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ObservatórioAstronomia

Galáxia em grupo

Galáxia do Triângulo

A terceira maior galáxia do nosso grupo local, sem bojo central digno do nome, e com um dos maiores berçários de estrelas já catalogados.

Galáxia do Triângulo, galáxia em grupo, em imagem do VLT Survey Telescope
"VST snaps a very detailed view of the Triangulum Galaxy", como o acervo nomeou esta imagem.O VLT Survey Telescope (VST), no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, captou esta imagem belamente detalhada da galáxia Messier 33, muitas vezes chamada de Galáxia do Triângulo. Esta espiral próxima, a segunda maior galáxia mais perto da nossa própria galáxia, a Via Láctea, está repleta de aglomerados estelares brilhantes e de nuvens de gás e poeira.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO CC BY 4.0

Tipo
Galáxia em grupoSIMBAD: GiG
Distância
3 milhões de anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem, em 2019
Constelação
TriânguloTri
Tamanho no céu
1,0 grausextensão catalogada no SIMBAD
Classificação
SA(s)cd
Observado por
VLT Survey Telescope, DSS, Digitized Sky Survey 2
Imagem publicada
agosto de 2014
Original do acervo
19.058 × 15.983 px305 megapixels

A Galáxia do Triângulo, catalogada como M 33, fica na constelação do Triângulo, a cerca de 3 milhões de anos-luz segundo a distância declarada pelo publicador das imagens. Ela é a terceira galáxia mais volumosa do grupo a que a Via Láctea pertence, atrás apenas de Andrômeda e da nossa própria, e é bem menor que as duas primeiras. O SIMBAD a registra com o código GiG, de galáxia em grupo, o que descreve exatamente essa condição.

No céu ela ocupa 60,26 minutos de arco, o dobro do diâmetro aparente da Lua cheia. Assim como M 101, tem brilho de superfície baixo: a luz está espalhada por uma área grande, e observadores experientes a citam como um desafio clássico a olho nu, possível apenas em céus muito escuros e com a galáxia alta no horizonte.

A morfologia registrada é SA(s)cd. A letra final indica uma espiral de tipo tardio, categoria em que o núcleo concentra pouca luz e os braços são fragmentados, abertos e cheios de nós. M 33 é um dos exemplos mais estudados de galáxia praticamente sem bojo central clássico, o que a torna importante para entender como discos galácticos se formam sem construir uma concentração esferoidal no meio.

O que significa não ter bojo?

Uma espiral típica tem duas componentes visíveis: um disco fino, onde ficam os braços e o gás, e um bojo central, uma concentração arredondada de estrelas mais velhas no meio. Na Via Láctea e em Andrômeda o bojo é evidente. Em M 33 ele é discreto a ponto de a existência de um bojo clássico ser questionada.

A diferença não é cosmética. Bojos costumam se formar por fusões com outras galáxias ou por transporte violento de gás para o centro, ambos processos que embaralham órbitas estelares. Um disco que chegou até aqui sem construir bojo é um disco com uma história relativamente calma, sem grandes colisões.

Por isso galáxias assim são valiosas. Elas funcionam como controle: mostram até onde um disco consegue evoluir apenas com os processos internos, sem a interferência de fusões. Comparar M 33 com Andrômeda, que está do lado e tem bojo evidente, é comparar dois caminhos evolutivos diferentes na mesma vizinhança.

O que é NGC 604 e por que importa?

Vários recortes do acervo são dedicados a um único ponto de M 33, catalogado como NGC 604. Trata-se de uma região H II, isto é, uma nuvem de hidrogênio ionizado por estrelas jovens e massivas nascidas dentro dela. O que faz dela um caso à parte é a escala: NGC 604 está entre as maiores regiões de formação estelar conhecidas, com estimativas publicadas em torno de 1.500 anos-luz de diâmetro.

Para efeito de comparação, a Nebulosa de Órion, que é a região de formação estelar mais famosa do céu do nosso ponto de vista, é uma estrutura muito menor. NGC 604 abriga um número grande de estrelas quentes de tipos O e B agindo ao mesmo tempo sobre a nuvem, o que produz cavidades, filamentos e frentes de ionização em escala muito maior.

A imagem heic1901b do acervo cobre 1,3 por 1,2 minuto de arco, e o mosaico opo0330b feito com a câmera WFPC2 cobre 2,5 por 2,5 minutos de arco. Um objeto que ocupa pouco mais de um minuto de arco visto de 3 milhões de anos-luz é, em tamanho real, gigantesco, e é essa aritmética que faz a região ser estudada como laboratório de formação estelar em massa.

Por que fotografar 25 milhões de estrelas?

