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ObservatórioAstronomia

Nebulosa

Nuvem molecular Sagittarius B2

Uma das nuvens moleculares mais massivas da Via Láctea, perto do centro galáctico, onde o Webb registrou gás, gelo e estrelas em formação.

Nuvem molecular Sagittarius B2, nebulosa, em imagem do James Webb Space Telescope
"Sagittarius B2 (NIRCam image)", como o acervo nomeou esta imagem.Estrelas, gás e poeira cósmica na nuvem molecular Sagittarius B2 brilham em luz infravermelha próxima, capturadas pela NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb. Nessa luz, os astrônomos veem mais das estrelas diversas e coloridas da região, mas menos da sua estrutura de gás e poeira.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, A. Ginsburg (University of Florida), N. Budaiev (University of Florida), T. Yoo (University of Florida). Image processing: A. Pagan (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0

Tipo
NebulosaSIMBAD: MoC
Constelação
SagitárioSgr
Observado por
James Webb Space Telescope, Other, Atacama Pathfinder Experiment
Imagem publicada
setembro de 2025
Original do acervo
11.256 × 4.877 px55 megapixels

Sagittarius B2 é uma nuvem molecular gigante situada perto do centro da Via Láctea, na direção da constelação de Sagitário. O SIMBAD a classifica como MoC, sigla para nuvem molecular, e a trata sob a designação NAME Sgr B2. Diferente de nebulosas famosas por serem bonitas em luz visível, ela é conhecida por outro motivo: é um dos laboratórios químicos mais estudados da galáxia, e boa parte do que se sabe sobre moléculas no espaço interestelar veio de observações apontadas para lá.

A localização explica tanto a importância quanto a dificuldade. Perto do centro galáctico, a densidade de gás, a turbulência e as pressões são muito maiores do que no disco onde o Sol vive. Isso favorece a formação de moléculas complexas e a formação de estrelas massivas. Ao mesmo tempo, entre nós e a região existe todo o disco da galáxia cheio de poeira, o que torna a nuvem invisível em luz visível: nenhum telescópio óptico, por maior que seja, enxerga aquele pedaço de céu.

A imagem do acervo foi registrada pelo telescópio James Webb em setembro de 2025, com a câmera NIRCam, cobrindo um campo de 5,9 por 2,5 minutos de arco. São onze filtros, do infravermelho próximo até quase 5 micrômetros, escolhidos para separar gás ionizado, hidrogênio molecular chocado, monóxido de carbono e a faixa onde o gelo absorve. Cada filtro corresponde a uma pergunta física diferente sobre a mesma nuvem.

Por que essa nuvem é tão especial?

Nuvens moleculares gigantes existem às centenas na Via Láctea, mas poucas reúnem as condições de Sagittarius B2. A massa é enorme, a densidade é alta e a região está sujeita às marés e às colisões típicas da vizinhança do centro galáctico. O resultado é um ambiente onde a química interestelar acontece em ritmo acelerado e com variedade fora do comum.

Radiotelescópios encontraram nessa direção uma quantidade grande de moléculas diferentes, muitas delas identificadas ali pela primeira vez. Moléculas no espaço são detectadas por suas linhas de rotação, que caem na faixa de rádio e milimétrica: cada molécula tem um conjunto único de frequências, funcionando como impressão digital. Uma nuvem densa, massiva e quimicamente rica produz um espectro cheio de linhas, e Sgr B2 se tornou o alvo padrão desse tipo de busca.

Nada disso significa vida. Química orgânica, no vocabulário da astronomia, quer dizer química baseada em carbono, e moléculas com carbono se formam em superfícies de grãos de poeira gelados sem nenhuma participação biológica. O interesse é outro: entender quais compostos já existem na nuvem antes de ela virar estrela e sistema planetário, porque parte desse material acaba herdada pelos planetas que nascem depois.

O que os filtros do Webb medem?

A lista de filtros da imagem é uma aula de método. Os canais em 1.870 nanômetros e 4.050 nanômetros correspondem às linhas Paschen-alfa e Brackett-alfa do hidrogênio, produzidas quando elétrons livres são recapturados por prótons e caem entre níveis de energia do átomo. Onde essas linhas aparecem, existe gás ionizado, e gás ionizado significa estrelas quentes por perto.

O canal em 2.120 nanômetros isola a emissão do hidrogênio molecular. Essa transição não é excitada por luz comum: ela aparece quando o gás é aquecido por choque, por exemplo pelo impacto de um jato de estrela jovem contra a nuvem em volta. Já o canal em 4.660 nanômetros marca o monóxido de carbono, a molécula mais usada como traçadora de gás molecular frio, porque o hidrogênio molecular puro é quase invisível em condições normais.

