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ObservatórioAstronomia

Galáxia com linhas de emissão

Galáxia NGC 1232

Uma espiral vista quase de frente em Eridano, retratada pelo VLT no ano em que o telescópio entrou em operação no Chile.

Galáxia NGC 1232, galáxia com linhas de emissão, em imagem do Very Large Telescope
"Spiral galaxy NGC 1232", como o acervo nomeou esta imagem.Esta espetacular imagem da grande galáxia espiral NGC 1232 foi obtida em 21 de setembro de 1998, durante um período de boas condições de observação. Ela se baseia em três exposições em luz ultravioleta, azul e vermelha, respectivamente.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO CC BY 4.0

Tipo
Galáxia com linhas de emissãoSIMBAD: EmG
Distância
60 milhões de anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem, em 2009
Constelação
EridanoEri
Tamanho no céu
5,1 minutos de arcoextensão catalogada no SIMBAD
Classificação
SAB(rs)c
Observado por
Very Large Telescope, Danish 1.54-metre telescope
Imagem publicada
setembro de 1998
Original do acervo
10.027 × 10.105 px101 megapixels
Desvio para o vermelho
z = 0,006

NGC 1232 é uma galáxia espiral na constelação de Eridano, a cerca de 60 milhões de anos-luz da Terra segundo a distância declarada pelo publicador da imagem. O acaso da geometria ajuda quem observa: o disco está posicionado quase de frente para nós, e por isso os braços aparecem abertos no plano do céu em vez de amassados em perspectiva. Galáxias inclinadas escondem a própria estrutura atrás da poeira do disco; esta entrega o desenho inteiro de uma vez.

O SIMBAD registra o objeto como galáxia de linhas de emissão, sigla EmG. Isso não é um tipo de forma, e sim uma constatação espectroscópica: o espectro da galáxia mostra linhas brilhantes de gás ionizado, o que costuma indicar formação estelar ativa espalhada pelo disco. A classificação morfológica vem separada e é SAB(rs)c, um código que descreve barra, anel interno e o quanto os braços são apertados.

A imagem do acervo foi registrada com o instrumento FORS1, montado no Very Large Telescope do ESO, em setembro de 1998. Era o primeiro ano de operação do VLT, e retratos como este serviram tanto para divulgação quanto para mostrar do que o novo telescópio era capaz. O campo cobre 6,8 por 6,8 minutos de arco, e o SIMBAD registra 5,07 minutos de arco para o eixo maior da galáxia: ela ocupa quase todo o quadro, sem sobrar muito céu vazio em volta.

O que significa a sigla SAB(rs)c?

A classificação morfológica de galáxias funciona como uma etiqueta com três informações empilhadas. A primeira letra diz o tipo geral: S de espiral. A segunda posição indica a presença de barra, uma estrutura alongada de estrelas atravessando o núcleo. SA é uma espiral sem barra, SB é uma espiral barrada, e SAB é o caso intermediário, em que existe algo de barra mas não uma barra forte e óbvia.

O trecho entre parênteses descreve o que acontece na região onde os braços começam. O código r indica um anel interno fechado, s indica que os braços saem direto do núcleo em forma de espiral, e rs é a situação híbrida: há indício de anel, mas ele não se fecha por completo. A última letra mede o quanto os braços são enrolados e o quanto o bojo central pesa na aparência. A vai de a, com bojo grande e braços apertados, até d, com bojo pequeno e braços frouxos.

Somando as peças, SAB(rs)c descreve uma espiral com barra fraca, anel interno incompleto e braços bem abertos em torno de um bojo modesto. É a leitura formal de uma impressão que qualquer pessoa tem ao olhar a imagem: a galáxia parece mais um redemoinho aberto do que um núcleo brilhante cercado por um halo.

Que tamanho essa galáxia tem de verdade?

