Galáxia
Grande Nuvem de Magalhães
A galáxia satélite mais brilhante da Via Láctea, visível a olho nu do hemisfério sul como uma nuvem que não se desfaz.

Crédito CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/SMASH/D. Nidever (Montana State University) Acknowledgment: Image processing: Travis Rector (University of Alaska Anchorage), Mahdi Zamani & Davide de Martin NOIRLab CC BY 4.0
- Tipo
- GaláxiaSIMBAD: G
- Distância
- 163.000 anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem, em 2020
- Constelação
- DouradoDor
- Tamanho no céu
- 5,4 grausextensão catalogada no SIMBAD
- Classificação
- SB(s)m
- Observado por
- NSF Víctor M. Blanco 4-meter Telescope, DSS, Hubble Space Telescope
- Imagem publicada
- dezembro de 2020
- Original do acervo
- 6.737 × 6.536 px44 megapixels
Quem observa o céu do sul em noite escura encontra duas manchas esbranquiçadas destacadas da faixa da Via Láctea. Parecem nuvens finas, mas não se movem nem se desmancham com o vento. A maior delas é a Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia inteira a 163 mil anos-luz de distância, na constelação do Dourado, nas coordenadas AR 80,8942 graus e Dec -69,7561 graus.
O nome vem do relato da expedição de Fernão de Magalhães, no século 16, mas povos do hemisfério sul as conheciam e nomeavam havia muito mais tempo, e registros de astrônomos de outras tradições são anteriores à navegação europeia. Só no século 20 ficou estabelecido que aquilo era um sistema estelar independente, e não uma nuvem pertencente à nossa própria galáxia.
Ela ocupa 322,83 minutos de arco no céu segundo o catálogo, ou 5,4 graus, mais de dez vezes o diâmetro aparente da Lua cheia. Convertido em tamanho real com a distância declarada, isso dá algo em torno de 15 mil anos-luz de ponta a ponta, uma fração pequena da Via Láctea. É modesta para os padrões de galáxia grande, mas é a maior das satélites da nossa, e a mais estudada: o arquivo público de dados registra 1.412 produtos de observação do Hubble e 7.206 do James Webb num raio de meio grau em torno dela.
Que tipo de galáxia é essa
A classificação registrada é SB(s)m, que descreve uma galáxia com barra central e estrutura de disco, sem os braços espirais organizados de uma espiral clássica. A letra final indica o tipo magelânico, batizado a partir dela: disco irregular, assimétrico, com um braço só e formação estelar espalhada de forma desordenada.
Essa bagunça tem causa provável. A Grande Nuvem interage com a Pequena Nuvem de Magalhães e sofre a influência gravitacional da Via Láctea. Entre as três se estende uma corrente de gás rarefeito, invisível em luz comum e detectada em rádio, na linha de 21 centímetros do hidrogênio neutro. Esse gás é material arrancado por maré gravitacional, e o desenho dele no céu registra a história recente das três galáxias.
A barra também não fica onde deveria. Numa galáxia barrada bem comportada, ela passa pelo centro do disco; aqui aparece deslocada em relação ao centro do disco de gás. Nenhuma dessas irregularidades é defeito de observação: são a forma real de uma galáxia pequena que vive ao lado de uma muito maior.
Por que ela é um laboratório insubstituível
Por causa da distância constante. Estudar objetos dentro da Via Láctea esbarra num problema crônico: cada nebulosa está a uma distância diferente e mal conhecida, e comparar brilhos exige corrigir essa diferença. Na Grande Nuvem, todo objeto está praticamente à mesma distância, então diferenças de brilho aparente são diferenças reais de luminosidade.
A isso se soma a composição química, mais pobre em elementos pesados que a nossa, o que aproxima o ambiente dela do universo jovem. E está próxima o bastante para que telescópios separem estrelas individuais aos milhões, coisa impossível em galáxias mais distantes. Essa combinação de distância única, química diferente e estrelas resolvidas não se repete em nenhum outro lugar acessível.
Existe ainda um uso que extrapola a galáxia. A distância até a Grande Nuvem virou um degrau da escada com que se mede o universo inteiro, e por isso foi atacada por métodos independentes. Medidas com sistemas binários eclipsantes, em que duas estrelas se ocultam mutuamente e permitem calcular tamanho e luminosidade reais, reduziram a incerteza a poucos por cento. Qualquer erro aqui se propaga para tudo que foi construído sobre essa base.
