Aglomerado aberto
Aglomerado NGC 6604
Aglomerado jovem na Serpente, cercado de gás que suas próprias estrelas ionizam, a pouco mais de um grau da Nebulosa da Águia.

- Tipo
- Aglomerado abertoSIMBAD: OpC
- Distância
- 5.500 anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem, em 2012
- Constelação
- SerpenteSer
- Observado por
- MPG/ESO 2.2-metre telescope, Digitized Sky Survey 2
- Imagem publicada
- abril de 2012
- Original do acervo
- 8.653 × 8.388 px73 megapixels
NGC 6604 é um aglomerado aberto na constelação da Serpente, a cerca de 5.500 anos-luz da Terra segundo a distância declarada pelo publicador da imagem. Ele é pequeno em número de estrelas brilhantes, mas as que tem são massivas o suficiente para acender o gás em volta, e é esse gás que domina a fotografia. O aglomerado é a causa; a nebulosa é o efeito.
A posição no céu ajuda a situar o objeto. As coordenadas J2000 colocam NGC 6604 a pouco mais de um grau e meio da Nebulosa da Águia, o berçário estelar que abriga os Pilares da Criação. As duas estruturas ficam na mesma direção da Via Láctea, numa faixa carregada de gás e de estrelas jovens, ainda que pertençam a agrupamentos distintos.
A imagem do acervo foi feita com o instrumento de campo amplo do ESO e cobre 34,3 por 33,3 minutos de arco. Cinco filtros foram usados, do ultravioleta próximo em 360 nanômetros até a linha H-alfa do hidrogênio em 656 nanômetros. Essa combinação permite ver ao mesmo tempo as cores das estrelas e a estrutura do gás ionizado, coisa que um único filtro largo não entregaria.
Por que o SIMBAD não registra o tamanho?
Para NGC 6604 o SIMBAD não traz valor de tamanho aparente. O portal registra a ausência em vez de estimar, pela mesma razão que vale para todo o acervo: um número inventado por conveniência é pior que a admissão de que o dado não existe.
A ausência tem explicação. Tamanho aparente pressupõe uma borda, e aglomerados abertos raramente têm borda nítida. A densidade de estrelas vai caindo do centro para fora até se confundir com o fundo da galáxia, e onde exatamente termina o aglomerado depende do critério adotado. Em grupos pequenos e imersos em nebulosa, como este, o problema piora.
O que se pode afirmar com segurança vem do metadado da imagem. O campo cobre 34,3 por 33,3 minutos de arco, mais que a largura aparente da Lua cheia em cada direção, e mostra tanto o aglomerado quanto a nebulosidade ao redor. É a vizinhança, e não apenas o aglomerado, que a imagem enquadra.
Como estrelas jovens acendem o gás em volta?
Estrelas de grande massa têm superfícies muito quentes e emitem a maior parte da energia no ultravioleta. Fótons ultravioleta carregam energia suficiente para arrancar o elétron de um átomo de hidrogênio, e é isso que acontece quando essa radiação atinge a nuvem em que as estrelas nasceram.
O gás ionizado não fica escuro. Elétrons soltos acabam recapturados por prótons e, ao descer entre níveis de energia dentro do átomo, emitem luz em comprimentos de onda bem definidos. O mais importante deles no visível é a linha H-alfa, em torno de 656 nanômetros, justamente um dos filtros usados nesta imagem.
Existe um equilíbrio dinâmico ali. A radiação ioniza continuamente, e o gás recombina continuamente, e o brilho que se observa é o resultado desse vaivém. Quando as estrelas massivas morrerem, a fonte de ultravioleta acaba, o gás recombina de vez e a nebulosa apaga. Regiões assim são estruturas temporárias, amarradas à vida curta de suas estrelas mais quentes.
O que cinco filtros permitem que dois não permitem?
A imagem combina filtros em 360 nanômetros no ultravioleta próximo, 450 e 540 nanômetros em bandas largas do visível, 652 nanômetros em vermelho e 656 nanômetros na linha H-alfa. Filtros largos e filtros estreitos servem a propósitos diferentes, e ter os dois tipos no mesmo conjunto é o que dá versatilidade ao resultado.
Filtros largos deixam passar muita luz e são bons para medir a cor das estrelas. Comparar o brilho de uma estrela em 360 nanômetros com o brilho dela em 540 nanômetros dá uma medida direta da temperatura da superfície, e é assim que se separam estrelas quentes de estrelas frias sem precisar de espectro individual.
Filtros estreitos fazem o oposto: cortam quase tudo e deixam passar apenas uma linha específica. Sozinhos seriam ruins para estudar estrelas, porque descartam a maior parte da luz. Mas são exatamente o que se precisa para isolar gás emissor de um fundo cheio de estrelas. Ter 652 e 656 nanômetros juntos permite até subtrair um do outro e obter a emissão do gás quase limpa.
Que relação existe com a Nebulosa da Águia?
