Estudo ValorFinalMEI e Empresa

MEI ou CLT: quanto sobra de R$ 5.000 em cada regime

Estudo ValorFinal comparando, faixa a faixa, quanto sobra como MEI (faturamento menos DAS) e quanto vale o mesmo valor como CLT, contando FGTS, 13º e férias. Em R$ 5.000, o MEI leva R$ 4.914 no mês, mas o pacote CLT vale R$ 5.871: no valor nominal igual, o CLT vence em todas as faixas dentro do teto do MEI.

Metodologia ValorFinalLei Complementar 123/2006 (MEI), Portal do Empreendedor (DAS 2026), INSS (Portaria MPS/MF 13/2026), Receita Federal (Lei 15.270/2025)
R$ 957/mêsé quanto o pacote CLT de R$ 5.000 (líquido + FGTS + 13º + férias) supera a sobra do MEI que fatura os mesmos R$ 5.000; no valor nominal igual, o CLT vence em todas as faixas dentro do teto do MEI.

Principais conclusões

  • No mesmo valor nominal, o pacote CLT (líquido + FGTS + 13º + férias) supera a sobra do MEI em TODAS as faixas dentro do teto do MEI, de R$ 2.000 a R$ 6.750 por mês.
  • Em R$ 5.000, o MEI fica com R$ 4.914 (DAS de R$ 86,05) e o pacote CLT vale R$ 5.871: diferença de R$ 957 por mês, ou R$ 11,5 mil por ano, a favor do CLT.
  • O MEI só compensa financeiramente quando fatura o custo total que a empresa teria com o CLT (uns 27% a mais): faturando R$ 6.372, sobra R$ 6.286, acima do pacote.
  • A pegadinha silenciosa é a previdência: o MEI contribui R$ 81,05 (5% do mínimo) e aposenta pelo piso; o CLT de R$ 5.000 contribui R$ 501,51 e acumula benefício proporcional.
  • Pejotização com subordinação e horário é vínculo de emprego disfarçado: além de ilegal, transfere ao trabalhador o custo que este estudo quantifica.

"Vira MEI que você ganha mais" é uma das frases mais repetidas do mercado de trabalho brasileiro. Ela é verdadeira no extrato do mês e falsa no ano inteiro, e essa diferença raramente aparece na proposta. Neste estudo, o ValorFinal colocou lado a lado, faixa por faixa, quanto sobra de fato como MEI e quanto vale o mesmo valor como CLT, usando as engines da nossa calculadora do DAS do MEI e da calculadora de salário líquido.

Em R$ 5.000, a conta resume o dilema. O MEI de serviços paga só R$ 86,05 de DAS e fica com R$ 4.913,95 no bolso, bem mais que o líquido CLT de R$ 4.498,49. Mas o CLT recebe junto um pacote invisível, FGTS, 13º e férias com 1/3, que leva o total a R$ 5.870,71 por mês. No pacote, o CLT vale R$ 956,76 a mais, todos os meses. Em um ano, são R$ 11.481,09 de diferença.

A conta do mês contra a conta do ano

O erro clássico da comparação é olhar só o dinheiro que cai na conta no dia 5. O MEI quase sempre vence essa foto: o DAS é fixo, pequeno e não cresce com o faturamento. O CLT, por sua vez, tem INSS progressivo e, acima de R$ 5.000, Imposto de Renda na fonte. Só que o contrato CLT paga mais do que o salário do mês: deposita 8% de FGTS, acumula 1/12 de 13º e 1/12 de férias acrescidas de um terço. Esse pacote não é bônus, é remuneração com data de pagamento diferente.

A tabela compara as duas colunas honestamente: a sobra do MEI (faturamento menos DAS de serviços) contra o líquido CLT e contra o pacote CLT completo, no mesmo valor nominal.

