A taxa de juros do empréstimo pessoal no Brasil não é um número só. O Banco Central publica duas medidas oficiais que respondem a perguntas diferentes: a média de mercado do crédito pessoal não consignado, mensal e ponderada pelo dinheiro emprestado, e o ranking semanal com a taxa média de cada instituição. Entre a instituição mais barata e a mais cara do ranking, a diferença passa de 38 vezes. Este guia explica os dois números, o que eles incluem e como usá-los para pagar menos. A tabela completa, com busca por nome e simulação em reais, está no ranking de bancos para crédito pessoal.
Resposta rápida
- Média do Banco Central para o crédito pessoal não consignado em julho de 2026: 6,42% ao mês (110,95% ao ano).
- No ranking de 03/09/2026 a 10/09/2026, a menor taxa média foi de 15,86% ao ano e a mediana das 79 instituições, 96,38% ao ano.
- Compare a proposta pelo CET, que inclui IOF e tarifas: num empréstimo de R$ 10.000 em 24 meses, só o IOF fica perto de R$ 296.
- A taxa do ranking é a média de quem contratou; a sua depende de score, renda, prazo e relacionamento. Conteúdo educativo, não é oferta nem recomendação de crédito.
Quanto está a taxa de juros do empréstimo pessoal hoje
A primeira resposta vem da série 20742 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central, publicada em percentual ao ano. Ela considera as novas operações de crédito pessoal não consignado contratadas por pessoas físicas no mês e calcula a taxa média ponderada pelo valor das concessões: um empréstimo de R$ 50 mil pesa cinco vezes mais que um de R$ 10 mil. É o retrato do que o mercado inteiro cobrou, e sai com cerca de dois meses de defasagem. A versão ao mês da mesma medida é a série 25464.
A segunda vem do ranking por instituição, também do Banco Central, que mostra a taxa média de cada banco e financeira numa janela de cinco dias úteis. Aqui cada instituição é uma linha, e a mediana é o ponto em que metade cobra menos e metade cobra mais. Como 38 instituições cobraram mais de 100% ao ano nesse período, a média simples entre elas fica bem acima da mediana, e é por isso que a mediana descreve melhor a instituição típica.
| Indicador e período | Ao mês | Ao ano |
|---|---|---|
| Média de mercado do Banco Central (SGS 20742, ponderada)jul/2026 | 6,42% | 110,95% |
| Menor taxa do ranking por instituição03/09/2026 a 10/09/2026 | 1,23% | 15,86% |
| Mediana do ranking (79 instituições)03/09/2026 a 10/09/2026 | 5,79% | 96,38% |
| Média simples entre as instituições03/09/2026 a 10/09/2026 | 8,44% | 164,45% |
As taxas ao mês do ranking nesta tabela são as equivalentes compostas da taxa anual, a mesma base que a ferramenta usa nas simulações. Para acompanhar a média do Banco Central junto com as outras modalidades, veja os juros do crédito hoje.
Como o Banco Central calcula a taxa de cada instituição
Com as informações que as instituições enviam sobre os contratos que fecharam, o Banco Central publica, por modalidade, a taxa de cada instituição numa janela de cinco dias úteis. Nas palavras da nota do conjunto de dados, são médias aritméticas das taxas pactuadas nas operações daqueles dias, ponderadas pelos respectivos valores contratados. O ranking de crédito pessoal usa a modalidade crédito pessoal não consignado, no segmento pessoa física, com taxa prefixada, e sai algumas semanas depois do fim de cada janela.
Três detalhes mudam a leitura do número. O primeiro é que a mesma nota descreve a taxa como o custo efetivo médio das operações para os clientes: juros efetivamente praticados acrescidos dos encargos fiscais e operacionais. Não é só juro, e também não é o CET de um contrato específico. O segundo é que a janela anda um dia por vez: duas janelas seguidas dividem quatro dos cinco dias, então comparar uma semana com a anterior mede quase nada, e a comparação honesta é com a janela de um mês antes. O terceiro é que, segundo o próprio Banco Central, a instituição que não fez operação na modalidade naquele período, ou que não enviou os dados no prazo, não aparece na tabela.
