Galáxia
Galáxia NGC 1512
Uma espiral barrada com dois anéis, engolindo uma galáxia anã há 400 milhões de anos. A barra é o que leva gás ao centro e acende estrelas.

Crédito ESA/Hubble, NASA ESA/Hubble CC BY 4.0
- Tipo
- GaláxiaSIMBAD: GiP
- Distância
- 40,1 milhões de anos-luz
- Constelação
- RelógioHor
- Tamanho no céu
- 5,7 minutos de arcoextensão catalogada no SIMBAD
- Índice T
- 1.0escala de de Vaucouleurs: quanto menor, mais fechados os braços e maior o bojo
- Observado por
- Hubble Space Telescope, DSS, NSF Víctor M. Blanco 4-meter Telescope
- Imagem publicada
- julho de 2017
- Original do acervo
- 11.423 × 4.177 px48 megapixels
- Desvio para o vermelho
- z = 0,003
Veja Galáxia NGC 1512 pelo Hubble e pelo James Webb
Os dois fotografaram este objeto, e o resultado não é a mesma imagem em qualidade diferente. O Hubble registra sobretudo a luz que o olho enxerga; o Webb enxerga infravermelho, que atravessa a poeira e mostra o que estava escondido atrás dela. Arraste a divisória e veja a poeira sumir.
Comparar as duas imagens
Crédito ESA/Hubble, NASA ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, J. Lee (STScI), T. Williams (Oxford), PHANGS Team ESA/Webb CC BY 4.0
NGC 1512 está fazendo duas coisas ao mesmo tempo, e as duas aparecem na mesma foto. Por fora, ela está devorando uma vizinha muito menor, a galáxia anã NGC 1510, num processo que já dura centenas de milhões de anos e que terminará com a menor incorporada à maior. Por dentro, ela mantém aceso um anel de nascimento de estrelas em volta do próprio núcleo, alimentado por gás que desce até lá pela barra de estrelas que atravessa a galáxia.
As duas coisas provavelmente estão ligadas, e é isso que torna esta galáxia um bom lugar para aprender como espirais funcionam. Encontros gravitacionais bagunçam a órbita do gás. Gás com órbita bagunçada perde momento angular. Gás que perde momento angular cai para o centro. E gás que chega ao centro em quantidade acende estrelas. NGC 1512 mostra todos os elos dessa corrente numa imagem só.
Ela fica na constelação do Relógio, no céu do extremo sul, e é uma das galáxias mais fotografadas em mais faixas de luz que existem neste acervo. As doze imagens desta página vão do ultravioleta distante, em 220 nanômetros, até o infravermelho médio, em 21 mil nanômetros, um intervalo de quase cem vezes em comprimento de onda. Cada faixa mostra uma população diferente de objetos dentro da mesma galáxia.
O que a barra faz com o gás
Uma barra galáctica é uma faixa alongada de estrelas que atravessa o centro de ponta a ponta. Ela não é um objeto rígido, e sim um padrão pelo qual as órbitas das estrelas se alinham. Mas para o gás, que é fluido e sofre atrito, esse padrão tem uma consequência mecânica direta: as nuvens que entram na região da barra se chocam, perdem energia e não conseguem manter a órbita que tinham.
O ESA/Hubble descreve exatamente esse mecanismo ao publicar NGC 1512: a barra canaliza gás para o coração da galáxia e alimenta ali um anel de nascimento de estrelas. Esse anel circumnuclear tem 2.400 anos-luz de largura, segundo o mesmo publicador. É uma estrutura pequena em relação à galáxia inteira, e é onde mora quase toda a formação estelar intensa do centro.
Vale medir o contraste. A galáxia tem 70.000 anos-luz de ponta a ponta, e o anel tem 2.400. O anel ocupa cerca de 3% da largura da galáxia, e ainda assim concentra o brilho ultravioleta mais forte do centro inteiro. Não é a galáxia toda que está formando estrelas depressa: é um cinturão estreito, num lugar específico, por um motivo mecânico específico.
Quem é NGC 1510 e o que vai acontecer com ela
NGC 1510 é a galáxia pequena que aparece à direita na imagem de abertura. Ela é uma anã, muito menor que NGC 1512, e as duas estão em processo de fusão. O ESA/Hubble é direto sobre o desfecho: ao fim do processo, NGC 1512 terá canibalizado a companheira menor.
