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Rotativo do cartão: quanto custa uma dívida de R$ 1.000 com o teto de juros

Estudo ValorFinal sobre o rotativo do cartão com as duas regras em vigor: o saldo fica um só ciclo no rotativo e depois é parcelado (Resolução CMN 4.549/2017), e juros e encargos não passam do valor original da dívida (Lei 14.690/2023). Uma dívida de R$ 1.000 chega no máximo a R$ 2.000; em 12 meses, pelo caminho que a regra permite, custa R$ 892 de juros.

Metodologia ValorFinalValorFinal (modelagem própria); Banco Central do Brasil (taxas médias do rotativo e do parcelado do cartão); Lei 14.690/2023, art. 28, e Resolução CMN 5.112/2023 (teto de juros e encargos); Resolução CMN 4.549/2017 (um ciclo de rotativo)Revisado pela equipe editorial ValorFinal, sob responsabilidade de Cesar Gargiulo
R$ 2.000é o máximo que uma dívida de R$ 1.000 no rotativo do cartão pode virar desde 3 de janeiro de 2024: juros e encargos somados não passam do valor original da dívida (Lei 14.690/2023, art. 28).

Principais conclusões

  • Desde 3 de janeiro de 2024, juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não passam do valor original da dívida: R$ 1.000 viram no máximo R$ 2.000 (Lei 14.690/2023 e Resolução CMN 5.112/2023).
  • O rotativo dura um ciclo: no vencimento da fatura seguinte, o banco tem de parcelar o saldo em condições melhores (Resolução CMN 4.549/2017). A 15% ao mês, esse ciclo custa R$ 150 sobre R$ 1.000.
  • Pelo caminho que a regra permite, um ciclo a 15% e 11 parcelas a 9,4% ao mês, R$ 1.000 custam R$ 892 de juros em 12 meses. Parcelar já na primeira fatura custa R$ 707, R$ 184 a menos.
  • Em 24 meses a conta encosta no teto: os juros e encargos param em R$ 1.000, com ou sem o ciclo no rotativo.
  • O teto não vale para o cartão consignado em folha, e a taxa do rotativo continua a mais cara do varejo: 15% ao mês equivalem a cerca de 435% ao ano.

O rotativo do cartão de crédito é a linha de crédito mais cara que um brasileiro comum tem à mão. Ele aparece de forma silenciosa: basta pagar menos que o total da fatura, e o que sobra passa a render juros altos. Neste estudo, o ValorFinal calculou o que acontece com uma dívida de R$ 1.000 no rotativo seguindo as duas regras que valem hoje para o cartão, com a mesma engine da página da taxa do rotativo hoje.

O resultado tem dois lados. O primeiro é um limite: desde 3 de janeiro de 2024, os juros e encargos não passam do valor original da dívida, então R$ 1.000 viram no máximo R$ 2.000. O segundo é que o limite não deixa a dívida barata: em 12 meses, pelo caminho que a regra permite, os R$ 1.000 custam R$ 891,72 de juros, 89% do valor emprestado, em um ano.

O que é o rotativo e por que ele aparece

Toda fatura de cartão tem um valor total e um valor mínimo. Quando você paga qualquer quantia entre o mínimo e o total, a diferença não some: ela vira uma dívida no crédito rotativo. No mês seguinte, a nova fatura traz esse saldo com os juros já somados, e qualquer compra nova entra por cima. O rotativo é, portanto, um empréstimo automático e caro que você contrata sem perceber, só por não quitar a fatura inteira.

A taxa de referência que usamos, 15% ao mês, equivale a cerca de 435% ao ano. O salto de 15% para 435% é o efeito dos juros compostos, em que o juro de um mês passa a render no mês seguinte. A taxa real varia por banco e por cliente, e o Banco Central publica a média mês a mês.

As duas regras que limitam a dívida do cartão

A primeira é de 2017. A Resolução CMN 4.549, em vigor desde 3 de abril de 2017, só permite o saldo no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Passado esse ciclo, o banco é obrigado a parcelar o que sobrou em condições mais vantajosas que as do rotativo. Ninguém fica meses seguidos no rotativo: fica um ciclo, e depois a dívida vira parcelamento.

A segunda é de 2024. O artigo 28, parágrafo 1º, da Lei 14.690/2023, regulamentado pela Resolução CMN 5.112/2023, limita os juros e encargos financeiros do rotativo e do parcelamento da fatura ao valor original da dívida. Vale para operações feitas a partir de 3 de janeiro de 2024, qualquer que seja a data do contrato do cartão. Numa dívida de R$ 1.000, os juros e encargos somados param em R$ 1.000, e o saldo em R$ 2.000. O cartão consignado em folha fica de fora das duas regras.