A imagem heic1901a, publicada em 2019, cobre 20,2 por 11,4 minutos de arco com a câmera ACS do Hubble e foi divulgada como a visão mais nítida já obtida de M 33, com cerca de 25 milhões de estrelas resolvidas individualmente. O mosaico usa dois filtros, em 475 e 814 nanômetros, um no azul-verde e outro no infravermelho próximo.

Dois filtros bastam porque a razão entre eles já dá a cor de cada estrela, e cor mais brilho aparente, com a distância conhecida, entregam temperatura e luminosidade. Com isso monta-se um diagrama que separa a população estelar por massa e por idade, estrela a estrela, ao longo de todo o disco.

O ganho está em poder fazer isso em uma galáxia inteira. Na Via Láctea a poeira do próprio disco atrapalha a vista e a distância de cada estrela é difícil de determinar. M 33 está longe o bastante para que todas as estrelas dela estejam essencialmente à mesma distância, e perto o bastante para serem separadas uma a uma. Poucas galáxias oferecem as duas condições ao mesmo tempo.

Como M 33 se relaciona com Andrômeda?

M 33 e Andrômeda estão relativamente próximas uma da outra no espaço, e essa vizinhança tem consequências. Uma das imagens do acervo, feita em 2022 com o instrumento Mosaic I, foi publicada com o título que a descreve como destinada a colidir, referência ao futuro compartilhado das galáxias do grupo local.

A questão de fundo é se M 33 é uma satélite de Andrômeda, presa a ela numa órbita, ou uma galáxia independente que está caindo na direção do sistema pela primeira vez. As duas possibilidades produzem histórias diferentes: uma órbita ligada implicaria passagens anteriores, com deformações no disco de M 33 e transferência de gás entre as duas.

Existem indícios observacionais de material de hidrogênio neutro entre M 33 e Andrômeda, o que sustentaria a hipótese de interação passada. Mas a decisão depende de medir movimentos laterais em escala de milhões de anos-luz, uma medida na fronteira do que a instrumentação atual consegue, e a resposta ainda não está consolidada.

Quantos filtros cabem numa imagem?

A imagem iotw2233a do acervo, com 35,9 por 35,6 minutos de arco, usa oito filtros diferentes, de 357 nanômetros no ultravioleta a 805 nanômetros no infravermelho próximo. Entre eles estão bandas largas, que coletam tudo dentro de uma faixa ampla, e bandas estreitas centradas em linhas de emissão específicas.

As bandas estreitas são as mais informativas. O filtro em 656 nanômetros isola o H-alfa, do hidrogênio ionizado. O de 499 nanômetros isola o oxigênio duplamente ionizado, que exige fótons mais energéticos e portanto marca as regiões mais próximas de estrelas muito quentes. O de 672 nanômetros isola o enxofre ionizado, comum em zonas de choque e em bordas comprimidas.

Combinar tantas bandas numa imagem só é possível com uma decisão explícita de qual comprimento de onda vira qual cor, e essa decisão está registrada no metadado do publicador. Nenhuma dessas imagens mostra a cor que um olho humano veria, porque o olho não distingue linhas de emissão dessa maneira e vários dos filtros estão fora da faixa visível. São mapas de composição química e de temperatura, apresentados em cor.

Os números deste objeto

Distância3.000.000 anos-luzdeclarada pelo publicador das imagens
ConstelaçãoTriângulo (Tri)
Identificação principalM 33SIMBAD
Classificaçãogaláxia em grupo (GiG)SIMBAD
MorfologiaSA(s)cdSIMBAD
Tamanho aparente60,26 minutos de arcoSIMBAD
Coordenadas J2000AR 23,462 graus, Dec 30,660 graus
Observações no arquivo MASTHubble 6.457, James Webb 2.183, GALEX 24
Imagens no acervo9

O que reparar nesta imagem

  • O centro sem concentração forteRepare que o núcleo de M 33 não domina a imagem como acontece em outras espirais. A ausência de um bojo evidente é a característica mais marcante desta galáxia.
  • O nó mais brilhante do discoUma mancha avermelhada se destaca das demais nos braços: é NGC 604, uma das maiores regiões de formação de estrelas conhecidas, com cerca de 1.500 anos-luz de diâmetro.
  • Os braços quebrados em pedaçosOs braços não são duas faixas contínuas, e sim trechos irregulares cheios de nós. É a assinatura visual de uma espiral de tipo tardio, como indica a classificação SA(s)cd.
  • A granulação do mosaico de 2019Ao ampliar a imagem do Hubble de 2019, o disco se decompõe em pontos separados. Cada ponto é uma estrela resolvida individualmente a 3 milhões de anos-luz.

Que tamanho é isso, de verdade

Este recorte do céu é cerca de 2,2 vezes mais largo que a Lua cheia. O recorte fotografado mede 1,1 graus de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 52.587 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.

A luz desta imagem levou 3 milhões de anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era quando os primeiros representantes do gênero Homo apareciam na África.

