Galáxia
Galáxia NGC 2442
A Galáxia Gancho de Carne tem dois braços que não combinam entre si. Essa assimetria é uma cicatriz, e a astronomia ainda discute de quem.

Crédito ESO/IDA/Danish 1.5 m/R. Gendler, J.-E. Ovaldsen, C. C. Thöne and C. Féron ESO CC BY 4.0
- Tipo
- GaláxiaSIMBAD: LIN
- Distância
- 55,8 milhões de anos-luz
- Constelação
- Peixe VoadorVol
- Tamanho no céu
- 5,1 minutos de arcoextensão catalogada no SIMBAD
- Classificação
- SAB(s)bcpec
- Observado por
- Danish 1.54-metre telescope, DSS, MPG/ESO 2.2-metre telescope
- Imagem publicada
- dezembro de 2009
- Original do acervo
- 1.280 × 1.280 px2 megapixels
- Desvio para o vermelho
- z = 0,005
Quase toda espiral do céu tem uma simetria tranquila. Gire a foto meia volta e ela fica parecida com o que era antes: os braços saem do centro aos pares, com curvatura semelhante, brilho semelhante, comprimento semelhante. NGC 2442 quebra essa expectativa de um jeito que salta aos olhos mesmo para quem nunca olhou uma galáxia com atenção. Um dos braços dela é longo, aberto e cheio de nós brilhantes. O outro é curto, grosso e escuro. Os dois saem da mesma barra central e terminam em lugares completamente diferentes.
O apelido veio dessa forma. Vista de longe, com os dois braços torcidos para lados opostos, a galáxia lembra um gancho, e ela ficou conhecida como Galáxia Gancho de Carne. É um apelido feio para um objeto que os astrônomos consideram um dos exemplos mais didáticos do céu austral, e o motivo é justamente a assimetria: numa galáxia simétrica, é difícil separar o que a gravidade fez agora do que ela fez há bilhões de anos. Numa galáxia torta, a deformação é o registro mais recente, e ela aponta para um evento.
NGC 2442 está na constelação do Peixe Voador, no extremo sul da esfera celeste, longe o bastante do equador para nunca subir no céu europeu. Isso explica por que ela é tão pouco conhecida do público e tão bem observada pelos telescópios do Chile e pelos observatórios espaciais, que não têm horizonte. O acervo desta página reúne seis imagens dela, em campos que vão de dois minutos de arco a quase três graus de céu, e cada uma responde uma pergunta diferente sobre o mesmo objeto.
Por que os dois braços são tão diferentes
Um braço espiral não é um objeto sólido. É uma onda de compressão que atravessa o disco de gás e empurra o material para dentro de uma faixa mais densa, onde nuvens desabam e nascem estrelas. Numa galáxia isolada, essa onda se organiza sozinha, porque a única coisa que a governa é a rotação do próprio disco, que é regular. O resultado são braços parecidos entre si, distribuídos com regularidade em volta do centro.
Para produzir dois braços tão desiguais quanto os de NGC 2442, é preciso um empurrão de fora. A gravidade de uma galáxia que passa perto age com força diferente em cada parte do disco: o lado voltado para a intrusa é puxado mais que o lado oposto, e essa diferença de força esticada ao longo do disco é o que chamamos de força de maré. Ela alonga um braço, comprime o outro, e deixa o disco desalinhado por centenas de milhões de anos depois que a visita já foi embora.
A assimetria também muda onde as estrelas nascem. O braço esticado recolhe gás de uma região maior e o comprime ao longo de um caminho mais longo, e é por isso que ele aparece salpicado de nós azulados nas imagens de maior resolução. O braço curto, mais denso e mais empoeirado, guarda o seu gás de outro jeito.