R$ 1.000 no rotativo, pelo caminho que a regra permite

A tabela mostra o custo de uma dívida de R$ 1.000 que passa um ciclo no rotativo a 15% ao mês e depois é parcelada na taxa média do parcelado do cartão, 9,4% ao mês em setembro de 2026 (Banco Central, série 22023), com o teto aplicado. O ciclo no rotativo custa R$ 150,00 em qualquer prazo, e esses juros já estão no total. A última coluna é o que custaria parcelar já na primeira fatura, sem passar pelo rotativo.

Custo de R$ 1.000 no rotativo com um ciclo, parcelamento obrigatório e teto de juros
Prazo totalParcelamento obrigatórioJuros e encargos no totalParcelar já na primeira fatura
3 meses2x de R$ 657,04R$ 314,09R$ 193,04
6 meses5x de R$ 298,52R$ 492,60R$ 352,41
12 meses11x de R$ 171,97R$ 891,72R$ 707,38
24 meses23x de R$ 86,96R$ 1.000,00 (teto)R$ 1.000,00 (teto)

Em 12 meses, a dívida de R$ 1.000 custa R$ 891,72 de juros e R$ 1.891,72 no total. Parcelar já na primeira fatura sai por R$ 707,38 de juros, uma economia de R$ 184,34 só por não deixar o saldo passar pelo rotativo. Em 24 meses, os juros e encargos chegam a R$ 1.000,00, que é o teto: a lei corta o que passaria disso. O teto, na prática, pesa nos prazos longos e em quem atrasa.

Por que o teto não torna o rotativo barato

O teto é de 100% do valor original. Ele segura a bola de neve, mas o preço continua alto. A 15% ao mês, a dívida passaria do dobro no mês 5, e é aí que o teto trava a conta. Quem chega ao teto pagou em juros o mesmo valor que tomou emprestado. Por isso a melhor estratégia continua sendo não deixar a dívida nascer, e, quando ela nascer, trocar o rotativo por uma linha mais barata logo no primeiro ciclo.

Rotativo, cheque especial e empréstimo: o ranking do crédito caro

Nem todo crédito é igual. A tabela compara o preço das principais linhas que as pessoas usam quando o dinheiro aperta, da mais cara para a mais barata, pela taxa e pelos juros de um mês sobre R$ 1.000.

Taxa e juros de um mês das principais linhas de crédito
Linha de créditoTaxa ao mêsTaxa ao anoJuros de 1 mês sobre R$ 1.000
Rotativo do cartão15%435%R$ 150,00
Cheque especial8%152%R$ 80,00
Empréstimo pessoal6%101%R$ 60,00
Financiamento de veículo2%27%R$ 20,00

O cheque especial tem teto legal de 8% ao mês na taxa (cerca de 152% ao ano), fixado pela Resolução CMN 4.765/2019, mas nenhuma trava sobre o total cobrado. O cartão é o contrário: a taxa é livre e o total de juros e encargos para no valor da dívida. Já o empréstimo pessoal, mesmo o não consignado, costuma cobrar bem menos que o cartão, e o consignado, com desconto em folha, é o mais barato de todos. Trocar uma dívida do rotativo por uma dessas linhas é o que faz a diferença.

Como sair do rotativo (e quanto se economiza)

Sair de uma dívida no rotativo é, na prática, trocá-la por uma mais barata. Os caminhos mais comuns:

A economia aparece já no primeiro mês. Na nossa conta de 12 meses, só evitar o ciclo no rotativo poupa R$ 184,34, e trocar a dívida por um empréstimo de juro bem menor poupa muito mais. Simule o seu saldo com as taxas médias de hoje na página da taxa do rotativo e compare com a calculadora de empréstimo pessoal.

Como evitar cair no rotativo

Melhor que sair do rotativo é nunca entrar nele. Algumas práticas ajudam:

Metodologia e limitações

A trajetória permitida é calculada em tempo de build pela mesma engine da página da taxa do rotativo: um ciclo de rotativo a 15% ao mês (435% ao ano, taxa de referência), o saldo com esses juros parcelado pela Tabela Price na taxa média do parcelado do cartão (9,4% ao mês, Banco Central, série 22023, competência de setembro de 2026), e o teto de juros e encargos igual ao valor original da dívida aplicado sobre o total, contando os juros do ciclo. A ilustração sem regras sai da mesma engine: 15% ao mês compostos por todos os meses, sem pagamento, sem o ciclo único e sem o teto, exatamente o que a lei não permite. A taxa do seu cartão está na fatura e varia por banco e por cliente. Não consideramos IOF, anuidade, multa nem juros de mora, e as regras não valem para o cartão consignado em folha. Entenda nossa abordagem em como validamos os cálculos.