O que a SN 1987A ensinou
Em fevereiro de 1987 uma estrela massiva da Grande Nuvem explodiu. Foi a supernova mais próxima observada desde a invenção do telescópio, e a única em que a estrela original havia sido fotografada antes de explodir, o que permitiu comparar previsão e resultado de forma direta. A comparação trouxe uma surpresa: a estrela que explodiu era uma supergigante azul, e a teoria da época esperava uma supergigante vermelha.
O achado mais importante não foi visual. Horas antes de a luz chegar, detectores subterrâneos em três lugares do mundo registraram um punhado de neutrinos vindos da direção certa. Neutrinos atravessam a estrela em colapso quase sem interagir e escapam antes da luz, exatamente como a teoria previa. Aquelas partículas inauguraram a astronomia de neutrinos e confirmaram, em algumas dezenas de detecções, o mecanismo do colapso de núcleo.
O que sobrou continua sendo observado. O acervo traz uma imagem que combina Hubble e o observatório de raios X Chandra num campo de 3,2 por 2,6 minutos de arco, com o material da explosão se chocando contra um anel de gás expelido pela estrela antes de morrer. Acompanhar essa colisão ano a ano é raro: quase toda supernova conhecida está longe demais para mostrar estrutura.
A Tarântula e o berçário do Grupo Local
Numa das pontas da Grande Nuvem existe uma mancha que se destaca a olho nu em céu escuro e que, sozinha, já seria um objeto célebre: a Nebulosa da Tarântula, a maior região de formação estelar do Grupo Local.
O aglomerado no centro dessa região abriga algumas das estrelas mais massivas conhecidas, e o entorno concentra estrelas quentes o bastante para ionizar gás a dezenas de anos-luz de distância. O acervo traz uma imagem obtida com a câmera VIRCAM, do levantamento infravermelho do VISTA, cobrindo 52,5 por 70,2 minutos de arco, e outra que combina cinco faixas, de 539 a 2.150 nanômetros, para destacar uma estrela isolada de brilho extremo na região.
Combinar faixas assim tem motivo prático. As estrelas mais massivas nascem enterradas em poeira e somem em luz visível. O infravermelho atravessa a poeira e revela essa população escondida, enquanto o visível mostra o gás já ionizado.
O desafio de fotografar 5 graus de céu
Nenhum telescópio faz tudo. Um instrumento grande, capaz de separar estrelas individuais no meio da Nuvem, tem campo de visão minúsculo; um instrumento de campo largo, capaz de conter a galáxia inteira, não chega perto dessa resolução. O acervo desta página mostra os dois extremos lado a lado.
No extremo largo estão imagens de 561 por 544 e de 717,6 por 641,2 minutos de arco, feitas com câmeras de solo. São campos de mais de nove graus, impossíveis para telescópio espacial. No extremo estreito está uma imagem do Hubble com a câmera WFPC2, em quatro filtros de 439 a 1.024 nanômetros, mostrando um enxame de estrelas individuais num pedaço mínimo da mesma galáxia.
Os 7.206 produtos de observação do James Webb registrados na região seguem a mesma lógica: são apontamentos estreitos, dirigidos a alvos específicos dentro da Nuvem, e não retratos dela. Quem procura o retrato precisa das câmeras de solo. Quem procura uma estrela precisa do espaço.
Os números deste objeto
| Identificação principal | NAME LMCSIMBAD |
|---|---|
| Distância | 163.000 anos-luzdeclarada pelo publicador das imagens |
| Constelação | Dourado (Dor) |
| Morfologia | SB(s)m, magelânica barradaSIMBAD |
| Tamanho aparente | 322,83 minutos de arco, ou 5,4 grausSIMBAD |
| Diâmetro estimado | cerca de 15 mil anos-luzderivado do tamanho aparente e da distância |
| Coordenadas J2000 | AR 80,8942 graus, Dec -69,7561 grausSIMBAD |
| Desvio para o vermelho | z = 0,00087SIMBAD |
| Imagens no acervo | 12 |
| Produtos de observação no MAST | 1.412 do Hubble, 7.206 do James Webb e 2 do GALEXraio de 0,5 grau em torno da posição |
O que reparar nesta imagem
- A barra central alongadaUma concentração de estrelas em forma de bastão atravessando o corpo da galáxia. É o que classifica a Nuvem como barrada, e ela não está centrada no disco de gás.
