Módulo 8 - Memória, instruções e projetos

Instruções personalizadas

9 min de leitura · por Cesar Gargiulo, revisado pela equipe ValorFinal e GuardiaSec · Atualizado em 14/07/2026

O que você vai aprender

  • Explicar o que são instruções personalizadas e onde elas agem.
  • Escolher o que colocar: quem você é, para quem escreve, tom e formato.
  • Reconhecer o que nunca deve entrar nesses campos.
  • Escrever as suas próprias instruções a partir de um exemplo real.

O ajuste que mais rende

Se este curso inteiro pudesse recomendar um único ajuste, seria este. A conta é simples: dez minutos escrevendo instruções personalizadas mudam a qualidade de todas as suas conversas dali em diante. Nenhuma outra coisa que você aprende aqui tem essa relação entre esforço e retorno. E o detalhe que quase ninguém sabe torna o negócio melhor ainda. As instruções não valem só para as conversas novas: segundo a OpenAI, elas se aplicam imediatamente a todos os chats, inclusive aos que já existem. Você escreve e volta para um chat de ontem, e ele já responde do jeito novo.

O problema que isso resolve é conhecido de quem usa a ferramenta com frequência: a repetição. Você abre uma conversa e escreve sou professora, responda em português, seja breve, nada de emoji. Abre outra conversa no dia seguinte e escreve tudo de novo. Se você já se pegou copiando e colando o mesmo parágrafo de apresentação para o ChatGPT, essa é a hora de parar. Aquele parágrafo é exatamente o conteúdo das instruções personalizadas. Escreva uma vez, nas configurações, e ele vale sempre, sem ocupar o começo de cada conversa nem consumir a sua paciência.

Diagrama com um retângulo à esquerda chamado instruções personalizadas, contendo quatro linhas curtas escritas quem sou, para quem escrevo, tom e o que evitar. Dele saem quatro setas iguais para quatro balões de conversa à direita, três marcados como chats novos e um marcado como chat antigo, todos recebendo a mesma seta, indicando que as instruções valem também para conversas que já existem.
Escreve uma vez e vale para tudo, inclusive para os chats que já estavam abertos.

Além do texto que você escreve, existem ajustes prontos de personalização que valem conhecer. Dá para pedir um ChatGPT mais caloroso ou menos caloroso, mais entusiasmado ou menos, com ou sem títulos e listas na resposta, com ou sem emojis. São chaves simples que resolvem irritações reais. Muita gente reclama do excesso de animação nas respostas, daquele elogio automático antes de responder qualquer coisa, e não sabe que existe um botão para isso. Ajuste as chaves e escreva o texto: os dois juntos fazem um ChatGPT que soa como você quer.

O que colocar e o que nunca colocar

Boas instruções têm quatro camadas, e a ordem ajuda a não esquecer nenhuma. Primeiro, quem você é: profissão, área, tamanho do que você toca, a informação que muda o nível da resposta. Segundo, para quem você escreve, que é o que a maioria esquece e é o que mais muda o resultado. Um advogado escrevendo para outro advogado e um advogado escrevendo para o cliente leigo precisam de textos opostos. Terceiro, como você quer a resposta: tom, tamanho, formato. Quarto, o que evitar, que é onde entram as suas irritações específicas.

O que nunca entra é igualmente importante. Senha, nunca. CPF, número de cartão, dados bancários, nunca. Informação de terceiro que não é sua para compartilhar, como o dado de um cliente ou de um paciente, também não. Lembre da aula anterior: nas contas de consumidor o treino com os seus dados é o padrão, e as instruções personalizadas ficam guardadas no seu perfil. A regra prática é boa e simples: se você não escreveria aquilo num bilhete colado no monitor do escritório, não escreva nas instruções. Contexto profissional, sim. Documento e credencial, não.

Entra nas instruções

  • Sou contador e atendo MEI e Simples Nacional.
  • Escrevo para donos de negócio que não são da área.
  • Prefiro resposta direta, sem introdução longa.
  • Não use emoji e não me elogie antes de responder.

Nunca entra

  • Meu CPF é este número aqui.
  • A senha do sistema da contabilidade é esta.
  • O CNPJ e o faturamento do meu cliente fulano são estes.
  • Os dados do meu cartão para você já preencher os formulários.

🎮 Jogo da aula

Ache a linha que não deveria estar aí

Estas são as instruções personalizadas de uma corretora de imóveis. Cinco linhas estão certas. Toque na única que ela nunca deveria ter escrito.

Um exemplo real, linha por linha

Teoria basta. Veja abaixo as instruções personalizadas de um contador de escritório pequeno no interior de São Paulo. Não é um exemplo bonito para ilustrar: é o tipo de texto que resolve o dia dele. Os campos podem ter nomes um pouco diferentes conforme a versão do produto, então o que importa aqui é o conteúdo e a organização, não o rótulo exato de cada caixa. Leia primeiro inteiro e depois volte na explicação de cada escolha, porque nenhuma linha está ali por acaso.

