Carnes para churrasco: os melhores cortes de boi, porco e frango e como escolher

Os cortes bovinos, suínos e de frango que vão bem na brasa, o que diferencia cada um, como assar e como combinar cortes nobres e de segunda no mesmo churrasco.

Revisado pela equipe editorial ValorFinal, sob responsabilidade de Cesar GargiuloPortaria SDA nº 744/2023 do Ministério da Agricultura
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Carne de churrasco se escolhe pelo fogo que ela pede. Picanha, maminha e contrafilé assam rápido, com calor forte. Costela e cupim precisam de calor brando e tempo longo. Panceta e costelinha têm técnica própria, e frango e linguiça só saem da grelha bem passados. Este guia passa pelos cortes de boi, porco e frango que vão bem na churrasqueira, com o nome oficial de cada um, a parte do animal de onde ele sai e o jeito de assar. A quantidade fica de fora: para saber quanto de carne por pessoa comprar, use a calculadora de churrasco, e para o passo a passo do dia, o guia de como fazer churrasco.

Resposta rápida

  • Calor forte e tempo curto: picanha, maminha, contrafilé (ancho e chorizo) e fraldinha, na altura intermediária ou fatiados na grelha.
  • Calor brando e tempo longo: costela e cupim, na parte de cima da churrasqueira.
  • Porco e frango: linguiça toscana, panceta, costelinha, coxa, sobrecoxa, asa e coração, sempre bem passados, com 70 °C em todas as partes, pela regra da Anvisa.
  • Mais em conta: os cortes do dianteiro e da ponta de agulha, as partes de menor importância comercial do boi na classificação da Embrapa.

De onde sai cada corte do boi

A padronização de cortes do Ministério da Agricultura, a Portaria SIPA nº 5, de 1988, separa a meia carcaça em dois quartos com um corte entre a quinta e a sexta costela. O quarto dianteiro reúne pescoço, paleta, acém, peito, a costela do dianteiro e, nas raças zebuínas, o cupim. O quarto traseiro se divide em traseiro serrote, também chamado de especial, onde ficam lombo, alcatra e coxão, e ponta de agulha, com a costela do traseiro e o vazio. A Portaria SDA nº 744/2023, que fixou a nomenclatura atual, manda usar essa padronização como referência para bovinos.

A Embrapa Gado de Corte ordena as mesmas partes por importância comercial: traseiro especial, ponta de agulha e dianteiro. As peças nobres são filé mignon, contrafilé e alcatra, e coxão mole e patinho também são vendidos como carne de primeira. Essa ordem ajuda a entender por que os cortes do dianteiro e da ponta de agulha costumam custar menos que os do traseiro.

Os nomes de balcão variam bastante. O mesmo documento da Embrapa conta cerca de 23 peças no desmanche da carcaça nos açougues, cada uma com um ou mais nomes conforme a região ou a loja. Por isso a Portaria 744 manda o rótulo trazer primeiro o nome oficial; o nome consagrado pelo uso, o regional ou o estrangeiro pode vir depois.

Os cortes bovinos que vão à churrasqueira

A tabela junta o nome de balcão, o nome oficial com a composição descrita na padronização de 1988, a parte do boi e o fogo que o manual de churrasco do SENAR do Paraná indica para cada um.

Cortes bovinos de churrasco: nome oficial, parte do boi e fogo indicado
Corte no balcãoNome oficial e composiçãoParte do boiFogo
PicanhaPicanha: parte do músculo glúteo bíceps, tirada da alcatraTraseiro especialInteira na altura intermediária ou fatiada na grelha
MaminhaMaminha da alcatra: músculo tensor da fáscia lataTraseiro especialAltura intermediária
Miolo da alcatraCoração da alcatra: músculos glúteos médio, acessório e profundoTraseiro especialEm bifes, na grelha
Contrafilé, ancho e chorizoContrafilé: lombo entre o acém e a alcatra; a parte da frente é o filé de costela, ou entrecoteTraseiro especialFatiado na grelha, de 10 a 20 cm da brasa
FraldinhaDiafragma ou fraldinha; no vazio, a norma lista ainda fralda e bife do vazioPonta de agulhaAltura intermediária
CostelaCostela do traseiro (oito últimas costelas) ou do dianteiro (cinco primeiras)Ponta de agulha ou dianteiroParte de cima, calor suave e tempo longo
CupimCupim: músculos romboide e trapézio acima do acém, nas raças zebuínasDianteiroParte de cima, calor suave
Capa de filéCapa de filé: trapézio e romboide sobre o filé de costelaTraseiro especialCalor suave, como o surtum do SENAR
Ponta de peitoPeito: músculos que recobrem o esternoDianteiroAltura intermediária