Existe ainda um canal em 3.000 nanômetros, região do espectro onde o gelo de água absorve com força. Filtros nessa faixa não mostram emissão: mostram sombra. Quando a luz de uma estrela de fundo atravessa uma nuvem com grãos cobertos de gelo, parte dela some justamente nesse comprimento de onda, e a profundidade dessa absorção informa quanto gelo existe no caminho.

Por que só o infravermelho enxerga ali?

Grãos de poeira interestelar espalham e absorvem luz com eficiência que depende fortemente do comprimento de onda. Fótons de comprimento de onda curto interagem muito mais com os grãos do que fótons de comprimento de onda longo. É o mesmo princípio que faz o céu ficar azul durante o dia e o Sol ficar avermelhado no horizonte, onde a luz atravessa mais atmosfera.

Aplicado à escala galáctica, o efeito é brutal. A luz visível vinda da região do centro da Via Láctea é praticamente extinta antes de chegar aqui. O infravermelho próximo já atravessa boa parte da poeira, o infravermelho médio atravessa mais, e as ondas de rádio passam quase sem perda. Por isso todo o conhecimento acumulado sobre Sagittarius B2 vem de rádio, milimétrico e infravermelho.

A escolha da NIRCam para esta imagem tem uma consequência visual direta. As cores atribuídas na composição não correspondem a nada que um olho humano veria, porque nenhuma dessas faixas é visível. São etiquetas: comprimentos de onda menores receberam tons azulados, os maiores receberam tons avermelhados, seguindo a ordem do espectro. A imagem é honesta e não é uma fotografia no sentido comum da palavra.

O que o campo de visão cobre?

O enquadramento da imagem tem 5,9 por 2,5 minutos de arco. Para efeito de comparação, a Lua cheia tem cerca de 31 minutos de arco de diâmetro, então o quadro cobre uma fatia estreita de céu, algo como um quinto da largura lunar por menos de um décimo da altura. Nuvens moleculares gigantes se estendem por bem mais que isso.

O catálogo não registra tamanho aparente para Sagittarius B2, e por isso não é possível dizer aqui qual fração do objeto a imagem cobre. Essa lacuna é declarada de propósito: onde o dado não existe, o texto diz que não existe, em vez de estimar. O que se pode afirmar com segurança é que a imagem mostra uma região dentro da nuvem, com resolução alta, e não o complexo inteiro.

Isso é a norma em alvos assim. Telescópios de alta resolução como o Webb trabalham com campo pequeno por construção, porque resolução e campo de visão competem pelo mesmo espaço no detector. Mapear uma nuvem molecular gigante por completo é trabalho de radiotelescópios e de levantamentos de campo largo, e a imagem de alta resolução entra depois, para examinar o detalhe.

Os números deste objeto

ConstelaçãoSagitário (Sgr)
Identificação principalNAME Sgr B2SIMBAD
ClassificaçãoMoC, nuvem molecularSIMBAD
Coordenadas J2000AR 266,835 graus, Dec -28,3853 graus
Desvio para o vermelhoz = 0,00021
Tamanho aparentesem medida disponível no catálogo
Telescópio e instrumentoJames Webb, NIRCammetadado da imagem
Campo da imagem5,9 por 2,5 minutos de arcometadado da imagem
Faixa observadade 1.500 a 4.800 nanômetros, em 11 filtrosmetadado da imagem
Imagens no acervo1

O que reparar nesta imagem

  • A densidade de estrelas no quadroA quantidade de pontos por área é extraordinária. Perto do centro galáctico, a linha de visada atravessa muito mais estrelas do que em qualquer direção do disco onde o Sol vive.
  • As manchas escuras dentro da nuvemMesmo no infravermelho existem áreas em que a poeira ainda bloqueia a luz. Essas regiões são as mais densas e frias, e são justamente onde estrelas podem estar se formando.
  • As diferenças de cor entre as estrelasNa composição, os canais mais curtos viraram tons azulados e os mais longos, avermelhados. Uma estrela avermelhada aqui não é necessariamente fria: pode ser uma estrela normal vista através de mais poeira.

Por que esta imagem tem essas cores

Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.

ultravioletainfravermelho e ondas de rádio

  • Azulinfravermelho · NIRCam1,5 µminvisível ao olho
  • Azulinfravermelho · NIRCam1,82 µminvisível ao olho
  • Azulinfravermelho · NIRCam · P-alpha1,87 µminvisível ao olho
  • Cianoinfravermelho · NIRCam · methane2,1 µminvisível ao olho
  • Cianoinfravermelho · NIRCam · molecular hydrogen2,12 µminvisível ao olho
  • Verdeinfravermelho · NIRCam3 µminvisível ao olho
  • Verdeinfravermelho · NIRCam3,6 µminvisível ao olho
  • Amareloinfravermelho · NIRCam · Br-alpha4,05 µminvisível ao olho
  • Laranjainfravermelho · NIRCam4,1 µminvisível ao olho
  • Vermelhoinfravermelho · NIRCam · CO4,66 µminvisível ao olho
  • Vermelhoinfravermelho · NIRCam4,8 µminvisível ao olho

Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Webb junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.

