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Galáxia

Galáxia Messier 106

Uma espiral com dois braços a mais do que deveria ter, feitos não de estrelas, mas de gás aquecido pelo buraco negro central.

Galáxia Messier 106, galáxia registrada pelo James Webb Space Telescope
“The hidden intricacies of Messier 106”, como o acervo nomeou esta imagem.

Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, J. Glenn ESA/Webb CC BY 4.0

Tipo
GaláxiaSIMBAD: Sy2
Distância
20 milhões de anos-luz
Constelação
Cães de CaçaCVn
Tamanho no céu
18 minutos de arco
Classificação
SAB
Observado por
James Webb Space Telescope, Hubble Space Telescope
Imagem publicada
agosto de 2024
Original do acervo
7.605 × 9.634 px73 megapixels
Desvio para o vermelho
z = 0,002

Messier 106 tem uma anomalia que levou décadas para ser explicada. Além dos dois braços espirais normais, cheios de estrelas, ela exibe outros dois braços que aparecem em ondas de rádio e em raios X, mas quase não têm estrelas. Eles não se encaixam em nenhum modelo comum de estrutura espiral.

A explicação envolve o buraco negro supermassivo do centro. Ele está consumindo matéria, e parte do material que cai é ejetada em jatos. Esses jatos atingem o gás do disco em ângulo, aquecem esse gás e o fazem brilhar, desenhando estruturas que parecem braços mas são cicatrizes de um processo violento no núcleo.

Esta galáxia também é peça importante em outra história: a medição da massa do buraco negro central. Nuvens de água no disco em volta dele emitem em micro-ondas de forma amplificada, e acompanhar o movimento dessas nuvens permitiu medir a massa com uma precisão rara. Serviu ainda para calibrar a distância dela com um método geométrico, o que a tornou um degrau importante na régua cósmica de distâncias.

O que reparar nesta imagem

  • Os braços a maisAlém dos braços com estrelas azuis, procure estruturas mais difusas e avermelhadas. Esses são os braços anômalos, feitos de gás aquecido.
  • O núcleo intensoO ponto central é brilhante porque ali há um buraco negro de dezenas de milhões de massas solares em atividade.

Por que esta imagem tem essas cores

Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.

ultravioletainfravermelho e ondas de rádio

  • Azulinfravermelho · NIRCam1,62 µminvisível ao olho
  • Cianoinfravermelho · NIRCam · Fe II1,64 µminvisível ao olho
  • Azulinfravermelho · NIRCam1,82 µminvisível ao olho
  • Verdeinfravermelho · NIRCam · P-alpha1,87 µminvisível ao olho
  • Cianoinfravermelho · NIRCam · methane2,1 µminvisível ao olho
  • Verdeinfravermelho · NIRCam · molecular hydrogen2,12 µminvisível ao olho
  • Verdeinfravermelho · NIRCam3 µminvisível ao olho
  • Amareloinfravermelho · NIRCam · PAH3,35 µminvisível ao olho
  • Amareloinfravermelho · NIRCam3,6 µminvisível ao olho
  • Laranjainfravermelho · NIRCam · Br-alpha4,05 µminvisível ao olho
  • Vermelhoinfravermelho · NIRCam · CO4,66 µminvisível ao olho

Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Webb junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.

Que tamanho é isso, de verdade

Cerca de 8,1 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 3,8 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 103.440 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.

A luz desta imagem levou 20 milhões de anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era quando os primeiros representantes do gênero Homo apareciam na África.

Dá para ver isso daqui?

Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, baixo, perto do horizonte, a 10° de altura, na direção NO.

Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 19 graus acima do horizonte.

Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.

Uma coisa que quase ninguém sabe

A distância dela foi medida por geometria pura, acompanhando o movimento de nuvens de água em órbita do buraco negro. Isso é raro em astronomia, onde quase toda distância depende de uma cadeia de suposições.

Hubble e James Webb, lado a lado

Este objeto foi fotografado pelos dois telescópios. Como cada um enxerga faixas diferentes de luz, as imagens não são a mesma coisa em qualidade diferente: são informações diferentes.

Outras imagens deste objeto

Galáxia Messier 106, galáxia registrada pelo Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFPC2.

Crédito NASA, ESA, the Hubble Heritage Team (STScI/AURA), and R. Gendler (for the Hubble Heritage Team). Acknowledgment: J. GaBany ESA/Hubble CC BY 4.0

Baixar esta imagem

A licença CC BY 4.0 permite usar a imagem, inclusive comercialmente, desde que o crédito apareça inteiro e visível junto dela. Copie o crédito acima junto com o arquivo.

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Galáxia do Redemoinho

    Crédito NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia de Andrômeda

    Crédito NASA, ESA, J. Dalcanton (University of Washington, USA), B. F. Williams (University of Washington, USA), L. C. Johnson (University of Washington, USA), the PHAT team, and R. Gendler. ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Sombrero

    Crédito ESA/Hubble & NASA, K. Noll ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Cata-vento

    Crédito Image: European Space Agency & NASA Acknowledgements: Project Investigators for the original Hubble data: K.D. Kuntz (GSFC), F. Bresolin (University of Hawaii), J. Trauger (JPL), J. Mould (NOAO), and Y.-H. Chu (University of Illinois, Urbana) Image processing: Davide De Martin (ESA/Hubble) CFHT image: Canada-France-Hawaii Telescope/J.-C. Cuillandre/Coelum NOAO image: George Jacoby, Bruce Bohannan, Mark Hanna/NOAO/AURA/NSF ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Galáxia do Charuto

    Crédito NASA, ESA, CSA, A. Smercina (STScI), T. Williams (University of Manchester). Image processing: A. Pagan (STScI). ESA/Webb CC BY 4.0

  • Galáxia de Bode

    Crédito NASA, ESA, A. Zezas (CfA), and A. Filippenko (UC Berkeley) Acknowledgment: Hubble Heritage Team (STScI/AURA) & O. Fox (University of California, Berkeley) ESA/Hubble CC BY 4.0

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Galáxia Messier 106. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/galaxia-messier-106. Consultado em: 23/08/2026.