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ObservatórioAstronomia

Galáxia Seyfert tipo 2

Galáxia espiral barrada NGC 1300

O exemplo de manual de galáxia espiral barrada: uma faixa reta de estrelas atravessa o núcleo e os braços saem das pontas dela.

Galáxia espiral barrada NGC 1300, galáxia seyfert tipo 2, em imagem do Very Large Telescope
"HAWK-I image of NGC 1300", como o acervo nomeou esta imagem.Esta imagem é de NGC 1300, uma galáxia espiral com braços que se estendem a partir das pontas de uma barra central espetacularmente proeminente. É considerada um exemplo prototípico de galáxias espirais barradas e fica a uma distância de cerca de 65 milhões de anos-luz, na constelação de Eridanus (o Rio).Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/P. Grosbøl ESO CC BY 4.0

Tipo
Galáxia Seyfert tipo 2SIMBAD: Sy2
Distância
62,2 milhões de anos-luzpublicadores declaram de 61 milhões de a 69 milhões de anos-luz; aqui vale o comunicado de 2005
Constelação
EridanoEri
Tamanho no céu
6,8 minutos de arcoextensão catalogada no SIMBAD
Classificação
SB(rs)bc
Observado por
Very Large Telescope, Hubble Space Telescope, James Webb Space Telescope
Imagem publicada
outubro de 2010
Original do acervo
3.646 × 3.634 px13 megapixels
Desvio para o vermelho
z = 0,005
Dois telescópios, o mesmo objeto

Veja Galáxia espiral barrada NGC 1300 pelo Hubble e pelo James Webb

Os dois fotografaram este objeto, e o resultado não é a mesma imagem em qualidade diferente. O Hubble registra sobretudo a luz que o olho enxerga; o Webb enxerga infravermelho, que atravessa a poeira e mostra o que estava escondido atrás dela. Arraste a divisória e veja a poeira sumir.

Comparar as duas imagens
Galáxia espiral barrada NGC 1300, em imagem do Hubble
Hubble

Crédito NASA, ESA, and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia espiral barrada NGC 1300, em imagem do James Webb
James Webb

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, J. Lee (STScI), T. Williams (Oxford), PHANGS Team ESA/Webb CC BY 4.0

NGC 1300 fica na constelação de Eridano, a cerca de 62 milhões de anos-luz segundo a distância declarada pelo publicador das imagens. O SIMBAD registra a morfologia como SB(rs)bc, e cada parte dessa notação diz alguma coisa: SB marca espiral barrada, o rs indica um anel interno parcial em torno do núcleo, e bc situa a galáxia no meio da escala de quão enrolados são os braços.

A galáxia é usada como ilustração canônica do que é uma barra. Uma faixa reta e alongada de estrelas atravessa o centro de ponta a ponta, e os dois braços espirais não saem do núcleo: saem das extremidades da barra, em ângulo quase reto. A geometria é tão limpa que aparece em livro-texto quando o assunto é morfologia galáctica.

Barras não são exceção. Uma fração grande das espirais tem alguma, incluindo a Via Láctea, o que torna NGC 1300 um caso de estudo com valor prático: entender o que a barra faz aqui ajuda a entender o que a nossa está fazendo com o gás do nosso próprio disco, algo difícil de observar de dentro.

Como uma barra se forma?

Um disco de estrelas girando não é necessariamente estável. Quando a massa se concentra no plano e a dispersão de velocidades entre as estrelas é baixa, o disco fica sujeito a uma instabilidade que reorganiza as órbitas: em vez de círculos, muitas estrelas passam a percorrer trajetórias alongadas, alinhadas todas na mesma direção. O acúmulo dessas órbitas é a barra.

A barra não é uma peça rígida presa ao disco. Assim como o braço espiral, ela é um padrão: estrelas entram, atravessam e saem, enquanto a forma permanece. A diferença é que a barra gira como um corpo sólido, com velocidade angular própria, distinta da velocidade orbital do material que a compõe.

