O número impresso embaixo das barras de um produto é o GTIN, e quem fabrica não escolhe esse número do nada: ele sai de uma faixa que a GS1 entrega à empresa associada. No Brasil, essa faixa vem da GS1 Brasil, e é por isso que tanta embalagem nacional começa com 789. As barras são só o desenho do número, e qualquer programa faz esse desenho. Já o número que passa no caixa do supermercado, na nota fiscal e no cadastro do marketplace depende da associação. Para desenhar as barras de um número que você já tem e conferir o dígito verificador, use o gerador de código de barras.
Resposta rápida
- GTIN é o número. EAN-13 é o código de barras mais comum que o carrega, com 13 dígitos.
- Prefixo 789 ou 790 quer dizer que a GS1 Brasil emitiu a faixa, e não que o produto foi feito no Brasil.
- O 13º dígito é o verificador: pesos 3 e 1 a partir da direita, e o que falta para fechar a próxima dezena.
- Número inventado pode colidir com outro produto e derrubar a nota fiscal. O válido vem da associação à GS1 Brasil, que tem categoria para MEI.
GTIN-13, GTIN-8, GTIN-12 e GTIN-14: qual é qual
GTIN (Global Trade Item Number, ou Número Global de Item Comercial) é o nome do número. EAN-13, EAN-8, UPC-A e ITF-14 são nomes de simbologias, as regras que transformam o número em barras. O mercado mistura tudo e chama o número de EAN, o que raramente atrapalha, desde que fique claro que a mesma sequência pode ser impressa em mais de um formato.
| Número | Dígitos | Código de barras usual | Onde aparece |
|---|---|---|---|
| GTIN-13 | 13 | EAN-13 | Produto vendido no varejo, na loja física e na internet |
| GTIN-8 | 8 | EAN-8 | Embalagem pequena demais para o EAN-13 |
| GTIN-12 | 12 | UPC-A | Produto do mercado dos Estados Unidos e do Canadá |
| GTIN-14 (antigo DUN-14) | 14 | ITF-14 ou GS1-128 | Caixa, fardo ou palete com várias unidades do mesmo item |
O GTIN-8 não sai automaticamente. A especificação da GS1 só o autoriza para embalagem com área de impressão abaixo de 80 cm², rótulo menor que 40 cm² ou item cilíndrico com menos de 30 mm de diâmetro. A GS1 Brasil avalia cada pedido olhando o produto, e cada GTIN-8 tem cobrança própria, com taxa de adesão e anuidade.
O GTIN-14 identifica a caixa, não a unidade. Ele é formado por um dígito indicador do nível de embalagem, o prefixo da empresa, a referência do item e o dígito verificador, e a GS1 Brasil restringe o uso ao ambiente logístico. Uma caixa com 12 sabonetes tem o seu GTIN-14, e cada sabonete lá dentro continua com o GTIN-13 que passa no caixa.
Todo GTIN pode ser guardado com 14 dígitos, completando com zeros à esquerda, e muitos sistemas fazem isso. Um GTIN-12 vira GTIN-13 com um zero na frente, e o dígito verificador não muda, porque zero multiplicado por qualquer peso continua zero.
O que significam os números do código de barras
Num GTIN-13 emitido no Brasil, os primeiros dígitos formam o prefixo de empresa GS1, que começa com 789 ou 790. O comprimento desse prefixo varia com a quantidade de códigos que a empresa contratou. Os dígitos seguintes, até o 12º, são a referência do item, e quem define é a própria empresa, que gera os GTINs no Cadastro Nacional de Produtos da GS1 Brasil depois de receber o prefixo. O 13º é o dígito verificador.
O 789 não indica país de fabricação. A lista oficial de prefixos da GS1 atribui as faixas 789 e 790 à GS1 Brasil e avisa que, como as empresas fabricam em qualquer lugar do mundo, o prefixo não identifica a origem do produto. Quando o país de origem precisa viajar com a mercadoria, ele vai num campo próprio da etiqueta logística GS1-128, o identificador de aplicação 422.
A mesma lista mostra faixas com outro uso. O 977 é de publicações seriadas (ISSN), o 978 e o 979 são de livros (ISBN), e o 952 é reservado pela GS1 para demonstrações e exemplos, o que permite ilustrar a conta sem esbarrar em produto real. As faixas de 040 a 049 servem para números de circulação restrita dentro de uma empresa, e as de 020 a 029 e de 200 a 299, para circulação restrita numa região, com regras definidas por cada organização nacional.