Canibalismo galáctico soa violento, e do ponto de vista das estruturas é mesmo. Mas do ponto de vista das estrelas individuais não há colisão nenhuma. A distância média entre duas estrelas de uma galáxia é milhões de vezes maior que o tamanho de cada uma, e um disco galáctico é quase todo espaço vazio. Duas galáxias se atravessam sem que uma única estrela bata em outra. O que muda de fato são as órbitas, e o que colide de verdade é o gás.
O NOIRLab dá a duração: NGC 1512 vem se fundindo com a vizinha há 400 milhões de anos, e essa interação prolongada disparou ondas de formação de estrelas e deformou as duas galáxias. Ou seja, o que se vê na foto não é um instante de choque, e sim o meio de um processo lento que começou antes de existirem flores na Terra.
A mesma galáxia em cada faixa de luz
Uma das imagens deste acervo faz parte de uma sequência que o Hubble publicou em 2001 com um propósito didático explícito: demonstrar o alcance em comprimento de onda do próprio telescópio, do ultravioleta distante até o infravermelho. A galáxia escolhida para a demonstração foi NGC 1512.
O painel que abre a sequência foi feito pela Faint Object Camera, construída pela Agência Espacial Europeia, em 220 nanômetros. Essa luz é ultravioleta e o olho humano não a enxerga de jeito nenhum. Em 220 nanômetros aparecem quase só estrelas muito jovens e muito quentes, porque elas são as únicas que emitem forte nessa faixa. O resultado é que o anel circumnuclear salta na imagem enquanto o resto da galáxia quase some.
Os painéis seguintes sobem em comprimento de onda: 338 nanômetros ainda no ultravioleta, 545 no verde do visível, 659 na linha do hidrogênio ionizado. Cada faixa acrescenta uma população diferente de objetos. Comparar os painéis lado a lado é ver que a expressão a aparência da galáxia não significa nada sem dizer em que luz se está olhando.
O que o James Webb acrescentou
NGC 1512 entrou no programa PHANGS, uma colaboração que observa muitas galáxias próximas com vários telescópios para estudar o ciclo de formação estelar inteiro, desde as nuvens de gás empoeirado até a energia devolvida pelas estrelas já formadas. A imagem do Webb neste acervo vem desse programa e combina os instrumentos NIRCam e MIRI.
Os filtros escolhidos contam o que se procurava. Vários deles miram bandas de PAH, sigla em inglês para hidrocarbonetos aromáticos policíclicos: moléculas grandes de carbono que existem no meio interestelar e brilham em comprimentos de onda característicos quando aquecidas por estrelas próximas. Outro filtro mira a assinatura de silicatos, que são poeira mineral. Não são filtros de fazer foto bonita: são filtros de encontrar matéria específica.
A descrição do próprio Webb resume o que a imagem mostra: uma espiral barrada vista de frente, com região central circular e um ponto branco brilhante no meio, e a grande barra cortada por faixas filamentares de poeira que se estendem na diagonal. A barra se conecta a um anel oval e denso de braços alaranjados que começa nas pontas dela. O laranja, nessa paleta, é a poeira aquecida.
Onde fica a constelação do Relógio
Horologium, o Relógio, é uma constelação do céu do extremo sul, fraca e pouco conhecida. Ela não vem da tradição greco-romana: foi criada no século 18 pelo astrônomo francês Nicolas-Louis de Lacaille, que passou dois anos no Cabo da Boa Esperança catalogando o céu austral e batizou várias constelações novas com instrumentos científicos e de oficina.
Do Brasil, o Relógio aparece baixo no horizonte sul, e nenhuma de suas estrelas é brilhante o bastante para chamar atenção. Isso não diz nada sobre o que há lá: constelação é uma divisão de mapa, e a fraqueza das estrelas em primeiro plano não tem relação com as galáxias que ficam muito além delas.
O acervo cobre a região em escalas bem diferentes. A imagem mais ampla abrange mais de dois graus de céu, quase cinco vezes a largura da Lua cheia, e serve para situar a galáxia na vizinhança. A do Hubble que abre a página cobre pouco mais de sete minutos de arco e mostra NGC 1512 e NGC 1510 juntas, que é o enquadramento em que a história desta página faz sentido.
Os números deste objeto
| Constelação | Relógio (Horologium)IAU |
|---|---|
| Distância | cerca de 30 milhões de anos-luzESA/Hubble e ESA/Webb |
| Largura declarada | 70.000 anos-luzESA/Hubble |
| Anel circumnuclear | 2.400 anos-luz de larguraESA/Hubble |
| Tamanho aparente | 5,74 minutos de arcoSIMBAD |
| Desvio para o vermelho | z = 0,00301SIMBAD |
| Companheira em fusão | NGC 1510, há 400 milhões de anosNOIRLab |
O que reparar nesta imagem
- As duas galáxias no mesmo quadroNa imagem de abertura, a espiral grande é NGC 1512 e a mancha menor à direita é NGC 1510. Elas não estão só na mesma direção do céu: estão se fundindo.
