Para a maioria de quem trabalha por conta própria faturando até R$ 81 mil por ano, ser MEI compensa: custa a partir de R$ 82,05 por mês com INSS e impostos incluídos, contra R$ 178,31 só de INSS do autônomo no plano simplificado, e ainda dá CNPJ e nota fiscal. Mas existem casos reais em que o MEI não é a melhor escolha, e eles aparecem justamente quando o negócio cresce. Neste guia você vê a comparação completa de custos, o que a aposentadoria de 5% cobre e não cobre, as restrições e os sinais de que é hora de virar ME. Para o seu caso, use a calculadora "vale a pena ser MEI".
Resposta rápida
- DAS fixo mensal: R$ 82,05 (comércio), R$ 86,05 (serviços) ou R$ 87,05 (ambos), com o mínimo de R$ 1.621,00.
- Autônomo paga R$ 178,31 (11%) ou R$ 324,20 (20%) só de INSS: o MEI economiza e ainda tem CNPJ + nota fiscal.
- O INSS de 5% garante aposentadoria por idade no valor do mínimo. O complemento de 15% faz o tempo valer para aposentadoria por tempo de contribuição, mas não aumenta o benefício.
- Limites: R$ 81 mil/ano, 1 empregado, atividade permitida, sem participação em outra empresa.
Conteúdo educativo e estimativo, com valores atrelados ao salário mínimo de referência de 2026. Não substitui contador nem orientação previdenciária.
Quanto custa ser MEI (a conta exata)
O MEI paga um único boleto fixo por mês, o DAS, composto por 5% do salário mínimo de INSS mais R$ 1,00 de ICMS (comércio/indústria) e/ou R$ 5,00 de ISS (serviços). Com o mínimo de referência de R$ 1.621,00, o INSS fica em R$ 81,05. Não importa se você faturou R$ 500 ou R$ 6.700 no mês: o DAS é o mesmo. Confira o valor da sua atividade na calculadora de DAS do MEI (que usa o salário mínimo oficial do dia).
MEI x autônomo: a comparação em reais
Quem trabalha por conta própria sem CNPJ contribui ao INSS como contribuinte individual. A tabela compara os custos mensais de contribuição, nos números da calculadora "vale a pena ser MEI":
| Forma | Custo mensal | O que dá direito |
|---|---|---|
| MEI (serviços) | R$ 86,05 (DAS completo) | Aposentadoria por idade no mínimo + CNPJ + nota fiscal |
| Autônomo 11% (simplificado) | R$ 178,31 (só INSS) | Aposentadoria por idade no mínimo, sem CNPJ |
| Autônomo 20% (plano normal) | R$ 324,20 (piso; sobe com a base) | Conta para todas as aposentadorias; benefício acima do mínimo só com base acima do mínimo |
Contra o plano simplificado, o MEI de serviços economiza R$ 92,26 por mês (R$ 1.107,12 por ano) e ainda leva o CNPJ. O plano de 20% custa mais porque compra outra coisa: o tempo conta para todas as aposentadorias, e o benefício pode passar do mínimo se a contribuição for feita sobre uma base maior. Pago sobre o salário mínimo, como na tabela, ele também leva a uma aposentadoria de um salário mínimo. Os planos do autônomo estão detalhados na calculadora de INSS do autônomo.
O que a aposentadoria de 5% cobre (e o que não cobre)
O INSS do DAS garante os benefícios básicos, cumpridas as carências: aposentadoria por idade no valor de 1 salário mínimo, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte. O que ele não faz: contar para a aposentadoria por tempo de contribuição, levar o tempo para um regime próprio de servidor ou elevar o valor do benefício. O complemento de 15% sobre o salário mínimo (GPS código 1910) resolve os dois primeiros pontos, e o custo total chega perto do plano de 20% do autônomo. O terceiro ele não resolve: pela Lei 8.212/1991 (art. 21, § 3º), o complemento é calculado sobre o salário mínimo, e a aposentadoria continua de um mínimo. Vale lembrar que a aposentadoria por tempo de contribuição acabou para quem começou a contribuir depois da Reforma da Previdência (Emenda Constitucional 103/2019) e só existe nas regras de transição. Para quem quer benefício maior, o caminho é contribuir sobre uma base maior, fora do MEI. Esse é o trade-off central da decisão.