Como calcular o dígito verificador do EAN-13
O dígito verificador pega erro de digitação e de leitura, e a conta da GS1 é a mesma para GTIN-8, GTIN-12, GTIN-13 e GTIN-14. Começando pela direita, os dígitos do número sem o verificador são multiplicados alternadamente por 3 e por 1, sempre começando pelo 3. Os resultados são somados, e o verificador é quanto falta para chegar à dezena igual ou imediatamente acima da soma.
No exemplo abaixo, os 12 primeiros dígitos são 952012345678. O prefixo 952 é a faixa de demonstração da GS1, então o número não pertence a nenhum produto à venda. Num GTIN-13, contar da direita dá o mesmo que dar peso 3 às posições pares contadas da esquerda.
| Posição | Dígito | Peso | Resultado |
|---|---|---|---|
| 1 | 9 | 1 | 9 |
| 2 | 5 | 3 | 15 |
| 3 | 2 | 1 | 2 |
| 4 | 0 | 3 | 0 |
| 5 | 1 | 1 | 1 |
| 6 | 2 | 3 | 6 |
| 7 | 3 | 1 | 3 |
| 8 | 4 | 3 | 12 |
| 9 | 5 | 1 | 5 |
| 10 | 6 | 3 | 18 |
| 11 | 7 | 1 | 7 |
| 12 | 8 | 3 | 24 |
| Soma | 102 | ||
- A soma dos resultados dá 102.
- A dezena igual ou imediatamente acima de 102 é 110.
- 110 menos 102 dá 8, que é o dígito verificador.
- O GTIN completo fica 9520123456788.
Para não fazer a conta à mão, o gerador de EAN refaz esses passos com os seus 12 dígitos, mostra a mesma tabela de pesos e já desenha as barras com o verificador no lugar. Se você colar os 13 números, ele confere o último e aponta qual deveria ser quando a conta não fecha.
Se alguém digitar 9520123456878, trocando o 7 e o 8 de lugar, a soma cai para 100, o verificador esperado passa a ser 0, e o sistema recusa o número. Um dígito errado sozinho é sempre detectado. A troca de dois vizinhos só passa quando a diferença entre eles é exatamente 5, como 0 e 5 ou 2 e 7, porque aí a soma muda em 10 e a dezena continua a mesma. O CNPJ usa outra conta, o módulo 11, e o guia do dígito verificador do CNPJ alfanumérico mostra a diferença.
Por que não dá para inventar o número
Desenhar um EAN-13 com qualquer sequência de 13 dígitos é fácil, e o leitor do caixa lê as barras sem reclamar se o verificador bater. Os problemas aparecem depois, e o primeiro é a colisão: um número inventado com 789 pode já pertencer a outro produto, de outra empresa, cadastrado no sistema de uma rede de supermercados. Na leitura, o caixa puxa o produto errado com o preço errado.
O segundo é a nota fiscal. A Nota Técnica 2021.003 do Portal da NF-e, que trata da validação de GTIN, prevê rejeição quando o dígito verificador não bate (rejeição 611) e quando o prefixo não é válido (rejeição 882). Para GTIN começado em 789 ou 790, em mercadoria cuja NCM está no anexo da norma e com CFOP de venda de produção própria, o número precisa existir no Cadastro Centralizado de GTIN (CCG), senão a nota volta com a rejeição 890. O CCG recebe os dados que o dono da marca registra no Cadastro Nacional de Produtos da GS1 Brasil. A norma diz que o GTIN fora do CCG derruba a nota mesmo quando quem emite não é o dono da marca, e avisa que a marca com cadastro desatualizado passa a ter notas rejeitadas junto com os seus clientes.
O terceiro é o marketplace. Segundo a GS1 Brasil, Amazon, Mercado Livre e Magalu conferem o GTIN e podem bloquear código sem vínculo com a empresa que vende, o que inclui o número avulso comprado de revendedor, cujo prefixo está em nome de outra pessoa jurídica. Na Amazon, quem vende produto sem código de barras pode pedir isenção de GTIN, mas a isenção não vale para a marca que já usa código GS1 nos produtos.
