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Classes de erupção solar: A, B, C, M e X

Uma erupção classe X é dez vezes mais intensa que uma M e cem vezes mais que uma C. A escala é simples, e ela diz coisas concretas sobre rádio, GPS e satélites.

Publicado sob responsabilidade editorial de Cesar GargiuloNOAA SWPC: escalas de clima espacial; base DONKI da NASA.

Resposta rápida

  • As erupções solares são classificadas pelo pico de fluxo de raios X medido por satélites, em cinco letras: A, B, C, M e X. Cada letra vale dez vezes mais que a anterior.
  • Dentro de cada letra há um número que multiplica linearmente: uma M5 é cinco vezes mais intensa que uma M1, e uma X1 é dez vezes uma M1.
  • A radiação de uma erupção chega à Terra em 8 minutos e 19 segundos, na velocidade da luz. Não há como avisar antes, porque o aviso viajaria na mesma velocidade.
  • Erupções não fazem mal a quem está no solo. O que elas afetam são comunicações de rádio, sinais de navegação por satélite e equipamentos em órbita.

Toda vez que o Sol entra em fase ativa, aparecem manchetes com códigos como X2.8 ou M5.1. Não são códigos arbitrários: eles vêm de uma medição contínua feita por satélites desde os anos 1970, e a escala por trás deles é fácil de entender. Saber lê-la separa o que merece atenção do que é rotina. A atividade do Sol nos últimos dias, com as erupções registradas e a classe de cada uma, está em atividade solar hoje.

O que é uma erupção solar

O Sol tem campo magnético, e ele é bagunçado. Como o astro é feito de plasma e gira mais rápido no equador que nos polos, as linhas de campo são esticadas, torcidas e enroladas ao longo do tempo. Em regiões onde essa torção fica extrema, aparecem as manchas solares, que são áreas mais frias e com campo magnético intenso.

Quando as linhas de campo dessas regiões se rearranjam bruscamente, num processo chamado reconexão magnética, uma quantidade enorme de energia armazenada é liberada de uma vez. Parte vira radiação em todo o espectro, do rádio aos raios gama, e é isso que se chama erupção solar. Uma erupção grande libera em minutos energia comparável à de bilhões de bombas de hidrogênio.

Erupção não é a mesma coisa que ejeção de massa coronal, embora as duas costumem acontecer juntas. A erupção é radiação, viaja na velocidade da luz e chega em pouco mais de oito minutos. A ejeção é matéria, plasma expelido para o espaço, e leva de 15 horas a vários dias para atravessar a distância até a Terra.

Como a escala funciona

A classificação usa o pico de fluxo de raios X moles, na faixa de 1 a 8 angstroms, medido pelos satélites da série GOES. A unidade é watt por metro quadrado.

ClasseFluxo de picoFrequênciaEfeito típico
Aabaixo de 10 nanowatts por m²Fundo permanenteNenhum
B10 a 100 nanowatts por m²Diária em fase ativaNenhum
C1 a 10 microwatts por m²Várias por dia no máximo do cicloPraticamente nenhum
M10 a 100 microwatts por m²Dezenas por anoApagão de rádio breve em regiões polares
Xacima de 100 microwatts por m²Poucas por ano, mais no máximo do cicloApagão de rádio no lado iluminado, erro em navegação por satélite

Dentro de cada letra o número é um multiplicador linear. M2 é o dobro de M1. X3 é o triplo de X1, e trinta vezes uma M1. A escala não para no X9: em novembro de 2003 um evento saturou os detectores dos satélites e foi estimado, por reconstrução, entre X28 e X45. É a maior erupção já medida diretamente.

O que chega até nós, e quando

Uma erupção manda três coisas diferentes na nossa direção, e elas chegam em tempos completamente distintos. Essa separação é a chave para entender por que o clima espacial pode ser previsto em parte e em parte não.

O que chegaTempo de viagemO que provoca
Raios X e ultravioleta extremo8 min 19 sIonização súbita da alta atmosfera, apagão de rádio de onda curta
Partículas energéticas solaresDe 20 minutos a algumas horasRisco a satélites e a tripulações em rota polar de alta altitude
Ejeção de massa coronalDe 15 horas a vários diasTempestade geomagnética, aurora, corrente induzida em rede elétrica

O primeiro item explica um limite fundamental: a radiação de uma erupção viaja na velocidade da luz, então não existe possibilidade de aviso prévio. O flash é detectado no mesmo instante em que os efeitos começam. Já a ejeção de massa coronal dá horas ou dias de antecedência, e é sobre ela que o alerta de tempestade geomagnética é emitido. Como se lê esse alerta está na guia sobre tempestade geomagnética e índice Kp.

