Média aritmética, ponderada e geométrica: aula completa

Entenda de uma vez todos os tipos de média no nível de uma aula particular: aritmética simples, ponderada, geométrica e harmônica, além de mediana e moda, com exemplos resolvidos passo a passo, quando usar cada uma e os erros mais comuns.

Revisado pela equipe editorial ValorFinalOBMEP / IMPA / IBGE (estatística) / matemática básica

A palavra média aparece o tempo todo: a média do boletim, a média de gols do time, a renda média do brasileiro, a temperatura média da semana. Mas existe mais de um tipo de média, e usar o tipo errado leva a conclusões erradas. Este guia foi escrito como uma aula completa, pensada também para quem está retomando os estudos no supletivo ou na educação de jovens e adultos: vamos do conceito de média aritmética simples até a ponderada, a geométrica e a harmônica, e ainda passar por mediana e moda, sempre com exemplos resolvidos passo a passo. Para conferir cada cálculo enquanto aprende, use a calculadora de média.

Resposta rápida

  • Média aritmética: some todos os valores e divida pela quantidade deles.
  • Média ponderada: multiplique cada valor pelo seu peso, some e divida pela soma dos pesos.
  • Mediana: o valor do meio com os dados em ordem; melhor que a média quando há números extremos.
  • Confira sempre: qualquer média fica entre o menor e o maior valor. Se saiu fora, há erro.

O que é média, afinal

Média é uma forma de resumir muitos números em um só, escolhendo um valor que represente bem o conjunto. Imagine que você quer dizer, em uma frase, como foi o seu desempenho em cinco provas. Em vez de citar as cinco notas, você dá a média, e ela carrega a ideia geral. Por isso a média é chamada de medida de tendência central: ela tenta encontrar o centro, o valor típico em torno do qual os dados se distribuem.

O ponto que quase ninguém comenta na escola é que existe mais de uma maneira de achar esse centro, e cada situação pede um tipo de média. A média aritmética serve para a maioria dos casos do dia a dia. A ponderada entra quando os valores têm importâncias diferentes. A geométrica é a certa para crescimento e taxas. A harmônica resolve problemas de velocidade e ritmo. E, ao lado das médias, a mediana e a moda completam o quadro. Vamos ver cada uma com calma, e você vai perceber que todas são simples quando explicadas com exemplos.

Média aritmética simples

Esta é a média que todo mundo conhece. Some todos os valores e divida pela quantidade de valores. A fórmula em palavras é: média igual à soma dos valores dividida pela quantidade de valores. Exemplo do boletim: você tirou 6, 7, 8 e 5 em quatro provas de mesmo peso. A soma é 6 mais 7 mais 8 mais 5, igual a 26. São 4 provas, então a média é 26 dividido por 4, igual a 6,5. Pronto, esse 6,5 representa o conjunto.

A média aritmética tem uma propriedade bonita que ajuda a entendê-la: ela é o ponto de equilíbrio dos dados. Se você somar o quanto cada valor está acima da média e o quanto cada valor está abaixo, os dois lados se cancelam exatamente. No exemplo, 8 está 1,5 acima de 6,5, e 7 está 0,5 acima, somando 2 acima. Já 6 está 0,5 abaixo e 5 está 1,5 abaixo, somando 2 abaixo. Os 2 de cima e os 2 de baixo se equilibram. É por isso que um único valor muito alto ou muito baixo desloca a média inteira, uma característica importante que vamos retomar quando falarmos de mediana.

Um uso prático e muito procurado: descobrir a nota que falta para passar. Suponha que a média de aprovação seja 6, você já fez três provas (5, 7 e 6) de mesmo peso e falta a quarta, que chamaremos de x. Monte a média e iguale a 6: a soma 5 mais 7 mais 6 mais x, dividida por 4, igual a 6. Isso dá 18 mais x igual a 24, então x igual a 6. Você precisa de 6 na última prova. Trocar o número de provas ou a média exigida muda a conta, mas o raciocínio de isolar o x é sempre o mesmo, e a calculadora de média permite testar vários cenários em segundos.