- A barra e as faixas de poeiraProcure a faixa alongada que atravessa o centro. Na imagem do Webb ela aparece cortada por filamentos escuros na diagonal, que é a poeira sendo levada para dentro.
- O anel aceso em volta do núcleoNo centro exato há um anel brilhante e estreito. É onde o gás trazido pela barra está virando estrelas, e ele domina as imagens em ultravioleta.
- A mesma galáxia mudando de caraCompare o painel em 220 nanômetros com o do visível. No ultravioleta quase só o anel aparece, porque só estrelas jovens e quentes brilham ali.
Por que esta imagem tem essas cores
Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.
ultravioletainfravermelho e ondas de rádio
- Azulultravioleta · WFC3 · UV275 nminvisível ao olho
- Azulluz visível · WFC3 · u336 nminvisível ao olho
- Cianoluz visível · WFC3 · B438 nmolho enxerga
- Verdeluz visível · WFC3 · V555 nmolho enxerga
- Vermelholuz visível · WFC3 · I814 nminvisível ao olho
Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Hubble junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.
Que tamanho é isso, de verdade
Cerca de 4,1 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 7,5 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.
Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 66.958 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.
A luz desta imagem levou 40,1 milhões de anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era quando os primeiros representantes do gênero Homo apareciam na África.
Dá para ver isso daqui?
Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, em boa altura, a 39° de altura, na direção SO.
Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 70 graus acima do horizonte.
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Quanto já se olhou para aqui
- 129registros do Hubble
- 96registros do James Webb
- 14registros do GALEX
Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 2,9 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.
O que ainda não se sabe
Não está estabelecido quanto da formação estelar do anel central de NGC 1512 foi disparada pela interação com NGC 1510 e quanto viria da barra de qualquer maneira. Barras levam gás ao centro mesmo em galáxias isoladas, então separar as duas contribuições exige modelar a história do encontro, e o encontro ainda está acontecendo. Também segue aberto quanto gás a galáxia anã já perdeu para a companheira maior e quanto ainda resta nela, questão que decide se NGC 1510 vai continuar formando estrelas até ser incorporada ou se vai chegar ao fim já esgotada. E o destino do anel circumnuclear depois da fusão completa não é previsível com o que se sabe hoje: ele pode se dissolver, pode ser realimentado, ou pode consumir o gás disponível e apagar.
Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.
Uma coisa que quase ninguém sabe
A constelação do Relógio foi batizada por Nicolas-Louis de Lacaille no século 18, e ela faz parte de um conjunto curioso: em vez de heróis e animais mitológicos, Lacaille encheu o céu do sul de instrumentos de trabalho. Na mesma vizinhança estão o Retículo, o Cinzel, a Bomba de Ar, o Microscópio e o Telescópio. É um pedaço do céu batizado no espírito do Iluminismo, por alguém que achava que ferramentas mereciam estrelas tanto quanto deuses.
Outras imagens deste objeto

Crédito Digitized Sky Survey. ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito Dark Energy Survey/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURAImage processing: T.A. Rector (University of Alaska Anchorage/NSF NOIRLab), J. Miller (Gemini Observatory/NSF NOIRLab), M. Zamani & D. de Martin (NSF NOIRLab) NOIRLab CC BY 4.0

Crédito Dark Energy Survey/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURAImage processing: T.A. Rector (University of Alaska Anchorage/NSF NOIRLab), J. Miller (Gemini Observatory/NSF NOIRLab), M. Zamani & D. de Martin (NSF NOIRLab) NOIRLab CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, J. Lee (STScI), T. Williams (Oxford), PHANGS Team ESA/Webb CC BY 4.0


Crédito Dark Energy Survey/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURAImage processing: T.A. Rector (University of Alaska Anchorage/NSF NOIRLab), J. Miller (Gemini Observatory/NSF NOIRLab), M. Zamani & D. de Martin (NSF NOIRLab) NOIRLab CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, Digitized Sky Survey 2 Acknowledgement: Davide De Martin ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, Dan Maoz (Tel-Aviv University, Israel, and Columbia University, USA) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, Dan Maoz (Tel-Aviv University, Israel, and Columbia University, USA) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, Dan Maoz (Tel-Aviv University, Israel, and Columbia University, USA) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, Dan Maoz (Tel-Aviv University, Israel, and Columbia University, USA) ESA/Hubble CC BY 4.0
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Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Galáxia de Andrômeda
Crédito ESA/Hubble & Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Sombrero
Crédito ESA/Hubble & NASA, K. Noll ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Redemoinho
Crédito NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Cata-vento
Crédito NASA, ESA, CXC, SSC and STScI ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Charuto
Crédito NASA, ESA, CSA, A. Smercina (STScI), T. Williams (University of Manchester). Image processing: A. Pagan (STScI). ESA/Webb CC BY 4.0
- Galáxia de Bode
Crédito ESA/INT/DSS2 ESA/Hubble CC BY 4.0
Perguntas frequentes
- O que é uma galáxia espiral barrada?