- A mancha brilhante numa das pontasA Nebulosa da Tarântula, maior região de formação estelar do Grupo Local, que fica dentro desta galáxia e se destaca sozinha mesmo a olho nu.
- Os grumos avermelhados espalhadosNuvens de hidrogênio ionizado por estrelas jovens. A quantidade delas mostra que a formação estelar aqui está espalhada, não concentrada em braços organizados.
- A diferença de campo entre as fotosRepare quanto da galáxia cabe em cada imagem. Os campos vão de mais de nove graus até poucos minutos de arco, e é essa variação que separa o retrato do detalhe.
Por que esta imagem tem essas cores
Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.
ultravioletainfravermelho e ondas de rádio
- Azulluz visível · DECam · g475 nmolho enxerga
- Vermelholuz visível · DECam · r645 nmolho enxerga
- Verdeluz visível · DECam · i785 nminvisível ao olho
- Vermelhoinfravermelho · DECam · z927 nminvisível ao olho
Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio NOIRLab junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.
Que tamanho é isso, de verdade
Este recorte do céu é cerca de 18 vezes mais largo que a Lua cheia. O recorte fotografado mede 9,3 graus de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 15.307 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.
A luz desta imagem levou 163.000 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta do fim da última era glacial.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, baixo, perto do horizonte, a 4° de altura, na direção S.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 44 graus acima do horizonte, e ele nunca chega a se pôr.
Este é um dos poucos objetos do acervo que dá para encontrar a olho nu, em céu escuro. O que você vai ver é bem mais pálido e menor que a imagem: telescópios acumulam luz por horas, e o olho não.
Quanto já se olhou para aqui
- 1.412registros do Hubble
- 7.206registros do James Webb
- 2registros do GALEX
Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 30 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.
O que ainda não se sabe
A massa total da Grande Nuvem continua incerta, e é dela que depende saber se a galáxia está em primeira aproximação da Via Láctea ou em órbita antiga. Medições de movimento próprio feitas com o Hubble mostraram que ela se move rápido demais para uma órbita estável de bilhões de anos, e a questão segue em aberto. Nos restos da SN 1987A há outra dúvida de peso: o colapso deveria ter deixado um objeto compacto no centro, indícios de uma fonte assim já foram relatados, mas a natureza dela ainda é discutida.
Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.
Uma coisa que quase ninguém sabe
Estrelas variáveis cefeidas observadas nas Nuvens de Magalhães no começo do século 20 revelaram a relação entre o período de pulsação e a luminosidade real dessas estrelas. Como todas ali estavam à mesma distância, a comparação era limpa, e essa descoberta virou a régua com que se mediu o tamanho do universo. A galáxia que parece uma mancha esbranquiçada no céu do sul é, historicamente, o instrumento que permitiu medir distâncias muito além dela.
Outras imagens deste objeto

Crédito NOIRLab/NSF/AURA/P. Horálek (Institute of Physics in Opava) NOIRLab CC BY 4.0

Crédito ÷ Eckhard Slawik (e.slawik@gmx.net) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA/ESA and The Hubble Heritage Team (STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA/P. Horálek (Institute of Physics in Opava) NOIRLab CC BY 4.0


Crédito A. Fujii ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito D. Malin, Anglo-Australian Observatory/Royal Observatory, Edinburgh, Scotland ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA & ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito Anglo-Australian Observatory/Royal Observatory, Edinburgh and David Malin ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito M. Heydari-Malayeri (Paris Observatory) and NASA/ESA ESA/Hubble CC BY 4.0
Vídeo de Grande Nuvem de Magalhães
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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Nebulosa da Tarântula
- Supernova 1987A
Crédito NASA, ESA and Pete Challis (Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Região de formação estelar N79
Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, O. Nayak, M. Meixner ESA/Webb CC BY 4.0
- Nebulosa NGC 2014
Crédito NASA, ESA, and STScI ESA/Hubble CC BY 4.0
- Aglomerado R136
- Galáxia NGC 1672
Crédito Dark Energy Survey/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURAImage processing: T.A. Rector (University of Alaska Anchorage/NSF NOIRLab), J. Miller (Gemini Observatory/NSF NOIRLab), M. Zamani & D. de Martin (NSF NOIRLab) NOIRLab CC BY 4.0
- Galáxia de Andrômeda
Crédito ESA/Hubble & Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Sombrero
Crédito ESA/Hubble & NASA, K. Noll ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Redemoinho
Crédito NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Cata-vento
Crédito NASA, ESA, CXC, SSC and STScI ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Charuto
Crédito NASA, ESA, CSA, A. Smercina (STScI), T. Williams (University of Manchester). Image processing: A. Pagan (STScI). ESA/Webb CC BY 4.0
- Galáxia de Bode
Crédito ESA/INT/DSS2 ESA/Hubble CC BY 4.0
Perguntas frequentes
- Dá para ver a Grande Nuvem de Magalhães a olho nu?
