Galáxia
Galáxia NGC 1097
A espiral barrada da Fornalha que guarda um anel de estrelas recém-nascidas em volta do núcleo, e um centro ativo fraco do tipo LINER.

- Tipo
- GaláxiaSIMBAD: LIN
- Distância
- 65 milhões de anos-luz
- Constelação
- FornalhaFor
- Tamanho no céu
- 11 minutos de arcoextensão catalogada no SIMBAD
- Classificação
- SB(s)b
- Observado por
- Very Large Telescope, Hubble Space Telescope
- Imagem publicada
- dezembro de 2004
- Original do acervo
- 2.296 × 2.592 px6 megapixels
- Desvio para o vermelho
- z = 0,004
A Galáxia NGC 1097 fica na constelação da Fornalha, a cerca de 65 milhões de anos-luz da Terra segundo a distância declarada pelo publicador das imagens deste acervo. No céu ela ocupa 10,6 minutos de arco, medida registrada no SIMBAD, mais de um terço da largura aparente da Lua cheia. Combinando esse tamanho aparente com aquela distância, chega-se a uma extensão da ordem de 200 mil anos-luz, o que a coloca entre os discos espirais realmente grandes do universo próximo. A morfologia registrada é SB(s)b: espiral, barrada, com os braços saindo direto das pontas da barra e um grau intermediário de enrolamento.
Duas coisas fazem dela um dos alvos preferidos dos observatórios do hemisfério sul, e nenhuma delas é a barra. A primeira é o anel: em torno do núcleo existe um cinturão de regiões onde estrelas estão nascendo agora, arrumadas num círculo bem definido, alimentado pelo gás que a barra empurra para dentro. A segunda é o próprio núcleo, que o SIMBAD classifica como LIN, abreviação de LINER, uma categoria de núcleo galáctico ativo de baixa luminosidade. Junto num só objeto, isso dá a chance rara de ver o combustível chegando, parte dele virando estrela e o resto seguindo para o centro.
Do Brasil, ela passa quase no zênite. A declinação de menos 30 graus coloca NGC 1097 numa faixa do céu que praticamente não sobe acima de latitudes médias do hemisfério norte, e boa parte das imagens deste acervo vem de telescópios instalados no Chile, pela mesma razão geográfica. São doze registros ao todo, e nem todos são fotografias do céu: há ilustração artística, montagem e até uma fotografia de evento, cada uma com o rótulo declarado.
O que é o anel em volta do núcleo?
No centro de NGC 1097 não existe apenas um ponto brilhante. Existe um anel. Nas imagens de maior resolução, a região nuclear aparece como um círculo de manchas em torno de um caroço central, e cada mancha é um aglomerado de estrelas jovens ou uma nuvem de gás acesa por elas. O anel tem poucos milhares de anos-luz de diâmetro, uma fração minúscula dos cerca de 200 mil anos-luz do disco inteiro.
A explicação de por que ele é um anel, e não um disco cheio, está no caminho que o gás percorre. A barra de estrelas que cruza a galáxia retira momento angular do gás que a atravessa, e sem momento angular suficiente a matéria escorrega para dentro. Só que essa queda não vai até o centro. Ela desacelera e se acumula num raio específico, onde a relação entre a velocidade de giro da barra e a velocidade das órbitas do gás muda o sentido do empurrão. Nesse raio, o material que vem de fora encontra o material que já estava lá, a densidade sobe e a formação de estrelas acende em série. O interior do anel fica relativamente vazio de gás.
É por isso que o anel, e não a barra, é o assunto desta página. Em NGC 1365, a outra grande espiral barrada deste acervo, a atenção fica no mecanismo de transporte. Aqui o produto desse transporte está exposto: um cinturão de berçários estelares organizados num círculo em torno de um buraco negro supermassivo. Anéis assim interessam porque mudam a galáxia por dentro. As estrelas nascidas ali ficam confinadas numa região pequena, envelhecem no lugar e vão se somando ao acúmulo de matéria da parte central, ou seja, o gás que veio do disco acaba virando estrutura permanente no núcleo. Poucos objetos permitem acompanhar tão de perto o que acontece quando uma galáxia despeja gás sobre o próprio centro.
Por que o núcleo dela é um LINER?