Que tamanho é isso, de verdade

Cerca de 5,3 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 5,9 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

Dá para ver isso daqui?

Agora este objeto está abaixo do horizonte de São Paulo, SP. Ele volta a subir mais tarde, e alcança no máximo 85° de altura daqui.

Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 85 graus acima do horizonte.

Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.

Quanto já se olhou para aqui

  • 50registros do James Webb
  • 2registros do GALEX

Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 1,2 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.

O que ainda não se sabe

A taxa de formação estelar perto do centro galáctico é menor do que a densidade de gás disponível faria prever, e não há explicação fechada para isso. Turbulência intensa, campos magnéticos fortes e forças de maré são as candidatas discutidas, sem consenso sobre qual domina. Também segue em disputa a origem de parte das moléculas complexas detectadas na região: não está resolvido quanto se forma em superfícies de grãos gelados e quanto se forma em fase gasosa. E a estrutura tridimensional da nuvem permanece mal determinada, porque tudo o que se observa é a projeção dela no céu.

Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.

Uma coisa que quase ninguém sabe

Sagittarius B2 é o endereço de referência da química interestelar. Quando alguém procura uma molécula nova no espaço, essa é uma das primeiras direções para onde o radiotelescópio aponta, porque o espectro dali é tão denso de linhas que a dificuldade deixa de ser encontrar sinal e passa a ser separar uma linha da outra.

Outras imagens deste objeto

Nuvem molecular Sagittarius B2, nebulosa, em imagem do Other
Other, instrumento LABOCA.Imagem composta em cores e anotada de parte do Plano Galáctico visto pelo levantamento ATLASGAL, dividida em seções. Nesta imagem, os dados em comprimento de onda submilimétrico do ATLASGAL aparecem em vermelho, sobrepostos a uma vista da região em luz infravermelha, do Midcourse Space Experiment (MSX), em verde e azul.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/APEX & MSX/IPAC/NASA ESO CC BY 4.0

Nuvem molecular Sagittarius B2, nebulosa, em imagem do James Webb Space Telescope
James Webb Space Telescope, instrumento MIRI.O MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb mostra a região de Sagittarius B2 (Sgr B2) em luz infravermelha média, com a poeira morna brilhando intensamente. À direita há um aglomerado de nuvens que chamou a atenção dos astrônomos. Ele é mais avermelhado que o resto das nuvens na imagem e corresponde a uma área que outros telescópios mostraram ser uma das regiões mais ricas em moléculas conhecidas.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, A. Ginsburg (University of Florida), N. Budaiev (University of Florida), T. Yoo (University of Florida). Image processing: A. Pagan (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0

Nuvem molecular Sagittarius B2, nebulosa, em imagem do Other
Other, instrumento LABOCA.Imagem em composição colorida do Centro Galáctico e de Sagittarius B2 vista pelo levantamento ATLASGAL. O centro da Via Láctea abriga um buraco negro supermassivo com mais de quatro milhões de vezes a massa do nosso Sol. Fica a cerca de 25.000 anos-luz da Terra.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/APEX & MSX/IPAC/NASA ESO CC BY 4.0

Diagrama de Nuvem molecular Sagittarius B2, nebulosaDiagrama
Esta imagem da nuvem molecular Sagittarius B2 (Sgr B2), captada pelo instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb, inclui setas de bússola, barra de escala e legenda de cores para referência. Para criar esta imagem, comprimentos de onda do infravermelho próximo foram convertidos em cores da luz visível.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, A. Ginsburg (University of Florida), N. Budaiev (University of Florida), T. Yoo (University of Florida). Image processing: A. Pagan (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0

Diagrama de Nuvem molecular Sagittarius B2, nebulosaDiagrama
Esta imagem da nuvem molecular Sagittarius B2 (Sgr B2), captada pelo MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb, inclui setas de bússola, barra de escala e legenda de cores para referência. Para criar esta imagem, comprimentos de onda do infravermelho médio foram convertidos em cores da luz visível.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, A. Ginsburg (University of Florida), N. Budaiev (University of Florida), T. Yoo (University of Florida). Image processing: A. Pagan (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Nebulosa da Lagoa

    Crédito NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA NOIRLab CC BY 4.0