O número GS1 também tem regra de uso. A GS1 Brasil avisa que um código já atribuído não pode ser reutilizado em outro produto, e a especificação da GS1 tem uma seção inteira sobre a não reutilização do GTIN. Produto novo pede GTIN novo. Mudar o conteúdo líquido declarado na embalagem também pede, segundo a norma de gestão de GTIN da GS1.
Como conseguir o seu código na GS1 Brasil
A associação é feita pela empresa, e o prefixo sai vinculado ao CNPJ. O MEI pode se associar e tem duas categorias próprias: a T6, com até 10 códigos, e a T5, com 11 a 110. Para o MEI, a GS1 Brasil pede só o CCMEI e um documento de identidade. As demais empresas comprovam o faturamento, com o extrato do Simples Nacional do último mês ou a Escrituração Contábil Digital (ECD) do último exercício, porque é ele que define a categoria. A partir da categoria T4, o acesso vai a até 99.999 GTINs.
- No simulador do site da GS1 Brasil, informe o faturamento anual para ver a sua categoria e o valor.
- Preencha o cadastro da empresa e envie os documentos pelo portal.
- Aguarde a análise, que a entidade informa levar em média até 5 dias úteis.
- Receba o prefixo exclusivo, vinculado ao seu CNPJ.
- No Cadastro Nacional de Produtos (CNP), registre cada item com descrição e dados, e gere os GTINs.
- Imprima as barras e mantenha o cadastro em dia, porque são esses dados que chegam ao CCG usado na validação da nota fiscal.
A cobrança combina filiação e anuidade. Na assinatura do contrato entram a taxa de inscrição e metade da anuidade, e a primeira anuidade cheia vence seis meses depois. Os valores exatos estão na tabela do site da GS1 Brasil, que é reajustada todo ano. Se a associação for encerrada por falta de pagamento, a entidade informa que o prefixo pode ser reatribuído a outro associado no futuro e que os GTINs perdem o vínculo oficial com a empresa, o que pesa para quem vende em canal que confere o código.
Quando um código interno, como Code 128 ou Code 39, resolve
Se o item nunca sai da sua empresa, o GTIN não é necessário. Etiqueta de patrimônio, controle de almoxarifado, ficha de ordem de serviço, crachá e caixa do arquivo morto cabem num código interno. Nesses casos, o melhor é que ele não se pareça com um GTIN, para ninguém confundir os dois.
O Code 128, especificado na norma ISO/IEC 15417, representa os 128 caracteres da tabela ASCII. Aceita letras, algarismos e símbolos, e fica compacto quando o conteúdo é só numérico. Tem um caractere de conferência obrigatório, calculado no módulo 103, que o leitor confere e que não aparece no texto embaixo das barras. O Code 39 é mais antigo e mais largo, aceita 43 caracteres (algarismos, letras maiúsculas, espaço e os símbolos - . $ / + %), e nele o dígito de conferência é opcional. Nenhum dos dois exige associação. Para etiqueta de estoque ou de patrimônio, você pode gerar Code 128 com letras e números no mesmo gerador, que mostra quantos símbolos o código ocupou.
Code 128 não é a mesma coisa que GS1-128. O GS1-128 usa a mesma simbologia com um caractere especial no início, o FNC1, e campos padronizados para levar GTIN, lote e validade. Como carrega números GS1, ele volta a depender da associação.
Na nota fiscal, o código interno fica no campo de código do produto. O campo do GTIN recebe o texto SEM GTIN quando o item não tem número GS1, conforme a mesma nota técnica, e deixar esse campo em branco gera a rejeição 883.
Qual o tamanho certo para imprimir o código de barras
O tamanho de um EAN-13 é definido pela dimensão X, a largura do módulo mais estreito. O símbolo tem 95 módulos de largura, e a especificação exige zona de silêncio, a margem branca, de pelo menos 11 módulos à esquerda e 7 à direita. Para produto lido no caixa do varejo, a GS1 aceita de 80% a 200% do tamanho nominal. As larguras abaixo já incluem as duas margens.
| Ampliação do EAN-13 | Dimensão X | Largura com margens | Altura das barras |
|---|---|---|---|
| 80% (mínimo) | 0,264 mm | 29,83 mm | 18,28 mm |
| 100% (nominal) | 0,330 mm | 37,29 mm | 22,85 mm |
| 200% (máximo) | 0,660 mm | 74,58 mm | 45,70 mm |
No UPC-A, a margem é de 9 módulos dos dois lados, e no EAN-8, de 7. Na caixa de transporte o piso sobe: o ITF-14 começa em X de 0,495 mm, com margem de 10 módulos de cada lado, e o EAN-13 de um item lido só na distribuição, fora do caixa, também parte de 0,495 mm.