O SIMBAD registra o tipo de NGC 1097 como LIN, abreviação de LINER, sigla em inglês para região nuclear com linhas de emissão de baixa ionização. O nome descreve exatamente o que se mede, e não o que se supõe. No espectro do núcleo aparecem linhas de emissão fortes de átomos pouco ionizados, como oxigênio neutro, nitrogênio uma vez ionizado e enxofre uma vez ionizado, em proporção alta quando comparadas às linhas do hidrogênio. A sigla foi cunhada no início dos anos 1980, quando ficou claro que muitos núcleos de galáxias próximas caíam nesse padrão e em nenhuma das categorias já existentes.
A comparação com uma Seyfert deixa a diferença concreta. Numa galáxia Seyfert, como a Messier 77 deste acervo, quem domina o espectro nuclear são as linhas de alta ionização, em especial a do oxigênio duplamente ionizado, que exige fótons bastante energéticos para existir. Num LINER, essas linhas de alta ionização são fracas e as de baixa ionização se destacam. A leitura mais direta é que o gás está sendo excitado por uma fonte menos intensa, ou por radiação que chega mais diluída, ou ainda por um processo diferente da fotoionização direta.
Isso não significa núcleo apagado. Núcleos LINER são o tipo mais comum de núcleo ativo entre as galáxias próximas e também o menos luminoso da família. No caso de NGC 1097, já foram detectadas no centro linhas largas de hidrogênio, do tipo que só aparece quando existe gás girando a velocidades altíssimas muito perto de um objeto compacto, e o perfil dessas linhas mudou ao longo de anos de acompanhamento. A interpretação usual é que essa emissão vem de um disco de matéria em queda. O quadro que se monta é o de um buraco negro supermassivo comendo devagar. A frequência com que núcleos LINER aparecem em galáxias grandes do universo próximo é um dos argumentos por trás da ideia, hoje bem estabelecida, de que praticamente toda galáxia grande guarda um buraco negro supermassivo no centro, e que a maioria deles passa a maior parte do tempo em silêncio, por falta de combustível chegando.
O que a galáxia companheira faz aqui?
Nas imagens de campo largo do ESO feitas com o instrumento VIMOS, uma delas publicada com o título A galactic embrace, aparece uma mancha compacta encostada no disco de NGC 1097. É uma galáxia companheira, catalogada como NGC 1097A, muito menor que a espiral principal e visivelmente diferente dela na forma.
Interação entre galáxias é um dos mecanismos conhecidos para desestabilizar um disco e disparar tanto a formação de uma barra quanto um episódio de alimentação do núcleo. Quando duas galáxias passam perto, a maré gravitacional embaralha as órbitas e parte do gás perde o equilíbrio que o mantinha em órbita larga. Se foi isso que aconteceu em NGC 1097, e em que medida, continua sem resposta fechada: barras se formam também em galáxias isoladas, e a presença de uma vizinha na mesma direção do céu não prova, sozinha, que houve encontro. O tempo envolvido também atrapalha a conclusão. Um encontro entre galáxias leva centenas de milhões de anos para se completar, muito mais do que qualquer série de observações, então o que se enxerga é sempre um único quadro de um filme longo, e o resto precisa ser reconstruído por modelagem.
Há ainda uma estrutura que exige cuidado com as palavras. Imagens profundas de NGC 1097 mostram feixes alongados que se estendem para muito longe do disco, e por décadas eles foram descritos como jatos, no sentido de material lançado pelo núcleo. A natureza deles é disputada. Uma das propostas em circulação é que sejam restos de maré, ou seja, o rastro de estrelas arrancadas de uma galáxia menor absorvida no passado. Os dois cenários seguem na mesa, e o texto honesto é o que não escolhe lado.
O que cada instrumento enxerga desta galáxia?
O acervo reúne doze registros, e a primeira coisa a conferir é o rótulo. Quatro deles vêm do NOIRLab marcados como ilustração artística, dois são montagens de várias imagens e um é uma fotografia feita durante uma visita oficial a um observatório do ESO, não um retrato do objeto. Ler o rótulo antes de interpretar a imagem faz parte de usar um acervo astronômico sem tirar conclusão errada. Vale lembrar que este acervo é uma seleção de imagens divulgadas, não o arquivo de dados: o arquivo MAST registra 233 produtos de observação do Hubble, 82 do James Webb e 18 do GALEX na direção de NGC 1097, e nenhum registro do Webb chegou às imagens reunidas aqui.