Tamanho aparente e tamanho real são coisas diferentes, e a ponte entre os dois é a distância. O SIMBAD registra 5,07 minutos de arco para o eixo maior de NGC 1232, pouco mais de um sexto do diâmetro aparente da Lua cheia. Parece pequeno, e é: no céu, a galáxia é uma mancha discreta que exige telescópio.

Convertendo esse ângulo para a distância declarada de 60 milhões de anos-luz, o diâmetro físico fica em torno de 88 mil anos-luz. Isso coloca NGC 1232 na mesma faixa da Via Láctea, cujo disco tem aproximadamente 100 mil anos-luz de largura. Não é uma galáxia anã nem uma gigante fora do comum: é uma espiral de porte comparável ao da nossa.

Vale registrar de onde sai cada número. O tamanho angular vem do SIMBAD, a distância vem do publicador da imagem, e o diâmetro físico é uma conta feita a partir dos dois. Se a distância for revista, o diâmetro muda junto, na mesma proporção.

O desvio para o vermelho mede a distância?

NGC 1232 tem desvio para o vermelho de 0,00561. Esse número diz o quanto as linhas do espectro estão deslocadas em relação ao laboratório, e a leitura direta dele é uma velocidade de afastamento de cerca de 1.680 quilômetros por segundo, obtida multiplicando o desvio pela velocidade da luz.

Para galáxias muito distantes, essa velocidade serve como régua: quanto mais rápido o afastamento, maior a distância, porque o espaço entre nós e o objeto está se expandindo. Só que a régua tem margem de erro grande no universo próximo. Galáxias também se movem por causa da gravidade das vizinhas, e essa velocidade extra se soma ou se subtrai da expansão sem avisar. Em grupos e aglomerados, o efeito chega a distorcer bastante a conta.

Por isso o portal mantém os dois valores lado a lado sem forçar acordo entre eles: o desvio para o vermelho registrado no SIMBAD e a distância declarada pelo publicador da imagem. Quando as duas fontes discordam, o honesto é mostrar as duas e dizer de onde cada uma veio, e não escolher a que soa melhor.

Por que o ultravioleta virou verde na foto?

O metadado da imagem descreve exatamente qual filtro virou qual cor. O canal azul recebeu o filtro B, centrado em 420 nanômetros. O canal vermelho recebeu o filtro R, em 600 nanômetros. E o canal verde recebeu o filtro U, em 360 nanômetros, que fica no ultravioleta próximo, fora do alcance do olho humano.

A escolha parece estranha até se entender a lógica. Para montar uma imagem colorida a partir de três filtros, o processamento costuma ordenar os comprimentos de onda e atribuir azul ao mais curto, verde ao intermediário e vermelho ao mais longo. Aqui o filtro mais curto é o U, mas ele foi para o verde e o B ficou com o azul. Seja qual for o critério usado, o resultado é o mesmo em essência: a cor da imagem é uma convenção de leitura, não um registro do que o olho veria.

Isso tem consequência prática na hora de interpretar o que se vê. Regiões que aparecem azuladas concentram estrelas jovens e quentes, que emitem forte no azul e no ultravioleta. Tons mais amarelados marcam populações estelares velhas, típicas do bojo. A cor continua carregando informação real, desde que se saiba que informação é essa.

Como uma espiral mantém a forma por tanto tempo?

Existe um problema clássico escondido nas imagens de galáxias espirais. O disco não gira como um disco rígido: as partes internas completam uma volta em menos tempo que as externas. Se os braços fossem estruturas materiais fixas, feitas sempre das mesmas estrelas, eles seriam enrolados até virar papa em poucas voltas, e nenhuma espiral bem desenhada sobreviveria por bilhões de anos.

A explicação mais aceita é que os braços não são objetos, e sim ondas. Uma perturbação na densidade do disco viaja pelo gás e pelas estrelas, comprimindo o material que passa por ela. O gás comprimido desaba e forma estrelas novas, entre elas as mais massivas, que brilham muito e vivem pouco. Como essas estrelas azuis morrem antes de sair da região comprimida, o braço fica marcado por elas de forma permanente, mesmo trocando de conteúdo o tempo todo.