Dá para ver isso daqui?

Agora este objeto está abaixo do horizonte de São Paulo, SP. Ele volta a subir mais tarde, e alcança no máximo 36° de altura daqui.

Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 36 graus acima do horizonte.

Este é um dos poucos objetos do acervo que dá para encontrar a olho nu, em céu escuro. O que você vai ver é bem mais pálido e menor que a imagem: telescópios acumulam luz por horas, e o olho não.

Quanto já se olhou para aqui

  • 6.457registros do Hubble
  • 2.183registros do James Webb
  • 24registros do GALEX

Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 30 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.

O que ainda não se sabe

Ainda não está resolvido se M 33 orbita Andrômeda ou se está caindo na direção dela pela primeira vez. A diferença importa porque uma órbita ligada implicaria passagens anteriores e deformações herdadas no disco. Há indícios de hidrogênio neutro entre as duas galáxias, o que favorece a hipótese de interação passada, mas concluir exige medir movimentos laterais a milhões de anos-luz, no limite da instrumentação atual. Segue em aberto também a natureza do centro de M 33: se existe ali um buraco negro supermassivo como nas espirais de bojo evidente, ele não se manifesta com clareza, e os limites publicados para a massa desse objeto central são apenas superiores.

Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.

Uma coisa que quase ninguém sabe

M 33 é citada com frequência como o objeto mais distante ao alcance do olho humano sem instrumento, disputando esse posto com Andrômeda. A observação exige céu genuinamente escuro, ar limpo e visão periférica, e continua sendo tratada como um teste de qualidade do céu por observadores experientes.

Outras imagens deste objeto

Galáxia do Triângulo, galáxia em grupo, em imagem do DSS
DSS.Este é um local onde novas estrelas estão nascendo em um braço espiral da galáxia. Embora nebulosas assim sejam comuns nas galáxias, esta é particularmente grande, com quase 1.500 anos-luz de extensão. A nebulosa é tão vasta que se vê com facilidade em imagens de telescópios em solo.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito Palomar Observatory, Caltech and the STScI Digitized Sky Survey (AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia do Triângulo, galáxia em grupo, em imagem do Digitized Sky Survey 2
Digitized Sky Survey 2.Esta vista de campo amplo do céu ao redor da galáxia próxima Messier 33 foi montada a partir de imagens que fazem parte do Digitized Sky Survey 2. As fotografias originais foram obtidas ao longo de um período de mais de 40 anos, de 1949 até o início dos anos 1990.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgement: Davide De Martin ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia do Triângulo, galáxia em grupo, em imagem do NSF Nicholas U. Mayall 4-meter Telescope
NSF Nicholas U. Mayall 4-meter Telescope, instrumento Mosaic I.A Galáxia do Triângulo, também conhecida como Messier 33, fica a quase 3 milhões de anos-luz da Terra e é uma vizinha próxima da Galáxia de Andrômeda. A galáxia é fotografada aqui pelo Telescópio Nicholas U. Mayall de 4 metros, no Kitt Peak National Observatory (KPNO), um Programa do NSF NOIRLab.Descrição do acervo NOIRLab, traduzida.

Crédito KPNO/NOIRLab/NSF/AURA Data obtained and processed by: P. Massey (Lowell Obs.), G. Jacoby, K. Olsen, & C. Smith (AURA/NSF) Image processing: M. Zamani (NSF NOIRLab), A. Hussein (NSF NOIRLab) & D. de Martin (NSF NOIRLab) NOIRLab CC BY 4.0

Galáxia do Triângulo, galáxia em grupo, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.Esta imagem gigantesca da Galáxia do Triângulo, também conhecida como Messier 33, é uma composição de cerca de 54 apontamentos diferentes com a Advanced Camera for Surveys do Hubble. Com um tamanho impressionante de 34.372 por 19.345 pixels, é a segunda maior imagem já divulgada pelo Hubble.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, and M. Durbin, J. Dalcanton, and B. F. Williams (University of Washington) ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia do Triângulo, galáxia em grupo, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.Esta imagem mostra NGC 604, dentro da Galáxia do Triângulo. Com cerca de 1500 anos-luz de extensão, é uma das maiores e mais brilhantes concentrações de hidrogênio ionizado (H II) do nosso Grupo Local de galáxias, e é um grande centro de formação de estrelas.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, and M. Durbin, J. Dalcanton, and B. F. Williams (University of Washington) ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia do Triângulo, galáxia em grupo, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFPC2.Esta imagem em mosaico completo da WFPC2 mostra uma área um pouco maior ao redor de NGC 604. A escala desta imagem é de 2,5 minutos de arco ao longo da base.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA/ESA and The Hubble Heritage Team (AURA/STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0

