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ObservatórioAstronomia

Aglomerado de galáxias

Aglomerado Abell S1063

Aglomerado gigante na constelação do Grou, a 4 bilhões de anos-luz, usado como lupa natural pelo James Webb para enxergar o universo jovem.

Aglomerado Abell S1063, aglomerado de galáxias, em imagem do Digitized Sky Survey 2
"Wide-field image of Abell S1063 (ground-based image)", como o acervo nomeou esta imagem.Esta imagem obtida do solo mostra o aglomerado de galáxias Abell S1063 e seus arredores.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, Digitized Sky Survey 2 Acknowledgement: Davide De Martin ESA/Hubble CC BY 4.0

Tipo
Aglomerado de galáxiasSIMBAD: ClG
Distância
4 bilhões de anos-luzpublicadores declaram de 4 bilhões de a 4,5 bilhões de anos-luz; aqui vale o comunicado de 2026
Constelação
GrouGru
Tamanho no céu
13 minutos de arcoextensão catalogada no SIMBAD
Observado por
Digitized Sky Survey 2, James Webb Space Telescope, Hubble Space Telescope
Imagem publicada
julho de 2016
Original do acervo
10.743 × 11.371 px122 megapixels
Desvio para o vermelho
z = 0,351
Dois telescópios, o mesmo objeto

Veja Aglomerado Abell S1063 pelo Hubble e pelo James Webb

Os dois fotografaram este objeto, e o resultado não é a mesma imagem em qualidade diferente. O Hubble registra sobretudo a luz que o olho enxerga; o Webb enxerga infravermelho, que atravessa a poeira e mostra o que estava escondido atrás dela. Arraste a divisória e veja a poeira sumir.

Comparar as duas imagens
Aglomerado Abell S1063, em imagem do Hubble
Hubble

Crédito NASA, ESA, and M. Montes (University of New South Wales, Sydney, Australia) ESA/Hubble CC BY 4.0

Aglomerado Abell S1063, em imagem do James Webb
James Webb

Crédito NASA, ESA, CSA, V. Kokorev (University of Texas at Austin), A. Pagan (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0

O Aglomerado Abell S1063 fica na constelação do Grou, no céu do sul, a 4 bilhões de anos-luz da Terra segundo a distância declarada pelo publicador da imagem. O SIMBAD registra desvio para o vermelho de 0,351 e o classifica como ClG, aglomerado de galáxias. Ele pertence ao grupo restrito de aglomerados escolhidos para observações profundas justamente por serem lentes gravitacionais eficientes, capazes de amplificar o que está atrás deles.

A imagem do acervo foi feita pelo James Webb com a câmera NIRCam e publicada em 2025. São nove filtros, todos no infravermelho, do mais curto em 900 nanômetros ao mais longo em 4.800 nanômetros. Nenhum deles cai na faixa que o olho humano enxerga. As cores da imagem são um mapa construído por escolha de processamento, atribuindo tons do violeta ao vermelho conforme o comprimento de onda, e não uma reprodução de como o objeto apareceria a alguém que estivesse lá.

O que se vê no quadro tem duas camadas. Em primeiro plano, as centenas de galáxias amareladas que formam o aglomerado. Em volta e por cima delas, riscos finos e curvos com aparência estranha, que são galáxias muito mais distantes esticadas pela gravidade do conjunto. Separar visualmente as duas camadas é o exercício mais útil que se pode fazer com uma imagem assim.

Por que este aglomerado vira lupa

A quantidade de massa reunida num aglomerado como o Abell S1063 é grande o bastante para curvar o espaço de forma mensurável em toda a região. Luz vinda de galáxias que estão bem atrás dele, na mesma direção do céu, é desviada e chega até nós por múltiplos caminhos, amplificada e deformada.

Nem toda concentração de massa é boa lente. O que faz um aglomerado ser escolhido para campanhas profundas é a combinação entre massa total, concentração dessa massa e distância. O Abell S1063 marca bem nesses critérios, e por isso apareceu em vários programas de observação longa, primeiro no visível e depois no infravermelho.

O ganho de brilho que a lente oferece é o que torna possível estudar galáxias formadas quando o universo era muito jovem. Sem a lente, boa parte desses objetos ficaria abaixo do limite de detecção mesmo do Webb. Com ela, os mesmos objetos rendem imagem e espectro utilizáveis.

O que nove filtros infravermelhos mostram

A imagem cobre de 900 a 4.800 nanômetros. Para efeito de comparação, a luz visível vai de aproximadamente 380 a 700 nanômetros, então até o filtro mais curto usado aqui já está além do vermelho perceptível. O Webb foi projetado exatamente para essa faixa, e a razão é cosmológica.

