Média escolar e aprovação: como a escola decide quem passa

Como funciona a aprovação na escola brasileira: quem define a média, peso das avaliações, recuperação paralela e final, reprovação por falta, conselho de classe e progressão parcial, com a base legal de cada etapa.

Revisado pela equipe editorial ValorFinalLDB (Lei 9.394/1996), arts. 23 e 24, e notas do CNE/MEC
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Quase todo aluno brasileiro já fez essa conta de cabeça no fim do ano, e boa parte errou. Não por dificuldade de matemática: a conta é uma média ponderada, e ela é simples. O erro vem de não saber quais regras a escola está usando. Quanto vale cada prova, se a recuperação substitui a nota ou faz média com ela, se o ano é dividido em três ou em quatro partes, quantas faltas cabem antes de a nota deixar de importar. Este guia explica como a escola brasileira decide quem passa, com a base legal de cada etapa e as contas resolvidas. Para descobrir quanto falta no seu caso, use a calculadora de nota para passar.

Resposta rápida

  • A média de aprovação não está na lei: quem define é o regimento da sua escola. A 6,0 é a mais comum, não a única.
  • A frequência está: 75% das horas letivas, art. 24, VI da LDB. Vale mesmo com média alta.
  • Peso muda tudo: a média é ponderada. Prova de peso 3 e trabalho de peso 1 não se somam e dividem por dois.
  • Recuperação é obrigatória por lei, mas o formato é da escola. São três modelos comuns e eles exigem esforços diferentes.
  • Descubra as regras no começo do período, não no fim. É a única hora em que a informação ainda muda alguma coisa.

O que a lei federal fixa e o que ela deixa para a escola

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei 9.394 de 1996, é o texto que organiza a educação básica no Brasil. Ela é bem menos detalhista do que a maioria das pessoas imagina em matéria de nota.

A LDB não diz que a média de aprovação é 6,0. Não diz quantas provas o professor deve aplicar, nem quanto cada uma vale, nem se o ano se divide em bimestres ou trimestres. O art. 24, inciso V, estabelece critérios gerais: a avaliação deve ser contínua e cumulativa, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. É uma diretriz de método, não uma fórmula.

O que a lei fixa em número é outra coisa: 200 dias letivos no mínimo, 800 horas anuais no ensino fundamental e 1.000 horas no ensino médio (art. 24, I), e frequência mínima de 75% das horas letivas para aprovação (art. 24, VI). Guarde esse contraste, porque ele organiza o resto do guia. A nota é assunto do regimento escolar. A presença é assunto da lei federal.

Consequência prática: o documento que responde à sua dúvida sobre média, peso e recuperação chama-se regimento escolar, e a escola é obrigada a disponibilizá-lo. Pedir uma cópia na secretaria no começo do ano vale mais que qualquer conta feita em dezembro.

Como a média do período é calculada

A média escolar é uma média ponderada. Cada avaliação tem uma nota e um peso, e o peso diz quantas vezes aquela nota conta.

A conta tem dois passos. Primeiro, multiplique cada nota pelo peso dela e some tudo: isso dá os pontos obtidos. Depois, divida pela soma dos pesos. Um bimestre com prova 7,0 de peso 3, trabalho 9,0 de peso 1 e participação 10,0 de peso 1 dá pontos obtidos de 7x3 + 9x1 + 10x1 = 40, sobre soma de pesos 5, ou seja, média 8,0.

O erro clássico é somar as três notas e dividir por três, o que daria 8,67. A diferença de 0,67 parece pequena e já mudou muita aprovação. Se todas as avaliações têm o mesmo peso, aí sim a média ponderada coincide com a simples, e é por isso que tanta gente acha que é sempre assim. A mecânica da média ponderada, com exercícios resolvidos, está no guia de média aritmética e ponderada, e a calculadora de média resolve os dois tipos.

Uma variação que confunde: algumas escolas não usam peso e sim pontuação distribuída. A prova vale 6 pontos, o trabalho vale 3 e a participação vale 1, somando 10. Nesse formato você não tira média, você soma pontos, e o resultado já é a nota do período. É a mesma matemática escrita de outro jeito: peso 6, 3 e 1 sobre soma 10.