MEI x CLT: sobra mensal por faixa de valor
Valor mensalSobra MEILíquido CLTPacote CLTDiferença (pacote - MEI)
R$ 2.000R$ 1.913,95R$ 1.844,32R$ 2.393,20R$ 479,25
R$ 3.000R$ 2.913,95R$ 2.751,40R$ 3.574,73R$ 660,78
R$ 4.000R$ 3.913,95R$ 3.631,40R$ 4.729,18R$ 815,23
R$ 5.000R$ 4.913,95R$ 4.498,49R$ 5.870,71R$ 956,76
R$ 6.000R$ 5.913,95R$ 4.963,95R$ 6.610,61R$ 696,66
R$ 6.750R$ 6.663,95R$ 5.302,84R$ 7.155,34R$ 491,39

O resultado surpreende quem só conhece a conta do mês: no mesmo valor nominal, o pacote CLT supera a sobra do MEI em todas as faixas, do piso ao teto do MEI. A diferença é maior justamente em torno de R$ 5.000, onde a redução do IR de 2026 zera o imposto do CLT e o pacote fica R$ 956,76 acima da sobra do MEI.

Por que o MEI nominal nunca alcança o pacote

A matemática é direta. O pacote CLT adiciona cerca de 27% ao líquido (8% de FGTS, 8,33% de 13º, 11,11% de férias com o terço). Para o MEI compensar isso, o imposto CLT precisaria comer mais de 27% do salário, o que, como mostra nosso estudo do salário líquido, não acontece em nenhuma faixa até o teto do MEI: a mordida de INSS e IRRF fica entre 7,5% e 12% nessas faixas. O DAS fixo é imbatível como imposto, mas o que decide a comparação não é o imposto, é o pacote.

Vale repetir o que esse resultado significa: aceitar virar MEI pelo mesmo valor do salário é aceitar um corte de remuneração total, de R$ 479,25 a R$ 956,76 por mês conforme a faixa, além de perder as proteções que não têm preço na tabela, como seguro-desemprego e estabilidades.

O cenário em que o MEI vence: o repasse do custo

Existe uma versão honesta da proposta MEI: a empresa repassa ao prestador o que deixou de gastar com encargos. Um CLT de R$ 5.000 custa cerca de R$ 6.372,23 por mês para uma empresa do Simples, somando FGTS e as provisões de 13º e férias. Se o MEI fatura esses R$ 6.372,23, sobra R$ 6.286,18 depois do DAS, cerca de R$ 415,47 acima do pacote CLT.

Note o tamanho da exigência: para o MEI valer a pena financeiramente, o faturamento precisa ser uns 27% maior que o salário substituído. Propostas de "mesmo valor, como PJ" ficam muito longe disso. E mesmo o repasse integral não cobre a diferença de previdência, o próximo ponto, nem o risco de ficar sem renda entre contratos, que o CLT mitiga com aviso, multa e seguro-desemprego.

A diferença silenciosa: a previdência

O DAS do MEI embute R$ 81,05 de INSS por mês, 5% do salário mínimo. Isso garante cobertura previdenciária, mas no piso: aposentadoria por idade de 1 salário mínimo (R$ 1.621,00), auxílio-doença e pensão calculados sobre o mínimo. Um CLT de R$ 5.000 contribui R$ 501,51 por mês, mais de seis vezes o valor, e constrói benefício proporcional ao salário real.

Quem opta pelo MEI e quer mais do que o piso tem dois caminhos: o complemento de 15% sobre o mínimo (R$ 243,15 por mês), que faz o tempo contar para a aposentadoria por tempo de contribuição, mas mantém a base no mínimo; ou poupar por conta própria a diferença, com disciplina de longo prazo. O que não existe é almoço grátis: o DAS barato compra uma previdência proporcionalmente barata.

Quando o MEI faz sentido de verdade

Nada disso significa que o MEI seja má ideia. Ele é excelente para o que foi criado: formalizar o empreendedor de pequeno porte, com vários clientes, nota fiscal, CNPJ para comprar de fornecedor e acesso a crédito. Para o profissional autônomo de verdade, o MEI costuma ser a porta de entrada mais barata da formalização, como mostra a nossa calculadora "vale a pena ser MEI".