Fontes oficiais

Conclusão

O rotativo do cartão continua sendo o crédito mais caro do varejo, mas a conta de uma dívida que cresce para sempre ficou no passado: desde 2024, R$ 1.000 viram no máximo R$ 2.000, e desde 2017 o saldo só passa um ciclo no rotativo. Mesmo assim, um ano de dívida custa R$ 891,72 de juros pelo caminho que a regra permite. Simule o seu saldo na página da taxa do rotativo hoje, leia o guia de juros do cartão e explore os demais estudos do ValorFinal com dados livres para citação.

Como citar esta página

Vai usar este dado em uma matéria, post ou trabalho? Copie a referência pronta. Fonte do número: ValorFinal (modelagem própria); Banco Central do Brasil (taxas médias do rotativo e do parcelado do cartão); Lei 14.690/2023, art. 28, e Resolução CMN 5.112/2023 (teto de juros e encargos); Resolução CMN 4.549/2017 (um ciclo de rotativo); a página é atualizada a cada divulgação mensal.

ValorFinal. Máximo que uma dívida de R$ 1.000 no rotativo pode virar (referência: setembro de 2026): R$ 2.000. Disponível em: https://valorfinal.com.br/estudos/quanto-o-cartao-de-credito-cobra-de-juros-no-rotativo. Fonte do dado: ValorFinal (modelagem própria); Banco Central do Brasil (taxas médias do rotativo e do parcelado do cartão); Lei 14.690/2023, art. 28, e Resolução CMN 5.112/2023 (teto de juros e encargos); Resolução CMN 4.549/2017 (um ciclo de rotativo).

Para imprensa, blogs e professores

Os números deste estudo são livres para citação com crédito ao ValorFinal (licença Creative Commons BY 4.0). Você pode reproduzir as tabelas e o gráfico em uma matéria, post ou trabalho, desde que cite a fonte e o link desta página. Precisa de um recorte específico ou quer falar com a equipe? Veja a central de estudos e dados ou os widgets gratuitos para incorporar.

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Fale com quem fez o levantamento

Cesar Gargiulo

Fundador e responsável técnico do ValorFinal

Responde pela engenharia, pelos testes automatizados e pela metodologia dos números publicados aqui, e não é advogado, contador nem consultor financeiro: nos temas trabalhistas, tributários e de investimentos, o levantamento se apoia nas fontes oficiais citadas em cada estudo, e é isso que a redação pode conferir por conta própria antes de publicar.

Área de atuação profissional: segurança da informação, cloud security (aws), testes de intrusão (pentest), conformidade regulatória (lgpd, pci dss, bacen), arquitetura de redes, engenharia de software.

Levantamento e cálculo: equipe editorial ValorFinal, sob responsabilidade de Cesar Gargiulo. Reporte de erro tem prioridade sobre qualquer outro assunto: descreva o cenário e o número esperado, e a correção sai com a fonte junto.

Calcule o seu caso

Leia também

Como calculamos

Os números deste estudo são calculados pelas mesmas engines abertas que movem as calculadoras do ValorFinal, a partir das fontes indicadas (ValorFinal (modelagem própria); Banco Central do Brasil (taxas médias do rotativo e do parcelado do cartão); Lei 14.690/2023, art. 28, e Resolução CMN 5.112/2023 (teto de juros e encargos); Resolução CMN 4.549/2017 (um ciclo de rotativo)). Os valores citados aqui são estimativas. Taxas praticadas, índices oficiais, prazos, tributos e arredondamentos mudam o resultado. Nada nesta página é oferta de crédito nem recomendação financeira. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