Nome oficial e composição: Portaria SIPA nº 5/1988 e Portaria SDA nº 744/2023, do Ministério da Agricultura. Parte do boi: Embrapa Gado de Corte. Fogo: SENAR-PR.

Picanha

A picanha sai da alcatra, no traseiro, e é formada por parte do músculo glúteo bíceps. Um documento da Embrapa Gado de Corte de 1994 registra que a peça não passa de 1,3 kg e que, quando o cliente pede picanha de 2 kg, o açougueiro pouco cuidadoso avança o corte sobre o coxão duro, a peça vizinha. Boi de hoje pode render peça um pouco maior, mas a lógica continua valendo: picanha muito grande costuma trazer coxão duro junto.

No fogo, o SENAR assa a picanha inteira na altura intermediária da churrasqueira, onde o calor é mais forte e o tempo é menor, ou fatiada na grelha, perto da brasa. A capa de gordura fica: o manual manda tirar sebo e membranas, mas conservar a gordura, que derrete na brasa e dá suculência.

Maminha e miolo da alcatra

A alcatra inteira se divide em três cortes na padronização oficial: picanha, maminha e coração da alcatra, que muitos açougues vendem como miolo. A maminha é o músculo tensor da fáscia lata; o coração reúne os glúteos médio, acessório e profundo. O SENAR põe a maminha na altura intermediária, como a picanha inteira, e o miolo rende em bifes, perto da brasa. Os dois ficam melhores fatiados contra a fibra: a Embrapa registra que a posição do corte em relação às fibras pode deixar um mesmo bife duro ou macio.

Contrafilé, ancho e chorizo

O contrafilé é o corte do lombo entre o acém e a alcatra, depois de tirados o filé mignon e a capa de filé. A padronização divide a peça em filé de costela, a parte da frente, que ela registra também como entrecote, e filé de lombo, a de trás. Ancho e chorizo são nomes de origem argentina para bifes grossos dessas duas partes, o ancho da frente e o chorizo de trás, e o SENAR cita os dois como variantes do contrafilé que vão fatiadas na grelha, de 10 a 20 cm da brasa.

Costela

A padronização tem duas costelas: a do dianteiro, com as cinco primeiras costelas, e a do traseiro, com as oito últimas, que faz parte da ponta de agulha. As duas são carne presa a osso e pedem o contrário da picanha: calor suave e tempo longo, na parte de cima da churrasqueira. No fogo de chão, o SENAR assa a janela da costela, uma peça de 7 kg, por 5 a 6 horas, virando a peça ao longo do preparo. Fora da churrasqueira, a costela também amacia na panela de pressão, e o guia de tempos na panela de pressão traz a tabela por alimento.

Cupim

O cupim é a corcova dos bois de raças zebuínas, chamada também de giba. A padronização o descreve como as massas musculares acima do acém, formadas pelos músculos romboide e trapézio. Vai inteiro para a parte de cima da churrasqueira, com calor suave, ao lado da costela.

Capa de filé

A capa de filé é a camada de músculos que cobre o filé de costela: trapézio e romboide, os mesmos músculos do cupim. O SENAR leva o surtum, corte pantaneiro que junta parte da capa de contrafilé e da paleta, para a parte de cima da churrasqueira, onde o calor é mais suave, e é assim que a capa rende: devagar, fatiada fina e contra a fibra na hora de servir.