Média ponderada

Nem todos os valores têm a mesma importância. Quando alguns pesam mais que outros, usamos a média ponderada. A receita é: multiplique cada valor pelo seu peso, some todos esses produtos e divida pela soma dos pesos. O peso diz o quanto cada valor influencia o resultado final.

Exemplo escolar. Na sua disciplina, a prova vale peso 3, o trabalho vale peso 2 e a participação vale peso 1. Você tirou 7 na prova, 9 no trabalho e 6 na participação. Multiplique e some: 7 vezes 3 igual a 21, 9 vezes 2 igual a 18, 6 vezes 1 igual a 6, total 45. Agora some os pesos: 3 mais 2 mais 1, igual a 6. A média ponderada é 45 dividido por 6, igual a 7,5. Repare que, se você tivesse feito a média simples das três notas (7, 9 e 6), daria aproximadamente 7,33; a ponderada subiu porque a sua melhor nota, o 9, está num item de peso maior em relação ao número de itens.

AvaliaçãoNotaPesoNota vezes peso
Prova7321
Trabalho9218
Participação616
Total645 (média 7,5)

A média ponderada também aparece longe da escola. O preço médio que você pagou por uma ação comprada em momentos diferentes é uma ponderada pelas quantidades. O índice de preços que mede a inflação é uma ponderada pelo peso de cada produto no orçamento das famílias. Até a média de um time em vários campeonatos, com números diferentes de jogos, deve ser ponderada pelo número de jogos. Sempre que os grupos têm tamanhos diferentes, a ponderada é a resposta certa, e a simples engana. Um detalhe que fecha o raciocínio: a média simples é apenas o caso particular da ponderada em que todos os pesos são iguais.

Média geométrica

Quando os números representam multiplicações sucessivas, como crescimento ao longo do tempo, a média aritmética engana e a média geométrica é a correta. Em vez de somar e dividir, você multiplica todos os valores e tira a raiz de índice igual à quantidade deles. Para dois números, é a raiz quadrada do produto; para três, a raiz cúbica, e assim por diante.

Exemplo claro. Um investimento rendeu, em dois anos, fatores de 1,2 (alta de 20%) no primeiro ano e 0,8 (queda de 20%) no segundo. A média aritmética dos crescimentos diria 0% ao ano, dando a impressão de que você empatou. Mas a média geométrica revela a verdade: raiz quadrada de 1,2 vezes 0,8, igual à raiz quadrada de 0,96, aproximadamente 0,98, ou seja, uma perda média de cerca de 2% ao ano. De fato, R$ 100 viram 120 e depois caem para 96, você perdeu dinheiro. É por isso que rendimentos, juros compostos e crescimento populacional pedem média geométrica. Sempre que a pergunta envolver porcentagens que se acumulam umas sobre as outras, desconfie da média aritmética.

Média harmônica

A média harmônica é a indicada quando os valores são razões com o mesmo numerador, sendo o caso mais famoso o da velocidade média em um trajeto de ida e volta. Ela é o inverso da média das inversas: você inverte cada valor, tira a média aritmética desses inversos e inverte o resultado. Parece complicado, mas o exemplo resolve.

Você vai a uma cidade a 60 km/h e volta pelo mesmo caminho a 40 km/h. Qual a velocidade média da viagem? A tentação é dizer 50 km/h, a média aritmética, mas está errado, porque você passou mais tempo na velocidade menor. A média harmônica de 60 e 40 é 2 dividido por (1 dividido por 60 mais 1 dividido por 40). As inversas somam 1/60 mais 1/40, que dá 5/120, igual a 1/24. Então a harmônica é 2 dividido por (1/24), igual a 48 km/h. A velocidade média real é 48 km/h, abaixo de 50, exatamente porque o trecho lento consome mais tempo. Esse é um clássico que cai em provas e que quase todo mundo erra na primeira vez.

Mediana: o valor do meio

A mediana é o valor que ocupa a posição central quando você coloca os dados em ordem do menor para o maior. Se a quantidade de números for ímpar, a mediana é o do meio. Se for par, a mediana é a média dos dois centrais. Exemplo ímpar: nos valores 4, 8, 15, 16, 23, a mediana é 15, o terceiro de cinco. Exemplo par: em 4, 8, 15, 16, a mediana é a média de 8 e 15, igual a 11,5.

