Módulo 6 - Dicionários: buscar pela etiqueta

Criar, ler, atualizar e remover pares

8 min de leitura · por Cesar Gargiulo, revisado pela equipe ValorFinal e GuardiaSec · Atualizado em 08/07/2026

O que você vai aprender

  • Adicionar um novo par chave-valor a um dicionário.
  • Atualizar o valor de uma chave existente.
  • Remover um par pela chave.
  • Verificar se uma chave existe antes de acessá-la.

As quatro operações do cadastro

Um dicionário raramente nasce pronto e fica parado; ele muda conforme os dados mudam. Pense num estoque de loja: chega um produto novo (adicionar), você consulta o preço de um item (ler), um preço reajusta (atualizar), um produto sai de linha (remover). Essas quatro operações, tão comuns que ganharam um apelido em inglês, CRUD, de criar, ler, atualizar e apagar, são a espinha dorsal de quase todo sistema que guarda dados. No dicionário elas são diretas, e uma delas guarda uma sutileza esperta: adicionar e atualizar se escrevem do mesmo jeito, porque guardar numa chave nova cria o par e guardar numa chave existente substitui o valor.

estoque <- { "arroz": 10, "feijao": 8 }
// adicionar (chave nova):
estoque["cafe"] <- 5
// atualizar (chave que já existe): substitui o 10
estoque["arroz"] <- 12
// ler:
escreva(estoque["feijao"])   // 8
// remover:
remova(estoque["feijao"])
// agora o estoque tem arroz 12, cafe 5, e feijao não existe mais

Adicionar e atualizar usam a mesma escrita (chave recebe valor). A diferença é só se a chave já existia.

Um quadro de dicionário com quatro setas rotuladas ao redor: uma seta adicionar traz um par novo cafe 5 para dentro; uma seta ler sai de feijao 8 mostrando o valor; uma seta atualizar troca o valor de arroz de 10 para 12; uma seta remover tira o par feijao do quadro.
As quatro operações de um cadastro vivo: adicionar, ler, atualizar e remover, todas pela chave.

Checar antes de usar

O maior tropeço com dicionários é buscar ou remover uma chave que não existe. Consultar o telefone de um nome que não está na agenda, remover um produto já retirado, atualizar um cadastro apagado: cada um desses, dependendo da linguagem, dá erro ou devolve um vazio confuso. O antídoto é uma verificação simples e barata: antes de mexer numa chave incerta, pergunte se a chave existe no dicionário. É a mesma ideia da cláusula de guarda do módulo 2, aplicada a dicionários: trate o caso do ausente logo de cara, e o resto do código roda em segurança sabendo que a chave está lá. Essa checagem sozinha evita uma boa fatia dos bugs de quem começa com dicionários.

agenda <- { "Ana": "9991", "Beto": "9982" }
procurado <- "Caio"
se procurado existe em agenda então
  escreva(agenda[procurado])
senão
  escreva(procurado, " não está na agenda")
fim
// Caio não existe: mostra a mensagem em vez de dar erro

Checar a existência antes de acessar transforma um possível erro numa mensagem amigável.

🎮 Jogo da aula

O que o dicionário faz?

Considere o dicionário estoque com arroz 10 e feijao 8. Decida se cada afirmação é verdadeira ou falsa.

Percorrer o dicionário inteiro

Às vezes você não quer uma chave específica, e sim visitar todos os pares: listar a agenda inteira, somar o estoque todo, imprimir cada preço. Para isso, dá para percorrer o dicionário com um laço, que a cada volta entrega um par de chave e valor. É a mesma ideia de percorrer uma lista, só que agora, em vez de um item, você recebe a dupla etiqueta e conteúdo. Com isso, somar o estoque inteiro é um acumulador que percorre os pares somando cada valor; listar a agenda é um laço que mostra cada nome com seu telefone. A busca direta pela chave e a varredura completa são as duas formas de trabalhar um dicionário, e você escolhe conforme precise de um valor ou de todos.

Teste rápido

Por que checar se a chave existe antes de acessá-la num dicionário é uma boa prática?

Perguntas frequentes

Por que adicionar e atualizar se escrevem igual?
Porque as duas operações são guardar um valor sob uma chave. Se a chave não existia, o par é criado (adicionar); se existia, o valor é substituído (atualizar). O dicionário decide com base na presença da chave, então você escreve a mesma linha nos dois casos: chave recebe valor.
Como sei se uma chave existe antes de usá-la?
Com uma verificação de existência: se a chave está no dicionário, então faça algo; senão, trate a ausência. Linguagens reais oferecem formas prontas de perguntar isso (um operador ou método de contém a chave). É a mesma ideia da cláusula de guarda, aplicada a dicionários.
Remover uma chave apaga o valor também?
Sim: remover um par tira do dicionário tanto a chave quanto o valor associado. Depois disso, buscar aquela chave volta a ser o caso da chave inexistente. Por isso, se o programa puder tentar acessar a chave depois de removê-la, vale a checagem de existência.
Dá para percorrer o dicionário inteiro?
Dá. Um laço percorre os pares, entregando chave e valor a cada volta. Serve para listar tudo, somar todos os valores ou procurar por alguma condição. Você usa a busca direta pela chave quando quer um valor específico, e a varredura quando precisa de todos.
O que é esse CRUD que os programadores citam?
É a sigla em inglês para criar, ler, atualizar e apagar (create, read, update, delete), as quatro operações básicas sobre dados guardados. Cadastros, agendas e estoques giram em torno delas. O dicionário oferece as quatro de forma direta, o que o torna uma base natural para esses sistemas.
Posso adicionar pares dentro de um laço?
Pode, e é comum: percorrer uma fonte de dados e ir montando um dicionário par a par. É assim que se constrói, por exemplo, uma contagem de frequência, tema da última aula deste módulo, em que o laço vai criando e atualizando chaves conforme encontra cada item.

Fontes

Seu progresso fica salvo neste aparelho. Assinantes sincronizam entre os aparelhos.