O que significa o pec da classificação
O SIMBAD registra a morfologia de NGC 2442 como SAB(s)bcpec. Cada pedaço dessa sigla é uma medida, não um adjetivo. O S diz que é uma espiral. O AB diz que a barra central existe, mas é intermediária, nem tão marcada quanto nas espirais barradas clássicas nem ausente. O (s) diz que os braços saem direto da barra, sem um anel entre eles. O bc situa a galáxia no meio da sequência que vai de braços apertados e núcleo dominante até braços frouxos e núcleo pequeno.
As três letras finais são as interessantes. Peculiar, na classificação morfológica, não é um elogio nem uma crítica: é a admissão de que o objeto não caberia inteiro no esquema sem uma nota de rodapé. Quando um classificador escreve pec, ele está dizendo que mediu tudo o que dava para medir e sobrou uma característica que o sistema não descreve. Em NGC 2442, essa característica é a assimetria dos braços.
Vale registrar o que isso não significa. Peculiar não quer dizer raro: galáxias deformadas por interação são comuns no universo, e a própria Via Láctea carrega marcas de encontros antigos. Quer dizer apenas que a forma atual desse objeto não é explicada pela evolução tranquila de um disco isolado.
A galáxia onde vimos duas estrelas morrerem
Supernovas são raras numa galáxia qualquer, na escala de uma ou duas por século. NGC 2442 aparece duas vezes no registro moderno, e as duas explosões estão documentadas nas próprias legendas das fotos deste acervo. A primeira foi em 1999, no mais compacto dos dois braços, e é ela que a imagem de perto do Hubble tem como assunto declarado. A segunda foi a SN 2015F.
A SN 2015F é o tipo mais útil de supernova que existe, e o motivo é a maneira como ela acontece. Uma anã branca, que é o caroço denso deixado por uma estrela como o Sol, orbitava uma companheira e ia roubando massa dela. Anã branca tem um limite de massa que não pode passar: chegando lá, a matéria degenerada que a sustenta perde a queda de braço com a própria gravidade e a estrela detona por inteiro.
Como o limite é sempre o mesmo, o brilho da explosão é sempre parecido, e isso transforma esse tipo de supernova em régua de distância cósmica. Medindo o quanto ela parece fraca, calcula-se a que distância aconteceu. É com réguas desse tipo, espalhadas por muitas galáxias, que se mede a taxa de expansão do universo.
Quem torceu essa galáxia
Aqui a página precisa ser honesta sobre o limite do que se sabe. A explicação aceita para a forma de NGC 2442 é interação gravitacional com outra galáxia, e essa parte tem apoio sólido: a assimetria observada é do tipo que a força de maré produz, e não do tipo que um disco isolado produz sozinho. O problema começa quando se pergunta com quem.
Identificar a culpada de um encontro passado é difícil por um motivo simples. O encontro que deforma um disco não precisa ser uma colisão: basta uma passagem próxima. Depois dela, as duas galáxias seguem caminhos separados, e centenas de milhões de anos mais tarde a suspeita pode estar longe, em qualquer direção, com aparência normal. Reconstruir a trajetória exige medir a velocidade de cada candidata na linha de visada e também de lado, e o movimento de lado é justamente o que não se mede bem a essa distância.
Então o texto para onde o dado para. NGC 2442 foi deformada por gravidade externa, isso é consenso. A identidade da galáxia responsável e a data do encontro não estão estabelecidas, e qualquer página que apresente um nome com segurança está indo além do que a medição permite.
O que cada telescópio enxerga aqui
As seis imagens deste acervo cobrem uma faixa de escalas enorme, e é isso que as torna complementares em vez de repetidas. A mais ampla vem do Digitized Sky Survey e abrange cerca de três graus de céu, algo em torno de seis vezes a largura da Lua cheia. Nela, NGC 2442 é um borrão perto do centro, e o assunto verdadeiro é a vizinhança: quantas outras galáxias existem no mesmo pedaço de céu.