As coordenadas contam parte da história. NGC 6604 está em ascensão reta 274,51 graus e declinação -12,24 graus. A Nebulosa da Águia, ou Messier 16, fica pouco mais de um grau e meio ao sul, praticamente na mesma ascensão reta. Para quem observa, as duas estão na mesma vizinhança do céu, na direção da região central da Via Láctea.
Proximidade aparente, porém, não prova proximidade física. Objetos alinhados na mesma direção podem estar a distâncias muito diferentes, e a única forma de resolver isso é medir a distância de cada um separadamente. Nesse caso, as distâncias declaradas pelos publicadores das respectivas imagens são da mesma ordem de grandeza, o que é consistente com ambos pertencerem à mesma região geral do disco galáctico, sem que isso os torne parte do mesmo agrupamento.
O que a comparação ensina de fato é sobre o disco da Via Láctea. Aquela direção do céu atravessa um braço espiral repleto de gás molecular, e braços espirais são justamente onde a formação estelar se concentra. Encontrar vários berçários próximos ali não é coincidência: é o que se espera de quem olha ao longo de um braço.
O que o desvio para o vermelho diz sobre este aglomerado?
O SIMBAD registra desvio para o vermelho de 0,00006 para NGC 6604, equivalente a cerca de 18 quilômetros por segundo de velocidade radial de afastamento. É um valor pequeno, típico de objetos dentro da própria galáxia.
A leitura correta desse número exige separar dois fenômenos. Para galáxias distantes, o desvio para o vermelho mede a expansão do espaço e serve como indicador de distância. Para objetos galácticos, ele mede a diferença entre o movimento orbital do objeto e o do Sol em torno do centro da Via Láctea, ambos amarrados pela gravidade da galáxia.
Medidas de velocidade radial como essa têm outro uso, porém, e não é o de estimar distância. Comparando as velocidades de várias estrelas de um campo, é possível dizer quais se movem em conjunto e quais apenas estão na mesma direção. Isso ajuda a definir quem é membro do aglomerado e quem é estrela de fundo, questão que o simples aspecto visual não resolve.
Os números deste objeto
| Distância | 5.500 anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem |
|---|---|
| Constelação | Serpente (Ser) |
| Identificação principal | NGC 6604SIMBAD |
| Tipo | aglomerado aberto (OpC)SIMBAD |
| Tamanho aparente | não registrado no SIMBAD |
| Desvio para o vermelho | z = 0,00006 |
| Coordenadas J2000 | AR 274,5125 graus, Dec -12,2417 graus |
| Campo da imagem | 34,3 x 33,3 minutos de arcometadado do ESO |
| Filtros usados | 360, 450, 540, 652 e 656 nanômetrosmetadado do ESO |
| Imagens no acervo | 1 |
O que reparar nesta imagem
- O grupo compacto de estrelas brilhantesNo meio do campo há um adensamento de estrelas azuladas. É o aglomerado propriamente dito, e são essas estrelas que fornecem o ultravioleta que mantém o gás em volta ionizado.
- As franjas avermelhadas do gásO tom avermelhado que preenche o quadro vem do filtro de H-alfa em 656 nanômetros. Não é poeira iluminada nem cor artística: é hidrogênio recombinando depois de ter sido ionizado.
- As faixas escuras cortando a nebulosaTrilhas escuras atravessam o gás brilhante. São nuvens de poeira densa entre nós e a nebulosa, que bloqueiam a luz de trás e desenham a estrutura tridimensional da região.
- A densidade de estrelas no campo inteiroO quadro está lotado de pontos, mesmo longe do aglomerado. Essa direção olha ao longo de um braço da Via Láctea, então muitas dessas estrelas estão bem mais perto ou bem mais longe que NGC 6604.
Por que esta imagem tem essas cores
Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.
ultravioletainfravermelho e ondas de rádio
- Azulultravioleta · WFI · U360 nminvisível ao olho
- Azulluz visível · WFI · B450 nmolho enxerga
- Verdeluz visível · WFI · V540 nmolho enxerga
- Laranjaluz visível · WFI · Rc652 nmolho enxerga
- Vermelholuz visível · WFI · H-alpha656 nmolho enxerga
Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESO junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.
Que tamanho é isso, de verdade
Este recorte do céu tem quase o mesmo tamanho aparente da Lua cheia. O recorte fotografado mede 34 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
A luz desta imagem levou 5.500 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta da época em que a escrita foi inventada na Mesopotâmia.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, bem alto, a 78° de altura, na direção N.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 79 graus acima do horizonte.
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Quanto já se olhou para aqui
- 6registros do Hubble
Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 1,2 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.
O que ainda não se sabe
O SIMBAD não registra tamanho aparente para NGC 6604, e definir a extensão do aglomerado depende de decidir quais estrelas são membros de fato, o que exige medidas precisas de distância e de movimento próprio estrela a estrela. A distância de 5.500 anos-luz declarada pelo publicador também carrega incerteza relevante, agravada pela poeira nessa direção da Via Láctea, que avermelha a luz e distorce estimativas baseadas em cor. Continua em discussão o quanto o gás visível ao redor foi moldado pelas estrelas deste aglomerado especificamente e o quanto veio de gerações anteriores de estrelas massivas que já morreram na mesma região.
Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.
Uma coisa que quase ninguém sabe
NGC 6604 fica a pouco mais de um grau e meio da Nebulosa da Águia, distância angular equivalente a cerca de três luas cheias lado a lado. Quem fotografa a região com lente de campo amplo pega os dois no mesmo quadro sem esforço, mas a fama é toda da vizinha: os Pilares da Criação tornaram Messier 16 um dos objetos mais reproduzidos da astronomia, enquanto NGC 6604 permaneceu conhecido quase só por especialistas.
Outras imagens deste objeto


Vídeo de Aglomerado NGC 6604
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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia
Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin. ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa de Serpens
Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, K. Pontoppidan (NASA’s Jet Propulsion Laboratory), J. Green (Space Telescope Science Institute) ESA/Webb CC BY 4.0
- Caixa de Joias
Crédito ESO ESA/Hubble CC BY 4.0
- Westerlund 1
Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, M. Zamani (ESA/Webb), M. G. Guarcello (INAF-OAPA) and the EWOCS team ESA/Webb CC BY 4.0
- Westerlund 2
Crédito NASA, ESA, the Hubble Heritage Team (STScI/AURA), A. Nota (ESA/STScI), and the Westerlund 2 Science Team ESA/Hubble CC BY 4.0
- Aglomerado NGC 3293
- Aglomerado NGC 3532
Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgement: Davide De Martin ESO CC BY 4.0
- Aglomerado Messier 18
Perguntas frequentes
- O que é o aglomerado NGC 6604?
- NGC 6604 é um aglomerado aberto na constelação da Serpente, a cerca de 5.500 anos-luz da Terra. Ele reúne poucas estrelas brilhantes, mas várias delas são massivas o bastante para emitir ultravioleta intenso e ionizar o gás da nuvem em que nasceram. Por isso a imagem do acervo mostra tanto o grupo de estrelas quanto uma nebulosa avermelhada ocupando boa parte do quadro de 34,3 por 33,3 minutos de arco.
- Por que o tamanho de NGC 6604 não está registrado?
- Porque o SIMBAD não traz esse valor para o objeto, e o portal registra a ausência em vez de estimar. A razão de fundo é que aglomerados abertos raramente têm borda nítida: a densidade de estrelas cai gradualmente do centro para fora até se confundir com o fundo da galáxia. Definir onde o aglomerado termina depende do critério adotado, e em grupos pequenos imersos em nebulosa a dificuldade é ainda maior.
- Por que o gás em volta de NGC 6604 brilha em vermelho?
- Por causa da linha H-alfa do hidrogênio, em torno de 656 nanômetros, que é um dos filtros usados nesta imagem. As estrelas massivas do aglomerado emitem ultravioleta forte o bastante para arrancar elétrons dos átomos de hidrogênio. Quando esses elétrons são recapturados, emitem luz nessa linha específica. Como o hidrogênio é o elemento mais abundante, o resultado é uma nebulosa dominada por tons avermelhados.
- NGC 6604 tem relação com a Nebulosa da Águia?
- As duas estruturas ficam a pouco mais de um grau e meio uma da outra no céu, praticamente na mesma direção da Via Láctea, e as distâncias declaradas pelos publicadores das respectivas imagens são da mesma ordem de grandeza. Isso é compatível com ambas pertencerem à mesma região geral do disco galáctico, atravessada por um braço espiral rico em gás. Proximidade aparente, porém, não prova por si só que fazem parte do mesmo agrupamento.
- Para que servem cinco filtros diferentes numa mesma imagem?
- Filtros largos e estreitos fazem trabalhos distintos. Os largos, aqui em 360, 450 e 540 nanômetros, deixam passar muita luz e permitem medir a temperatura das estrelas comparando o brilho delas em cores diferentes. O filtro estreito, em 656 nanômetros, corta quase tudo e isola a linha do hidrogênio, o que faz o gás saltar do fundo estelar. Combinar os dois tipos entrega estrelas e nebulosa no mesmo quadro.
- O que acontece com a nebulosa quando as estrelas morrerem?
- A nebulosa apaga. O brilho depende de um equilíbrio contínuo: as estrelas massivas ionizam o gás com radiação ultravioleta, e o gás emite luz ao recombinar elétrons com prótons. Sem a fonte de ultravioleta, a ionização cessa, o gás recombina de vez e para de brilhar. Como estrelas massivas vivem apenas alguns milhões de anos, regiões de hidrogênio ionizado são estruturas temporárias na escala de tempo da galáxia.
- Dá para observar NGC 6604 com telescópio amador?
- O aglomerado sim, a nebulosa com dificuldade. Em céu escuro, um telescópio de porte médio mostra o grupo de estrelas de NGC 6604 sem problema. O gás em volta é fraco em luz visível e costuma exigir filtro que isole a linha do hidrogênio, além de céu bastante escuro. A região fica na constelação da Serpente, perto da faixa central da Via Láctea, bem posicionada no inverno brasileiro.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Aglomerado NGC 6604. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/aglomerado-ngc-6604. Consultado em: 23/08/2026.







