Galáxia
Galáxia Messier 100
Espiral de braços bem desenhados na Cabeleira de Berenice, uma das galáxias que provaram que o Hubble tinha voltado a enxergar direito.

- Tipo
- GaláxiaSIMBAD: AGN
- Distância
- 50 milhões de anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem, em 1994
- Constelação
- Cabeleira de BereniceCom
- Tamanho no céu
- 6,3 minutos de arcoextensão catalogada no SIMBAD
- Classificação
- SAB
- Observado por
- Very Large Telescope, Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, Hubble Space Telescope
- Imagem publicada
- outubro de 2010
- Original do acervo
- 1.280 × 1.276 px2 megapixels
- Desvio para o vermelho
- z = 0,005
Messier 100 é uma galáxia espiral na constelação da Cabeleira de Berenice, com 6,31 minutos de arco de tamanho aparente segundo o SIMBAD, cerca de um quinto do diâmetro da Lua cheia. Fica no hemisfério norte celeste, numa região do céu conhecida por concentrar galáxias em vez de estrelas: olhando naquela direção, a linha de visada sai do disco da Via Láctea quase perpendicularmente e encontra pouco gás e pouca poeira da nossa própria galáxia atrapalhando.
A classificação morfológica registrada é SAB, o que indica uma espiral intermediária entre barrada e não barrada. M 100 é vista aproximadamente de frente, e essa geometria é o motivo de ela aparecer tanto em livros e em material de divulgação: os braços se desenham sem sobreposição e a estrutura espiral fica legível de relance, o que quase nunca acontece com galáxias inclinadas.
O título original da imagem do Hubble de 2018 no acervo, que fala em 25 anos de definição impressionante, aponta para um episódio da história do telescópio. M 100 foi um dos alvos usados para demonstrar publicamente o resultado da missão que corrigiu a óptica defeituosa do Hubble, no fim de 1993. O antes e o depois dessa galáxia virou a imagem que explicou ao mundo que o problema tinha sido resolvido.
Por que essa galáxia entrou para a história do Hubble?
O Hubble foi lançado com um defeito no espelho principal, um erro de forma pequeno em valor absoluto e catastrófico em efeito: a luz não convergia num ponto único, e todas as imagens saíam borradas. A correção veio com uma missão que instalou óptica compensatória, e depois dela o telescópio passou a entregar a resolução prometida.
M 100 serviu como demonstração porque é uma espiral vista de frente, com braços cheios de aglomerados brilhantes e regiões de formação estelar bem separadas umas das outras. Numa galáxia assim, a diferença entre imagem borrada e imagem nítida não é sutil: no primeiro caso os braços viram manchas contínuas, no segundo eles se resolvem em pontos individuais.
Isso teve consequência científica, não apenas simbólica. Com a resolução recuperada, tornou-se possível identificar estrelas variáveis individuais em galáxias a dezenas de milhões de anos-luz. Variáveis Cefeidas são estrelas cuja luminosidade real pode ser deduzida do período de pulsação, e comparar luminosidade real com brilho aparente dá a distância. M 100 esteve entre os primeiros alvos desse programa.
Por que o redshift não serve como distância aqui?
O acervo registra z = 0,00524 para M 100, o que corresponde a um afastamento de cerca de 1.570 quilômetros por segundo. Numa primeira leitura ingênua, bastaria dividir essa velocidade pela constante de Hubble para obter a distância. Para esta galáxia, esse cálculo seria enganoso.
O motivo é que M 100 pertence a um agrupamento denso de galáxias, e dentro de agrupamentos as galáxias têm movimento próprio, orbitando o poço gravitacional coletivo com velocidades de centenas ou até mais de mil quilômetros por segundo. A velocidade medida no espectro é a soma do afastamento cosmológico com esse movimento local, e as duas parcelas não vêm separadas.
Por isso o campo de distância declarada vem vazio para este objeto no acervo, enquanto o redshift está preenchido. Não é omissão descuidada: é a diferença entre uma grandeza medida diretamente, o desvio das linhas espectrais, e uma grandeza derivada que exigiria hipóteses adicionais. Distâncias confiáveis para galáxias assim vêm de métodos independentes, como as Cefeidas.
O que a imagem em infravermelho e rádio acrescenta?
A imagem de 2019 do acervo é uma composição incomum. O metadado lista o instrumento HAWK-I, que trabalha no infravermelho próximo, com canais em 1.021, 1.258, 1.620 e 2.146 nanômetros, e acrescenta um canal em 1,2 milímetro identificado como CO(2-1), registrado sob a nomenclatura Band 3 e Band 6, própria de observatórios milimétricos.