- Sim, e a Grande Nuvem é um dos poucos objetos extragalácticos ao alcance da vista desarmada. Aparece como uma mancha esbranquiçada difusa, separada da faixa da Via Láctea, na direção sul do céu. Precisa de céu escuro, porque o brilho está espalhado por 5,4 graus de área. Do Brasil é melhor observada entre outubro e março, e quanto mais ao sul, mais alta ela fica no horizonte.
- Por que ela se chama Nuvem se é uma galáxia?
- Porque o nome descreve a aparência, não a natureza. A olho nu a Grande Nuvem de Magalhães parece um retalho de nuvem parado no céu, e navegadores europeus a registraram assim durante as viagens ao hemisfério sul no século 16, associando o nome à expedição de Magalhães. Povos do hemisfério sul já a conheciam e nomeavam antes disso. Só no século 20 se estabeleceu que aquilo era um sistema estelar independente.
- A Grande Nuvem vai colidir com a Via Láctea?
- É uma possibilidade discutida, mas não é fato estabelecido. Depende da massa real da Nuvem e da velocidade com que ela se move, dois números ainda incertos. Se estiver ligada gravitacionalmente à Via Láctea, a tendência de longo prazo é de fusão, num prazo de bilhões de anos. Se estiver apenas passando pela primeira vez, pode se afastar. As medidas de movimento próprio feitas com o Hubble deixaram a segunda hipótese mais plausível do que se supunha.
- Quantas estrelas existem na Grande Nuvem de Magalhães?
- A ordem de grandeza aceita é de bilhões de estrelas, bem abaixo das centenas de bilhões da Via Láctea. Contagens precisas são difíceis porque as estrelas mais fracas, que são as mais numerosas, ficam abaixo do limite de detecção mesmo a 163 mil anos-luz. Levantamentos profundos com câmeras de campo largo catalogam dezenas de milhões de fontes na Nuvem e ainda não alcançam a população inteira.
- Qual a diferença entre a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães?
- São duas galáxias satélites distintas da Via Láctea, ambas visíveis a olho nu do hemisfério sul e separadas por cerca de vinte graus no céu. A Grande é mais próxima, maior, mais brilhante e mais rica em formação estelar, e é ela que abriga a Nebulosa da Tarântula. A Pequena é menor e mais distante. As duas interagem entre si, e o gás arrancado nessa interação forma uma corrente detectada em rádio.
- O que foi a supernova de 1987 na Grande Nuvem?
- A SN 1987A foi a explosão de uma estrela massiva na Grande Nuvem de Magalhães, observada em fevereiro de 1987. Ficou marcada por dois motivos: foi a supernova mais próxima registrada desde a invenção do telescópio, e a estrela que explodiu havia sido fotografada antes, o que permitiu identificar uma supergigante azul onde a teoria da época esperava uma vermelha. Detectores subterrâneos também registraram neutrinos vindos dela horas antes da luz chegar.
- Por que a Grande Nuvem é importante para medir distâncias no universo?
- Porque a distância até ela é um degrau da escada com que se calibram todas as outras. Estrelas variáveis cefeidas observadas nas Nuvens de Magalhães revelaram a relação entre período de pulsação e luminosidade real, e essa relação virou régua padrão. Como todos os objetos da Grande Nuvem estão praticamente à mesma distância, a calibração fica limpa. Medidas com binárias eclipsantes reduziram a incerteza dessa distância a poucos por cento.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Grande Nuvem de Magalhães. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/grande-nuvem-de-magalhaes. Consultado em: 23/08/2026.