Da mais barata à mais cara: a distância dentro do ranking
No período de 03/09/2026 a 10/09/2026, o Banco Central publicou taxa de crédito pessoal para 79 instituições. A distribuição abaixo mostra como elas se espalham. Os quartis dividem a lista em quatro partes com o mesmo número de instituições: um quarto cobra até o 1º quartil, metade até a mediana e três quartos até o 3º quartil.
| Ponto da lista | Taxa ao ano | Taxa ao mês equivalente |
|---|---|---|
| Menor taxa | 15,86% | 1,23% |
| 1º quartil | 38,31% | 2,74% |
| Mediana | 96,38% | 5,79% |
| 3º quartil | 289,40% | 12,00% |
| Maior taxa | 602,70% | 17,64% |
38 das 79 instituições cobraram mais de 100% ao ano, o que significa devolver mais que o dobro do valor emprestado se a dívida durasse um ano inteiro. No outro extremo, o primeiro quarto da lista ficou abaixo de 38,31% ao ano. No crédito pessoal, a escolha da instituição pesa tanto quanto o prazo ou o valor.
Não existe teto legal de juros para o crédito pessoal de bancos e financeiras. O limite da Lei de Usura (Decreto 22.626/1933) não se aplica às instituições do Sistema Financeiro Nacional, como diz a Súmula 596 do Supremo Tribunal Federal, e o teto de 12% ao ano que a Constituição chegou a prever foi revogado pela Emenda Constitucional 40, de 2003. Teto de juros existe só em modalidades específicas, como o cheque especial e o consignado do INSS. É por isso que a lista chega a taxas de centenas por cento ao ano.
Quanto essa diferença custa em reais
A tabela mostra um empréstimo de R$ 10.000 em 24 parcelas pela Tabela Price, o sistema de quase todo crédito pessoal no Brasil, em quatro pontos do ranking de 03/09/2026 a 10/09/2026. A parcela está arredondada ao centavo e o total é a parcela vezes 24.
| Taxa usada | Parcela (R$) | Total (R$) | Juros (R$) |
|---|---|---|---|
| Menor taxa15,86% ao ano | 483,97 | 11.615,28 | 1.615,28 |
| 1º quartil38,31% ao ano | 574,01 | 13.776,24 | 3.776,24 |
| Mediana96,38% ao ano | 781,04 | 18.744,96 | 8.744,96 |
| 3º quartil289,40% ao ano | 1.284,21 | 30.821,04 | 20.821,04 |
Entre a menor taxa e a mediana, a diferença no total é de R$ 7.130 pelo mesmo dinheiro e pelo mesmo prazo. Os valores não incluem IOF nem tarifas, que entram no CET de cada proposta. Para simular outros valores e prazos, use a calculadora de empréstimo pessoal; para comparar instituições específicas lado a lado, o próprio ranking de crédito pessoal tem um comparador que calcula parcela e total para as instituições que você escolher.
Onde aparecem os maiores bancos do país
O Banco Central divide as instituições em segmentos por porte. O segmento S1 reúne os conglomerados com exposição igual ou maior que 10% do PIB ou com atividade internacional relevante (Resolução CMN 4.553/2017). São seis: Banco do Brasil, Bradesco, BTG Pactual, Caixa, Itaú Unibanco e Santander. A tabela mostra cada linha que esses grupos tiveram no ranking de 03/09/2026 a 10/09/2026, com o vínculo entre instituição e grupo tirado do cadastro oficial do IF.data (junho de 2026).
| Conglomerado | Instituição e posição | Taxa ao ano |
|---|---|---|
| BTG Pactual | PAN FINAN8º de 79 | 25,24% |
| BANCO BTG PACTUAL S.A.22º de 79 | 41,33% | |
| BANCO PAN48º de 79 | 164,55% | |
| Bradesco | BCO BRADESCO FINANC. S.A.19º de 79 | 36,66% |
| BCO BRADESCO S.A.40º de 79 | 96,38% | |
| BANCO DIGIO46º de 79 | 152,39% | |
| Santander | SANTANDER SCFI S.A.21º de 79 | 38,59% |
| BCO SANTANDER (BRASIL) S.A.26º de 79 | 52,68% | |
| Banco do Brasil | BCO DO BRASIL S.A.25º de 79 | 52,04% |
| Caixa Econômica Federal | CAIXA ECONOMICA FEDERAL27º de 79 | 53,70% |
| Itaú Unibanco | ITAÚ UNIBANCO S.A.31º de 79 | 64,67% |
A linha mais bem colocada entre os seis grupos foi a de PAN FINAN (BTG Pactual), em 8º lugar, e o mesmo grupo pode aparecer por mais de uma instituição, cada uma com a sua média. No BTG Pactual, a distância entre a linha mais barata (PAN FINAN, 25,24% ao ano) e a mais cara (BANCO PAN, 164,55% ao ano) foi de 139,31 pontos percentuais. Cada instituição do grupo tem a própria carteira de contratos, e a média dela reflete quem contratou ali. Na prática, vale perguntar ao seu banco se a proposta sai pelo banco ou por outra instituição do grupo, e conferir as duas linhas no ranking.