A mediana brilha quando há valores extremos. Pense nos salários de uma pequena empresa: 2.000, 2.200, 2.500, 2.800 e 50.000 (o dono). A média desses cinco salários é 11.900, um número que não representa ninguém, puxado pelo valor do dono. A mediana, o valor do meio, é 2.500, que descreve muito melhor o funcionário típico. Por isso institutos como o IBGE costumam divulgar a renda mediana ao lado da média: a mediana resiste a discrepantes, enquanto a média se deixa arrastar por eles. Saber escolher entre média e mediana é um sinal de maturidade na leitura de dados.

Moda: o valor mais frequente

A moda é simplesmente o valor que mais se repete. Em uma pesquisa de tamanhos de camiseta vendidos, a moda é o tamanho campeão de vendas, e é o que mais importa para repor estoque. Um conjunto pode não ter moda, quando nenhum valor se repete; pode ter uma moda; ou pode ter duas ou mais, quando há empate na frequência. Diferente da média e da mediana, a moda funciona até com dados que não são números, como cor preferida ou bairro mais citado, e por isso é muito usada em pesquisas de opinião e marketing.

Média, mediana ou moda: qual usar

As três são medidas de tendência central, mas respondem a perguntas diferentes. Use a média quando os dados são bem comportados, sem valores muito fora da curva, e você quer o valor de equilíbrio, como na nota do boletim. Use a mediana quando há discrepantes que distorcem a média, como em renda, preços de imóveis e tempos de espera. Use a moda quando o que interessa é o valor mais comum, como o produto mais vendido ou a resposta mais frequente. Em muitos relatórios sérios, as três aparecem juntas, porque cada uma ilumina um aspecto. Olhar só para a média pode esconder uma história importante que a mediana e a moda revelariam.

MedidaComo se calculaMelhor para
MédiaSoma dividida pela quantidadeDados sem extremos (notas, temperaturas)
MedianaValor central dos dados ordenadosDados com discrepantes (renda, imóveis)
ModaValor que mais se repeteMais comum (vendas, opinião)

Média de dados agrupados (tabela de frequência)

Em estatística da escola, é muito comum os dados virem em uma tabela de frequência, que diz quantas vezes cada valor aparece. Calcular a média nesse formato é, na verdade, uma média ponderada em que o peso é a frequência. Imagine que, numa turma, as notas se distribuíram assim: cinco alunos tiraram 5, oito alunos tiraram 7 e dois alunos tiraram 10. Para a média, multiplique cada nota pela quantidade de alunos, some e divida pelo total de alunos.

NotaFrequência (alunos)Nota vezes frequência
5525
7856
10220
Total15101

A média é a soma da última coluna dividida pelo total de alunos: 101 dividido por 15, aproximadamente 6,73. Repare que dividimos por 15, o número de alunos, e não por 3, o número de notas distintas. Esse é o erro clássico de dados agrupados: dividir pela quantidade de linhas da tabela em vez da quantidade total de elementos. A frequência é o peso, e a soma das frequências é o que vai no denominador. Entender isso desbloqueia praticamente todas as questões de média que vêm em forma de tabela, gráfico de barras ou histograma.

Reconstruindo o total a partir da média

Uma habilidade pouco ensinada e muito útil é caminhar no sentido contrário: se você sabe a média e a quantidade, descobre a soma total. Isso porque a soma é igual à média vezes a quantidade. Exemplo: se a média de uma turma de 30 alunos foi 7, então a soma de todas as notas foi 7 vezes 30, igual a 210. Esse truque resolve problemas espertos. Suponha que a média de 30 alunos era 7 e entrou um aluno novo, elevando a média para 7,1 com 31 alunos. Qual foi a nota do novato?

Some o total antigo, 210, e calcule o total novo, 7,1 vezes 31, igual a 220,1. A diferença, 220,1 menos 210, é 10,1, que foi a nota do aluno que entrou. Sem o conceito de total a partir da média, esse tipo de questão parece impossível; com ele, vira uma subtração. O mesmo raciocínio explica por que tirar um valor muito alto ou muito baixo de um conjunto muda tanto a média: você está alterando a soma e o tamanho ao mesmo tempo. Dominar a ponte entre média, soma e quantidade é um dos saltos de maturidade em matemática básica.

