Financiamento imobiliário do zero: o guia completo (2026)

Como funciona o financiamento imobiliário do zero: entrada, SAC ou PRICE, seguros MIP e DFI, taxa de administração, CET, uso do FGTS, portabilidade e amortização, com tabelas e exemplos.

Revisado pela equipe editorial ValorFinalBanco Central / Caixa / FGTS

Financiar um imóvel é, para a maioria das famílias, o maior compromisso financeiro da vida: são duas, três décadas pagando uma dívida que começa valendo várias vezes a renda anual. Entender como o financiamento funciona antes de assinar o contrato pode significar a diferença de dezenas de milhares de reais ao longo do tempo. Este guia reúne, do zero, tudo que importa: entrada, sistemas de amortização, seguros, FGTS, CET, portabilidade e amortização. Para simular cada etapa, use a calculadora de financiamento imobiliário.

Resposta rápida

  • A entrada costuma ser de pelo menos 20%; quanto maior, menos juros você paga no total.
  • O SAC (parcela decrescente) paga menos juros que o PRICE (parcela fixa), e é o mais comum.
  • A parcela real inclui seguros MIP/DFI e taxa de administração, não só juros; o CET revela o custo verdadeiro.
  • O FGTS compõe a entrada e amortiza o saldo; amortizar reduzindo o prazo economiza muitos juros.

Passo 1: a entrada e a capacidade de pagamento

Tudo começa por quanto você tem de entrada e quanto cabe no seu orçamento. Os bancos financiam, em geral, até 80% do valor do imóvel, então a entrada mínima fica em torno de 20%. A entrada pode incluir o saldo do seu FGTS. Do outro lado, a parcela não deve passar de cerca de 30% da renda bruta familiar, limite que os bancos usam na análise de crédito. Para descobrir o valor de imóvel que cabe na sua renda, use a calculadora de quanto consigo financiar; para o caminho inverso, a calculadora de renda necessária para financiar.

Passo 2: SAC ou PRICE

O sistema de amortização define como a dívida é paga ao longo do tempo. No SAC, a amortização é constante e a parcela começa mais alta e cai mês a mês, porque os juros incidem sobre um saldo cada vez menor. No PRICE, a parcela é fixa do início ao fim, o que ajuda no planejamento, mas faz o total de juros ser maior. O SAC é o mais usado no crédito imobiliário brasileiro justamente porque custa menos juros no total. Compare os dois lado a lado na calculadora de financiamento imobiliário.

AspectoSACPRICE
ParcelaComeça alta e diminuiFixa do início ao fim
Total de jurosMenorMaior
Renda exigidaMaior (1a parcela alta)Menor (parcela estável)
Melhor paraQuem quer pagar menos jurosQuem prioriza previsibilidade

Passo 3: os custos que ninguém conta na parcela

A simulação simples de juros engana. A parcela real do financiamento inclui o seguro MIP (cobre morte e invalidez, calculado sobre o saldo devedor), o seguro DFI (cobre danos físicos ao imóvel, calculado sobre o valor do imóvel) e a taxa de administração mensal. Juntos, eles adicionam algumas dezenas a centenas de reais por mês. Por isso, na hora de comparar propostas, olhe o CET (Custo Efetivo Total), que reúne todos esses encargos numa única taxa. A calculadora de CET do financiamento mostra o custo real, e a guia o que é CET explica em detalhe.

Passo 4: o FGTS a seu favor

O Fundo de Garantia é um dos maiores aliados de quem financia. Ele pode compor a entrada na compra, reduzindo o valor financiado de cara, e pode amortizar o saldo devedor a cada dois anos, encurtando o prazo ou reduzindo a parcela. Para usar, é preciso ter ao menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS, o imóvel ser residencial dentro do SFH e você não ter outro financiamento ativo no sistema. Veja a calculadora de FGTS na compra do imóvel e a calculadora de amortização com FGTS.