Ponta de peito e acém

Os dois vêm do dianteiro. O peito é a carne que recobre o esterno, e o acém fica entre o pescoço e o filé de costela. O SENAR assa a ponta de peito na altura intermediária e usa ponta de peito e acém moídos no hambúrguer, com 20 a 30% de gordura na mistura.

Fraldinha, fralda e fraldão: o nome que mais confunde

Na nomenclatura oficial do Ministério da Agricultura, fraldinha é um dos nomes aceitos para o diafragma, ao lado de entranha fina. Na mesma região do boi, a ponta de agulha, a norma lista o vazio, dividido em fralda e bife do vazio, que ficam no flanco, a parte lateral do abdômen. Com fraldinha e fralda batizando peças diferentes, e com os nomes de balcão mudando de região para região, a peça vendida como fraldinha pode não ser a mesma em dois açougues.

Fraldão não aparece na lista oficial. É nome de balcão, e por isso o que vem na bandeja varia de uma loja para outra. A saída prática é a que a própria portaria dá: o rótulo traz primeiro o nome oficial, e o nome regional vem depois. Se a etiqueta disser só fraldão ou só fraldinha, pergunte ao açougueiro de que parte do boi a peça saiu.

No fogo, o SENAR assa a fraldinha na altura intermediária, com calor forte e pouco tempo, junto da picanha e da maminha. Na hora de servir, vale a mesma regra das fibras: fatias cortadas contra elas.

Como o fogo muda conforme o corte

A regra do manual de churrasco do SENAR é a espessura. Corte fino vai na grelha, de 10 a 20 cm da brasa viva, e o teste prático é aguentar a mão sobre a grelha por 5 a 7 segundos. Peça inteira e grossa fica mais longe, de 30 a 60 cm, onde a mão aguenta de 8 a 15 segundos, e assa devagar para cozinhar por igual, de fora para dentro.

A ciência da carne explica a lógica do fogo brando. A Embrapa Gado de Corte ensina que o colágeno do tecido conjuntivo responde por parte da dureza de um corte e que, entre 57 °C e 60 °C, ele amacia sem que as fibras endureçam. Daí a recomendação de cozimento prolongado em temperatura baixa para carne rica em tecido conjuntivo, e o contrário para os cortes com pouco colágeno, que endurecem se passam tempo demais no fogo.

A gordura também conta. Segundo a mesma publicação, o marmoreio, a gordura entre as fibras, ajuda na maciez porque lubrifica a mastigação, e a sensação de suculência vem do teor de gordura da carne. É por isso que o SENAR manda tirar sebo e membranas e manter a gordura do corte.

Labareda não é brasa. O manual orienta esperar as chamas baixarem antes de pôr a carne, porque o fogo direto queima por fora e deixa o interior cru.

Cortes de porco: linguiça, panceta, costelinha e lombo

No porco, a lista oficial do Ministério da Agricultura tem costela ou costelinha, barriga, lombo, pernil, paleta e até picanha suína. Para a churrasqueira, quatro itens têm técnica própria, e a tabela abaixo junta os de porco e os de frango.

Cortes de porco e de frango para churrasco: nome oficial e como assar
CorteNome oficialComo vai à churrasqueira
Linguiça toscanaProduto industrializado, não é corteAltura intermediária, sempre bem passada
PancetaBarrigaCouro seco e salgado só com sal fino; laterais primeiro, couro por último
CostelinhaCostela ou costelinhaEm papel-alumínio, 2 a 3 horas em fogo médio-baixo; molho no fim
LomboLomboEm peça, sempre bem passado
Coxa e sobrecoxaCoxa, sobrecoxa ou coxa e sobrecoxaAltura intermediária, bem passadas até o osso
AsaCoxinha da asa (drumette), meio da asa (tulipa) e ponta da asaAltura intermediária
Coração de frangoMiúdos: coraçãoAltura intermediária, bem passado
Frango inteiro abertoFrangoSem o dorso e achatado, no espeto

Nome oficial: Portaria SDA nº 744/2023, tabelas de suínos e de aves. Preparo: SENAR-PR e RDC 216/2004 da Anvisa.