Os quatro canais em infravermelho próximo mostram estrelas, inclusive as que estão atrás de poeira que a luz visível não atravessa. O canal milimétrico mostra algo completamente diferente: a linha de emissão da molécula de monóxido de carbono, que é o traçador padrão do gás molecular frio. Hidrogênio molecular é o combustível real da formação estelar, mas ele é quase invisível nas condições frias das nuvens, e o monóxido de carbono serve de substituto detectável.
Somar as duas leituras responde a uma pergunta que nenhuma delas responde sozinha: onde estão as estrelas jovens e onde está o gás que ainda pode virar estrela. É por isso que o título original fala em surtos e queimas lentas. Regiões com muito gás molecular e poucas estrelas jovens são reservas ainda intocadas; regiões com muitas estrelas jovens e pouco gás já gastaram o que tinham.
O que cabe e o que não cabe em cada foto?
Vale confrontar os números do metadado com o tamanho do objeto, porque isso muda a leitura das imagens. M 100 tem 6,31 minutos de arco. A imagem do Hubble de 2018, feita com a câmera WFC3, cobre um campo de 2,4 por 2,4 minutos de arco. Ou seja, ela não mostra a galáxia inteira: mostra a região central, com os braços internos.
A composição de 2019 cobre 4 por 3,6 minutos de arco, mais larga que a do Hubble e ainda assim menor que o diâmetro registrado. Nenhuma das duas imagens do acervo contém a galáxia por completo, e isso não é defeito: instrumentos de alta resolução costumam ter campo pequeno, e essa troca entre detalhe e abrangência é estrutural em astronomia.
A consequência prática para quem olha é simples. As partes externas da galáxia, onde os braços se abrem mais e o brilho superficial cai, ficam fora do quadro. Uma pessoa que conhecesse M 100 apenas por essas duas imagens subestimaria bastante a extensão real do disco.
Os números deste objeto
| Constelação | Cabeleira de Berenice (Com) |
|---|---|
| Identificação principal | M 100SIMBAD |
| Classificação | núcleo ativo de galáxia (AGN)SIMBAD |
| Morfologia | SAB |
| Tamanho aparente | 6,31 minutos de arcoSIMBAD |
| Desvio para o vermelho | z = 0,00524 |
| Coordenadas J2000 | AR 185,729 graus, Dec 15,822 graus |
| Distância declarada | não informada pelo publicador |
| Imagens no acervo | 2 |
O que reparar nesta imagem
- Os grumos ao longo dos braçosOs pontos brilhantes enfileirados nos braços são aglomerados de estrelas jovens e regiões de gás ionizado, não estrelas isoladas. Foi a nitidez desses pontos que provou a correção óptica do Hubble.
- A galáxia vista de frenteM 100 aparece aproximadamente circular porque o disco está quase perpendicular à nossa linha de visada. Essa geometria é rara e é o que torna a estrutura espiral tão legível.
- O que sai do quadroA galáxia tem 6,31 minutos de arco e a imagem do Hubble cobre 2,4 minutos de lado. As partes externas do disco simplesmente não estão na foto.
Que tamanho é isso, de verdade
Cerca de 4,8 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 6,5 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 91.707 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.
A luz desta imagem levou 50 milhões de anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era quando os primeiros representantes do gênero Homo apareciam na África.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está abaixo do horizonte de São Paulo, SP. Ele volta a subir mais tarde, e alcança no máximo 51° de altura daqui.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 51 graus acima do horizonte.
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Quanto já se olhou para aqui
- 483registros do Hubble
- 48registros do James Webb
- 23registros do GALEX
Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 3,1 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.
O que ainda não se sabe
O SIMBAD registra M 100 com o tipo AGN, ou seja, núcleo ativo de galáxia, mas a intensidade dessa atividade e o quanto ela influencia o resto do disco não são questões fechadas. Núcleos fracos são difíceis de distinguir de concentrações densas de estrelas jovens, e a separação depende de análise espectral cuidadosa. Também segue em discussão o mecanismo que mantém o padrão espiral tão bem definido nesta galáxia ao longo do tempo, já que os braços não podem ser estruturas materiais fixas: as estrelas do disco giram com velocidades diferentes conforme a distância ao centro e enrolariam qualquer braço rígido em poucas voltas.
Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.
