Módulo 5 - Técnicas avançadas de prompt
Dar papel, formato e limites
10 min de leitura · por Cesar Gargiulo, revisado pela equipe ValorFinal e GuardiaSec · Atualizado em 14/07/2026
O que você vai aprender
- Usar o papel para mudar o vocabulário e o foco da resposta.
- Especificar o formato exato da saída em vez de aceitar texto corrido.
- Escrever limites que dizem o que o modelo nunca deve fazer.
- Aplicar a instrução defensiva contra invenção de dado.
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Resumo da aula: Dar papel, formato e limites.
Os objetivos desta aula. Usar o papel para mudar o vocabulário e o foco da resposta. Especificar o formato exato da saída em vez de aceitar texto corrido. Escrever limites que dizem o que o modelo nunca deve fazer. Aplicar a instrução defensiva contra invenção de dado.
Veja o essencial, parte por parte.
O papel muda o vocabulário e o foco. O papel define quem responde e muda o vocabulário, o nível de detalhe e o que a resposta considera importante.
O formato exato e a instrução de ouro. Vago: um texto bem curtinho, umas poucas frases, nada muito além disso.
As três juntas, sem virar burocracia. Ela reduz muito a invenção de dado, mas não zera: o modelo continua podendo errar e você continua conferindo.
Esse foi o resumo do essencial. Para se aprofundar, leia a aula completa e responda os exercícios.
O papel muda o vocabulário e o foco
O guia oficial da OpenAI abre o esqueleto de um bom pedido com a identidade, que é onde você descreve o propósito, o estilo de comunicação e o objetivo do assistente. No dia a dia, isso é o papel. Peça uma análise do seu contrato de aluguel sem papel nenhum e você recebe um resumo educado e morno. Peça a mesma análise dizendo que ele é um advogado que representa o inquilino e a coisa muda de lugar: aparecem multa, prazo de aviso prévio, cláusula de reajuste e o que é abusivo. Não é que o modelo saiba mais. É que você disse o que importa olhar.
Por isso o papel funciona melhor quando ele carrega um ponto de vista, e não só uma profissão. Advogado é vago. Advogado que representa o inquilino e vai apontar o que pesa contra ele é uma instrução com direção. Vale o mesmo em qualquer área. Nutricionista é vago; nutricionista que monta cardápio com o que tem no mercado de bairro e cabe em cem reais por semana tem direção. Professor é vago; professor de matemática que explica para quem parou de estudar há quinze anos e trava em fração tem direção. O papel útil diz de que lado da mesa o assistente está sentado.
O formato exato e a instrução de ouro
A segunda alavanca é o formato. Se você não disser como quer a resposta, o modelo escolhe, e a escolha padrão costuma ser texto corrido, que é o pior formato possível para conferir qualquer coisa. Dizer o formato exato custa cinco palavras e muda tudo: tabela com as colunas cláusula, o que diz e risco para mim; lista de cinco itens em ordem de urgência; resumo de duzentas palavras que a minha mãe entenda. Formato definido também facilita a sua vida depois, porque uma tabela você cola na planilha e uma lista você marca item por item. Texto corrido você relê três vezes e não sabe se falta alguma coisa.
A terceira alavanca é a que quase ninguém usa e a que mais protege você. O guia oficial, na parte de instruções, pergunta duas coisas: o que o modelo deve fazer e o que o modelo nunca deve fazer. A segunda metade dessa pergunta é ouro. Um modelo de linguagem tende a preencher lacuna, porque foi construído para continuar o texto de forma plausível. Quando falta um dado, o caminho natural dele é produzir algo que parece certo. A instrução defensiva fecha essa porta: se a informação não estiver no material, escreva NÃO CONSTA em vez de estimar. Uma linha, e a resposta passa a mostrar os buracos em vez de escondê-los.
Só que existe uma sutileza aqui, e ela vem de outra recomendação oficial: diga o que fazer, não apenas o que não fazer. Proibição sozinha deixa um vácuo. Se você escrever apenas não invente dados, o modelo entende que aquilo é ruim e continua sem saber o que colocar no lugar quando a informação faltar, e volta a preencher com o que parece plausível. Repare que a linha do NÃO CONSTA não é só uma proibição: ela proíbe estimar e, na mesma frase, entrega a alternativa concreta, que é escrever aquelas duas palavras. Toda vez que você fechar uma porta, abra a porta certa ao lado. É a diferença entre não faça isso e faça aquilo em vez disso.
ANTES
Analisa esse contrato de aluguel pra mim e me fala se tá tudo certo.
DEPOIS
Você é um advogado que representa o INQUILINO. O seu objetivo é encontrar o
que pesa contra ele neste contrato.
O que fazer:
- Analise apenas o contrato colado abaixo, entre as etiquetas.
- Entregue uma tabela com as colunas: Cláusula | O que ela diz | Risco para
mim (baixo, médio ou alto) | O que eu poderia negociar.
- Ordene da linha de risco mais alto para a mais baixa.
O que NUNCA fazer:
- Não invente cláusula que não está no texto.
- Se uma informação não estiver no contrato, escreva NÃO CONSTA na célula,
em vez de estimar ou supor.
- Não afirme que algo é ilegal sem apontar a cláusula exata em que se baseia.