É por isso que os braços aparecem azulados e recortados por faixas escuras de poeira, enquanto o interior do disco é mais liso e amarelado. O braço é o lugar onde as estrelas nascem, não um grupo fixo de estrelas em movimento conjunto.

Os números deste objeto

Distância60 milhões de anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem
ConstelaçãoEridano (Eri)
Identificação principalNGC 1232SIMBAD
Tipogaláxia de linhas de emissão (EmG)SIMBAD
MorfologiaSAB(rs)c
Tamanho aparente5,07 minutos de arcoSIMBAD
Desvio para o vermelhoz = 0,00561
Coordenadas J2000AR 47,4396 graus, Dec -20,5793 graus
Campo da imagem6,8 x 6,8 minutos de arcometadado do ESO
Imagens no acervo1

O que reparar nesta imagem

  • A diferença de cor entre centro e braçosO miolo puxa para o amarelo e os braços para o azul. A separação não é decorativa: marca populações de estrelas com idades diferentes, velhas no bojo e jovens nas regiões de formação estelar.
  • As faixas escuras que acompanham os braçosAo longo da borda interna de cada braço correm filetes escuros. É poeira, não vazio. Ela bloqueia a luz das estrelas atrás e desenha o traçado da onda de compressão que forma o braço.
  • A assimetria entre os dois ladosOs braços não são espelhos perfeitos um do outro. Um lado é mais aberto e desorganizado que o outro, indício de que a galáxia não evoluiu sozinha e sem perturbação.
  • A pequena companheira no campoNGC 1232 tem uma galáxia companheira menor, catalogada como NGC 1232A. Compare o tamanho aparente das duas e lembre que essa proximidade no céu não prova, sozinha, proximidade no espaço.

Por que esta imagem tem essas cores

Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.

ultravioletainfravermelho e ondas de rádio

  • Verdeultravioleta · FORS1 · U360 nminvisível ao olho
  • Azulluz visível · FORS1 · B420 nmolho enxerga
  • Vermelholuz visível · FORS1 · R600 nmolho enxerga

Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESO junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.

Que tamanho é isso, de verdade

Cerca de 4,6 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 6,8 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 88.522 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.

A luz desta imagem levou 60 milhões de anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era quando os primeiros representantes do gênero Homo apareciam na África.

Dá para ver isso daqui?

Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, em boa altura, a 48° de altura, na direção L.

Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 87 graus acima do horizonte.

Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.

Quanto já se olhou para aqui

  • 1registros do Hubble
  • 2registros do GALEX

Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 2,5 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.

O que ainda não se sabe

A distância de NGC 1232 não está fechada. Estimativas publicadas variam bastante conforme o método, e o desvio para o vermelho ajuda pouco no universo próximo, porque o movimento próprio da galáxia dentro do grupo se mistura com a expansão do espaço. O portal cita 60 milhões de anos-luz porque é o valor declarado pelo publicador da imagem, e todo número físico derivado dele, incluindo o diâmetro, carrega a mesma incerteza. Também segue em discussão o quanto a companheira NGC 1232A influencia a assimetria dos braços, e se a estrutura central chega a ser uma barra de fato ou apenas uma distorção suave do disco.

Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.

Uma coisa que quase ninguém sabe

A luz que forma esta imagem saiu de NGC 1232 há cerca de 60 milhões de anos. Na Terra, os dinossauros não aviários já tinham desaparecido havia alguns milhões de anos, e os mamíferos estavam começando a ocupar o espaço deixado por eles. Nenhum ser humano existia, nem existiria por dezenas de milhões de anos.