Simulações mostram que barras se formam com facilidade em discos frios e podem ser destruídas depois, se muita massa se acumular no centro. Isso significa que uma barra é um estágio, não um traço permanente, e a proporção de galáxias barradas em cada época do universo carrega informação sobre como discos evoluem.

Para que serve uma barra?

A barra funciona como um sistema de transporte. Órbitas alongadas não conservam bem o momento angular do gás que passa por elas: nuvens que entram na região da barra perdem energia em choques ao longo das bordas e escorregam para o interior. O efeito líquido é gás sendo empurrado do disco externo para o centro.

Isso tem duas consequências observáveis. A primeira é formação de estrelas concentrada na região central, alimentada pelo gás recém-chegado. A segunda é a possibilidade de alimentar um núcleo ativo, se parte desse gás chegar perto o bastante do buraco negro supermassivo. O SIMBAD classifica NGC 1300 como Seyfert 2, o que registra atividade nuclear.

Nas imagens do Hubble aparece, dentro do núcleo, uma estrutura espiral própria, bem menor que os braços principais e com o mesmo tipo de desenho. Espirais dentro de espirais são justamente o que se espera de gás sendo canalizado para dentro: a estrutura menor é o estágio final do transporte que a barra iniciou lá fora.

O que o infravermelho mostra aqui?

A imagem eso1042d, feita em 2010 com o instrumento HAWK-I, cobre 6,5 por 6,5 minutos de arco em três filtros infravermelhos, de 1.020 a 1.630 nanômetros. Nessa faixa a poeira atrapalha muito menos que na luz visível, e o que se destaca são as estrelas mais velhas, que compõem a maior parte da massa estelar do disco.

Trocar visível por infravermelho muda o que a barra parece ser. Em luz visível a atenção vai para as regiões de formação estelar, azuis e brilhantes, que se concentram nos braços. Em infravermelho próximo esse brilho jovem perde importância relativa, e a estrutura de massa aparece com mais clareza: a barra fica mais evidente, e mais simétrica.

A imagem do Webb de 2024, com 3,7 por 2,2 minutos de arco, vai muito além, com filtros de 3.000 a 21.000 nanômetros. Vários deles estão marcados como PAH, o que indica emissão de moléculas orgânicas grandes na poeira, e um está marcado como silicato. Nessa faixa quem brilha é o próprio pó, e a galáxia aparece como uma rede de filamentos com cavidades, o oposto quase exato do retrato em luz visível.

Por que somar telescópios diferentes?

Três imagens do acervo combinam o instrumento MUSE, no Very Large Telescope do ESO, com dados milimétricos do ALMA. O MUSE é um espectrógrafo de campo integral: em vez de registrar uma imagem, ele registra um espectro completo em cada ponto do campo, o que permite montar mapas separados para cada linha de emissão.

Os filtros listados no metadado deixam isso visível. Há bandas em 475 e 630 nanômetros, largas, e bandas centradas em linhas específicas: 499 nanômetros do oxigênio duplamente ionizado, 656 nanômetros do H-alfa e 673 nanômetros do enxofre ionizado. Cada uma dessas linhas mede uma condição física distinta do gás.

O ALMA acrescenta a peça que falta. Em comprimento de onda milimétrico ele detecta a emissão da molécula de monóxido de carbono, usada como traçador do gás molecular frio. Esse gás é a matéria-prima das estrelas e não emite nada em luz visível. Somar MUSE e ALMA é ver, no mesmo mapa, onde está o combustível e onde ele já virou estrela.

Por que o Webb observou mais que o Hubble?

O arquivo MAST registra 103 produtos de observação do Hubble num raio pequeno em torno de NGC 1300, contra 175 do James Webb. É uma inversão em relação a praticamente todos os outros objetos deste acervo, onde o Hubble acumula muito mais material por ter décadas a mais de operação.

A explicação está no tipo de pergunta. NGC 1300 entrou em programas modernos que estudam de forma sistemática como o gás vira estrela em galáxias próximas, e esses programas foram desenhados para o infravermelho, faixa em que o Webb é imbatível. Enquanto o Hubble contribuiu com retratos em luz visível, o Webb foi usado para mapear a poeira e o gás em dezenas de apontamentos.