No meio da faixa está a imagem do Wide Field Imager, no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros em La Silla, no Chile. Ela cobre pouco menos de meio grau e é a única que faz as duas coisas ao mesmo tempo: mostra a galáxia inteira, do fim de um braço ao fim do outro, com detalhe suficiente para a assimetria ficar evidente. Para entender a forma de NGC 2442, é essa que vale mais.
As duas mais fechadas são do Hubble, com dois a quatro minutos de arco, e nenhuma delas contém a galáxia toda. Uma delas, feita com a Wide Field Camera 3 em quatro filtros que vão do azul em 438 nanômetros ao infravermelho próximo em 814, é a que mostra os nós de formação estelar como objetos individuais em vez de uma mancha brilhante. A outra mira o braço compacto e as regiões centrais, e foi feita com filtro em 658 nanômetros, que é a linha do hidrogênio ionizado, o brilho característico do gás aquecido por estrelas recém-nascidas.
Os números deste objeto
| Classificação morfológica | SAB(s)bcpecSIMBAD |
|---|---|
| Constelação | Peixe Voador (Volans)IAU |
| Distância | cerca de 56 milhões de anos-luzmetadado do publicador |
| Largura declarada | 75.000 anos-luzESO |
| Tamanho aparente | 5,13 minutos de arcoSIMBAD |
| Desvio para o vermelho | z = 0,00485SIMBAD |
| Supernovas documentadas | 1999 e SN 2015FESA/Hubble |
O que reparar nesta imagem
- Os dois braços, lado a ladoCompare o comprimento dos braços na imagem do Wide Field Imager. Um deles se estende bem além do outro, e essa diferença é o assunto da página inteira.
- Os nós azulados do braço longoProcure os pontos azulados alinhados ao longo do braço mais extenso. Cada um é uma região de formação estelar, e o alinhamento mostra que a onda de compressão passou por ali.
- A galáxia que não cabe no quadroNa imagem de perto do Hubble, repare que a galáxia transborda a foto. Isso não é defeito: é o preço de ver os nós de estrelas separados um do outro.
- A vizinhança povoadaNa foto de campo mais largo, conte quantos outros borrões alongados aparecem. É dessa vizinhança que sai a suspeita da interação gravitacional.
Que tamanho é isso, de verdade
Cerca de 2,5 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 13 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 83.223 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.
A luz desta imagem levou 55,8 milhões de anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era quando os primeiros representantes do gênero Homo apareciam na África.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, em boa altura, a 27° de altura, na direção S.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 44 graus acima do horizonte, e ele nunca chega a se pôr.
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Quanto já se olhou para aqui
- 398registros do Hubble
- 22registros do James Webb
- 6registros do GALEX
Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 2,6 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.
O que ainda não se sabe
Qual galáxia causou a deformação de NGC 2442 não está estabelecido, nem há data aceita para o encontro. Reconstruir a trajetória exigiria medir o movimento das candidatas de lado, e não só na linha de visada, e essa medida ainda não existe com precisão suficiente a 56 milhões de anos-luz. Também não está claro se a assimetria vem de um encontro único e forte ou de uma sequência de passagens menores: as duas histórias produzem discos tortos, e distingui-las depende de modelar a distribuição de velocidades do gás em detalhe. Por fim, a quantidade de gás que a galáxia perdeu durante a interação não é bem conhecida, e isso importa porque define quanto tempo NGC 2442 ainda pode formar estrelas antes de esgotar o combustível do disco.
Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.
Uma coisa que quase ninguém sabe
A constelação do Peixe Voador foi criada no fim do século 16 por navegadores holandeses que mapearam o céu do sul durante viagens comerciais para as Índias. Ela não tem mitologia grega nem romana associada, porque nenhum grego ou romano nunca a viu: o Peixe Voador fica tão ao sul que jamais nasce no horizonte do Mediterrâneo.