Entre os registros diretos do céu, o contraste está no campo e nos filtros. As duas imagens do VIMOS cobrem cerca de 7 por 8 minutos de arco com três filtros largos, em 456, 540 e 652 nanômetros, próximos do azul, do verde e do vermelho que o olho reconhece. Vale reparar num detalhe que só aparece cruzando os números: com 10,6 minutos de arco de extensão, NGC 1097 não cabe inteira nesse quadro, e as partes mais externas do disco ficam fora. A montagem de campo largo, com 35,1 por 34,9 minutos de arco, existe justamente para cobrir o que sobra.
As imagens do Hubble vão na direção oposta e trocam campo por detalhe. A publicada em 2022 combina as câmeras WFC3 e ACS num campo de 4,9 por 2,6 minutos de arco e usa oito filtros, de 275 nanômetros no ultravioleta até 814 nanômetros já na fronteira do infravermelho próximo. O de 275 nanômetros funciona como um mapa de estrelas jovens e quentes, porque só elas brilham forte ali. O de 657 nanômetros junta a linha H-alfa do hidrogênio com uma linha do nitrogênio ionizado e marca o gás aceso pelas estrelas do anel. Há também um filtro de banda intermediária do sistema fotométrico Strömgren, em 547 nanômetros, usado para separar propriedades das populações de estrelas. A imagem de 2012, feita só com a ACS, é mais econômica: H-alfa em 658 nanômetros e luz vermelha em 814, num campo de 3,4 por 2,2 minutos de arco.
Como encontrar NGC 1097 no céu do Brasil?
A declinação de NGC 1097 é de menos 30,27 graus, e isso muda tudo para quem observa daqui. Na latitude de São Paulo ela culmina a cerca de 83 graus de altura, praticamente no zênite, com a menor espessura de atmosfera possível no caminho. A diferença é concreta, não teórica: perto do horizonte a luz atravessa várias vezes mais ar do que no zênite, e esse ar extra avermelha, embaça e agita a imagem. Um alvo que culmina alto é observado nas melhores condições que o lugar oferece. Acima de latitudes médias do hemisfério norte, NGC 1097 mal aparece, e a maior parte do que se sabe sobre ela veio de observatórios do sul.
A Fornalha é uma constelação discreta, sem estrelas brilhantes, e achá-la costuma exigir começar por uma vizinha maior. Ela fica encaixada numa curva de Erídano, o rio de estrelas que serpenteia a partir da região de Órion. As noites de dezembro e janeiro são as melhores para procurar NGC 1097, quando a região passa alto ainda no começo da madrugada. A mesma constelação abriga NGC 1365, e as duas espirais barradas podem ser visitadas na mesma sessão de observação.
O que se vê depende do equipamento, e a expectativa precisa ser calibrada. A olho nu, nada. Num telescópio amador de bom porte, em céu escuro, NGC 1097 aparece como uma mancha oval difusa com o centro mais claro, e em noites muito boas a barra pode ficar insinuada. O anel nuclear e a estrutura dos braços só surgem em fotografia com longa exposição ou nas imagens de telescópios grandes. O que a vista alcança ali é a soma de bilhões de estrelas borrada num contorno; o que este acervo mostra é essa mesma soma separada em partes.
Os números deste objeto
| Distância | 65 milhões de anos-luzdeclarada pelo publicador das imagens |
|---|---|
| Constelação | Fornalha (For) |
| Identificação principal | NGC 1097SIMBAD |
| Classificação | LIN, núcleo LINER, tratada aqui como galáxiaSIMBAD |
| Morfologia | SB(s)bSIMBAD |
| Tamanho aparente | 10,6 minutos de arcoSIMBAD |
| Coordenadas J2000 | AR 41,5794 graus, Dec -30,2749 graus |
| Desvio para o vermelho | z = 0,00422 |
| Observações no arquivo MAST | Hubble 233, James Webb 82, GALEX 18 |
| Imagens no acervo | 12 |
O que reparar nesta imagem
- O anel em volta do centroNa região nuclear, procure um círculo de manchas brilhantes em torno do caroço central, em vez de um único ponto. Cada mancha é uma região de formação de estrelas, e o conjunto é o anel alimentado pelo gás que a barra empurrou para dentro.