Vale lembrar a advertência que acompanha esse número: produto de observação no arquivo não é noite de telescópio. Um único programa pode gerar muitos produtos, e a contagem mede volume de material arquivado, não tempo de observação nem importância científica.

Os números deste objeto

Distância62.237.159 anos-luzdeclarada pelo publicador das imagens
ConstelaçãoEridano (Eri)
Identificação principalNGC 1300SIMBAD
ClassificaçãoSeyfert 2SIMBAD
MorfologiaSB(rs)bc, espiral barrada com anel interno parcialSIMBAD
Tamanho aparente6,85 minutos de arcoSIMBAD
Desvio para o vermelhoz = 0,00525SIMBAD
Coordenadas J2000AR 49,921 graus, Dec -19,411 graus
Observações no arquivo MASTHubble 103, James Webb 175, GALEX 6
Imagens no acervo9

O que reparar nesta imagem

  • Onde os braços começamSiga cada braço até a origem. Nenhum sai do núcleo: os dois começam nas pontas da barra, em ângulo quase reto com ela. É a assinatura geométrica de uma espiral barrada.
  • A espiral dentro do núcleoAmpliando o centro nas imagens do Hubble aparece uma segunda estrutura espiral, muito menor. Ela indica gás sendo canalizado para dentro pela ação da barra.
  • As faixas escuras ao longo da barraLinhas de poeira correm ao longo das bordas da barra, e não em qualquer direção. Elas marcam onde o gás sofre choque e perde energia, no caminho para o centro.
  • O negativo da imagem infravermelhaNa versão do Webb, o que era brilhante em luz visível fica escuro e vice-versa. No infravermelho médio quem emite é a poeira, não a estrela.

Por que esta imagem tem essas cores

Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.

ultravioletainfravermelho e ondas de rádio

  • Azulinfravermelho · HAWK-I · Y1,02 µminvisível ao olho
  • Cianoinfravermelho · HAWK-I · J1,22 µminvisível ao olho
  • Verdeinfravermelho · HAWK-I · H1,63 µminvisível ao olho

Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESO junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.

Que tamanho é isso, de verdade

Cerca de 4,8 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 6,5 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 123.944 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.

A luz desta imagem levou 62,2 milhões de anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era quando os primeiros representantes do gênero Homo apareciam na África.

Dá para ver isso daqui?

Agora este objeto está abaixo do horizonte de São Paulo, SP. Ele volta a subir mais tarde, e alcança no máximo 86° de altura daqui.

Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 86 graus acima do horizonte.

Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.

Quanto já se olhou para aqui

  • 103registros do Hubble
  • 175registros do James Webb
  • 6registros do GALEX

Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 3,4 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.

O que ainda não se sabe

Quanto tempo uma barra dura continua sem resposta consolidada. Simulações mostram que barras se formam com facilidade em discos frios e podem ser destruídas quando muita massa se acumula no centro, mas a escala de tempo depende de parâmetros mal determinados, como a quantidade de matéria escura no interior do disco. Também não está estabelecido quanto do gás transportado pela barra chega efetivamente ao buraco negro central: existe uma lacuna de várias ordens de grandeza entre a escala em que a barra atua e a escala do disco de acreção, e o mecanismo que faz a conexão nessa faixa intermediária segue em disputa.

Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.

Uma coisa que quase ninguém sabe

O retrato de NGC 1300 publicado pelo Hubble em 2005 foi divulgado em tamanho de pôster, entre os maiores mosaicos já montados pelo telescópio até então, cobrindo 5,5 por 3,2 minutos de arco. Foi essa imagem que consolidou a galáxia como a ilustração padrão de espiral barrada em material didático.