Passo 5: comparar bancos e fazer portabilidade

Depois de contratar, você não fica preso ao banco. Se outra instituição oferece uma taxa menor, a portabilidade de crédito permite transferir o financiamento, mantendo o saldo e o prazo, com a taxa menor. Há custos de avaliação do imóvel e de registro da nova garantia, mas em muitos casos a economia paga esses custos em poucos meses. A calculadora de portabilidade de financiamento imobiliário mostra a economia e o tempo de retorno.

Tabela: o que olhar em cada etapa

EtapaO que avaliarCalculadora
CapacidadeRenda, comprometimento de 30%Quanto consigo financiar
ParcelaSAC x PRICE, seguros, prazoFinanciamento imobiliário
Custo realCET com seguros e tarifasCET do financiamento
Custos da compraITBI, escritura, registroCusto total da compra
Reduzir a dívidaAmortizar com FGTS, portarAmortização e portabilidade

Exemplo numérico: um financiamento de R$ 400 mil

Imagine um imóvel de R$ 500.000 com entrada de R$ 100.000 (20%), financiando R$ 400.000 em 30 anos a 11,5% ao ano. No sistema SAC, a primeira parcela fica em torno de R$ 4.900 e vai caindo; somando os seguros MIP e DFI e a taxa de administração, a parcela inicial real passa de R$ 5.000. Pela regra dos 30%, isso exige uma renda familiar de cerca de R$ 16.500. No PRICE, a parcela fixa seria menor no começo (perto de R$ 4.300 mais encargos), exigindo menos renda, mas o total de juros ao longo dos 30 anos seria bem maior.

Sobre esse mesmo contrato, usar o FGTS para amortizar a cada dois anos pode cortar vários anos do prazo e economizar dezenas de milhares de reais em juros. E se, depois de alguns anos, outro banco oferecer 9,5% ao ano, a portabilidade pode reduzir a parcela e o custo total, mesmo descontados os custos de cartório. Esses três movimentos (escolher bem o sistema, amortizar com FGTS e portar quando vale a pena) são o que separa um financiamento caro de um financiamento eficiente.

Erros comuns ao financiar

Limitações deste guia

Os valores e percentuais citados são referências de mercado e variam por banco, perfil de crédito e momento econômico. As taxas de juros mudam com a Selic, e as condições exatas dependem da análise da instituição. Use as calculadoras para simular o seu caso concreto e veja como validamos os cálculos.

Calculadoras deste tema

Fontes oficiais

Conclusão

Financiar bem é mais do que conseguir a aprovação: é entender a entrada, o sistema de amortização, os seguros embutidos, o CET, o FGTS e a possibilidade de portar e amortizar depois. Cada uma dessas decisões pode economizar muitos milhares de reais ao longo de décadas. Simule o seu caso na calculadora de financiamento imobiliário, conheça as demais calculadoras de imóveis e veja como validamos os cálculos.

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Fontes oficiais

Links externos para os documentos oficiais consultados na construção desta página. O conteúdo deles pode mudar sem aviso; em caso de divergência, vale sempre a fonte oficial.

Como validamos os cálculos

Os valores citados neste guia são estimativos e baseados em fontes oficiais (Banco Central / Caixa / FGTS). Eles podem variar conforme convenção coletiva, situação individual e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