Média móvel: a média que anda no tempo

Você já ouviu falar em média móvel nos noticiários, principalmente em séries de casos de doenças e de preços. A ideia é simples: em vez de uma média única, você calcula a média de uma janela de períodos e vai deslizando essa janela no tempo. Numa média móvel de 7 dias, o valor de hoje é a média dos últimos 7 dias; amanhã, descarta o dia mais antigo e inclui o novo. Isso suaviza os altos e baixos do dia a dia e deixa a tendência mais visível.

Exemplo curto. Se os casos de uma semana foram 10, 12, 8, 14, 20, 16 e 25, a média móvel daquele sétimo dia é a soma, 105, dividida por 7, igual a 15. No dia seguinte, se houver 30 casos, você tira o 10 do começo e inclui o 30, somando 125, dividido por 7, aproximadamente 17,86. A média móvel sobe de forma mais calma do que os números crus, e é por isso que ela é usada para enxergar a direção real de uma série sem o ruído dos picos isolados. No fundo, continua sendo a velha média aritmética, só que aplicada repetidamente a janelas que avançam.

Propriedades úteis para calcular mais rápido

Algumas propriedades da média economizam tempo e ajudam a entender o que está acontecendo. Primeira: se você soma um mesmo número a todos os valores, a média sobe exatamente esse número. Se a professora resolve dar 1 ponto de bônus a toda a turma, a média da turma sobe 1 ponto, sem precisar recalcular nada. Segunda: se você multiplica todos os valores por um mesmo número, a média fica multiplicada por ele. Converter todas as alturas de metros para centímetros multiplica a média por 100, como esperado.

Terceira propriedade, já citada e que vale repetir por ser a mais útil de todas: a média sempre está entre o menor e o maior valor do conjunto. Use isso como verificação automática. Se você calculou a média de notas de 0 a 10 e deu 11, há erro. Essas propriedades não são curiosidades, são atalhos que professores usam para corrigir provas e que você pode usar para conferir respostas rapidamente, em vez de refazer toda a conta. Pensar nas propriedades antes de calcular é o que separa quem entende de quem só repete a fórmula.

Erros mais comuns com médias

O primeiro erro é a média de médias sem considerar os tamanhos. Se uma turma de 10 alunos teve média 6 e outra de 30 alunos teve média 8, a média geral não é 7. Você precisa ponderar pelos números de alunos: (10 vezes 6 mais 30 vezes 8) dividido por 40, igual a 300 dividido por 40, igual a 7,5. A turma maior pesa mais, e ignorar isso é um dos deslizes mais frequentes em relatórios. O segundo erro é tirar média aritmética de porcentagens de crescimento, quando o correto é a geométrica, como vimos no exemplo do investimento.

O terceiro erro é confiar cegamente na média diante de valores extremos, sem olhar a mediana, e concluir que a renda média alta significa que todos ganham bem. O quarto é misturar unidades, calculando média de valores em escalas diferentes sem padronizar. E o quinto é de conta pura: somar errado ou dividir pela quantidade errada de termos. A verificação que nunca falha é lembrar que qualquer média fica entre o menor e o maior valor; se o seu resultado escapou desse intervalo, recomece. Para conferir, use a calculadora de média.

Exercícios resolvidos para fixar

Tente cada um antes de ver a resposta. Eles cobrem os tipos mais cobrados.

ProblemaTipoResposta
Notas 8, 6, 7, 9 de mesmo peso. Qual a média?Aritmética30 dividido por 4, igual a 7,5
Prova (peso 4) nota 5 e trabalho (peso 1) nota 10.Ponderada(20 mais 10) dividido por 5, igual a 6
Dados 3, 5, 9, 12, 100. Média ou mediana representa melhor?MedianaMediana 9 (a média 25,8 é distorcida pelo 100)
Ida a 90 km/h, volta a 60 km/h. Velocidade média?Harmônica2 dividido por (1/90 mais 1/60), igual a 72 km/h

Vale detalhar o último, que costuma derrubar. As inversas são 1/90 e 1/60. Para somar, use o denominador comum 180: 1/90 vira 2/180 e 1/60 vira 3/180, somando 5/180, igual a 1/36. A harmônica é 2 dividido por 1/36, igual a 72. A resposta é 72 km/h, e não os 75 km/h da média aritmética, porque a viagem passou mais tempo no trecho lento. Esse tipo de raciocínio aparece muito em concursos e no Enem, então pratique até ficar natural. Quem domina denominador comum acerta com facilidade, e é por isso que vale revisar o guia de frações.