Bimestre, trimestre e semestre: o que muda de verdade

O art. 23 da LDB permite que a educação básica se organize em séries anuais, períodos semestrais, ciclos e outras formas, conforme o interesse do processo de aprendizagem. Daí vem a variedade que existe hoje.

A divisão não muda a lógica da média, muda o peso de cada período no ano. E isso tem um efeito concreto na chance de recuperação.

Divisão do anoPeríodosPeso de cada umEfeito de um período ruim
Bimestral425%Sobram 3 períodos para compensar
Trimestral333%Sobram 2, e cada um precisa render mais
Semestral250%Um semestre fraco quase decide o ano

Um aluno que zera o primeiro período precisa de 8,0 de média nos três bimestres seguintes para fechar 6,0 no ano. No sistema trimestral, com dois períodos restantes, precisaria de 9,0 em cada. No semestral seria impossível, porque nem 10,0 no segundo semestre levaria a média a 6,0. É a mesma nota inicial com três destinos diferentes.

Quanto preciso tirar: a conta invertida

A pergunta que o aluno realmente faz não é qual é a minha média, e sim quanto falta. É a mesma equação resolvida para a incógnita.

Chame de S a soma dos pontos já garantidos, de P a soma de todos os pesos do período e de R a soma dos pesos que ainda serão avaliados. Para atingir a média M, você precisa de S + xR = M x P, ou seja, x = (M x P - S) / R, onde x é a nota necessária no que falta.

A tabela abaixo aplica essa fórmula ao cenário mais comum das escolas brasileiras: três bimestres já fechados com peso igual, um bimestre restante, média de aprovação 6,0 e escala de 0 a 10. Os valores saem do mesmo motor da calculadora do portal.

Notas dos 3 primeirosPontos obtidosMédia parcialPrecisa no 4ºSituação
4, 5, 61559possível
5, 6, 71866possível
6, 6, 61866possível
7, 7, 72173possível
3, 4, 512412aprovação direta impossível
8, 9, 9268,67-2aprovado mesmo zerando

Repare nas duas últimas linhas, porque são elas que separam uma calculadora honesta de uma que devolve número sem pensar. Quem tirou 3,0, 4,0 e 5,0 precisaria de 12,0 no quarto bimestre, e 12,0 não existe numa escala que vai até 10. O resultado correto não é o número 12: é a informação de que a aprovação direta acabou e que o caminho agora é a recuperação. No outro extremo, quem tirou 8,0, 9,0 e 9,0 já garantiu a aprovação mesmo zerando o último bimestre, e uma calculadora que responde 0,0 sem explicar deixa o aluno achando que precisa tirar zero.

A calculadora de nota para passar nomeia os dois casos e aceita peso diferente por avaliação, recuperação e escala de 0 a 100.

Média do período e média anual são contas diferentes

Existem duas médias na vida escolar e confundi-las produz susto desnecessário.

A média do período resume as avaliações de um bimestre ou trimestre. É ela que aparece no boletim parcial. A média anual combina as médias dos períodos e é ela que decide aprovação. Na maioria das escolas a média anual é a média simples das médias dos períodos, mas há regimento que dá peso maior aos períodos finais, justamente para valorizar a evolução do aluno ao longo do ano, em linha com o art. 24, V, alínea a da LDB.

Isso muda a conta. Se o quarto bimestre pesa o dobro dos demais, um aluno com 5,0, 5,0 e 5,0 precisa de 7,5 no último para fechar 6,0, e não de 9,0 como no sistema de pesos iguais. Vale conferir no regimento antes de estimar o esforço.

Recuperação: o que a lei obriga e o que a escola escolhe

O art. 24, inciso V, alínea e da LDB torna obrigatórios os estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos. O art. 12, V, e o art. 13, IV, reforçam a obrigação, atribuindo à escola prover meios de recuperação e aos docentes estabelecer estratégias para os alunos de menor rendimento.

A lei obriga a oferta e delega o formato. Por isso o mesmo aluno teria caminhos bem diferentes em duas escolas da mesma rua.