Quanto preciso de entrada para financiar um imóvel?
A maioria dos bancos financia até 80% do valor do imóvel, então a entrada costuma ser de pelo menos 20%. Em alguns programas e perfis, é possível financiar mais, e o FGTS pode compor essa entrada. Quanto maior a entrada, menor o valor financiado, menor a parcela e menos juros você paga no total. Use a calculadora de quanto consigo financiar para ver o valor de imóvel que cabe na sua renda.
Qual a diferença entre SAC e PRICE?
No sistema SAC, a amortização é constante e a parcela começa mais alta e diminui ao longo do tempo; você paga menos juros no total. No sistema PRICE, a parcela é fixa do começo ao fim, o que facilita o planejamento, mas o total de juros é maior. O SAC é o mais comum no crédito imobiliário brasileiro. Compare os dois na calculadora de financiamento imobiliário.
O que entra na parcela além dos juros?
Além da amortização e dos juros, a parcela do financiamento imobiliário inclui o seguro MIP (morte e invalidez), o seguro DFI (danos físicos ao imóvel) e a taxa de administração mensal. Esses encargos somam algumas dezenas a centenas de reais por mês e fazem a parcela real ser maior que a simulação simples de juros. A calculadora de financiamento imobiliário tem um campo opcional para incluí-los.
Como o FGTS ajuda no financiamento?
O FGTS pode ser usado de duas formas: compor a entrada na compra do imóvel, reduzindo o valor financiado, ou amortizar o saldo devedor a cada dois anos, encurtando o prazo ou reduzindo a parcela. Para usar, é preciso ter ao menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS e atender às regras do SFH. Veja a calculadora de FGTS na compra do imóvel e a de amortização com FGTS.
O que é o CET do financiamento?
O CET (Custo Efetivo Total) é a taxa que reúne tudo que você paga: juros, seguros, taxa de administração e tarifas. Duas propostas com a mesma taxa de juros anunciada podem ter CETs bem diferentes por causa dos seguros e tarifas. Na hora de comparar bancos, o CET é o número que importa, não só a taxa de juros. Use a calculadora de CET do financiamento imobiliário.
Posso fazer portabilidade do financiamento?
Sim. Se outro banco oferece uma taxa menor, você pode transferir o financiamento por meio da portabilidade de crédito, um direito garantido pelo Banco Central. O novo banco quita o saldo no antigo e assume a dívida com a taxa menor. Há custos de avaliação e de registro da nova garantia, mas em muitos casos a economia compensa. A calculadora de portabilidade de financiamento imobiliário mostra o payback.
Vale a pena amortizar o financiamento?
Quase sempre, sim. Como os juros do financiamento imobiliário (em geral de 9% a 12% ao ano) costumam ser maiores que o rendimento de aplicações conservadoras, cada real usado para amortizar rende a taxa do contrato. Amortizar reduzindo o prazo economiza mais juros do que reduzindo a parcela. Veja a calculadora de amortização de financiamento e a de amortização com FGTS.
Qual prazo de financiamento escolher?
O prazo máximo costuma ser de 35 anos (420 meses). Prazos longos reduzem a parcela, mas aumentam muito o total de juros; prazos curtos fazem o contrário. A regra prática é escolher o menor prazo cuja parcela ainda caiba confortavelmente no seu orçamento, deixando margem para imprevistos. Você sempre pode amortizar depois para encurtar o prazo.
Quanto da renda pode comprometer com a parcela?
A regra de mercado é que a parcela não passe de cerca de 30% da renda bruta familiar. Os bancos usam esse limite na análise de crédito, e ultrapassá-lo aumenta o risco de inadimplência. Some a renda da família (composição de renda é permitida) e desconte outras parcelas que você já paga. A calculadora de renda necessária para financiar mostra o valor exato.
Quais custos existem além do financiamento?
Comprar um imóvel envolve o ITBI (imposto de transmissão, cerca de 2% a 3%), a escritura e o registro em cartório, que juntos somam em torno de 4% a 6% do valor, pagos à vista. Depois, há condomínio, IPTU e manutenção mensais. A calculadora de custo total para comprar imóvel e a de custo mensal de imóvel ajudam a planejar tudo isso.
Financiamento com TR, IPCA ou prefixado: qual escolher?
São linhas com indexadores diferentes. A linha TR tem o saldo corrigido pela Taxa Referencial (historicamente baixa); a linha IPCA tem taxa contratual menor, mas o saldo sobe com a inflação; a prefixada tem taxa cheia e nada varia. A linha IPCA tem a menor parcela inicial, mas mais risco. Compare o custo total das quatro na calculadora de linhas de financiamento.