Outras imagens deste objeto

Crédito ESA/Hubble & Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito ESO ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito ESA/Hubble & NASA, S. Smartt et al. ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito ESO, IAU and Sky & Telescope ESA/Hubble CC BY 4.0
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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Galáxia de Andrômeda
Crédito ESA/Hubble & Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Sombrero
Crédito ESA/Hubble & NASA, K. Noll ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Redemoinho
Crédito NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Cata-vento
Crédito ESA/Hubble and Digitized Sky Survey 2. Acknowledgements: Davide De Martin (ESA/Hubble ) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Charuto
Crédito NASA, ESA, CSA, A. Smercina (STScI), T. Williams (University of Manchester). Image processing: A. Pagan (STScI). ESA/Webb CC BY 4.0
- Galáxia de Bode
Crédito ESA/INT/DSS2 ESA/Hubble CC BY 4.0
Perguntas frequentes
- Por que NGC 2442 é chamada de Galáxia Gancho de Carne?
- NGC 2442 ganhou esse apelido pela forma. Os dois braços espirais dela saem da barra central torcidos para lados opostos e com comprimentos bem diferentes, e o contorno resultante lembra um gancho. O nome é informal e não tem valor científico, mas pegou porque descreve bem o que se vê: a galáxia realmente não parece simétrica em nenhuma orientação em que você a coloque.
- O que quer dizer peculiar na classificação de uma galáxia?
- Peculiar, escrito pec no fim de uma classificação morfológica como SAB(s)bcpec, é a admissão de que o objeto tem uma característica que o sistema de classificação não descreve. Não quer dizer raro nem estranho, e muito menos que a galáxia seja mal compreendida. No caso de NGC 2442, o pec se refere à assimetria dos braços espirais, que não é prevista pela evolução de um disco isolado.
- Onde fica a constelação do Peixe Voador?
- A constelação do Peixe Voador, ou Volans, fica no extremo sul da esfera celeste, entre Carina e o Camaleão. É invisível da Europa e de quase toda a América do Norte, e do Brasil aparece baixa no horizonte sul. Foi criada por navegadores holandeses no fim do século 16 e não tem mitologia antiga associada, porque os povos do Mediterrâneo nunca a enxergaram.
- Uma galáxia pode ficar torta sozinha?
- Não, ao menos não no grau que NGC 2442 exibe. Um disco isolado tende a organizar seus braços de forma simétrica, porque a única coisa que os governa é a rotação, que é regular. Para produzir braços de comprimentos muito diferentes, é preciso uma força externa, e a candidata natural é a gravidade de outra galáxia passando perto. Essa deformação sobrevive por centenas de milhões de anos depois do encontro.
- Quantas supernovas já foram vistas em NGC 2442?
- Duas explosões de supernova em NGC 2442 estão documentadas nas legendas oficiais das imagens deste acervo. Uma ocorreu em 1999, no mais compacto dos dois braços espirais. A outra foi a SN 2015F, produzida por uma anã branca que roubava massa de uma estrela companheira até passar do limite que sua estrutura suportava. Duas supernovas registradas numa mesma galáxia em poucas décadas é bastante incomum.
- Por que a imagem de abertura mostra mais céu que a galáxia?
- A regra deste acervo é abrir a página com a foto que contém o objeto inteiro, e não com um recorte. No caso de NGC 2442, a imagem escolhida cobre pouco mais de duas vezes o tamanho aparente da galáxia, o que garante que os dois braços apareçam completos, incluindo a ponta do braço longo. Recortes de perto continuam na página, mais abaixo, porque mostram detalhes que a foto ampla não resolve.
- Dá para ver NGC 2442 com telescópio amador?
- NGC 2442 é um alvo difícil, mas possível para quem está no hemisfério sul com um telescópio de abertura razoável e céu escuro. Com 5,13 minutos de arco de tamanho aparente e brilho espalhado por essa área, ela aparece como um borrão fraco, sem os braços visíveis. A assimetria que dá nome à galáxia só surge em fotografia de longa exposição ou nas imagens dos grandes telescópios.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Galáxia NGC 2442. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/galaxia-ngc-2442. Consultado em: 23/08/2026.