ModeloComo funcionaExemplo com média 5,0 e recuperação 7,0
SubstituiçãoA nota da recuperação substitui a média anterior quando é maiorNota final 7,0, aprovado
Média entre as duasNota final é a média entre a média do período e a recuperação(5,0 + 7,0) / 2 = 6,0, aprovado no limite
Nota mínima própriaBasta atingir o valor fixado pela escola na prova de recuperaçãoAprovado se o mínimo for 6,0 ou menos

O modelo de média é o mais duro e o mais comum. Com média 4,0 no período, ele exige 8,0 na recuperação para chegar a 6,0. Com média 3,0, exige 9,0. Descobrir isso antes de estudar muda a estratégia inteira, porque revela quanto conteúdo precisa ser recuperado de fato.

A recuperação paralela acontece durante o período letivo, logo depois de a dificuldade aparecer, e é a que a lei indica como preferencial. A final acontece no encerramento do ano, depois de fechadas as médias. Escola que oferece só a final cumpre a obrigação de maneira mais frágil: o aluno passa o ano sem apoio e recebe uma única chance concentrada.

Reprovação por falta: os 75% que decidem sozinhos

Este é o ponto do guia que mais pega gente desprevenida, então vale a atenção.

O art. 24, inciso VI da LDB exige frequência mínima de 75% do total de horas letivas para aprovação. É requisito independente da nota. Um aluno com média 9,5 e frequência de 70% é reprovado, e não existe recuperação de falta.

Dois detalhes técnicos costumam ser mal entendidos. O primeiro é que a conta é sobre horas letivas, não sobre dias de calendário. Uma disciplina com 5 aulas semanais tem mais horas no ano que uma com 2 aulas, e o limite de 25% se aplica a cada volume. O segundo é que o limite global do ano e o controle por disciplina podem conviver, conforme o regimento: dá para estar dentro dos 75% no total do ano e ainda assim ter estourado o limite em uma disciplina específica.

Um exemplo numérico ajuda. No ensino médio, com 1.000 horas anuais, o teto de faltas é de 250 horas. Numa disciplina de 200 horas no ano, o teto próprio dela é de 50 horas, o equivalente a cerca de 12 semanas de uma matéria com 4 aulas semanais. Faltar às segundas-feiras de uma disciplina que só tem aula nesse dia consome o limite muito mais rápido do que a intuição sugere. Para contar os dias letivos e prazos do calendário escolar, a calculadora de dias úteis ajuda.

Conselho de classe e progressão parcial

Duas válvulas de escape existem no sistema, e nenhuma das duas é direito automático do aluno.

O conselho de classe é a reunião dos professores da turma. Quando o regimento lhe dá competência deliberativa, ele pode aprovar um aluno que não atingiu a média, considerando evolução ao longo do ano, esforço e desempenho nas demais disciplinas. O fundamento está na alínea a do art. 24, V, que manda a avaliação prevalecer nos aspectos qualitativos e nos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. É uma decisão colegiada e excepcional. Contar com ela ao planejar o ano é apostar em algo que não está sob seu controle.

A progressão parcial, conhecida como dependência, permite avançar para a série seguinte carregando as disciplinas em que houve reprovação, cursadas em paralelo. O art. 24, inciso III autoriza o regimento a adotá-la, desde que preservada a sequência do currículo. Se o regimento da sua escola não a prevê, ela simplesmente não existe ali, e a reprovação em uma disciplina reprova a série.

Escala de 0 a 10, de 0 a 100 e o boletim por conceito

Nem toda escola registra nota em décimos de 0 a 10. Três formatos convivem no Brasil e cada um tem uma armadilha própria.

A escala de 0 a 10 é a mais comum na educação básica. Converter dela para a escala de 0 a 100 é multiplicar por 10, e o caminho de volta é dividir por 10. Uma média 7,5 vira 75 pontos, e nada mais muda: a aprovação em 6,0 vira aprovação em 60.

A escala de 0 a 100 aparece em rede pública de alguns estados e em escola técnica. Ela dá mais granularidade e, com isso, torna o arredondamento menos relevante, porque a diferença entre 59 e 60 é mais visível que entre 5,9 e 6,0. A pegadinha é misturar as duas na mesma conta: somar uma nota 8,0 com uma nota 80 produz um resultado sem sentido, e isso acontece quando o aluno copia notas de fontes diferentes para uma planilha.

