Campo profundo
Campo Ultraprofundo do Hubble
Um pedaço de céu aparentemente vazio, olhado por semanas, que revelou dez mil galáxias.

Crédito NASA, ESA, and S. Beckwith (STScI) and the HUDF Team ESA/Hubble CC BY 4.0
- Tipo
- Campo profundoSIMBAD: reg
- Distância
- 11,9 anos-luz
- Constelação
- FornalhaFor
- Tamanho no céu
- Observado por
- Hubble Space Telescope, Very Large Telescope
- Imagem publicada
- março de 2004
- Original do acervo
- 6.200 × 6.200 px38 megapixels
Em 1995, o diretor do instituto que opera o Hubble tomou uma decisão arriscada: usar dez dias inteiros de um telescópio disputadíssimo para apontar para um pedaço de céu escolhido justamente por não ter nada. Nenhuma estrela brilhante, nenhuma galáxia conhecida, nenhum objeto catalogado. Se não aparecesse nada, seria um desperdício histórico.
Apareceram mais de três mil galáxias. Não estrelas: galáxias inteiras, cada uma com bilhões de estrelas. Aquilo virou o Campo Profundo do Hubble e mudou a percepção sobre a densidade do universo.
A ideia foi repetida com mais tempo e melhores instrumentos. O Campo Ultraprofundo, montado a partir de exposições feitas entre 2003 e 2004, somou o equivalente a onze dias de coleta contínua de luz e revelou cerca de dez mil galáxias numa área do céu equivalente a um décimo do diâmetro da Lua cheia.
As galáxias mais distantes desse campo são vistas como eram há mais de doze bilhões de anos, poucas centenas de milhões de anos depois do Big Bang. Elas não se parecem com as galáxias de hoje: são pequenas, irregulares e azuis, ainda em montagem.
O que reparar nesta imagem
- As poucas estrelas com pontasOs raros objetos com raios de difração são estrelas da nossa galáxia, em primeiro plano. Todo o resto é galáxia.
- As manchas avermelhadas minúsculasSão as galáxias mais distantes. A cor vermelha vem da expansão do universo, que estica a luz delas.
- As espirais bem formadasGaláxias relativamente próximas, com estrutura organizada. Quanto mais longe, menos organizadas elas ficam.
Por que esta imagem tem essas cores
Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.
ultravioletainfravermelho e ondas de rádio
- Azulluz visível · ACS · B435 nmolho enxerga
- Verdeluz visível · ACS · V606 nmolho enxerga
- Vermelhoinfravermelho · ACS · I775 nminvisível ao olho
Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Hubble junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.
Que tamanho é isso, de verdade
Cerca de 10 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 3,1 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
A luz desta imagem levou 11,9 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era há poucos anos.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está abaixo do horizonte de São Paulo, SP. Ele volta a subir mais tarde, e alcança no máximo 86° de altura daqui.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 86 graus acima do horizonte.
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Uma coisa que quase ninguém sabe
A área do céu coberta pelo Campo Ultraprofundo equivale ao que você cobriria segurando um grão de areia com o braço esticado. Dentro desse grão de areia havia dez mil galáxias.
Outras imagens deste objeto

Crédito NASA, ESA, R. Ellis (Caltech), and the HUDF 2012 Team ESA/Hubble CC BY 4.0


Crédito NASA, ESA, R. Ellis (Caltech), and the HUDF 2012 Team ESA/Hubble CC BY 4.0
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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Campo Profundo Chandra Sul
Crédito ESO/ Mario Nonino, Piero Rosati and the ESO GOODS Team ESO CC BY 4.0
- Campo GOODS Sul
Crédito ESA/Hubble & NASA ESA/Hubble CC BY 4.0
- Campo COSMOS
Crédito ESO/UltraVISTA team. Acknowledgement: TERAPIX/CNRS/INSU/CASU ESA/Hubble CC BY 4.0
- Protoaglomerado Teia de Aranha
Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, H. Dannerbauer ESA/Webb CC BY 4.0
Perguntas frequentes
O que é um campo profundo?
É uma imagem feita apontando o telescópio para uma região pequena e aparentemente vazia do céu e acumulando luz por muitas horas ou dias. Objetos fracos demais para aparecer numa exposição curta vão se somando até ficarem visíveis.
Por que as galáxias mais distantes aparecem vermelhas?
Por causa da expansão do universo. Enquanto a luz viaja, o próprio espaço se estica e estica a onda junto, deslocando a luz para comprimentos maiores. É o mesmo efeito que faz o James Webb, que enxerga infravermelho, ser o telescópio certo para procurar as galáxias mais antigas.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Campo Ultraprofundo do Hubble. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/campo-ultraprofundo-do-hubble. Consultado em: 23/08/2026.