Outras imagens deste objeto

Galáxia espiral barrada NGC 1300, galáxia seyfert tipo 2, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.Uma das maiores imagens do Telescópio Espacial Hubble já feitas de uma galáxia completa está sendo revelada hoje na reunião da American Astronomical Society em San Diego, Califórnia. O telescópio Hubble captou um espetáculo de luz estelar, gás brilhante e nuvens escuras de poeira interestelar em silhueta nesta imagem de 4 pés por 8 pés da galáxia espiral barrada NGC 1300.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

Galáxia espiral barrada NGC 1300, galáxia seyfert tipo 2, em imagem do James Webb Space Telescope
James Webb Space Telescope, instrumento NIRCam.Esta galáxia espiral foi observada como parte do programa Physics at High Angular resolution in Nearby GalaxieS (PHANGS), um grande projeto que inclui observações de vários telescópios espaciais e terrestres de muitas galáxias para ajudar os pesquisadores a estudar todas as fases do ciclo de formação estelar, desde a formação de estrelas dentro de nuvens de gás poeirentas até a energia liberada no processo que cria as estruturas intrincadas reveladas pelas novas imagens do Webb.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, J. Lee (STScI), T. Williams (Oxford), PHANGS Team ESA/Webb CC BY 4.0

Galáxia espiral barrada NGC 1300, galáxia seyfert tipo 2, em imagem do Very Large Telescope
Very Large Telescope, instrumento MUSE.Esta imagem, obtida com o Multi-Unit Spectroscopic Explorer (MUSE) no Very Large Telescope (VLT) do ESO, mostra a galáxia próxima NGC 1300. NGC 1300 é uma galáxia espiral, com uma barra de estrelas e gás no centro, situada a aproximadamente 61 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Eridanus.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/PHANGS ESO CC BY 4.0

Galáxia espiral barrada NGC 1300, galáxia seyfert tipo 2, em imagem do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array
Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, instrumento Band 6.Esta imagem da galáxia próxima NGC 1300 foi obtida combinando observações feitas com o Multi-Unit Spectroscopic Explorer (MUSE) no Very Large Telescope (VLT) do ESO e com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), do qual o ESO é parceiro.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/PHANGS ESO CC BY 4.0

Galáxia espiral barrada NGC 1300, galáxia seyfert tipo 2, em imagem do Very Large Telescope
Very Large Telescope, instrumento MUSE.Esta imagem da semana parece quase boa o bastante para se comer! No entanto, apesar da semelhança com um apetitoso redemoinho de caramelo, ela é na verdade uma imagem da galáxia NGC 1300, situada a aproximadamente 61 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Eridanus.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/PHANGS ESO CC BY 4.0

Montagem de várias imagens de Galáxia espiral barrada NGC 1300, galáxia seyfert tipo 2Montagem de várias imagens
Seis espetaculares galáxias espirais são vistas sob uma nova luz clara em imagens do Very Large Telescope (VLT) do ESO, no Observatório do Paranal, no Chile. As imagens foram feitas em luz infravermelha, usando o impressionante poder da câmera HAWK-I para ajudar os astrônomos a entender como os notáveis padrões espirais das galáxias se formam e evoluem.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/P. Grosbøl ESO CC BY 4.0

Montagem de várias imagens de Galáxia espiral barrada NGC 1300, galáxia seyfert tipo 2Montagem de várias imagens
Seis espetaculares galáxias espirais são vistas sob uma nova luz clara em imagens do Very Large Telescope (VLT) do ESO, no Observatório do Paranal, no Chile. As imagens foram obtidas em luz infravermelha, usando o impressionante poder da câmera HAWK-I para ajudar os astrônomos a entender como os notáveis padrões espirais das galáxias se formam e evoluem.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/P. Grosbøl ESO CC BY 4.0

Montagem de várias imagens de Galáxia espiral barrada NGC 1300, galáxia seyfert tipo 2Montagem de várias imagens
Esta imagem combina observações das galáxias próximas NGC 1300, NGC 1087, NGC 3627 (em cima, da esquerda para a direita), NGC 4254 e NGC 4303 (embaixo, da esquerda para a direita), feitas com o Multi-Unit Spectroscopic Explorer (MUSE), no Very Large Telescope (VLT) do ESO.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/PHANGS ESO CC BY 4.0