O boletim por conceito, com letras ou menções do tipo plenamente satisfatório, satisfatório e insatisfatório, é comum nos anos iniciais do ensino fundamental e em escolas com proposta pedagógica própria. Ele não é conversível em nota de forma automática: cada conceito corresponde a uma faixa definida no regimento, e a faixa costuma ser larga. Se a sua escola usa conceito, a pergunta quanto preciso tirar não tem resposta numérica, e o caminho é conversar com o professor sobre quais competências ainda faltam.

Para converter entre escalas ou entre percentuais e pontos, a ferramenta de conversão e a calculadora de porcentagem resolvem os casos do dia a dia. Quando a escola distribui pontos por instrumento, a calculadora de frações ajuda a somar parcelas que não são decimais redondos.

Como conferir se a média do boletim está certa

Erro de lançamento de nota existe, e ninguém confere o boletim com mais interesse do que o próprio aluno. Vale fazer a checagem em quatro passos, na ordem.

Primeiro, liste todas as avaliações do período com nota e peso, do jeito que o professor divulgou no início. Se você não tem esse registro, é o momento de pedir: a nota lançada precisa ter origem identificável.

Segundo, refaça a média ponderada multiplicando cada nota pelo peso, somando e dividindo pela soma dos pesos. Se o resultado bater com o boletim, o problema não está aqui.

Terceiro, confira se alguma avaliação ficou de fora ou entrou duas vezes. É o erro de lançamento mais frequente, e ele aparece como uma diferença exata do peso de um instrumento.

Quarto, verifique a regra de arredondamento antes de reclamar de uma diferença de um décimo. Se a média calculada dá 6,04 e o boletim mostra 6,0, não há erro: há truncamento. Se dá 5,96 e o boletim mostra 5,9 em escola que arredonda, aí sim vale conversar com a secretaria.

Encontrando divergência, procure primeiro o professor da disciplina e depois a coordenação pedagógica, levando a lista de notas e a conta refeita. Reclamação com o cálculo pronto costuma resolver na primeira conversa.

Os erros que mais estragam a conta

O primeiro é tratar média ponderada como média simples. Somar as notas e dividir pela quantidade quando os pesos são diferentes distorce o resultado sempre no sentido otimista, porque a nota alta de um trabalho leve puxa a média que não deveria puxar.

O segundo é esquecer o arredondamento. Uma média de 5,96 é aprovação em escola que arredonda e reprovação em escola que não arredonda. Como a regra não está na lei federal, ela tem que estar no regimento, e vale conferir antes de contar com o décimo.

O terceiro é ignorar a frequência. É o único requisito que a nota não compensa, e o único cujo limite se esgota silenciosamente ao longo do ano.

O quarto é assumir que a recuperação substitui a nota. No modelo de média, que é o mais comum, ela não substitui: ela faz média. Quem estuda achando que 6,0 na recuperação resolve pode descobrir tarde que precisava de 8,0.

O quinto é calcular a média anual como média simples dos períodos quando o regimento dá peso maior aos períodos finais. Nesse caso a conta correta é outra, e costuma ser mais favorável a quem melhorou ao longo do ano.

Como planejar o período em vez de descobrir o resultado

Toda a matemática deste guia só serve para alguma coisa se for usada no começo, e não em dezembro. Três informações resolvem quase tudo e você consegue as três na primeira semana de aula: qual é a média de aprovação, quanto vale cada avaliação e qual é o modelo de recuperação.

Com isso em mãos, dá para responder perguntas úteis antes de a nota existir. Quanto preciso tirar na prova que vale peso 3 para não depender do trabalho. Se eu tirar 5,0 neste bimestre, quanto preciso nos próximos. Quantas aulas ainda posso perder. São contas de proporção simples, do mesmo tipo tratado no guia de regra de três, e você resolve com a calculadora de regra de três ou com a calculadora de porcentagem quando a escola usa pontuação distribuída.

Para treinar o conteúdo em vez de só medir a nota, o portal de matemática do ValorFinal tem material por série e os simulados de matemática com gabarito comentado mostram o desempenho por tópico, que é a informação que a média esconde. Uma média 6,0 pode ser 6,0 em tudo ou 9,0 em metade e 3,0 na outra, e as duas pedem estudos bem diferentes.