Quando uma galáxia está muito distante, a expansão do universo estica os comprimentos de onda da luz dela durante a viagem. A luz ultravioleta e visível emitida por estrelas jovens numa galáxia primitiva chega até nós já deslocada para o infravermelho. Um telescópio que só enxergasse o visível simplesmente não veria esses objetos, por mais sensível que fosse.

Ter nove filtros em vez de um ou dois não é luxo. Comparar o brilho do mesmo objeto em várias faixas permite estimar o desvio para o vermelho sem espectroscopia, distinguir galáxias avermelhadas por poeira de galáxias avermelhadas por distância e separar populações de estrelas jovens e velhas dentro da mesma imagem.

Por que o quadro mostra só o miolo

O SIMBAD registra 12,5 minutos de arco de tamanho aparente para o Abell S1063, quase metade do diâmetro da Lua cheia no céu. A imagem do Webb, porém, cobre um campo de 2,3 por 2,2 minutos de arco. Ou seja, o que está no quadro é apenas a região central do aglomerado.

Isso é regra, não exceção, em observações profundas. Instrumentos de campo estreito e alta resolução trocam abrangência por detalhe. Como o efeito de lente é mais forte perto do centro de massa, concentrar o tempo de exposição no miolo é também a decisão que rende mais galáxias de fundo amplificadas por hora de telescópio.

A consequência prática para quem olha a imagem é evitar uma conclusão errada. As galáxias visíveis não são todas as galáxias do aglomerado, e as bordas do quadro não são as bordas do objeto. O aglomerado continua para fora do enquadramento em todas as direções.

Como se pesa um aglomerado de galáxias

Existem três caminhos independentes, e a comparação entre eles é onde a física fica interessante. O primeiro é medir a velocidade das galáxias membros: quanto mais massa, mais rápido elas se movem para permanecerem ligadas ao conjunto. O segundo é observar o gás quente que preenche o espaço entre as galáxias, que emite raios X e cuja temperatura depende da profundidade do poço gravitacional.

O terceiro é a lente gravitacional, que mede a massa pelo grau de distorção da luz de fundo. Ele tem uma vantagem decisiva: não pressupõe que o sistema esteja em equilíbrio. Os dois primeiros métodos supõem que o aglomerado já se acomodou, e essa suposição falha quando há uma fusão em andamento.

Quando os três métodos concordam, a confiança no resultado é alta. Quando discordam, a discordância vira informação: normalmente indica que o aglomerado não está relaxado e que há subestruturas ainda se acomodando. Nenhuma medida isolada resolve o problema sozinha.

O que o desvio para o vermelho de 0,351 significa

Um z de 0,351 quer dizer que os comprimentos de onda chegam cerca de 35% mais longos do que quando foram emitidos. A luz que hoje aparece no infravermelho próximo saiu do aglomerado numa faixa mais azul, e foi sendo esticada durante a viagem pela expansão do espaço.

É importante não somar esse valor ao das galáxias que aparecem como arcos. Elas estão muito mais longe e têm desvios para o vermelho bem maiores. Numa imagem de campo lenteado convivem, no mesmo quadro, objetos separados por bilhões de anos-luz entre si, projetados na mesma direção por acaso.

Essa mistura de épocas na mesma foto é uma característica de imagens profundas em geral. Cada ponto do quadro corresponde a um instante diferente da história do universo, e a única forma de organizar isso é medindo o desvio para o vermelho objeto por objeto.

Os números deste objeto

Distância4 bilhões de anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem
ConstelaçãoGrou (Gru)
Identificação principalACO S 1063SIMBAD
ClassificaçãoClG, aglomerado de galáxiasSIMBAD
Coordenadas J2000AR 342,189 graus, Dec -44,528 graus
Tamanho aparente12,5 minutos de arcoSIMBAD
Desvio para o vermelhoz = 0,351
Campo da imagem2,3 por 2,2 minutos de arcometadado da imagem do Webb
Imagens no acervo1

O que reparar nesta imagem

  • Os arcos finos em volta do centroRiscos alongados e curvos, muitas vezes com aparência quase filamentar, são galáxias de fundo esticadas pela lente. Quanto mais perto do centro de massa, mais deformadas ficam.
  • As galáxias grandes e amareladasAs galáxias volumosas e sem estrutura espiral aparente são membros do próprio aglomerado. A cor mais quente indica populações de estrelas velhas.
  • Pares e trios com a mesma formaQuando duas ou três manchinhas espalhadas pelo campo têm formato e cor idênticos, costuma ser a mesma galáxia distante aparecendo mais de uma vez por caminhos diferentes da luz.
  • Os picos de difração das estrelasOs pontos com seis espigões marcados são estrelas da nossa própria galáxia, muito à frente de tudo. O padrão vem da geometria do espelho segmentado do Webb, não do objeto.