A escala R, de apagão de rádio

Além da classe da erupção, o serviço americano de clima espacial publica uma escala de efeito prático, de R1 a R5, ligada diretamente ao fluxo de raios X.

NívelClasse correspondenteEfeito
R1M1Degradação leve de rádio de onda curta no lado iluminado
R2M5Perda de contato em rádio HF por dezenas de minutos
R3X1Apagão de HF por cerca de uma hora, erro em navegação de baixa frequência
R4X10Apagão de HF por uma a duas horas em todo o lado iluminado
R5X20Apagão completo de HF por horas, erros grandes de posicionamento

Rádio de onda curta é usado por aviação transoceânica, navegação marítima, operações remotas e radioamadores. Ele funciona por reflexão na ionosfera, e uma erupção ioniza subitamente a camada mais baixa dessa região, que passa a absorver o sinal em vez de refleti-lo. Por isso o apagão atinge só o lado do planeta que estava iluminado no momento.

O ciclo de onze anos

A quantidade de erupções não é constante. O Sol tem um ciclo magnético com período médio de cerca de 11 anos, identificado a partir da contagem de manchas solares desde o século 19. No mínimo do ciclo há semanas sem mancha nenhuma; no máximo, dezenas de regiões ativas simultâneas e várias erupções classe M por semana.

A cada ciclo o campo magnético do Sol inverte a polaridade, o que faz o ciclo magnético completo durar cerca de 22 anos. Os ciclos são numerados desde 1755, e o atual, de número 25, teve início em dezembro de 2019.

A intensidade de cada ciclo varia bastante e não é bem prevista. Houve períodos de atividade muito baixa registrados historicamente, como o mínimo de Maunder, entre 1645 e 1715, em que quase não se observaram manchas solares por décadas.

O que uma erupção pode e o que não pode fazer

Começando pelo que ela não faz: uma erupção solar não representa risco à saúde de quem está na superfície da Terra. A atmosfera absorve os raios X e o campo magnético desvia as partículas carregadas. Nenhum evento registrado causou dano biológico direto a pessoas no solo.

O que ela faz é atingir a tecnologia. Satélites em órbita baixa recebem mais radiação e sofrem aumento de arrasto, porque a alta atmosfera se aquece e expande. Em fevereiro de 2022, uma tempestade geomagnética modesta aumentou o arrasto o suficiente para causar a perda de cerca de 38 satélites Starlink recém-lançados, que ainda estavam em órbita baixa de estacionamento.

Tripulações de voos polares em grande altitude recebem alguma dose adicional em eventos de partículas energéticas, o que leva companhias aéreas a desviar rotas polares nessas ocasiões. E astronautas em órbita se abrigam em módulos mais protegidos quando há alerta.

Como acompanhar o Sol com segurança

Manchas solares grandes podem ser visíveis com filtro solar certificado, e é uma observação que vale a pena. As mesmas regras do eclipse valem aqui, sem exceção: filtro conforme à norma ISO 12312-2, sempre na frente da abertura do instrumento e nunca na ocular. A guia sobre como observar um eclipse solar com segurança detalha o que serve e o que não serve.

A alternativa gratuita e absolutamente segura é a projeção com furo, também descrita naquela guia. E, sem sair da tela, a página de atividade solar do Observatório mostra a imagem mais recente do disco solar em ultravioleta extremo, junto com as erupções registradas nos últimos dias e a classe de cada uma.

Limites desta guia

As frequências por classe são médias de longo prazo e variam muito com a fase do ciclo solar. Em ano de máximo, erupções classe M deixam de ser notícia; em ano de mínimo, uma única M gera manchete.

A classificação de uma erupção é feita pelo pico de fluxo, e não pelo efeito que ela produz na Terra. Uma X grande numa região ativa próxima à borda do disco pode não gerar nenhuma consequência aqui, enquanto uma M média em região voltada diretamente para nós pode render tempestade geomagnética. O que decide isso é a direção da ejeção de massa coronal, assunto da guia sobre índice Kp.