Quanto o rotativo do cartão cobra de juros?
O rotativo é a linha de crédito mais cara do varejo. Usamos uma taxa de referência de 15% ao mês, que equivale a cerca de 435% ao ano por causa dos juros sobre juros. A taxa real varia por banco e por cliente, e o Banco Central divulga a média mês a mês. Desde 3 de janeiro de 2024, porém, o total de juros e encargos de uma dívida no cartão não passa do valor original dela.
Existe teto para os juros do rotativo do cartão?
Existe. O artigo 28, parágrafo 1º, da Lei 14.690/2023, regulamentado pela Resolução CMN 5.112/2023, diz que os juros e encargos financeiros do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar do valor original da dívida. A regra vale para operações feitas a partir de 3 de janeiro de 2024. Na prática, uma dívida de R$ 1.000 fica em no máximo R$ 2.000. O cartão consignado em folha fica de fora.
O que acontece se eu pagar só o mínimo da fatura?
O que você não paga entra no rotativo e rende juros até o vencimento da fatura seguinte. Na nossa referência de 15% ao mês, esse ciclo custa R$ 150 sobre R$ 1.000. Depois dele, o banco é obrigado a parcelar o saldo, com juros menores que os do rotativo, e os juros e encargos somados param no valor original da dívida.
Quanto custa uma dívida de R$ 1.000 no rotativo em 12 meses?
Pelo caminho que a regra permite, um ciclo de rotativo a 15% e 11 parcelas na taxa média do parcelado do cartão (9,4% ao mês em setembro de 2026), R$ 1.000 custam R$ 891,72 de juros e R$ 1.891,72 no total. Parcelar já na primeira fatura, sem passar pelo rotativo, sai por R$ 707,38 de juros.
A conta de R$ 1.000 virando mais de R$ 5 mil em um ano ainda vale?
Não. Essa conta compõe 15% ao mês por 12 meses seguidos e chega a R$ 5.350,25. Ela ignora as duas regras do cartão: o rotativo só dura um ciclo desde 2017, e desde 2024 juros e encargos não passam do valor original. Com o teto, R$ 1.000 não passam de R$ 2.000. A conta sem regras serve para mostrar o tamanho do juro composto, e é assim que ela aparece neste estudo, num bloco marcado como ilustração.
O rotativo é mais caro que o cheque especial?
Por mês, sim. O cheque especial tem teto de 8% ao mês na taxa (cerca de 152% ao ano), fixado pela Resolução CMN 4.765/2019, e a referência do rotativo é 15% ao mês. Mas o cartão tem uma trava que o cheque especial não tem: o total de juros e encargos para no valor original da dívida. No cheque especial o limite é só da taxa, e o saldo segue crescendo enquanto a conta fica negativa.
Existe limite de tempo para ficar no rotativo?
Existe. A Resolução CMN 4.549/2017, em vigor desde 3 de abril de 2017, só permite o saldo no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o banco é obrigado a oferecer o parcelamento do saldo em condições mais vantajosas que as do rotativo. Vale aceitar esse parcelamento, ou buscar crédito mais barato, em vez de deixar a dívida em atraso.
Como sair de uma dívida no rotativo?
O caminho mais comum é trocar a dívida cara por uma mais barata. Aceitar o parcelamento da fatura, contratar um empréstimo pessoal de taxa menor para quitar o cartão, ou pedir a portabilidade da dívida para outro banco. Negociar diretamente com o banco também costuma render desconto à vista. O importante é parar de pagar só o mínimo.
Pagar o mínimo é o mesmo que estar em dia?
Não. Pagar o mínimo evita o atraso naquele mês, mas joga o restante para o rotativo, onde os juros são altíssimos. Estar realmente em dia é pagar o total da fatura. Quando isso não é possível, o parcelamento oferecido pelo banco é quase sempre melhor que deixar o saldo no rotativo.
Por que o juro do cartão é tão alto no Brasil?
São vários fatores apontados pelo Banco Central: alta inadimplência nessa modalidade, custo de captação, impostos e o fato de o rotativo ser um crédito sem garantia e de curtíssimo prazo. Isso não muda a conta para quem deve: independentemente da causa, o rotativo é caro, e o melhor é não usá-lo como crédito.
Parcelar a compra no cartão tem o mesmo juro do rotativo?
Não necessariamente. O parcelamento de uma compra (as parcelas combinadas na hora) é diferente do rotativo. O rotativo aparece quando você não paga o total da fatura. O parcelado sem juros do lojista tem outra armadilha, o desconto à vista recusado, tema do estudo sobre parcelar em vez de pagar à vista.
Esses números valem para o meu caso?
São uma referência: 15% ao mês no rotativo e a média do Banco Central para o parcelado do cartão, sobre uma dívida de R$ 1.000. A sua taxa está na fatura e varia por banco. O teto de juros e encargos não vale para o cartão consignado em folha. Para simular o seu saldo com as taxas médias de hoje, use a página da taxa do rotativo do ValorFinal.
Posso citar estes números?
Pode. Os números são livres para citação com crédito ao ValorFinal, sob licença Creative Commons BY 4.0. Reproduza as tabelas citando a fonte e o link da página. A trajetória permitida e a ilustração sem regras saem da mesma engine da página da taxa do rotativo, que mostra a ilustração com o mesmo aviso de que ela não é um contrato possível.