Arredondamento: quando a média não é exata

Nem sempre a divisão da média dá um número redondo, e isso costuma gerar dúvida. Quando você divide 101 por 15, por exemplo, o resultado é 6,7333 e os três continuam se repetindo, formando uma dízima. O que fazer? A regra prática depende do contexto. Em notas escolares, o regimento da escola define quantas casas decimais usar e como arredondar, normalmente uma casa. Em dinheiro, usa-se duas casas, os centavos. Em ciência, segue-se o número de algarismos significativos do problema.

O cuidado mais importante é só arredondar no final, nunca no meio da conta. Arredondar resultados parciais e depois somá-los acumula erros que podem mudar a resposta. Outro ponto sutil: arredondar a média pode fazer parecer que ela escapou do intervalo dos dados, então use o bom senso. Se a regra manda arredondar para cima e a média deu 6,96, ela vira 7,0; isso é normal. Para conferir com precisão e sem se perder em casas decimais, vale usar a calculadora de média, que mantém os valores exatos durante o cálculo e arredonda apenas a exibição. Entender arredondamento evita brigas com a calculadora e respostas marcadas como erradas por um detalhe de casas decimais.

A intuição por trás de somar e dividir

Muita gente decora que média é somar e dividir, mas nunca parou para pensar por que isso funciona. A ideia é a repartição igual. Imagine que quatro amigos juntaram o dinheiro que tinham no bolso: R$ 10, R$ 20, R$ 30 e R$ 40. Se eles resolvessem dividir tudo igualmente, quanto caberia a cada um? Somariam tudo, R$ 100, e repartiriam entre os quatro, dando R$ 25 para cada. Esse R$ 25 é a média. A média responde à pergunta: se todos tivessem a mesma quantia, mantendo o total, quanto cada um teria?

Essa imagem da repartição igual explica todas as propriedades que vimos. Por que a média fica entre o menor e o maior? Porque, ao igualar todo mundo, ninguém pode ficar com menos que o mínimo nem com mais que o máximo do total disponível. Por que um valor extremo desloca a média? Porque ele muda o total a ser repartido. Quando você entende a média como repartição, ela deixa de ser uma fórmula decorada e passa a ser uma ideia que você consegue explicar para outra pessoa, o que é o verdadeiro sinal de que aprendeu.

Cenários da nota para passar

Esse é, de longe, o uso mais procurado da média por quem estuda. Vamos a dois cenários. Cenário 1, média simples entre quatro bimestres com média de aprovação 6. Você tirou 5, 7 e 5 nos três primeiros e quer saber a nota mínima no quarto. A soma precisa chegar a 6 vezes 4, igual a 24. Você já tem 5 mais 7 mais 5, igual a 17. Falta 24 menos 17, igual a 7. Precisa de 7 no último bimestre. Se a nota máxima fosse 10 e você precisasse de 12, seria impossível, e isso também é uma informação valiosa: às vezes a conta mostra que a aprovação depende da recuperação.

Cenário 2, com recuperação. Suponha que a regra seja: a média anual entra com peso 6 e a prova de recuperação com peso 4, precisando de 5 no resultado final. Sua média anual foi 4. Qual nota x na recuperação salva o ano? Monte a ponderada: (4 vezes 6 mais x vezes 4) dividido por 10 igual a 5. Isso dá 24 mais 4x igual a 50, então 4x igual a 26, e x igual a 6,5. Você precisa de 6,5 na recuperação. Repare como isolar a incógnita na fórmula da média resolve qualquer variação dessas regras. A calculadora de média deixa testar esses cenários rapidamente, mas entender a montagem é o que dá autonomia na hora da prova.