  • Nebulosa Ômega

    Crédito NASA, H. Ford (JHU), G. Illingworth (UCSC/LO), M.Clampin (STScI), G. Hartig (STScI), the ACS Science Team, and ESAThe ACS Science Team: H. Ford, G. Illingworth, M. Clampin, G. Hartig, T. Allen, K. Anderson, F. Bartko, N. Benitez, J. Blakeslee, R. Bouwens, T. Broadhurst, R. Brown, C. Burrows, D. Campbell, E. Cheng, N. Cross, P. Feldman, M. Franx, D. Golimowski, C. Gronwall, R. Kimble, J. Krist, M. Lesser, D. Magee, A. Martel, W. J. McCann, G. Meurer, G. Miley, M. Postman, P. Rosati, M. Sirianni, W. Sparks, P. Sullivan, H. Tran, Z. Tsvetanov, R. White, and R. Woodruff. ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Nebulosa da Aranha Vermelha

    Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, J. H. Kastner (Rochester Institute of Technology) ESA/Webb CC BY 4.0

  • Aglomerado Messier 54

    Crédito ESO CC BY 4.0

  • Terzan 5

    Crédito NASA/ESA/Hubble/F. Ferraro ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Aglomerado Messier 18

    Crédito ESO CC BY 4.0

  • Nebulosa de Órion

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    Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin. ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Nebulosa de Carina

    Crédito NASA, ESA, N. Smith (University of California, Berkeley), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Nebulosa Cabeça de Cavalo

    Crédito NASA, ESA, and the Hubble Heritage Team (AURA/STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Nebulosa do Caranguejo

    Crédito NASA, ESA and Allison Loll/Jeff Hester (Arizona State University). Acknowledgement: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0

Perguntas frequentes

O que é a nuvem Sagittarius B2?
Sagittarius B2 é uma nuvem molecular gigante situada perto do centro da Via Láctea, na direção da constelação de Sagitário, classificada pelo SIMBAD como MoC. Trata-se de uma das concentrações de gás molecular mais massivas da galáxia e do alvo mais estudado da química interestelar: muitas moléculas conhecidas no espaço foram identificadas pela primeira vez em observações apontadas para essa região, feitas em rádio e em milimétrico.
Por que não dá para ver Sagittarius B2 em luz visível?
Porque entre a Terra e a região do centro galáctico existem milhares de anos-luz de gás e poeira no disco da Via Láctea. Grãos de poeira absorvem e espalham luz de comprimento de onda curto com muito mais eficiência do que luz de comprimento de onda longo, e o efeito acumulado extingue praticamente toda a luz visível vinda de lá. O infravermelho atravessa boa parte dessa barreira e as ondas de rádio passam quase sem perda, e é por isso que a nuvem só é estudada nessas faixas.
As moléculas orgânicas encontradas ali indicam vida?
Não. Em astronomia, química orgânica significa química baseada em carbono, sem qualquer implicação biológica. As moléculas detectadas em Sagittarius B2 se formam em processos puramente físicos e químicos, principalmente em superfícies de grãos de poeira cobertos de gelo, a temperaturas próximas do zero absoluto. O interesse científico é outro: entender que compostos já existem numa nuvem antes de ela colapsar, porque parte desse material é herdada pelos sistemas planetários que se formam depois.
O que os filtros do James Webb mostram nessa imagem?
Cada filtro isola um processo físico. Os canais em 1.870 e 4.050 nanômetros captam linhas de recombinação do hidrogênio e revelam gás ionizado por estrelas quentes. O canal em 2.120 nanômetros mostra hidrogênio molecular aquecido por choque, típico de jatos de estrelas jovens. O canal em 4.660 nanômetros marca o monóxido de carbono, traçador padrão de gás molecular frio. Já a faixa em torno de 3.000 nanômetros é onde o gelo de água absorve, e ali o que se mede é sombra, não brilho.
As cores da imagem do Webb são reais?
Não são cores que um olho humano veria, porque toda a faixa observada está no infravermelho, fora do alcance da visão. As cores da composição são atribuídas por convenção: comprimentos de onda mais curtos recebem tons azulados e os mais longos recebem tons avermelhados, seguindo a ordem do espectro. Isso não torna a imagem falsa. Cada canal é uma medição real de uma faixa declarada no metadado, e a cor é a forma de mostrar várias medições ao mesmo tempo.
Qual o tamanho de Sagittarius B2 no céu?
O catálogo não registra tamanho aparente para essa nuvem, e por isso o dado aparece aqui como ausente em vez de estimado. O que se sabe da imagem é o enquadramento: o Webb cobriu 5,9 por 2,5 minutos de arco, uma fatia estreita comparada aos cerca de 31 minutos de arco do diâmetro da Lua cheia. Nuvens moleculares gigantes se estendem por bem mais que isso, então a imagem mostra um trecho da nuvem em alta resolução, não o complexo inteiro.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Nuvem molecular Sagittarius B2. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/nuvem-sagittarius-b2. Consultado em: 23/08/2026.