O que significam SCFI, CFI, BCO e as outras siglas
O ranking usa a razão social abreviada que a instituição tem no cadastro do Banco Central, e não a marca que aparece no aplicativo. Por isso muita gente procura no Google o nome exato que viu na lista. A sigla diz que tipo de instituição é:
| Sigla no ranking | O que é | O que faz |
|---|---|---|
| BCO, BANCO, BM | Banco (comercial ou múltiplo) | Abre conta, recebe depósitos e empresta. |
| SCFI, CFI | Sociedade de crédito, financiamento e investimento (financeira) | Empresta e financia compras, sem conta corrente. |
| SCD | Sociedade de crédito direto (fintech de crédito) | Empresta só por plataforma eletrônica, com capital próprio. |
| SEP | Sociedade de empréstimo entre pessoas | Liga, por plataforma eletrônica, quem empresta a quem toma o crédito. |
| COOP, CC | Cooperativa de crédito | Presta serviços financeiros só aos associados, que são os donos da cooperativa. |
Todos esses tipos dependem de autorização do Banco Central e são fiscalizados por ele (as fintechs de crédito seguem a Resolução CMN 5.050/2022), mas nem todo tipo aparece em toda semana: no crédito pessoal, a lista costuma ser dominada por bancos e financeiras. Para conferir se uma empresa que ofereceu empréstimo é autorizada, use a consulta encontre uma instituição do Banco Central. E a busca do ranking de crédito pessoal reconhece várias marcas comerciais pela raiz do CNPJ (Nubank, Mercado Pago, Banco do Brasil, PagBank, entre outras), para você não precisar decorar a razão social.
Por que a sua taxa pode ser diferente da do ranking
O número do ranking é a média do que a instituição cobrou de quem contratou naqueles dias. Quem contratou foi aprovado na análise de crédito, e a própria análise decide a taxa de cada pessoa. A nota do Banco Central lista o que faz a taxa variar de um cliente para outro: as garantias, o valor dado de entrada, o histórico e a situação cadastral, e o prazo. Na prática, os fatores que mais pesam:
- O histórico de pagamento e o score: atraso recente ou nome negativado levam a taxas mais altas, quando não à recusa.
- A renda comprovada e quanto dela já vai para parcelas. A calculadora de comprometimento de renda mostra onde você está.
- O prazo e o valor: prazo longo aumenta o risco para quem empresta, e num valor muito baixo o custo fixo da operação pesa mais.
- O relacionamento: quem recebe salário ou tem investimentos no banco pode ter uma oferta pré-aprovada com taxa diferente da proposta de balcão, e vale comparar as duas.
Por isso o ranking serve para comparar, e não garante a taxa de ninguém. Se a proposta que você recebeu está muito acima da média da própria instituição, há espaço para negociar. A ferramenta minha taxa de empréstimo está cara? compara a sua taxa com a média do Banco Central e diz se ela está abaixo, na média ou acima.
Como a mediana mudou nos últimos 12 meses
O histórico abaixo usa uma janela por mês, buscada no próprio Banco Central, e termina no período atual. Nos pontos da tabela, a mediana variou entre 71,28% e 101,55% ao ano. Na janela de 31/07/2026 a 06/08/2026, um mês antes da atual, ela estava em 88,70%.
| Janela terminada em | Mediana ao ano |
|---|---|
| 08/09/2025 (set/2025) | 97,32% |
| 08/10/2025 (out/2025) | 82,18% |
| 06/11/2025 (nov/2025) | 78,87% |
| 08/12/2025 (dez/2025) | 85,54% |
| 08/01/2026 (jan/2026) | 86,70% |
| 06/02/2026 (fev/2026) | 96,86% |
| 06/03/2026 (mar/2026) | 101,55% |
| 09/04/2026 (abr/2026) | 85,32% |
| 07/05/2026 (mai/2026) | 71,28% |
| 09/06/2026 (jun/2026) | 88,29% |
| 08/07/2026 (jul/2026) | 91,39% |
| 06/08/2026 (ago/2026) | 88,70% |
| 10/09/2026 (set/2026) | 96,38% |
Parte da oscilação é o mercado, e parte é o próprio conjunto: a cada semana entram e saem instituições, e uma financeira cara a mais ou a menos move a mediana. Por isso a comparação mais útil é a da sua instituição com ela mesma, e isso a ferramenta mostra na coluna de variação de cada linha.