Cuidado: mesma média, realidades diferentes

Um alerta importante para a vida e para a leitura de notícias. Dois conjuntos podem ter exatamente a mesma média e contar histórias completamente diferentes. Considere o aluno A com notas 7, 7, 7, 7 e o aluno B com notas 2, 10, 4, 10. Os dois têm média 7, mas o aluno A é constante e o aluno B oscila demais. A média, sozinha, esconde essa diferença, que a estatística mede com a chamada dispersão, ou desvio. Por isso, olhar só para a média pode levar a conclusões ingênuas.

O mesmo vale para renda, temperatura e desempenho de empresas. Duas cidades podem ter a mesma temperatura média anual, uma com clima ameno o ano todo e outra com verões escaldantes e invernos gelados. Dois países podem ter a mesma renda média com desigualdades muito diferentes. Quando alguém apresentar só a média, treine o reflexo de perguntar pela dispersão, pela mediana e pelos extremos. Esse olhar crítico, mais do que a conta, é o que transforma você em alguém que realmente entende dados, e é uma das coisas mais valiosas que a matemática básica oferece.

Onde a média aparece no dia a dia

Médias estão por toda parte. No boletim, definem aprovação. No bolso, a média de gastos mensais orienta o orçamento. Na economia, a renda média e a mediana descrevem a população. No esporte, médias de pontos, gols e aproveitamento resumem o desempenho de times e atletas. Na saúde pública, médias móveis suavizam a curva de casos para enxergar a tendência. Na escola e no trabalho, a média ponderada decide notas e indicadores compostos. Entender qual média usar em cada situação é uma habilidade que protege você de gráficos e manchetes enganosas, e é tão útil quanto a própria conta.

Vale lembrar que a média anda de mãos dadas com outros temas de matemática básica. Calcular quanto cada valor se afasta da média leva à ideia de dispersão. Comparar partes de um todo leva à porcentagem. E ajustar quantidades proporcionais leva à regra de três. Quanto mais você conecta esses assuntos, mais a matemática deixa de ser um amontoado de fórmulas e vira uma caixa de ferramentas que conversa entre si.

Limitações deste guia

Os exemplos usam conjuntos pequenos e números escolhidos para facilitar o aprendizado. Em situações reais, com muitos dados, vale usar uma planilha ou a calculadora para evitar erros de conta. Além disso, a média sozinha não conta toda a história: dois conjuntos podem ter a mesma média e comportamentos muito diferentes, e por isso a estatística também estuda a dispersão dos dados. Este conteúdo é educativo. Para entender como conferimos os cálculos do site, veja como validamos os cálculos.

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Fontes e referências

Conclusão

Média não é um conceito só: é uma família de ferramentas. A aritmética resume dados comuns, a ponderada respeita pesos diferentes, a geométrica trata crescimento e a harmônica resolve ritmos e velocidades, enquanto mediana e moda completam a leitura. O segredo é escolher a medida certa para a pergunta certa e sempre conferir se o resultado fica entre o menor e o maior valor. Com os exemplos e exercícios deste guia, você tem base para o boletim, para concursos e para ler dados com olhar crítico. Pratique na calculadora de média, explore as demais calculadoras de matemática e veja como validamos os cálculos.

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Como validamos os cálculos

Os valores citados neste guia são estimativos e baseados em fontes oficiais (OBMEP / IMPA / IBGE (estatística) / matemática básica). Eles podem variar conforme convenção coletiva, situação individual e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