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Outros objetos em Eridano

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Galáxia NGC 1232

    Crédito ESO CC BY 4.0

  • Aglomerado MACS J0416

    Crédito ESA/Hubble, NASA, HST Frontier FieldsAcknowledgement: Mathilde Jauzac (Durham University, UK and Astrophysics & Cosmology Research Unit, South Africa) and Jean-Paul Kneib (École Polytechnique Fédérale de Lausanne, Switzerland) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Sagittarius A*

    Crédito NASA, ESA, and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA) Acknowledgment: NASA, ESA, T. Do and A. Ghez (UCLA), and V. Bajaj (STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Quasar SDSS J1652

    Crédito ESA/Hubble, NASA, N. Zakamska ESA/Webb CC BY 4.0

Perguntas frequentes

O que é uma galáxia espiral barrada?
Uma galáxia espiral em que uma faixa alongada de estrelas atravessa o núcleo de ponta a ponta, e da qual os braços partem. Em NGC 1300 essa geometria é especialmente limpa: os braços não saem do centro, saem das extremidades da barra, em ângulo quase reto. A barra não é uma estrutura rígida, e sim um padrão de órbitas alongadas alinhadas na mesma direção, por onde estrelas entram e saem.
Para que serve a barra de uma galáxia?
A barra funciona como sistema de transporte de gás. Nuvens que passam pela região da barra perdem energia em choques ao longo das bordas e escorregam para o interior do disco. O gás que chega ao centro alimenta formação de estrelas ali e, se chegar perto o bastante, pode alimentar o buraco negro supermassivo. NGC 1300 é classificada como Seyfert 2, o que registra justamente atividade no núcleo.
A Via Láctea tem barra?
Sim. Uma fração grande das galáxias espirais tem alguma barra, e a nossa está entre elas. Isso é parte do interesse em NGC 1300: observar de fora, com geometria limpa, um fenômeno que na nossa galáxia precisa ser inferido de dentro do disco, com a poeira atrapalhando a visão em direção ao centro. Entender o que a barra de NGC 1300 faz com o gás ajuda a interpretar o que a nossa está fazendo.
A que distância fica NGC 1300?
O publicador das imagens deste acervo declara cerca de 62,2 milhões de anos-luz, e o SIMBAD registra desvio para o vermelho z igual a 0,00525. Essa distância é bem maior que a das outras galáxias famosas deste acervo, o que explica o tamanho aparente pequeno, de 6,85 minutos de arco. A galáxia fica na constelação de Eridano, no céu do sul, com declinação de aproximadamente 19 graus negativos.
Por que a imagem do James Webb parece o negativo da imagem em luz visível?
Porque no infravermelho médio quem emite é a poeira, e não a estrela. A imagem do Webb de 2024 usa filtros de 3.000 a 21.000 nanômetros, vários deles marcados como PAH, que registram moléculas orgânicas grandes iluminadas por estrelas próximas. O resultado é uma rede de filamentos com cavidades escuras onde as estrelas jovens já limparam o gás, quase o inverso do retrato em luz visível.
O que é a espiral dentro do núcleo de NGC 1300?
Uma estrutura espiral bem menor que os braços principais, visível ao ampliar o centro nas imagens do Hubble. Ela é entendida como o estágio final do transporte de gás iniciado pela barra: material canalizado do disco externo para o interior continua perdendo momento angular e forma um padrão espiral em escala reduzida perto do núcleo. Espirais dentro de espirais são esperadas em galáxias barradas ativas.
Por que o James Webb tem mais observações desta galáxia que o Hubble?
Porque NGC 1300 entrou em programas modernos dedicados a mapear como o gás vira estrela em galáxias próximas, e esses programas foram desenhados para o infravermelho, a especialidade do Webb. O arquivo MAST registra 175 produtos de observação do Webb contra 103 do Hubble na região. Vale lembrar que produto de observação no arquivo não equivale a noite de telescópio nem mede importância científica.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Galáxia espiral barrada NGC 1300. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/galaxia-ngc-1300. Consultado em: 23/08/2026.