Linguiça. Não é corte, é produto industrializado de carne moída e temperada, e a toscana sai crua da embalagem. O SENAR assa a linguiça na altura intermediária, e ela só sai da grelha bem passada: a RDC 216/2004 da Anvisa pede pelo menos 70 °C em todas as partes do alimento.

Panceta. É o nome de balcão da barriga do porco. A receita do SENAR usa a peça com couro: tempera a carne, seca o couro com papel-toalha, salga só o couro com sal fino, espeta e assa primeiro as laterais, deixando o couro por último, até ficar crocante.

Costelinha. O SENAR tira a pele que gruda nos ossinhos, cobre a peça com tempero seco, embrulha em papel-alumínio e assa por 2 a 3 horas em fogo médio-baixo, até amaciar. Só no fim ela sai do papel e ganha molho, para caramelizar.

Lombo. Vai em peça e sempre bem passado. Como a sensação de suculência vem da gordura, segundo a Embrapa, o lombo pede atenção ao ponto para não ressecar.

Cortes de frango: coxa, sobrecoxa, asa e coração

A lista oficial das aves separa coxa, sobrecoxa e coxa e sobrecoxa, e divide a asa em coxinha da asa, também chamada de drumette, meio da asa, ou tulipa, e ponta. O coração entra entre os miúdos. Na churrasqueira, o SENAR coloca os cortes de frango na altura intermediária, e a receita de frango inteiro do manual tira o dorso e achata a ave antes de espetar, para assar por igual.

Frango vai sempre bem passado, sem exceção: os 70 °C da Anvisa valem em todas as partes, inclusive perto do osso da coxa. Coração e coxinha da asa são pequenos, assam rápido e seguram a fome enquanto as peças grandes não ficam prontas.

Como combinar cortes nobres e de segunda

Um churrasco equilibrado mistura os dois grupos, porque eles não disputam o mesmo espaço do fogo. A peça de fogo longo, como costela ou cupim, vai primeiro para a parte de cima da churrasqueira. Os cortes de grelha entram depois, perto da brasa, em levas. Linguiça e frango, que assam na altura intermediária, abrem o churrasco.

Uma combinação possível, com um corte de cada fogo:

A divisão do peso entre esses grupos e o total para o seu número de convidados estão na calculadora de churrasco, que separa carne nobre, carne de segunda, linguiça e frango. A calculadora de bebidas para festa usa o mesmo modelo de consumo para a bebida, e arroz, farofa e salada saem da quantidade de comida por pessoa. O gelo tem conta própria no guia de gelo, copos e descartáveis.

Corte barato sem churrasco ruim

Os cortes que pesam menos no bolso saem do dianteiro e da ponta de agulha, as partes de menor importância comercial na classificação da Embrapa. Do dianteiro vêm acém, peito e cupim; da ponta de agulha, a costela do traseiro, a fralda e o bife do vazio. O que faz diferença é dar a cada um o fogo certo: costela e cupim pedem calor suave e tempo longo, e o SENAR assa a ponta de peito na altura intermediária.

Duas técnicas ajudam. A primeira é a maturação: a Embrapa explica que manter a carne em embalagem a vácuo, de 1 a 2 °C, por cerca de 14 dias, degrada proteínas das fibras e deixa a carne mais macia. A segunda é a moagem: acém e ponta de peito moídos, com 20 a 30% de gordura, viram o hambúrguer da receita do SENAR.

Este guia não publica preço, porque ele muda toda semana. Compare o quilo no seu açougue antes de fechar a lista.

Como escolher no açougue

Malpassado ou bem passado: o que cada carne aceita

O SENAR descreve os pontos de cocção dos assados, do selado ao bem passado, e ensina a reconhecê-los pela firmeza ao toque, comparando a carne com a base da palma da mão. Corte bovino inteiro servido malpassado fica abaixo dos 70 °C que a RDC 216/2004 da Anvisa pede para todas as partes do alimento, e servir assim é uma escolha consciente de quem prepara e de quem come.

Frango, porco e linguiça não entram nessa escolha: vão sempre bem passados, com os 70 °C conferidos no centro da peça. Um termômetro de espeto custa pouco e resolve a dúvida sem cortar a carne.