Outras imagens deste objeto

Galáxia NGC 1232, galáxia com linhas de emissão, em imagem do Very Large Telescope
Very Large Telescope, instrumento HAWK-I.NGC 1232 é uma galáxia espiral a cerca de 65 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Eridanus (o Rio). A galáxia é classificada como uma galáxia espiral intermediária, algo entre uma espiral barrada e uma espiral sem barra.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/P. Grosbøl ESO CC BY 4.0

Galáxia NGC 1232, galáxia com linhas de emissão, em imagem do Very Large Telescope
Very Large Telescope, instrumento FORS1.Esta é uma "imagem de índice de cor (U-B)" de NGC 1232, processada por computador. Esta técnica permite mostrar a "diferença" entre imagens da galáxia, vistas em diferentes faixas de onda. Como tipos diferentes de objetos têm brilhos diferentes em cores diferentes, este método é muito útil para localizar objetos de um tipo específico e para obter uma visão geral da distribuição deles na galáxia.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO CC BY 4.0

Galáxia NGC 1232, galáxia com linhas de emissão, em imagem do Danish 1.54-metre telescope
Danish 1.54-metre telescope.A impressionante e grande galáxia espiral NGC 1232 e sua companheira distorcida, com a forma da letra grega "teta". O par fica a cerca de 60 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Eridanus (o Rio). Bilhões de estrelas e poeira escura estão presos neste belo redemoinho gravitacional.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/IDA/Danish 1.5 m/R.Gendler and A. Hornstrup. ESO CC BY 4.0

Galáxia NGC 1232, galáxia com linhas de emissão, em imagem do Very Large Telescope
Very Large Telescope, instrumento FORS1.Esta "imagem de índice de cor (V-I)" foi produzida da mesma maneira que a eso9920k. Ela se baseia em duas outras exposições, feitas na mesma data, através de um filtro visual-verde (V) e de um filtro vermelho do infravermelho próximo (I), respectivamente. O tempo de exposição foi de 3 minutos para ambas.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO CC BY 4.0

Galáxia NGC 1232, galáxia com linhas de emissão, em imagem do Very Large Telescope
Very Large Telescope, instrumento FORS1.Esta imagem é da região central da grande galáxia espiral NGC 1232 e foi obtida em 21 de setembro de 1998, durante um período de boas condições de observação. Ela se baseia em três exposições em luz ultravioleta, azul e vermelha, respectivamente.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO CC BY 4.0

Montagem de várias imagens de Galáxia NGC 1232, galáxia com linhas de emissãoMontagem de várias imagens
Seis espetaculares galáxias espirais são vistas sob uma nova luz clara em imagens do Very Large Telescope (VLT) do ESO, no Observatório do Paranal, no Chile. As imagens foram feitas em luz infravermelha, usando o impressionante poder da câmera HAWK-I para ajudar os astrônomos a entender como os notáveis padrões espirais das galáxias se formam e evoluem.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/P. Grosbøl ESO CC BY 4.0

Montagem de várias imagens de Galáxia NGC 1232, galáxia com linhas de emissãoMontagem de várias imagens
Seis espetaculares galáxias espirais são vistas sob uma nova luz clara em imagens do Very Large Telescope (VLT) do ESO, no Observatório do Paranal, no Chile. As imagens foram obtidas em luz infravermelha, usando o impressionante poder da câmera HAWK-I para ajudar os astrônomos a entender como os notáveis padrões espirais das galáxias se formam e evoluem.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/P. Grosbøl ESO CC BY 4.0

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Galáxia espiral barrada NGC 1300

    Crédito ESO/P. Grosbøl ESO CC BY 4.0

  • Aglomerado MACS J0416

    Crédito ESA/Hubble, NASA, HST Frontier FieldsAcknowledgement: Mathilde Jauzac (Durham University, UK and Astrophysics & Cosmology Research Unit, South Africa) and Jean-Paul Kneib (École Polytechnique Fédérale de Lausanne, Switzerland) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia de Andrômeda

    Crédito ESA/Hubble & Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Sombrero