Uma coisa que quase ninguém sabe
M 100 fica numa direção do céu em que a linha de visada sai quase perpendicular ao disco da Via Láctea. Como há pouca poeira da nossa própria galáxia atrapalhando naquele ponto, aquela região concentra uma densidade incomum de galáxias visíveis, e telescópios amadores modestos conseguem enxergar várias delas no mesmo campo.
Outras imagens deste objeto


Crédito ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); NRAO/AUI/NSF, B. Saxton ESO CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA & ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito J. Trauger, JPL and NASA/ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito Dr. Wendy L. Freedman, Observatories of the Carnegie Institution of Washington, and NASA/ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito ESA/Hubble & NASA ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito N/A ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito N/A ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA & ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Aglomerado de Coma
Crédito NASA, ESA, Digitized Sky Survey 2 Acknowledgement: Davide De Martin ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia de Andrômeda
Crédito ESA/Hubble & Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Sombrero
Crédito ESA/Hubble & NASA, K. Noll ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Redemoinho
Crédito NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Cata-vento
Crédito NASA, ESA, CXC, SSC and STScI ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Charuto
Crédito NASA, ESA, CSA, A. Smercina (STScI), T. Williams (University of Manchester). Image processing: A. Pagan (STScI). ESA/Webb CC BY 4.0
- Galáxia de Bode
Crédito ESA/INT/DSS2 ESA/Hubble CC BY 4.0
Perguntas frequentes
- O que é a Galáxia Messier 100?
- Messier 100 é uma galáxia espiral vista aproximadamente de frente, na constelação da Cabeleira de Berenice, no céu do hemisfério norte. Tem 6,31 minutos de arco de tamanho aparente segundo o SIMBAD, cerca de um quinto do diâmetro da Lua cheia, e classificação morfológica SAB, um caso intermediário entre espiral barrada e não barrada. O SIMBAD registra também que a galáxia abriga um núcleo ativo.
- Por que M 100 é importante na história do telescópio Hubble?
- Porque serviu de demonstração pública do resultado da missão que corrigiu a óptica do Hubble no fim de 1993. O telescópio havia sido lançado com um defeito no espelho principal que borrava todas as imagens. Numa espiral vista de frente como M 100, a diferença entre antes e depois é gritante: com a correção, o que era mancha contínua nos braços passou a se resolver em aglomerados estelares individuais.
- A que distância fica Messier 100?
- O acervo não traz distância declarada para esta galáxia, apenas o desvio para o vermelho, z = 0,00524. Convertido em velocidade, isso equivale a cerca de 1.570 quilômetros por segundo de afastamento. Esse número não vira distância confiável por divisão simples, porque M 100 pertence a um agrupamento denso de galáxias e boa parte da velocidade medida vem do movimento próprio dela dentro do agrupamento, não da expansão do universo.
- Por que a imagem do Hubble não mostra a galáxia inteira?
- Porque o campo de visão do instrumento é menor que o objeto. A imagem de 2018, feita com a câmera WFC3, cobre 2,4 por 2,4 minutos de arco, enquanto M 100 tem 6,31 minutos de arco de tamanho aparente. Instrumentos de alta resolução costumam ter campo pequeno, e essa troca entre detalhe e abrangência é estrutural em astronomia. A composição de 2019 do acervo é mais larga, com 4 por 3,6 minutos, e ainda assim não cobre tudo.
- O que é o canal CO(2-1) na imagem de 2019?
- CO(2-1) é uma linha de emissão da molécula de monóxido de carbono, registrada em 1,2 milímetro de comprimento de onda. Serve como traçador do gás molecular frio, que é o combustível da formação estelar. O hidrogênio molecular, que é o componente dominante dessas nuvens, quase não emite nas temperaturas baixas em que elas existem, então observa-se o monóxido de carbono, muito menos abundante mas detectável, e infere-se o resto a partir dele.
- O que significa a classificação SAB?
- SAB indica uma galáxia espiral em situação intermediária quanto à barra central. Espirais do tipo SA não têm barra, espirais SB têm uma barra estelar bem definida cruzando o núcleo, e SAB fica entre as duas: há uma estrutura alongada no centro, mas fraca ou pouco desenvolvida. A classificação é feita a partir da aparência em imagens, e por isso funciona melhor em galáxias vistas de frente, como é o caso de M 100.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Galáxia Messier 100. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/galaxia-messier-100. Consultado em: 23/08/2026.