- As faixas escuras ao longo da barraDuas linhas de poeira quase retas acompanham a barra, uma de cada lado. Elas marcam onde o gás está sendo freado e desviado rumo ao centro, e não são falha da imagem nem sombra de outra coisa na frente.
- A mancha encostada no discoNuma das bordas aparece um borrão compacto que não é estrela nem aglomerado: é NGC 1097A, a galáxia companheira. Comparar o tamanho das duas na mesma imagem dá a medida da diferença entre elas.
- O rótulo declarado em cada imagemParte do material deste acervo está marcada como ilustração artística ou montagem, e um dos arquivos é a fotografia de um evento no observatório. O rótulo vem declarado, e conferir antes evita tomar desenho por registro do céu.
Por que esta imagem tem essas cores
As cores desta imagem se aproximam do que um olho humano veria, se ele fosse sensível o bastante: cada filtro registrou luz visível e recebeu uma cor coerente com o próprio comprimento de onda.
ultravioletainfravermelho e ondas de rádio
- Azulluz visível · VIMOS · B456 nmolho enxerga
- Verdeluz visível · VIMOS · V540 nmolho enxerga
- Vermelholuz visível · VIMOS · R652 nmolho enxerga
Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESO junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.
Que tamanho é isso, de verdade
Cerca de 4,5 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 6,9 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 200.443 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.
A luz desta imagem levou 65 milhões de anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era quando os primeiros representantes do gênero Homo apareciam na África.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, bem alto, a 73° de altura, na direção SE.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 83 graus acima do horizonte.
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Quanto já se olhou para aqui
- 233registros do Hubble
- 82registros do James Webb
- 18registros do GALEX
Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 5,3 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.
O que ainda não se sabe
Não existe resposta fechada para o que acende um núcleo LINER. As propostas em disputa incluem um buraco negro supermassivo acretando matéria em ritmo muito baixo, choques no gás e a radiação de estrelas velhas e quentes em estágio avançado de evolução, e é possível que mais de um mecanismo atue ao mesmo tempo em objetos diferentes. Em NGC 1097 segue em aberto também como o gás completa o último trecho do caminho, do anel até o buraco negro, uma escala pequena demais para ser observada em detalhe a essa distância. E a natureza das estruturas alongadas que se estendem para fora do disco continua disputada entre a hipótese de jatos e a de restos de maré de uma galáxia menor absorvida no passado.
Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.
Uma coisa que quase ninguém sabe
A imagem do Hubble de 2022 foi publicada com o título Eye of the Galaxy, olho da galáxia. O apelido não é gratuito: no enquadramento estreito da câmera, o anel de formação de estrelas cerca o núcleo brilhante como uma íris em volta de uma pupila.
Outras imagens deste objeto



Crédito ESA/Hubble & NASA, D. Sand, K. Sheth ESA/Hubble CC BY 4.0




Crédito ESA/Hubble & NASAAcknowledgement: E. Sturdivant ESA/Hubble CC BY 4.0




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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Campo Ultraprofundo do Hubble
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- Campo Profundo Chandra Sul
Crédito NASA, ESA, G. Illingworth and D. Magee (University of California, Santa Cruz), K. Whitaker (University of Connecticut), R. Bouwens (Leiden University), P. Oesch (University of Geneva), and the Hubble Legacy Field team. ESA/Hubble CC BY 4.0
- Campo GOODS Sul
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- Galáxia NGC 1365
Crédito Dark Energy Survey/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURAImage processing: Travis Rector (University of Alaska Anchorage/NSF NOIRLab), Jen Miller (Gemini Observatory/NSF NOIRLab), Mahdi Zamani & Davide de Martin (NSF NOIRLab) NOIRLab CC BY 4.0
- Galáxia NGC 1316
- Galáxia de Andrômeda
Crédito ESA/Hubble & Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0
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Crédito ESA/Hubble & NASA, K. Noll ESA/Hubble CC BY 4.0
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Crédito NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
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Crédito ESA/Hubble and Digitized Sky Survey 2. Acknowledgements: Davide De Martin (ESA/Hubble ) ESA/Hubble CC BY 4.0
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Crédito NASA, ESA, CSA, A. Smercina (STScI), T. Williams (University of Manchester). Image processing: A. Pagan (STScI). ESA/Webb CC BY 4.0
- Galáxia de Bode
Crédito ESA/INT/DSS2 ESA/Hubble CC BY 4.0
Perguntas frequentes
- O que é a Galáxia NGC 1097?