Limitações

Fontes oficiais

Conclusão

A aprovação escolar no Brasil combina duas coisas de naturezas diferentes. A nota é assunto do regimento de cada escola, e por isso varia tanto: média 6,0 aqui e 7,0 ali, recuperação que substitui num lugar e faz média em outro, arredondamento que existe numa secretaria e não existe na vizinha. A frequência é assunto da lei federal, fixada em 75% das horas letivas pelo art. 24, VI da LDB, e não admite negociação nem compensação por nota alta.

A parte matemática disso tudo é uma média ponderada resolvida para a incógnita, e ela cabe em uma linha. O que decide o resultado é conhecer os parâmetros: peso de cada avaliação, divisão do ano, modelo de recuperação e limite de faltas. Quem pergunta isso na primeira semana de aula joga o ano inteiro com a informação na mão; quem pergunta em dezembro está só conferindo um resultado já decidido.

Para fazer a conta do seu caso, com peso por avaliação e cenários prontos, use a calculadora de nota para passar. Para calcular a média de um conjunto de notas, a calculadora de média resolve a simples e a ponderada. E se a dúvida for a mecânica da média em si, o guia de média aritmética e ponderada ensina passo a passo.

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Fontes oficiais

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ValorFinal. Média escolar e aprovação: como a escola decide quem passa. Disponível em: https://valorfinal.com.br/guia/media-escolar-e-aprovacao. Atualizado em: 06/08/2026.

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Como validamos os cálculos

Os valores citados neste guia são estimativos e baseados em fontes oficiais (LDB (Lei 9.394/1996), arts. 23 e 24, e notas do CNE/MEC). Eles podem variar conforme convenção coletiva, situação individual e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