- Uma galáxia espiral barrada é uma espiral cujos braços não saem do núcleo, e sim das pontas de uma faixa alongada de estrelas que atravessa o centro. Essa faixa é a barra. Ela não é um objeto sólido: é um padrão pelo qual as órbitas estelares se alinham. Para o gás, porém, a barra tem efeito mecânico, porque as nuvens que entram nela se chocam, perdem energia e caem em direção ao centro da galáxia.
- Por que a barra de NGC 1512 forma estrelas no centro?
- A barra de NGC 1512 funciona como um funil. Nuvens de gás que atravessam a região da barra colidem entre si, perdem momento angular e não conseguem manter a órbita ampla que tinham, então descem em direção ao núcleo. Ao chegarem lá em quantidade, esse gás se comprime e desaba em novas estrelas. O resultado é o anel circumnuclear de 2.400 anos-luz de largura que o ESA/Hubble descreve na galáxia.
- NGC 1512 vai destruir NGC 1510?
- NGC 1512 vai incorporar NGC 1510, e o ESA/Hubble usa a palavra canibalizar para descrever o desfecho. Mas destruir dá uma imagem errada do que acontece: estrelas praticamente não colidem numa fusão galáctica, porque a distância entre elas é milhões de vezes maior que o tamanho de cada uma. O que se desfaz é a estrutura da galáxia menor, cujas estrelas passam a orbitar a maior. Segundo o NOIRLab, o processo já dura 400 milhões de anos.
- A que distância fica NGC 1512?
- NGC 1512 fica a cerca de 30 milhões de anos-luz da Terra, valor declarado tanto pelo ESA/Hubble quanto pela equipe do James Webb, o que corresponde a aproximadamente 9,2 megaparsecs. O desvio para o vermelho medido pelo SIMBAD é z = 0,00301. Vale saber que distâncias de galáxias próximas variam conforme o método de medida usado, e diferenças de alguns por cento entre publicações são normais.
- Por que a mesma galáxia aparece tão diferente em cada imagem?
- Porque cada imagem foi feita numa faixa de luz diferente, e cada faixa mostra objetos diferentes. Em 220 nanômetros, no ultravioleta, aparecem quase só estrelas jovens e quentes, então o anel central salta e o resto quase some. No visível aparecem estrelas de todo tipo. No infravermelho médio do Webb aparece a poeira aquecida, que no visível apenas bloqueava a luz. É a mesma galáxia vista com sensores sensíveis a coisas distintas.
- O que o programa PHANGS estuda?
- O PHANGS, sigla de Physics at High Angular resolution in Nearby GalaxieS, é uma colaboração que observa muitas galáxias próximas combinando telescópios espaciais e terrestres. O objetivo é acompanhar o ciclo de formação estelar por inteiro, desde as nuvens de gás empoeirado onde as estrelas nascem até a energia que elas devolvem ao ambiente depois de formadas. NGC 1512 é uma das galáxias observadas pelo programa, e a imagem do Webb desta página vem dele.
- Dá para ver NGC 1512 com telescópio amador?
- NGC 1512 é um alvo para observadores do hemisfério sul com telescópio de abertura razoável e céu escuro, e mesmo assim é difícil. Com 5,74 minutos de arco de tamanho aparente, a luz da galáxia fica espalhada por uma área ampla, o que reduz o brilho superficial. Ela aparece como uma mancha difusa, sem barra nem anel visíveis. A estrutura que dá nome a esta página só surge em fotografia de longa exposição ou nos grandes telescópios.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Galáxia NGC 1512. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/galaxia-ngc-1512. Consultado em: 23/08/2026.