- NGC 1097 é uma galáxia espiral barrada a cerca de 65 milhões de anos-luz da Terra, na constelação da Fornalha, no céu do hemisfério sul. Ocupa 10,6 minutos de arco, o que corresponde a uma extensão da ordem de 200 mil anos-luz. Duas características a tornam uma das galáxias mais estudadas do sul: um anel de formação de estrelas em volta do núcleo, alimentado pelo gás que a barra empurra para dentro, e um núcleo ativo de baixa luminosidade, que o SIMBAD classifica como LINER.
- O que é o anel de estrelas em volta do núcleo de NGC 1097?
- O anel de NGC 1097 é um cinturão de regiões de formação de estrelas que circunda o núcleo da galáxia, com poucos milhares de anos-luz de diâmetro, minúsculo perto dos cerca de 200 mil anos-luz do disco inteiro. Ele existe porque a barra de estrelas que atravessa a galáxia retira momento angular do gás e o empurra para dentro. O gás não chega até o centro: acumula-se num raio onde o efeito da barra muda de sentido, a densidade sobe e as estrelas passam a nascer ali, em série.
- O que significa dizer que NGC 1097 tem um núcleo LINER?
- LINER é a sigla em inglês para região nuclear com linhas de emissão de baixa ionização, e é o tipo que o SIMBAD registra para NGC 1097. Significa que, no espectro do centro da galáxia, as linhas de átomos pouco ionizados, como oxigênio neutro e nitrogênio e enxofre uma vez ionizados, aparecem fortes em relação às linhas do hidrogênio, enquanto as linhas de alta ionização ficam fracas. Núcleos assim são os mais comuns entre as galáxias próximas e os menos luminosos da família dos núcleos ativos.
- Qual a diferença entre um núcleo LINER e uma galáxia Seyfert?
- A diferença aparece no espectro, não na aparência da galáxia. Numa Seyfert, como a Messier 77, quem domina o núcleo são linhas de alta ionização, principalmente a do oxigênio duplamente ionizado, que exige fótons muito energéticos. Num LINER, caso de NGC 1097, essas linhas ficam fracas e as de baixa ionização se destacam. Seyferts também são bem mais luminosas. A leitura mais aceita é que o LINER corresponde a um buraco negro se alimentando devagar, mas há propostas concorrentes, como choques no gás e radiação de estrelas velhas e quentes.
- NGC 1097 tem jatos saindo do núcleo?
- Imagens profundas de NGC 1097 mostram estruturas alongadas que se estendem para muito longe do disco, e elas já foram descritas como jatos lançados pelo núcleo. A natureza dessas estruturas continua em disputa. Uma das propostas em circulação é que sejam restos de maré, ou seja, o rastro de estrelas arrancadas de uma galáxia menor absorvida pela espiral no passado. Não há consenso, e afirmar que são jatos seria escolher um lado de um debate que segue aberto.
- Dá para ver NGC 1097 do Brasil?
- Sim, com telescópio e céu escuro. NGC 1097 fica na constelação da Fornalha, com declinação de menos 30 graus, e por isso culmina a cerca de 83 graus de altura na latitude de São Paulo, praticamente no zênite. As noites de dezembro e janeiro são as melhores para procurá-la. A olho nu ela não aparece. Num telescópio amador de bom porte surge como uma mancha oval difusa com o centro mais claro, e a barra, o anel nuclear e os braços exigem fotografia com longa exposição.
- Qual a diferença entre NGC 1097 e NGC 1365?
- NGC 1097 e NGC 1365 são duas grandes espirais barradas na mesma constelação, a Fornalha, e o SIMBAD registra a mesma morfologia para as duas, SB(s)b. As diferenças estão nos números e no núcleo. NGC 1097 está a cerca de 65 milhões de anos-luz e ocupa 10,6 minutos de arco no céu; NGC 1365 está a cerca de 58,9 milhões e ocupa 7,56. O núcleo de NGC 1365 é uma Seyfert de tipo 1, bem mais luminosa; o de NGC 1097 é um LINER de baixa luminosidade, cercado pelo anel de formação de estrelas.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Galáxia NGC 1097. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/galaxia-ngc-1097. Consultado em: 23/08/2026.