Por que esta imagem tem essas cores

Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.

ultravioletainfravermelho e ondas de rádio

  • Cianoluz visível · R630 nmolho enxerga
  • Laranjaluz visível · I797 nminvisível ao olho

Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Hubble junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.

Que tamanho é isso, de verdade

Este recorte do céu é cerca de 5,9 vezes mais largo que a Lua cheia. O recorte fotografado mede 3,0 graus de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 14,5 milhões de anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.

A luz desta imagem levou 4 bilhões de anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era antes de os primeiros animais complexos surgirem nos oceanos da Terra.

Dá para ver isso daqui?

Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, bem alto, a 58° de altura, na direção SE.

Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 69 graus acima do horizonte.

Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.

Quanto já se olhou para aqui

  • 1.565registros do Hubble
  • 701registros do James Webb
  • 4registros do GALEX

Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 6,3 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.

O que ainda não se sabe

Reconstruir a distribuição de massa de um aglomerado-lente é um problema sem solução única. Modelos diferentes reproduzem os mesmos arcos com mapas de massa que discordam nos detalhes, e essa ambiguidade se propaga para tudo o que depende deles: o fator de ampliação atribuído a cada galáxia de fundo, o brilho intrínseco estimado e, por consequência, quanto se acredita que aquelas galáxias primitivas realmente produziam de luz. Também segue em aberto quanto de subestrutura pequena existe dentro do aglomerado, questão que interessa diretamente aos modelos de matéria escura. Cada nova geração de dados reduz a margem, mas não a fecha.

Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.

Uma coisa que quase ninguém sabe

Numa única imagem de campo lenteado como esta convivem objetos separados por bilhões de anos-luz uns dos outros. As galáxias do aglomerado, os arcos de fundo e as estrelas com picos de difração estão em três regimes de distância radicalmente diferentes, e só aparecem juntos porque calharam de ficar na mesma direção do céu.

Outras imagens deste objeto

Aglomerado Abell S1063, aglomerado de galáxias, em imagem do James Webb Space Telescope
James Webb Space Telescope, instrumento NIRCam.O olhar é atraído primeiro, nesta nova Imagem do Mês do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, para o mega-monstro central que é o aglomerado de galáxias Abell S1063. Essa colossal coleção de galáxias, situada a 4,5 bilhões de anos-luz da Terra na constelação de Grus (o Grou), domina a cena.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, H. Atek, M. Zamani (ESA/Webb)Acknowledgement: R. Endsley ESA/Webb CC BY 4.0

Aglomerado Abell S1063, aglomerado de galáxias, em imagem do James Webb Space Telescope
James Webb Space Telescope, instrumento NIRCam.O pequeno ponto vermelho que viria a ser conhecido como GLIMPSE-17775 felizmente estava incluído no campo de visão do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA enquanto ele observava esse aglomerado de galáxias Abell S1063 com um propósito científico diferente.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito NASA, ESA, CSA, V. Kokorev (University of Texas at Austin), A. Pagan (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0

Aglomerado Abell S1063, aglomerado de galáxias, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.Abell S1063, um aglomerado de galáxias, foi observado pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA como parte do programa Frontier Fields. A enorme massa do aglomerado, que contém tanto matéria bariônica quanto matéria escura, age como uma lupa cósmica e deforma os objetos atrás dele.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, and M. Montes (University of New South Wales, Sydney, Australia) ESA/Hubble CC BY 4.0

Aglomerado Abell S1063, aglomerado de galáxias, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.Esta parte do céu foi observada em paralelo com o aglomerado de galáxias Abell S1063 e também faz parte do programa Frontier Fields. Enquanto uma das câmeras do Hubble observava o próprio aglomerado de galáxias, outra capturava simultaneamente a cena espetacular mostrada acima, de um trecho "comum" do espaço.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, and J. Lotz (STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0

Aglomerado Abell S1063, aglomerado de galáxias, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFC3.Abell S1063, um aglomerado de galáxias, foi observado pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA como parte do programa Frontier Fields. A enorme massa do aglomerado age como uma lupa cósmica e amplia galáxias ainda mais distantes, de modo que elas ficam brilhantes o bastante para o Hubble enxergar.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, and J. Lotz (STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0