Limitações

Fontes e referências

Conclusão

Os cortes do churrasco se dividem pelo fogo que pedem. Do traseiro saem os cortes nobres de grelha rápida, como picanha, maminha e contrafilé. Da ponta de agulha e do dianteiro vêm a costela, o cupim e a fraldinha, que custam menos e pedem mais técnica. Porco e frango completam a grelha e vão sempre bem passados.

Com os cortes escolhidos, falta a quantidade: a calculadora de churrasco mostra quanto comprar e divide o total entre os tipos, e o guia de como fazer churrasco cuida do cronograma, do carvão e da ordem da grelha. No fim do ano, quando o churrasco divide a mesa com a ceia, o guia de cardápio de ceia de Natal tem as quantidades e o calendário de quem prefere peru, tender ou bacalhau. Todas as ferramentas da área ficam em Casa e Cozinha.

Calculadoras deste guia

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Como citar esta página

Vai citar este guia em uma matéria, post ou trabalho? Copie a referência pronta. O conteúdo é baseado em Portaria SDA nº 744/2023 do Ministério da Agricultura: nomenclatura oficial de cortes de bovinos, suínos e aves, com as alterações de 2024 e revisado pela equipe editorial.

ValorFinal. Carnes para churrasco: os melhores cortes de boi, porco e frango e como escolher. Disponível em: https://valorfinal.com.br/guia/carnes-para-churrasco. Atualizado em: 06/11/2026.

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Como validamos este conteúdo

Base deste guia: Portaria SDA nº 744/2023 do Ministério da Agricultura. As quantidades citadas partem de faixas usuais de consumo e de densidade dos ingredientes, não de norma oficial. Apetite do grupo, corte escolhido, marca do produto e tempo de evento mudam o resultado. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