O problema é usar o MEI como fantasia de contrato de trabalho. Se há chefe, horário, exclusividade de fato e trabalho pessoal contínuo, o vínculo é de emprego, e a pejotização, além de ilegal, transfere para o trabalhador todos os riscos: da doença ao desemprego, da aposentadoria ao acidente. A conta deste estudo dá o tamanho financeiro dessa transferência; as proteções perdidas são o resto do iceberg.

Metodologia e limitações

Os números são calculados em tempo de build pelas engines do ValorFinal: DAS do MEI de serviços (R$ 86,05: 5% do mínimo + ISS fixo), salário líquido CLT com 0 dependentes (INSS 2026 e IRRF 2026 com a redução da Lei 15.270/2025) e pacote CLT com as mesmas provisões do nosso estudo CLT x PJ (FGTS 8%, 13º em 1/12, férias com 1/3 em 1/12). Ficam fora da conta: custos do negócio do MEI (equipamento, deslocamento, inadimplência, períodos sem contrato), benefícios CLT como vale-refeição e plano de saúde (que aumentariam a vantagem CLT) e a contabilidade, dispensada para o MEI. O teto do MEI é R$ 81.000 por ano. Entenda nossa abordagem em como validamos os cálculos.

Fontes oficiais

Conclusão

De R$ 5.000 por mês, sobram R$ 4.913,95 no MEI e R$ 4.498,49 no contracheque CLT, mas o pacote CLT completo vale R$ 5.870,71: no mesmo valor nominal, o CLT vence em todas as faixas dentro do teto do MEI. O MEI só empata financeiramente quando fatura o custo integral que a empresa teria com o CLT, uns 27% a mais, e mesmo assim aposenta pelo mínimo. Faça a sua conta na calculadora do MEI, compare com o estudo CLT x PJ para faturamentos maiores e veja os demais estudos do ValorFinal, com dados livres para citação.

Como citar esta página

Vai usar este dado em uma matéria, post ou trabalho? Copie a referência pronta. O número vem do ValorFinal (metodologia própria sobre dados oficiais); a página é atualizada automaticamente.

ValorFinal. MEI ou CLT: quanto sobra hoje: R$ 957/mês. Disponível em: https://valorfinal.com.br/estudos/mei-ou-clt-quanto-sobra. Fonte do dado: ValorFinal (metodologia própria sobre dados oficiais). Acesso em: 01/01/2026.

Para imprensa, blogs e professores

Os números deste estudo são livres para citação com crédito ao ValorFinal (licença Creative Commons BY 4.0). Você pode reproduzir as tabelas e o gráfico em uma matéria, post ou trabalho, desde que cite a fonte e o link desta página. Precisa de um recorte específico ou quer falar com a equipe? Veja a central de estudos e dados ou os widgets gratuitos para incorporar.

Calcule o seu caso

Como calculamos

Os números deste estudo são estimativas calculadas pelas mesmas engines abertas que movem as calculadoras do ValorFinal, a partir de tabelas oficiais (Lei Complementar 123/2006 (MEI), Portal do Empreendedor (DAS 2026), INSS (Portaria MPS/MF 13/2026), Receita Federal (Lei 15.270/2025)). Eles podem variar conforme a situação individual, convenção coletiva e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