IOF: quanto o imposto soma no empréstimo pessoal
Todo empréstimo a pessoa física paga IOF, o imposto sobre operações financeiras. Pelo Decreto 6.306/2007, ele tem duas partes: 0,0082% ao dia sobre o principal de cada parcela, contado até o vencimento dela e limitado a 365 dias (ou seja, no máximo 2,993% por parcela), mais uma alíquota adicional de 0,38% sobre o valor da operação, qualquer que seja o prazo. Os decretos de 2025 que mexeram no IOF do crédito mudaram as alíquotas das empresas; para pessoa física, as duas continuam as mesmas.
No exemplo de R$ 10.000 em 24 parcelas, o IOF estimado fica em R$ 295,79 na taxa mediana do ranking (2,96% do valor) e em R$ 274,39 na menor taxa. O imposto sobe com os juros porque, com taxa alta, a parcela de principal se concentra no fim do contrato, perto do teto de dias. A conta usa meses de 30 dias; o banco conta os dias corridos até cada vencimento e, quando financia o imposto junto com o empréstimo, a base cresce um pouco. O número exato é o do CET.
CET: o número da proposta que se compara com o ranking
O Custo Efetivo Total reúne juros, IOF, tarifas, seguros e outras despesas do contrato num percentual só. A Resolução CMN 4.881/2020 obriga a instituição a informar o CET antes da contratação, em taxa anual com duas casas decimais, junto com o demonstrativo do cálculo. O Código de Defesa do Consumidor pede ainda mais: o artigo 52 exige a taxa efetiva anual, o número de prestações e a soma total a pagar, e o artigo 54-B, incluído pela Lei 14.181/2021, exige no momento da oferta o CET com a descrição do que o compõe, a taxa efetiva mensal, os encargos do atraso, o valor das prestações e um prazo de validade da oferta de pelo menos dois dias. Peça tudo isso por escrito em toda proposta.
Como a taxa do ranking também inclui encargos, o CET da proposta é o número comparável com ela, e não a taxa de juros anunciada. Duas propostas com a mesma taxa podem ter CET bem diferentes por causa de um seguro prestamista embutido ou de uma tarifa de cadastro. Entenda o conceito no guia o que é CET e calcule o de uma proposta na calculadora de CET.
Crédito pessoal ou outra modalidade?
Antes de procurar o banco mais barato no crédito pessoal, vale conferir se você tem acesso a uma modalidade mais barata. A tabela compara a mediana de cada modalidade no mesmo ranking do Banco Central, no período de 03/09/2026 a 10/09/2026.
| Modalidade | Mediana ao ano | Quem pode usar e garantia |
|---|---|---|
| Consignado INSS | 23,66% | Aposentado e pensionista do INSSGarantia: desconto no benefício |
| Consignado público (servidor) | 23,95% | Servidor públicoGarantia: desconto na folha |
| Consignado privado (trabalhador CLT) | 47,68% | Empregado com carteira assinadaGarantia: desconto na folha |
| Financiamento de veículos | 22,86% | Quem compra carro ou motoGarantia: o próprio veículo (alienação fiduciária) |
| Crédito pessoal não consignado | 96,38% | Qualquer pessoa aprovada na análiseGarantia: nenhuma |
| Cheque especial | 148,39% | Correntista com limiteGarantia: nenhuma (limite rotativo) |
O cheque especial tem teto de 8% ao mês desde a Resolução CMN 4.765/2019, e mesmo assim costuma sair mais caro que um crédito pessoal bem escolhido para uma dívida que vai durar meses. Quem é aposentado ou pensionista pode comparar no ranking do consignado INSS, e quem está no vermelho encontra as taxas no ranking do cheque especial. Trocar uma dívida cara por uma mais barata é uma das formas mais rápidas de reduzir juros, e a calculadora de renegociação de dívidas ajuda a decidir por onde começar.
Passo a passo para conseguir uma taxa menor
- Veja se cabe uma modalidade mais barata (consignado, crédito com garantia) antes de ir para o crédito pessoal.
- Abra o ranking de crédito pessoal e anote três ou quatro instituições entre as mais baratas, incluindo o seu banco, com a taxa média de cada uma.
- Confira quem é quem. Busque o seu banco pela marca e veja se o grupo aparece por mais de uma instituição.
- Peça propostas com o CET por escrito e compare pelo CET, e não pela parcela: parcela menor com prazo maior costuma custar mais no total.
- Leve o número para a negociação. Mostrar que a média da própria instituição está abaixo da proposta é argumento concreto.
- Recuse o que não pediu. Seguro e título de capitalização embutidos encarecem o CET, e condicionar o empréstimo à compra de outro produto é venda casada, prática proibida pelo artigo 39, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor.