Montagem de várias imagens de Aglomerado Abell S1063, aglomerado de galáxiasMontagem de várias imagens
O pequeno ponto vermelho que viria a ser conhecido como GLIMPSE-17775 felizmente estava incluído no campo de visão do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA enquanto ele observava o aglomerado de galáxias Abell S1063 com um propósito científico diferente.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito NASA, ESA, CSA, V. Kokorev (University of Texas at Austin), A. Pagan (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Abell 2744, o Aglomerado de Pandora

    Crédito NASA, ESA, ESO, CXC, and D. Coe (STScI)/J. Merten (Heidelberg/Bologna) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Aglomerado Abell 370

    Crédito NASA, ESA, A. Koekemoer, M. Jauzac, C. Steinhardt, and the BUFFALO team ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Aglomerado de Coma

    Crédito NASA, ESA, Digitized Sky Survey 2 Acknowledgement: Davide De Martin ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Aglomerado MACS J0416

    Crédito ESA/Hubble, NASA, HST Frontier FieldsAcknowledgement: Mathilde Jauzac (Durham University, UK and Astrophysics & Cosmology Research Unit, South Africa) and Jean-Paul Kneib (École Polytechnique Fédérale de Lausanne, Switzerland) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Aglomerado MACS J0717

    Crédito NASA, ESA, CXC, NRAO/AUI/NSF, STScI, and R. van Weeren (Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics) Acknowledgment: NASA, ESA, and J. Lotz (STScI), and the HFF team ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Aglomerado Abell 2218

    Crédito NASA, ESA, A. Fruchter and the ERO Team (STScI, ST-ECF ) ESA/Hubble CC BY 4.0

Perguntas frequentes

O que é o Aglomerado Abell S1063?
O Abell S1063 é um aglomerado de galáxias na constelação do Grou, a 4 bilhões de anos-luz da Terra segundo o publicador da imagem, com desvio para o vermelho de 0,351. Aglomerados reúnem centenas de galáxias, gás quente e matéria escura numa mesma estrutura ligada pela gravidade. O Abell S1063 é usado como lente gravitacional: a massa dele amplia a luz de galáxias muito mais distantes, o que permite estudar o universo jovem com mais detalhe.
Por que o James Webb observou este aglomerado em infravermelho?
Porque a luz de galáxias muito distantes chega até nós esticada. A expansão do universo aumenta o comprimento de onda da luz durante a viagem, então o brilho ultravioleta e visível emitido por estrelas jovens numa galáxia primitiva aparece hoje no infravermelho. O Webb foi construído para essa faixa. Nesta imagem, os nove filtros da NIRCam cobrem de 900 a 4.800 nanômetros, tudo além do que o olho humano consegue perceber.
As cores da imagem do Abell S1063 são reais?
Não no sentido de reproduzir o que um olho veria. Todos os nove filtros usados estão no infravermelho, faixa invisível para nós. As cores foram atribuídas no processamento, seguindo a ordem dos comprimentos de onda: os mais curtos viraram violeta e azul, os intermediários verde e amarelo, os mais longos laranja e vermelho. A imagem é um mapa fiel de comprimentos de onda, e não uma fotografia colorida no sentido cotidiano.
Por que a imagem mostra só uma parte do aglomerado?
Porque o campo de visão do instrumento é menor que o objeto. O SIMBAD registra 12,5 minutos de arco de tamanho aparente para o Abell S1063, e o quadro da NIRCam cobre 2,3 por 2,2 minutos de arco. Instrumentos de alta resolução trocam abrangência por detalhe, e concentrar a exposição na região central é vantajoso, porque é ali que o efeito de lente é mais forte e mais galáxias de fundo são amplificadas.
Como os astrônomos medem a massa de um aglomerado?
Por três caminhos independentes. Um deles mede a velocidade das galáxias membros, já que mais massa exige mais velocidade para manter tudo ligado. Outro observa o gás quente entre as galáxias, cuja temperatura reflete a profundidade do poço gravitacional. O terceiro usa a lente gravitacional, medindo a massa pelo grau de distorção da luz de fundo. Esse último tem a vantagem de não supor que o aglomerado esteja em equilíbrio.
O que são os pontos com seis espigões na imagem?
São estrelas da nossa própria galáxia, muito mais próximas do que qualquer coisa do aglomerado. O padrão de seis pontas não pertence às estrelas: é produzido pela óptica do telescópio. O espelho principal do Webb é formado por segmentos hexagonais, e a luz que passa pelas bordas desses segmentos gera picos de difração numa geometria característica. Reconhecer esse padrão é a forma mais rápida de separar estrelas de galáxias numa imagem do Webb.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Aglomerado Abell S1063. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/aglomerado-abell-s1063. Consultado em: 23/08/2026.