O que é média em palavras simples?
Média é um número que representa um conjunto de valores, como se você quisesse resumir todos eles em um só. A mais comum é a média aritmética: some todos os valores e divida pela quantidade deles. Se você tirou 6, 7 e 8 em três provas, a média é 6 mais 7 mais 8, igual a 21, dividido por 3, que dá 7. Esse 7 é o valor que representa o seu desempenho.
Qual a diferença entre média simples e média ponderada?
Na média simples, todos os valores têm a mesma importância. Na média ponderada, cada valor tem um peso diferente, e os mais importantes influenciam mais o resultado. Notas de provas com pesos diferentes, preços de produtos com quantidades diferentes e índices compostos usam média ponderada. Quando todos os pesos são iguais, a média ponderada vira a média simples.
Como calcular a média ponderada passo a passo?
Multiplique cada valor pelo seu peso, some todos esses produtos e divida pela soma dos pesos. Por exemplo, prova 1 vale peso 2 e você tirou 6, prova 2 vale peso 3 e você tirou 8: faça 6 vezes 2 mais 8 vezes 3, igual a 12 mais 24, igual a 36, e divida por 2 mais 3, igual a 5. A média ponderada é 36 dividido por 5, igual a 7,2.
Quando devo usar a média geométrica?
Use a média geométrica quando os números representam taxas de crescimento, multiplicações sucessivas ou variações percentuais ao longo do tempo, como rendimentos de investimentos ano a ano. Em vez de somar e dividir, você multiplica todos os valores e tira a raiz correspondente à quantidade deles. Ela evita o erro de simplesmente tirar a média aritmética de porcentagens de crescimento.
O que é mediana e quando ela é melhor que a média?
Mediana é o valor que fica exatamente no meio de um conjunto ordenado do menor para o maior. Ela é melhor que a média quando há valores muito extremos, chamados de discrepantes, que distorcem a média. Em salários, por exemplo, alguns valores altíssimos puxam a média para cima, e a mediana representa melhor o trabalhador típico. Por isso institutos de pesquisa costumam divulgar a mediana de renda.
Posso tirar a média de porcentagens?
Depende. Se as porcentagens se referem a bases de tamanhos diferentes, a média simples erra, e você precisa de média ponderada pelas bases. Por exemplo, 50% de acerto em uma prova de 10 questões e 80% em outra de 40 não dão 65% no geral, e sim a ponderada pelos números de questões. Já variações percentuais ao longo do tempo pedem média geométrica, não aritmética.
A média sempre cai entre o menor e o maior valor?
Sim. Qualquer tipo de média sempre fica entre o menor e o maior valor do conjunto, nunca fora desse intervalo. Se você calculou uma média e ela deu maior que o maior número ou menor que o menor, com certeza há um erro de conta. Essa é uma das formas mais rápidas de verificar se o resultado faz sentido antes de dar a resposta como certa.
O que é moda em estatística?
Moda é o valor que mais se repete em um conjunto de dados. Em uma loja de calçados, o número de sapato mais vendido é a moda, e é o que mais interessa para repor estoque. Um conjunto pode não ter moda, ter uma moda ou ter mais de uma. Moda, média e mediana são as três medidas de tendência central, e cada uma conta uma parte da história dos dados.
Como a média da escola é calculada?
Na maioria das escolas, a média é ponderada pelos pesos de cada avaliação ou simples entre os bimestres. Se as quatro notas bimestrais têm o mesmo peso, soma-se as quatro e divide por 4. Se há provas e trabalhos com pesos diferentes dentro do bimestre, usa-se média ponderada. Vale sempre conferir no regimento da escola quais são os pesos para calcular a nota que falta para passar.
Qual nota preciso na última prova para passar?
Isole a nota que falta na fórmula da média. Se a média de aprovação é 6 e você precisa da nota x na última prova de peso igual às outras, monte a equação da média igual a 6 e resolva para x. Por exemplo, com três notas já feitas (5, 7 e 6) e uma quarta x, todas de mesmo peso: (5 mais 7 mais 6 mais x) dividido por 4 igual a 6 leva a x igual a 6. A calculadora de média ajuda a testar cenários.
Média e média móvel são a mesma coisa?
Não. A média comum resume um conjunto fixo de valores. A média móvel recalcula a média a cada novo período, descartando o mais antigo, e é usada para suavizar séries ao longo do tempo, como preços e casos de uma doença. As duas usam a mesma ideia de média aritmética, mas a móvel é aplicada repetidamente sobre janelas que avançam no tempo.
Existe calculadora para conferir as médias?
Sim. A calculadora de média do ValorFinal calcula a média aritmética simples e a ponderada de uma lista de números, e ainda mostra soma, mediana, mínimo, máximo e amplitude. Use para conferir o boletim, planejar a nota que falta para passar e entender a diferença entre média e mediana comparando os resultados lado a lado.