Montagem de várias imagens de Galáxia do Triângulo, galáxia em grupoMontagem de várias imagens
Esta vista de campo amplo mostra a Galáxia do Triângulo, também conhecida como Messier 33, tal como vista do solo. A extensão do novo e enorme mosaico criado com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA é indicada pela região de formato irregular, e a imagem principal apresentada aqui, pelo retângulo dentro dela.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, Digitized Sky Survey 2.Acknowledgement: Davide De Martin ESA/Hubble CC BY 4.0

Montagem de várias imagens de Galáxia do Triângulo, galáxia em grupoMontagem de várias imagens
No coração de NGC 604 há mais de 200 estrelas quentes, muito mais massivas que o nosso Sol (de 15 a 60 massas solares). Elas aquecem as paredes gasosas da nebulosa, fazendo o gás fluorescer. A luz delas também realça o formato tridimensional da nebulosa, como uma lanterna em uma caverna.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito Hui Yang (University of Illinois) and NASA/ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

Vídeo de Galáxia do Triângulo

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Galáxia de Andrômeda

    Crédito ESA/Hubble & Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Sombrero

    Crédito ESA/Hubble & NASA, K. Noll ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Redemoinho

    Crédito NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Cata-vento

    Crédito NASA, ESA, CXC, SSC and STScI ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Charuto

    Crédito NASA, ESA, CSA, A. Smercina (STScI), T. Williams (University of Manchester). Image processing: A. Pagan (STScI). ESA/Webb CC BY 4.0

  • Galáxia de Bode

    Crédito ESA/INT/DSS2 ESA/Hubble CC BY 4.0

Perguntas frequentes

Onde fica a Galáxia do Triângulo no céu?
Na constelação do Triângulo, com coordenadas J2000 de ascensão reta 23,46 graus e declinação 30,66 graus. Essa declinação positiva coloca M 33 no céu do hemisfério norte, o que a torna baixa no horizonte para observadores do sul do Brasil e mais difícil de observar daqui. A galáxia fica próxima de Andrômeda no céu, e as duas são frequentemente procuradas na mesma noite.
M 33 é maior ou menor que a Via Láctea?
Bem menor. M 33 é a terceira galáxia mais volumosa do grupo local, atrás de Andrômeda e da Via Láctea, e fica bastante abaixo das duas em massa e em número de estrelas. No céu ela parece grande, ocupando 60,26 minutos de arco, o dobro do diâmetro da Lua cheia, porque está muito perto: a distância declarada pelo publicador das imagens é de cerca de 3 milhões de anos-luz.
Por que M 33 não tem bojo central?
Bojos se formam sobretudo por fusões com outras galáxias e por transporte violento de gás para o centro, processos que embaralham as órbitas das estrelas. Um disco sem bojo evidente indica uma história relativamente calma, sem grandes colisões. M 33 é um dos exemplos mais estudados dessa condição, e por isso serve como referência para entender até onde um disco evolui apenas com processos internos.
O que é NGC 604?
Uma região de hidrogênio ionizado dentro de M 33, entre as maiores já catalogadas em galáxias próximas, com estimativas em torno de 1.500 anos-luz de diâmetro. Dentro dela nasceram muitas estrelas quentes de tipos O e B, cuja radiação ultravioleta mantém o gás em volta ionizado e escava cavidades e filamentos. Vários recortes do acervo, do Hubble e de instrumentos de solo, são dedicados apenas a essa região.
Dá para ver a Galáxia do Triângulo a olho nu?
Sim, em condições excepcionais. M 33 é citada como um dos objetos mais distantes ao alcance da vista sem instrumento, mas exige céu genuinamente escuro, ar limpo, a galáxia alta no horizonte e o uso de visão periférica. O brilho dela está diluído por uma área ampla, então o que aparece é uma névoa fraquíssima e sem forma. Observadores experientes tratam essa observação como um teste da qualidade do céu.
M 33 vai colidir com Andrômeda?
As duas fazem parte do mesmo grupo de galáxias e estão gravitacionalmente associadas, então algum encontro futuro é esperado. O que segue em aberto é se M 33 já orbita Andrômeda ou se está caindo na direção dela pela primeira vez. Uma das imagens do acervo, feita em 2022, foi publicada exatamente com essa referência ao futuro compartilhado. A cronologia exata depende de medidas de movimento lateral ainda imprecisas.
Por que a mesma galáxia aparece com cores tão diferentes entre as imagens?
Porque cada imagem usa filtros distintos, e o publicador decide qual comprimento de onda vira qual cor. Uma das imagens do acervo combina oito filtros, de 357 a 805 nanômetros, incluindo bandas estreitas centradas em linhas do hidrogênio, do oxigênio e do enxofre. Nenhuma dessas versões mostra a cor que um olho humano veria: são mapas de composição química e temperatura apresentados em cor.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Galáxia do Triângulo. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/galaxia-do-triangulo. Consultado em: 23/08/2026.