Perguntas frequentes

O que significam as classes A, B, C, M e X?

Elas classificam o pico de fluxo de raios X moles medido por satélites, na faixa de 1 a 8 angstroms. Cada letra corresponde a dez vezes mais fluxo que a anterior: C é dez vezes B, M é dez vezes C, X é dez vezes M. Dentro de cada letra o número multiplica linearmente, então M5 é cinco vezes M1.

Uma erupção X é dez vezes mais forte que uma M?

Sim, para o mesmo número. X1 tem dez vezes o fluxo de M1 e cem vezes o de C1. E a escala não para em X9: o maior evento já medido, em novembro de 2003, saturou os detectores e foi estimado entre X28 e X45 por reconstrução.

Quanto tempo a radiação de uma erupção leva para chegar?

8 minutos e 19 segundos, porque viaja na velocidade da luz. Isso significa que não existe aviso prévio para essa componente: o flash é detectado no mesmo instante em que os efeitos na ionosfera começam. Já a ejeção de massa coronal leva de 15 horas a vários dias, e é sobre ela que se emitem alertas.

Erupção solar faz mal à saúde?

Não para quem está na superfície. A atmosfera absorve os raios X e o campo magnético desvia as partículas carregadas. O efeito real é sobre tecnologia: rádio de onda curta, navegação por satélite, equipamentos em órbita e redes elétricas. Tripulações de voos polares em grande altitude podem receber dose adicional em eventos de partículas.

Qual a diferença entre erupção solar e ejeção de massa coronal?

A erupção é radiação eletromagnética liberada por reconexão magnética, e viaja na velocidade da luz. A ejeção de massa coronal é matéria, uma nuvem de plasma expelida para o espaço, que viaja entre 250 e 3.000 quilômetros por segundo. As duas costumam acontecer juntas, mas não são a mesma coisa e chegam em tempos muito diferentes.

Por que erupções derrubam o rádio de onda curta?

Porque o rádio HF funciona por reflexão na ionosfera, e o surto de raios X ioniza subitamente a camada mais baixa dessa região, que passa a absorver o sinal em vez de refleti-lo. O apagão atinge apenas o lado do planeta iluminado no momento e dura de minutos a algumas horas, conforme a classe.

O que é a escala R de clima espacial?

É a escala de apagão de rádio, de R1 a R5, ligada diretamente ao fluxo de raios X. R1 corresponde a uma erupção M1 e produz degradação leve; R5 corresponde a X20 e produz apagão completo de onda curta por horas, com erros grandes em sistemas de posicionamento de baixa frequência.

O que é o ciclo solar de 11 anos?

É a variação periódica da atividade magnética do Sol, identificada pela contagem de manchas solares. No mínimo há semanas sem mancha alguma; no máximo, dezenas de regiões ativas simultâneas. A cada ciclo o campo magnético do Sol inverte a polaridade, então o ciclo magnético completo dura cerca de 22 anos. O ciclo atual, de número 25, começou em dezembro de 2019.

Uma erupção pode derrubar satélites?

Indiretamente, sim. O aquecimento da alta atmosfera aumenta o arrasto sobre satélites em órbita baixa. Em fevereiro de 2022, uma tempestade geomagnética modesta causou a perda de cerca de 38 satélites Starlink recém-lançados, que ainda estavam em órbita de estacionamento e não conseguiram subir.

Dá para ver manchas solares?

Manchas grandes são visíveis com filtro solar certificado conforme à norma ISO 12312-2, sempre colocado na frente da abertura do instrumento e nunca na ocular. A projeção com furo, que dispensa qualquer filtro, também mostra manchas grandes com nitidez e é totalmente segura.

Para continuar daqui

A parte prática desta guia vive em atividade solar hoje, que calcula tudo isto para a coordenada e o fuso da cidade que você escolher, com os dados do dia. A outra guia desta seção é tempestade geomagnética e índice kp. O índice completo das guias do Observatório reúne todas elas por seção, e a metodologia do portal está em como validamos os cálculos.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Classes de erupção solar: A, B, C, M e X. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/guia/classes-de-erupcao-solar. Consultado em: 23/08/2026.