    Crédito ESA/Hubble & NASA, K. Noll ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Redemoinho

    Crédito NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Cata-vento

    Crédito NASA, ESA, CXC, SSC and STScI ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Triângulo

    Crédito ESO CC BY 4.0

  • Galáxia do Charuto

    Crédito NASA, ESA, CSA, A. Smercina (STScI), T. Williams (University of Manchester). Image processing: A. Pagan (STScI). ESA/Webb CC BY 4.0

Perguntas frequentes

Onde fica a galáxia NGC 1232?
NGC 1232 fica na constelação de Eridano, no hemisfério celeste sul, nas coordenadas J2000 de ascensão reta 47,4396 graus e declinação -20,5793 graus. A distância declarada pelo publicador da imagem é de 60 milhões de anos-luz. Eridano é uma constelação longa e pouco brilhante, bem posicionada no céu brasileiro durante os meses do verão, quando aparece alta no início da noite.
NGC 1232 é maior ou menor que a Via Láctea?
NGC 1232 tem porte parecido com o da Via Láctea. Combinando o tamanho aparente de 5,07 minutos de arco com a distância declarada de 60 milhões de anos-luz, o diâmetro fica em torno de 88 mil anos-luz, contra aproximadamente 100 mil anos-luz do disco da nossa galáxia. A comparação depende da distância adotada: se ela for revista para cima, o diâmetro estimado sobe na mesma proporção.
O que quer dizer galáxia de linhas de emissão?
Galáxia de linhas de emissão é aquela cujo espectro mostra linhas brilhantes em comprimentos de onda específicos, em vez de apenas o brilho contínuo das estrelas somado a linhas escuras de absorção. Essas linhas nascem em gás ionizado. Na maior parte dos casos, a fonte da ionização é a radiação de estrelas jovens e quentes espalhadas pelo disco, de modo que a sigla EmG do SIMBAD costuma indicar formação estelar em atividade.
Dá para ver NGC 1232 com telescópio amador?
Sim, mas não como na imagem. Em céu escuro e com um telescópio de bom diâmetro, NGC 1232 aparece como uma mancha oval difusa, com o centro um pouco mais brilhante e sem cor definida. Os braços espirais exigem longa exposição fotográfica para surgir. O olho humano não acumula luz como um sensor, então galáxias distantes quase sempre se apresentam em tons de cinza no ocular.
As cores da imagem de NGC 1232 são reais?
Não no sentido de mostrar o que o olho veria. A imagem combina três filtros do instrumento FORS1: U em 360 nanômetros no canal verde, B em 420 nanômetros no azul e R em 600 nanômetros no vermelho. O filtro U registra ultravioleta próximo, faixa invisível para nós. As cores finais são atribuídas no processamento, mas continuam carregando informação física: tons azulados indicam estrelas jovens, tons amarelados indicam populações velhas.
Por que a galáxia parece tão simétrica e organizada?
NGC 1232 está posicionada quase de frente em relação à Terra, o que expõe o desenho do disco inteiro sem a compressão da perspectiva. Além disso, os braços espirais são mantidos por ondas de densidade que percorrem o disco e comprimem o gás, acendendo estrelas jovens sempre nas mesmas faixas. O braço muda de conteúdo o tempo todo, mas o padrão persiste, e é isso que dá a impressão de estrutura estável.
Quando esta imagem de NGC 1232 foi feita?
A imagem do acervo foi registrada em 23 de setembro de 1998 com o instrumento FORS1, instalado no Very Large Telescope do ESO, no deserto do Atacama. O VLT tinha acabado de entrar em operação, e o campo cobre 6,8 por 6,8 minutos de arco. Como a galáxia tem 5,07 minutos de arco de eixo maior, ela preenche quase todo o quadro, com pouca margem de céu em volta.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Galáxia NGC 1232. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/galaxia-ngc-1232. Consultado em: 23/08/2026.