como linhas estreitas e brilhantes e o interior parece vazio. O efeito é o mesmo que faz o contorno de uma bolha de sabão parecer mais definido que o meio dela.
Qual o tamanho real do Laço do Cisne?
Combinando os 230 minutos de arco de extensão aparente com a distância declarada de 2.100 anos-luz, a casca tem cerca de 140 anos-luz de ponta a ponta. Boa parte dessa massa não veio da estrela que explodiu: é gás interestelar que já estava na região e foi varrido e empilhado pela onda de choque. A estimativa depende diretamente da distância adotada, que já foi revista várias vezes.
A explosão que gerou o Laço do Cisne foi vista da Terra?
Não há registro histórico confiável dessa supernova. O evento aconteceu há milhares de anos, muito antes de existir qualquer prática sistemática de anotar o aparecimento de estrelas novas no céu. Outras supernovas mais recentes na Via Láctea foram registradas por observadores em diferentes culturas, mas o Laço do Cisne não está entre elas. A idade é estimada por medidas de expansão da casca, e não por documentos.
Dá para observar o Laço do Cisne do Brasil?
É difícil, e mais fácil no hemisfério norte. A declinação de cerca de 30 graus positivos deixa a constelação do Cisne baixa no horizonte norte para observadores brasileiros, o que piora a turbulência e a absorção atmosférica. Em céu muito escuro, com binóculo grande ou telescópio de campo amplo e filtro que isole a linha do oxigênio, é possível perceber os arcos mais brilhantes como faixas fracas e acinzentadas.
Por que o Hubble fotografou só um pedaço do remanescente?
Por causa da diferença de escala entre o instrumento e o objeto. O campo desta imagem cobre 7,1 por 4,7 minutos de arco, enquanto o remanescente inteiro tem 230 minutos de arco. Cobrir tudo exigiria centenas de apontamentos. O Hubble é um telescópio de campo estreito e alta resolução, feito para detalhar pequenas regiões, e não para varrer áreas grandes do céu, tarefa que cabe melhor a telescópios de levantamento.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Laço do Cisne. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/laco-do-cisne. Consultado em: 23/08/2026.