Dá para gerar código de barras EAN-13 já numa dessas medidas: informe a largura da barra em milímetros e o SVG sai em escala real, com a margem branca incluída. Em impressora térmica, escolha uma largura que seja um número inteiro de pontos da impressora, senão ela arredonda as barras de forma desigual. A página do gerador mostra essa conta para 203 e 300 dpi.
Erros de impressão que impedem a leitura
O primeiro erro é de cor. A maioria dos leitores ilumina o código com luz vermelha, e barra vermelha, laranja, rosa ou amarelo-clara some para eles. A GS1 pede barras escuras, como preto, azul-escuro, verde-escuro ou marrom-escuro, sobre fundo claro, e a combinação que rende melhor é preto sobre branco. Barras claras sobre fundo escuro ficam fora da regra.
O segundo é invadir a zona de silêncio. Texto da arte, borda de moldura, dobra ou emenda da embalagem encostados nas barras tiram do leitor a referência de onde o código começa e termina.
Outro erro é encolher o código para caber na arte. Abaixo de 80%, com a barra mais fina menor que 0,264 mm, o símbolo sai da faixa que a GS1 aceita para o caixa do varejo. Cortar só a altura das barras, o chamado truncamento, também atrapalha: o código truncado deixa de ser lido de qualquer ângulo e só passa quando o produto cruza o leitor numa certa posição. A especificação manda evitar o corte e, quando ele for inevitável, imprimir a maior altura possível.
Antes de mandar mil etiquetas para a gráfica, imprima uma na impressora e no material finais e passe num leitor de código de barras. A tela do computador não mostra a tinta que espalha no papel nem o reflexo do plástico, e os dois podem atrapalhar a leitura no balcão.
Como usar a ferramenta do ValorFinal
O gerador de código de barras monta EAN-13, EAN-8, UPC-A, ITF-14, Code 128 e Code 39 e baixa o resultado em SVG ou PNG. Ele calcula e confere o dígito verificador, mostrando a conta, e avisa que gerar a imagem não registra o número na GS1: se o GTIN não saiu da sua faixa na GS1 Brasil, o desenho continua sem valor fora da empresa. Para arte de embalagem, o SVG é a melhor escolha, porque não perde definição ao mudar de tamanho. Ao posicionar, mantenha a escala entre 80% e 200%.
Se a embalagem também vai ganhar um código 2D, veja como o QR Code funciona e o que conferir antes de gerar. A iniciativa Sunrise 2027, da GS1, prevê que os caixas do varejo leiam códigos 2D, além dos lineares, até o fim de 2027. Para criar um, use o gerador de QR Code. Quem testa sistema de cadastro também pode precisar do gerador e validador de CPF e CNPJ para teste. As demais ferramentas estão em ferramentas de tecnologia.
Fontes e referências
- GS1 General Specifications: norma da GS1 com a estrutura do GTIN, o dígito verificador, a dimensão X e as zonas de silêncio.
- GS1 Brasil: tabela de valores e passo a passo da associação: categorias, documentos, prazos e valores vigentes.
- Portal da NF-e: Nota Técnica 2021.003, Validação de GTIN: regras de rejeição da nota fiscal e o Cadastro Centralizado de GTIN.
- GS1: lista de prefixos (GS1 Company Prefix): faixas 789 e 790 da GS1 Brasil, faixa de demonstração e circulação restrita.
- ISO/IEC 15417 (Code 128): especificação da simbologia Code 128.
Conclusão
O código de barras de um produto é o desenho de um GTIN, e o GTIN válido vem da faixa que a GS1 Brasil entrega à empresa associada, com categoria própria para MEI. O 789 diz quem emitiu o número, não onde o produto foi feito. O dígito verificador se confere com pesos 3 e 1 a partir da direita. Número inventado pode colidir com outro produto e esbarrar nas rejeições 611, 882 e 890 da nota fiscal, e para uso só interno o Code 128 e o Code 39 resolvem sem associação. Na impressão, barras escuras sobre fundo claro, margem livre e escala entre 80% e 200%. Monte e confira o seu no gerador de código de barras e veja as demais ferramentas de tecnologia.