Quanto sobra de R$ 5.000 como MEI e como CLT?
Como MEI de serviços, sobram R$ 4.913,95 por mês: R$ 5.000 menos o DAS de R$ 86,05. Como CLT, o líquido é R$ 4.498,49, mas o pacote completo, somando FGTS, 13º e férias com 1/3, vale R$ 5.870,71. No pacote, o CLT vale R$ 956,76 a mais que a sobra do MEI.
O MEI que fatura o mesmo que um salário CLT ganha mais?
No bolso do mês, sim: a sobra do MEI supera o líquido CLT em todas as faixas, porque o DAS é fixo e pequeno. No pacote total, não: somando FGTS, 13º e férias, o CLT vale mais que a sobra do MEI em TODAS as faixas dentro do teto do MEI, de R$ 2.000 ao teto mensal de R$ 6.750. Em R$ 5.000, a diferença é de R$ 956,76 por mês a favor do CLT.
Quanto o MEI paga de imposto por mês em 2026?
O DAS do MEI é fixo: R$ 86,05 para serviços (INSS de R$ 81,05, que é 5% do salário mínimo, mais ISS de R$ 5) e R$ 82,05 para comércio ou indústria (INSS mais ICMS de R$ 1). Não depende do faturamento, desde que respeitado o teto de R$ 81.000 por ano.
Qual é a pegadinha da aposentadoria do MEI?
O MEI contribui com 5% do salário mínimo (R$ 81,05 por mês), o que garante aposentadoria por idade no valor de 1 salário mínimo, seja qual for o faturamento. Um CLT de R$ 5.000 contribui com R$ 501,51 por mês e acumula benefício proporcional ao salário. É a diferença silenciosa mais importante da escolha.
O MEI pode aumentar a contribuição para o INSS?
Pode. Com o complemento facultativo de 15% sobre o salário mínimo (R$ 243,15 por mês, além do DAS), a contribuição sobe para 20% do mínimo e o tempo passa a contar para a aposentadoria por tempo de contribuição. Mesmo assim, a base segue sendo o mínimo: para benefício maior, seria preciso contribuir como contribuinte individual sobre valor maior.
O que o MEI abre mão em relação ao CLT?
Do pacote financeiro: FGTS (8% ao mês), 13º salário, férias remuneradas com 1/3, que juntos valem R$ 1.372,22 por mês num salário de R$ 5.000. E das proteções: seguro-desemprego, multa de 40% do FGTS na demissão, aviso prévio, estabilidades (como a da gestante), horas extras e adicional noturno.
Existe cenário em que o MEI ganha mais que o CLT?
Existe: quando a empresa repassa ao MEI o custo total que teria com o CLT. Um CLT de R$ 5.000 custa cerca de R$ 6.372,23 por mês para uma empresa do Simples (com FGTS e provisões). Se o MEI fatura esse valor, sobra R$ 6.286,18, acima do pacote CLT de R$ 5.870,71. A vantagem só existe com repasse integral, e ainda deixa de fora a previdência menor.
Trabalhar como MEI para um único contratante é legal?
Se houver subordinação, horário, pessoalidade e habitualidade, é relação de emprego disfarçada (pejotização), e a Justiça do Trabalho pode reconhecer o vínculo com todas as verbas retroativas. O MEI é feito para o empreendedor com clientes, não para substituir carteira assinada. Este estudo compara os números justamente para mostrar o que está em jogo.
MEI pode ter salário e CLT ao mesmo tempo?
Pode: ter CNPJ MEI não impede um emprego CLT em paralelo (salvo restrição do empregador ou de cargo público). Nesse caso, o INSS é recolhido nos dois. Quem é sócio ou titular de empresa, porém, não pode ser MEI, e quem recebe seguro-desemprego pode perdê-lo ao abrir MEI.
O MEI de comércio paga menos que o de serviços?
Paga R$ 82,05 por mês, R$ 4 a menos que o de serviços (R$ 86,05), porque o ICMS fixo (R$ 1) é menor que o ISS fixo (R$ 5). Quem tem as duas atividades paga INSS + ICMS + ISS, R$ 87,05. A diferença é pequena; o que muda a conta é o teto e a natureza da atividade.
E acima do teto do MEI, o que acontece?
Faturando mais de R$ 81.000 por ano (R$ 6.750 por mês, na média), o MEI é desenquadrado e vira microempresa no Simples Nacional, com imposto percentual sobre o faturamento e contabilidade obrigatória. A comparação então muda de figura: é o cenário do nosso estudo CLT x PJ, que tem outro ponto de equilíbrio.
Posso citar estes números?
Pode. Os números são livres para citação com crédito ao ValorFinal e link para esta página, sob licença Creative Commons BY 4.0. Eles saem das engines das nossas calculadoras de DAS do MEI e de salário líquido, com as tabelas oficiais de 2026 e as premissas descritas na metodologia.