Qual é a média para passar de ano?
Não existe uma média nacional. A LDB não fixa nota mínima de aprovação: quem define é o regimento de cada escola, dentro das normas do sistema de ensino do estado ou do município. A média 6,0 é a mais comum nas escolas brasileiras, mas há escola com 5,0, com 7,0 e escola que usa conceito em vez de nota. O único número que a lei fixa é a frequência: 75% das horas letivas, no art. 24, inciso VI.
Como calcular a média do bimestre?
Se todas as avaliações valem o mesmo, some as notas e divida pela quantidade. Se cada uma tem um peso, multiplique cada nota pelo peso dela, some tudo e divida pela soma dos pesos. Uma prova 7,0 de peso 3 e um trabalho 9,0 de peso 1 dão (7x3 + 9x1) dividido por 4, ou seja, 7,5. Repare que não é 8,0: a média simples entre 7 e 9 daria 8,0 e estaria errada, porque ignora que a prova pesa três vezes mais.
Quanto preciso tirar na última prova para passar?
Some os pontos que você já garantiu (nota vezes peso de cada avaliação feita), calcule quantos pontos a média de aprovação exige no total (média vezes a soma de todos os pesos do período) e divida a diferença pelo peso do que falta. Com três bimestres de 5,0, 6,0 e 7,0 de peso igual e um bimestre restante, para fechar média 6,0 você precisa de exatamente 6,0 no quarto. A calculadora de nota para passar faz essa conta e ainda avisa quando o número que saiu é impossível.
O que acontece se a nota necessária for maior que 10?
Significa que a aprovação direta já não é mais possível, e nenhuma nota no que falta resolve. Uma calculadora que devolve 12,5 nesse caso está dando um número sem sentido. A resposta correta passa a ser a recuperação ou o exame final, se o regimento da sua escola tiver essa etapa. Vale conferir também se algum peso foi digitado errado, porque é o erro que mais produz esse resultado.
Posso ser reprovado por falta mesmo com média boa?
Pode, e é a situação que mais pega aluno de surpresa. O art. 24, inciso VI da LDB exige frequência mínima de 75% do total de horas letivas para aprovação, e esse requisito é independente da nota. Quem fecha média 9,0 e falta a 30% das aulas é reprovado por infrequência. Em 200 dias letivos, 25% equivalem a 50 dias, mas a conta legal é sobre horas, não sobre dias, então disciplina com mais aulas por semana consome o limite mais rápido.
A escola é obrigada a oferecer recuperação?
Sim. O art. 24, inciso V, alínea e da LDB torna obrigatórios os estudos de recuperação para casos de baixo rendimento, de preferência paralelos ao período letivo. A lei obriga a oferta e deixa o formato para o regimento de cada escola. Por isso existem modelos tão diferentes: recuperação que substitui a nota, recuperação que faz média com a nota anterior e recuperação que exige um mínimo próprio.
Como funciona a nota da recuperação?
Depende do modelo adotado no regimento, e são três os mais comuns. No modelo de substituição, a nota da recuperação toma o lugar da média anterior se for maior. No modelo de média, a nota final é a média entre a média do período e a nota da recuperação, o que costuma exigir uma nota alta na prova. No modelo de nota mínima, basta atingir um valor fixo definido pela escola. Antes de estudar, descubra qual é o seu: eles pedem esforços bem diferentes.
Qual a diferença entre recuperação paralela e recuperação final?
A paralela acontece durante o período letivo, logo depois de a dificuldade aparecer, e é a que a LDB indica como preferencial porque corrige o problema enquanto o conteúdo ainda está sendo estudado. A final acontece no encerramento do ano, depois de fechadas todas as médias, e funciona como última chance. Escola que só oferece a final cumpre a obrigação de forma mais frágil, porque o aluno passa o ano inteiro sem apoio.
O que é progressão parcial ou dependência?
É a possibilidade de avançar para a série seguinte carregando uma ou mais disciplinas em que houve reprovação, cursando-as em paralelo. O art. 24, inciso III da LDB permite que o regimento escolar adote esse formato, desde que preservada a sequência do currículo. Não é um direito automático do aluno: se o regimento da escola não prevê progressão parcial, a reprovação em uma disciplina reprova a série inteira.
O conselho de classe pode aprovar um aluno reprovado?
Pode, quando o regimento escolar prevê essa competência, e é uma decisão colegiada dos professores da turma, não um favor individual. O fundamento está no art. 24, inciso V, alínea a da LDB, que manda a avaliação ser contínua e cumulativa, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. Na prática, o conselho costuma analisar evolução ao longo do ano, esforço e desempenho nas outras disciplinas. Não é possível contar com isso ao planejar o ano.
Bimestre, trimestre e semestre mudam a conta?
Mudam o número de parcelas, não a lógica. Em quatro bimestres, cada um pesa um quarto do ano; em três trimestres, cada um pesa um terço. O efeito prático é grande: no sistema trimestral um período ruim pesa 33% da média anual, contra 25% no bimestral, o que torna a recuperação mais difícil. O art. 23 da LDB permite à escola organizar a educação básica em séries anuais, períodos semestrais, ciclos e outras formas, e é daí que vem a variedade.
Média com casas decimais é arredondada?
Depende do regimento, e essa é uma das dúvidas que mais gera conflito. Algumas escolas arredondam 5,9 para 6,0 e aprovam; outras exigem 6,0 cheio e reprovam quem ficou em 5,95. Como a regra não está na lei federal, ela precisa estar escrita no regimento, e você tem direito de consultá-lo. Ao usar qualquer calculadora, trate o resultado como valor exato e confirme a regra de arredondamento com a secretaria antes de contar com meio décimo.
Quantos dias letivos tem o ano escolar?
No mínimo 200 dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado a exames finais, conforme o art. 24, inciso I da LDB. A carga horária mínima anual é de 800 horas no ensino fundamental e de 1.000 horas no ensino médio. Esse número importa para a conta de frequência, porque o limite de faltas é calculado sobre as horas letivas de cada disciplina, não sobre os dias do calendário.
A nota do simulado entra na média?
Só se o regimento ou o plano de avaliação da disciplina disser que entra, com peso declarado. Simulado costuma ter função diagnóstica, para o aluno e o professor identificarem lacunas antes da prova que vale nota. Se você não sabe se conta, pergunte ao professor no início do período: saber o peso de cada instrumento é o que permite planejar em vez de descobrir o resultado no fim.