QUEM SOU E PARA QUEM ESCREVO
Sou contador em um escritório pequeno no interior de São Paulo,
com cerca de 40 clientes, quase todos MEI e Simples Nacional.
Quando eu escrevo, é para o dono do negócio, que não é da área
contábil e não entende jargão.

COMO EU QUERO A RESPOSTA
Responda em português do Brasil.
Comece pela resposta e só depois explique o porquê.
Use listas curtas quando houver mais de três itens.
Traduza sigla: na primeira vez que escrever DAS, escreva o nome
por extenso ao lado.
Se eu pedir um texto para enviar ao cliente, escreva no tom de
quem explica, não no tom de quem despacha.

O QUE EVITAR
Não invente número de tabela, alíquota, prazo ou artigo de lei.
Se não souber, diga que não sabe.
Sempre que a resposta envolver prazo, regra fiscal ou valor,
avise que preciso conferir na fonte oficial e diga qual fonte.
Não use emoji.
Não comece a resposta me elogiando pela pergunta.

Instruções personalizadas de um contador brasileiro. Cada linha resolve um problema real do dia a dia dele.

A linhaPor que ela está lá
Escritório pequeno, 40 clientes, MEI e SimplesCalibra o nível: ele não quer resposta de multinacional nem de aula introdutória
Escrevo para o dono do negócio, que não é da áreaA linha que mais muda o resultado: define o leitor, não o autor
Comece pela resposta e só depois expliqueCorta a introdução longa que faz ele rolar a tela para achar o que importa
Traduza sigla na primeira vezResolve na origem o retrabalho de reescrever tudo antes de mandar ao cliente
Não invente número e diga que não sabeEndereça a alucinação no ponto em que ela custa caro: alíquota e prazo
Avise que preciso conferir na fonte oficialTransforma o hábito certo em padrão, sem depender da memória dele

Nenhuma linha é enfeite. Cada uma nasceu de um incômodo que se repetia.

Note o que esse texto não tem. Não tem CPF, não tem senha, não tem o nome nem o CNPJ de nenhum cliente. Tem contexto profissional, que é o que faz a resposta melhorar, e para no ponto em que viraria dado sensível guardado num perfil. Note também que as instruções dele não pedem mágica: pedem tom, formato e honestidade sobre o que a máquina não sabe. Escreva as suas hoje, mesmo que fiquem imperfeitas. Você vai voltar e ajustar quando algo irritar, e é assim que essas quatro ou cinco linhas viram o ajuste mais valioso do seu ChatGPT.

Teste rápido

Você acabou de escrever as suas instruções personalizadas. O que acontece com os chats que já estavam abertos antes disso, segundo a OpenAI?

Perguntas frequentes

As instruções personalizadas valem para as conversas antigas?
Valem. Segundo a OpenAI, elas se aplicam imediatamente a todos os chats, inclusive aos que já existem. Você salva o texto e pode voltar para uma conversa da semana passada, que ela já vai seguir o formato e o tom novos. Não é preciso recomeçar nada nem criar um chat novo para ver o efeito.
Qual a diferença entre instruções personalizadas e memória?
Instruções personalizadas são o que você escreve de propósito, uma vez, nas configurações: quem é, o tom, o formato. Memória é o que ele guarda ao longo do uso, às vezes por ordem sua, às vezes puxando de conversas passadas. As duas personalizam a resposta, mas uma é escolha deliberada sua e a outra é acúmulo que precisa de revisão.
O que eu jamais devo colocar nas instruções?
Senha, CPF, número de cartão, dado bancário e informação de terceiro que não é sua para compartilhar. Elas ficam guardadas no seu perfil e, nas contas de consumidor, o uso dos dados para treino é o padrão. A regra prática: se você não escreveria num bilhete colado no monitor do escritório, não escreva ali.
Posso pedir para ele parar de me elogiar antes de responder?
Pode, e essa é uma das reclamações mais comuns. Escreva nas instruções que ele não deve começar a resposta elogiando a pergunta. Existem também ajustes prontos de personalização, como deixar o ChatGPT mais ou menos caloroso e mais ou menos entusiasmado, além das chaves de títulos e listas e de emojis.
Quanto texto eu devo escrever?
Menos do que você imagina. Quatro ou cinco linhas boas superam um parágrafo genérico enorme. Diga quem você é, para quem escreve, como quer a resposta e o que evitar. Depois ajuste com o uso: toda vez que uma resposta irritar você pelo mesmo motivo pela segunda vez, aquilo virou candidata a uma linha nova.
Preciso mudar as instruções quando trocar de assunto?
Não. As instruções personalizadas são para o que é permanente sobre você: profissão, público, tom. O que muda por tarefa você escreve no próprio pedido, dentro da conversa. E quando um assunto tem contexto fixo e recorrente, como um cliente ou um TCC, o lugar certo é um projeto, tema da próxima aula.

Fontes

Seu progresso fica salvo neste aparelho. Assinantes sincronizam entre os aparelhos.