Qual é a melhor carne para assar?
Não existe uma só, porque cada corte pede um fogo. Para assar rápido, com calor forte, vão bem os cortes do traseiro que a Embrapa Gado de Corte lista entre as peças nobres, como contrafilé e alcatra, de onde saem picanha e maminha, além da fraldinha. Para assar devagar, costela e cupim vão inteiros para a parte de cima da churrasqueira, com calor suave, como ensina o manual de churrasco do SENAR. No porco, panceta e costelinha; no frango, coxa e sobrecoxa.
A capa de filé é boa para churrasco?
Pode ir à churrasqueira, desde que tratada como corte de fogo brando. Pela padronização de cortes do Ministério da Agricultura, a capa de filé é a camada de músculos que cobre o filé de costela, formada pelo trapézio e pelo romboide, os mesmos músculos do cupim. O SENAR põe o surtum, corte pantaneiro que reúne parte da capa de contrafilé e da paleta, na parte de cima da churrasqueira, onde o calor é mais suave. Na hora de servir, fatie contra a fibra.
A maminha é boa para churrasco?
Sim. A maminha é uma das três partes da alcatra na padronização do Ministério da Agricultura, formada pelo músculo tensor da fáscia lata, e a alcatra está entre as peças nobres do boi na classificação da Embrapa Gado de Corte. O SENAR assa a maminha na altura intermediária da churrasqueira, onde o calor é mais forte e o tempo é menor que o da costela. Fatiada contra a fibra, fica mais macia: a Embrapa registra que a posição do corte em relação às fibras pode deixar um bife duro ou macio.
A alcatra é boa para churrasco?
Sim. A Embrapa Gado de Corte põe a alcatra entre as peças nobres do boi, ao lado do filé mignon e do contrafilé, e a padronização do Ministério da Agricultura divide a peça em três cortes: picanha, maminha e coração da alcatra, este chamado de miolo em muitos açougues. Picanha e maminha vão em peça para a altura intermediária da churrasqueira. O miolo rende em bifes, perto da brasa, como os cortes fatiados que o manual do SENAR leva à grelha.
Qual é a carne boa e barata para churrasco?
Os cortes mais em conta saem das partes do boi de menor importância comercial. A Embrapa Gado de Corte ordena a carcaça em traseiro especial, ponta de agulha e dianteiro. Do dianteiro vêm acém, peito e cupim; da ponta de agulha, a costela do traseiro, a fralda e o bife do vazio. Quase todos pedem técnica: costela e cupim assam devagar, com calor suave, e a ponta de peito vai à altura intermediária, pelo manual do SENAR. Compare o preço por quilo no seu açougue, porque ele muda toda semana.
Qual a diferença entre fraldinha e fraldão?
Na nomenclatura oficial do Ministério da Agricultura, fraldinha é um dos nomes aceitos para o diafragma, ao lado de entranha fina. Na mesma região do boi, a norma lista o vazio, dividido em fralda e bife do vazio, no flanco. Fraldão não aparece na lista oficial: é nome de balcão, e por isso a peça muda de um açougue para outro. A portaria manda o rótulo trazer primeiro o nome oficial e só depois o regional, então leia a etiqueta ou pergunte de que parte do boi a peça saiu.
Quais carnes vão no espeto e quais na grelha?
A regra do manual de churrasco do SENAR é a espessura: quanto mais grossa a peça, mais longe da brasa e mais tempo de fogo. Cortes finos, como picanha fatiada, contrafilé, ancho e chorizo, vão na grelha, de 10 a 20 cm da brasa. Peças inteiras e grossas assam de 30 a 60 cm, e costela e cupim inteiros ficam na parte de cima. Nas receitas do manual, panceta e frango aberto vão no espeto, e a costela grande assa espetada no fogo de chão.
Qual carne de porco é boa para churrasco?
Linguiça toscana, panceta, costelinha e lombo são os cortes de porco com técnica conhecida na brasa. Panceta é o nome de balcão da barriga, nome oficial do corte; o SENAR seca e salga só o couro e assa o couro por último, até ficar crocante. A costelinha, pelo mesmo manual, vai embrulhada em papel-alumínio por 2 a 3 horas em fogo médio-baixo antes de ganhar molho. Carne de porco vai sempre bem passada: a RDC 216/2004 da Anvisa pede 70 °C em todas as partes do alimento.
Qual carne para churrasco tem mais gordura?
Entre os bovinos, a picanha é conhecida pela capa de gordura e o cupim, pela gordura entremeada; no porco, a panceta é a peça mais gorda. Gordura ajuda o churrasco. O manual do SENAR manda tirar sebo e membranas, mas manter a gordura do corte, que derrete no fogo e dá suculência. A Embrapa Gado de Corte explica que o marmoreio, a gordura entre as fibras, deixa a carne mais macia porque lubrifica a mastigação, e que a sensação de suculência vem do teor de gordura.
Como saber se a picanha é de verdade?
Pelo peso e pela origem. A picanha sai da alcatra e é formada por parte do músculo glúteo bíceps, segundo a padronização do Ministério da Agricultura. Um documento da Embrapa Gado de Corte de 1994 registra que a peça não passa de 1,3 kg e que, quando o cliente pede picanha de 2 kg, o açougueiro pouco cuidadoso avança o corte sobre o coxão duro, a peça vizinha. Boi de hoje pode render picanha um pouco maior, mas peça muito acima disso merece a pergunta: tem coxão duro junto?
Frango e linguiça podem ficar malpassados?
Não. A RDC 216/2004 da Anvisa exige que o tratamento térmico leve todas as partes do alimento a pelo menos 70 °C, e frango, linguiça e carne de porco precisam chegar lá no centro da peça, inclusive perto do osso da coxa. Cortes bovinos inteiros servidos malpassados ficam abaixo dessa temperatura no meio, o que é uma escolha de quem serve e de quem come. Na dúvida, um termômetro de espeto mede o centro sem cortar a peça.
Precisa lavar a carne antes de assar?
Não. O manual de churrasco do SENAR orienta a não lavar nenhum tipo de carne, porque isso não traz benefício e pode favorecer a proliferação de bactérias. Antes de temperar, o trabalho é limpar o corte: tirar o sebo e as membranas que o manual chama de espelhos e manter a gordura, que derrete no fogo e dá suculência. Tábuas, facas e mãos que tocaram carne crua precisam ser lavadas antes de tocar no que já está pronto, para evitar a contaminação cruzada.