- Não conclua que está tudo certo. Se não achar risco, diga que não achou.
<contrato>
(cole aqui o texto do contrato)
</contrato>O mesmo pedido sem e com as três alavancas. O de baixo é mais longo e é o único cuja resposta você consegue conferir.
🎮 Jogo da aula
Ache a linha que estraga o pedido
Este pedido tem papel, formato e limites, mas uma das linhas sabota o resultado. Ache qual.
Repare no que o exemplo do contrato faz na última linha dos limites: não conclua que está tudo certo, e se não achar risco, diga que não achou. Isso existe porque um pedido com papel forte cria uma pressão sutil para o assistente entregar o que você parece querer. Se você disse que ele é o seu advogado, ele tende a achar problema, mesmo onde não há. O limite equilibra. E o material vai por último, dentro das etiquetas, que é a recomendação oficial: contexto perto do fim, com fronteira clara de onde começa e onde termina, para o modelo não confundir instrução com material.
As três juntas, sem virar burocracia
Vendo o exemplo de baixo, dá para pensar que agora todo pedido vai virar um documento. Não é isso. As três alavancas entram na proporção do risco. Para perguntar o que é IPTU, nenhuma delas faz falta. Para analisar um contrato que você vai assinar, revisar o fechamento do caixa ou resumir um edital, elas são a diferença entre uma resposta que você confere e uma resposta em que você acredita. A régua é simples: quanto pior for o custo de um erro que passa despercebido, mais valem os limites.
Pedido raso (a resposta parece boa)
- Resume esse edital pra mim.
- Vê se esse orçamento de obra tá bom.
- Organiza esses lançamentos numa tabela.
Pedido com as três alavancas (a resposta é conferível)
- Você revisa editais para candidatos. Liste em tabela as datas, os requisitos e o que eu preciso providenciar. Se uma data não estiver no edital, escreva NÃO CONSTA.
- Você é um engenheiro que representa o dono da obra. Aponte os itens sem quantidade ou sem unidade. Não estime preço de mercado, e diga NÃO CONSTA quando faltar.
- Organize os lançamentos em tabela com Data, Categoria e Valor. Se faltar a categoria, escreva NÃO CONSTA e liste as linhas para eu revisar.
Se você levar uma coisa só desta aula, leve a linha do NÃO CONSTA. Ela é pequena, cabe em qualquer pedido e muda a natureza do que volta. Sem ela, a resposta é uniforme e completa, e você não tem como saber qual pedaço veio do seu material e qual pedaço o modelo preencheu para não deixar buraco. Com ela, os buracos aparecem, e buraco visível é problema resolvido: você vai lá e busca o dado. O que faz estrago não é a resposta incompleta. É a resposta que finge estar completa.
Teste rápido
Você colou um edital e pediu um resumo das datas. Qual instrução mais reduz o risco de o ChatGPT te dar uma data que não existe?
Perguntas frequentes
- Dizer você é um advogado faz o ChatGPT saber mais direito?
- Não. O conhecimento é o mesmo com ou sem papel. O que muda é o recorte: o papel diz qual vocabulário usar, qual nível de detalhe entregar e o que considerar importante. Advogado que representa o inquilino faz aparecer multa e aviso prévio; sem papel, você recebe um resumo morno. É direção, não conhecimento novo.
- A instrução do NÃO CONSTA funciona mesmo?
- Ela reduz bastante a invenção de dado sobre o material que você forneceu, porque dá ao modelo uma saída legítima para a lacuna, em vez de deixá-lo com o único caminho natural, que é continuar o texto de forma plausível. Não é garantia. O modelo ainda pode escorregar, e a sua conferência continua sendo parte do trabalho.
- Preciso escrever pedidos longos assim toda vez?
- Não. As alavancas entram na proporção do risco. Para uma dúvida simples, um pedido de uma linha resolve. Para um contrato que você vai assinar ou um edital de que depende a sua inscrição, os cinco minutos de pedido bem escrito são o melhor investimento da tarefa. Quanto pior o custo de um erro despercebido, mais valem os limites.
- Por que marcar o material com etiquetas tipo contrato?
- Para o modelo saber onde termina a sua instrução e onde começa o material. Sem fronteira, um texto colado com listas e títulos pode ser lido como se fosse ordem sua. A recomendação oficial é usar marcação e colocar o contexto perto do fim do pedido. Uma etiqueta clara de abertura e fechamento resolve isso sem complicação.
- Qual formato eu peço quando não sei qual quero?
- Pense em como você vai usar a resposta. Se vai colar numa planilha, peça tabela e diga as colunas. Se vai marcar item por item, peça lista numerada. Se vai mandar para alguém ler, peça texto com limite de palavras. O formato ruim é o que você não escolheu, porque aí o padrão é texto corrido, o mais difícil de conferir.
- Posso pedir para ele dizer o quanto está confiante?
- Pode pedir, e o número que volta não é uma medida confiável de nada. Um modelo não tem termômetro interno de certeza para reportar. Vale muito mais exigir a fonte dentro do material: peça que cada linha da resposta aponte a cláusula ou o trecho em que se baseia. Aí você confere a origem em vez de confiar num percentual.
Fontes
Seu progresso fica salvo neste aparelho. Assinantes sincronizam entre os aparelhos.