- Depois de contratar, acompanhe. Se as taxas caírem ou a sua situação melhorar, a portabilidade e a quitação antecipada reduzem o custo do contrato.
O que a lei garante a quem contrata
- Informação antes de assinar. O CET, a taxa efetiva mensal, os encargos do atraso, o valor das prestações e a soma total a pagar, na oferta e no contrato (artigos 52 e 54-B do Código de Defesa do Consumidor e Resolução CMN 4.881/2020).
- Quitação antecipada com desconto. O artigo 52, parágrafo 2º, do Código de Defesa do Consumidor garante a redução proporcional dos juros ao pagar antes. A instituição não pode cobrar tarifa por isso (Resolução 3.516/2007, artigo 1º) e calcula o desconto trazendo as parcelas futuras a valor presente pela taxa do próprio contrato (Resolução CMN 5.004/2022, artigo 7º). Simule na calculadora de quitação antecipada.
- Portabilidade. Pela Resolução CMN 5.057/2022, a instituição original tem de aceitar o pedido de levar a dívida para outra, o novo contrato não pode ter valor nem prazo maiores que o saldo e o prazo que faltam, e os custos da transferência não podem ser repassados a você. Veja a economia na calculadora de portabilidade de crédito.
- Proteção contra o superendividamento. A Lei 14.181/2021 define como superendividada a pessoa de boa-fé que não consegue pagar as dívidas de consumo sem comprometer o mínimo existencial, proíbe assédio e pressão na oferta de crédito (sobretudo a idosos e pessoas vulneráveis) e permite pedir à Justiça a repactuação das dívidas, com plano de pagamento de até cinco anos.
Para ver todas as dívidas e compromissos que estão no seu CPF, o Banco Central oferece o Registrato, gratuito. O acesso é pela conta gov.br de nível prata ou ouro, com a verificação em duas etapas ativada, e o relatório de empréstimos e financiamentos lista o que cada instituição informou.
Golpes com falso empréstimo: sinais de alerta
O golpe do falso empréstimo mira justamente quem está procurando crédito, e o Banco Central já descreveu o roteiro mais de uma vez. Os sinais que se repetem:
- Pedido de Pix, boleto ou depósito antes de liberar o dinheiro, com qualquer nome (cadastro, garantia, IOF, taxa para o Banco Central liberar), principalmente para conta de pessoa física.
- Promessa de crédito sem consulta a serviços de proteção ao crédito ou sem análise da sua situação financeira, que o artigo 54-C do Código de Defesa do Consumidor proíbe anunciar.
- Taxa muito abaixo da menor do ranking, oferecida por empresa que você não procurou.
- Nome parecido com o de um banco conhecido e contato só por mensagem.
O Banco Central orienta nunca fazer pagamento antecipado para receber empréstimo, porque isso não é prática de instituição regulada: nas concessões feitas por instituições idôneas, os acréscimos entram nas parcelas ou no valor total cobrado. Na dúvida, confira a autorização na consulta do Banco Central e procure a instituição pelos canais oficiais dela, e não pelo contato que chegou até você.
Limitações deste guia
As taxas deste guia são médias publicadas pelo Banco Central e mudam toda semana; o período de referência aparece ao lado de cada número. A taxa média de uma instituição não é oferta nem garantia de aprovação. As simulações usam a Tabela Price sem tarifas nem seguro, e o IOF é estimado pela regra do decreto com meses de 30 dias. Este conteúdo é educativo e não é recomendação de crédito. Veja como validamos os cálculos.
Fontes oficiais
- Banco Central do Brasil (Taxas de juros por instituição financeira): o ranking por modalidade e período, com a metodologia.
- Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990, com a Lei 14.181/2021): informação obrigatória, quitação antecipada e superendividamento (arts. 52, 54-A a 54-C e 104-A).
- Resolução CMN 4.881/2020 (Custo Efetivo Total): o CET informado antes da contratação.
- Resolução CMN 5.057/2022 (portabilidade de crédito): as regras para levar a dívida a outra instituição.
- Decreto 6.306/2007 (Regulamento do IOF): as alíquotas do IOF sobre operações de crédito.
- Resolução CMN 4.553/2017 (segmentação das instituições): o critério do segmento S1.
Conclusão
A taxa de juros do empréstimo pessoal depende mais da instituição do que parece: no mesmo período, a menor média do ranking ficou em 15,86% ao ano e a mediana em 96,38%. Comece pelo ranking de crédito pessoal, compare as propostas pelo CET, confira se a sua taxa está cara em minha taxa de empréstimo está cara? e, para um panorama de todas as modalidades, leia o guia sobre qual banco tem o menor juros. Mais ferramentas estão nas calculadoras financeiras.