As vantagens que não aparecem no boleto
- CNPJ: conta PJ, maquininhas com taxa de PJ, acesso a crédito empresarial e compras no atacado.
- Nota fiscal: requisito para vender a empresas e governo; muitos contratos só existem com nota.
- Formalização barata: abertura gratuita e online no Portal do Empreendedor, sem contador obrigatório.
- Obrigações mínimas: uma declaração anual (DASN-SIMEI) e o DAS mensal; veja o guia de DAS e faturamento.
Quando o MEI NÃO compensa
- Faturamento perto do teto: acima de R$ 81 mil/ano vem o desenquadramento (com DAS complementar ou recálculo retroativo); entenda no guia do limite do MEI e simule na calculadora de desenquadramento.
- Atividade não permitida: profissões regulamentadas (médico, advogado, engenheiro, psicólogo...) ficam fora da lista do MEI; o caminho é ME no Simples.
- Precisa de equipe: o MEI comporta exatamente 1 empregado; o segundo exige virar ME.
- Sócio em outra empresa: participação societária cancela a elegibilidade.
- Aposentadoria acima do mínimo como prioridade: o MEI não chega lá, nem com o complemento de 15%, que é calculado sobre o salário mínimo. Benefício maior exige contribuir sobre uma base maior, como autônomo no plano de 20% ou pelo pró-labore de uma empresa.
- Seguro-desemprego: o registro de MEI, sozinho, não tira o benefício de quem é demitido (Lei 7.998/1990, art. 3º, § 4º). O que pode levar à negativa é a declaração anual do MEI mostrar renda suficiente para manter a família.
MEI x ME: o degrau seguinte
Virar Microempresa não é castigo, é o próximo estágio: faturamento de até R$ 360 mil por ano como ME (e até R$ 4,8 milhões no Simples depois de virar EPP), sem o limite de um empregado e com mais atividades permitidas, desde que a empresa não caia nas vedações do Simples (LC 123/2006, arts. 3º e 17), em troca de imposto percentual (a partir de 4% a 6% do faturamento, conforme o anexo) e contabilidade formal. Em faturamento baixo, o DAS fixo do MEI é imbatível; conforme a receita cresce, a diferença diminui e os limites do MEI passam a custar caro em oportunidades. Faça as duas contas: a calculadora do Simples Nacional para o cenário ME e o guia dos anexos do Simples para entender as tabelas.
Limitações deste guia
Conteúdo educativo e estimativo. Os valores em reais acompanham o salário mínimo (referência 2026 de R$ 1.621,00, o mesmo valor da tabela de 2026 que a calculadora "vale a pena ser MEI" usa) e as regras do MEI podem mudar por lei. Não afirmamos valores de benefício previdenciário: regras de carência, cálculo e a complementação de 15% devem ser conferidas com o INSS ou um especialista previdenciário. Veja como validamos os cálculos.
Fontes oficiais
- Portal do Empreendedor (gov.br): regras, atividades permitidas e abertura do MEI.
- Lei Complementar 123/2006 (art. 18-A): o regime do MEI e seus limites.
- Lei 8.212/1991 (art. 21): planos de contribuição do contribuinte individual (20%, 11% e 5%).
Conclusão
Ser MEI vale a pena para a grande maioria de quem fatura até R$ 81 mil por ano: é a forma mais barata de ter CNPJ, nota fiscal e cobertura básica do INSS, por R$ 82 a R$ 87 por mês. Deixa de valer quando o negócio ultrapassa os limites (faturamento, equipe, atividade) ou quando a prioridade é aposentadoria acima do mínimo. Faça a conta do seu caso na calculadora "vale a pena ser MEI", veja o DAS na calculadora de DAS, compare os planos de INSS na calculadora do autônomo e explore as demais ferramentas de MEI e Empresa.
