Velocidade de internet é a quantidade de dados que a conexão entrega por segundo, medida em megabits por segundo (Mbps). Só o número do plano diz pouco. Uma videochamada em Full HD cabe em menos de 5 Mbps, um filme em 4K pede de 15 a 20, e o que muitas vezes derruba a chamada é a latência que dispara quando alguém da casa começa um download grande. E a regra de 40% e 80% da velocidade contratada, que ainda circula como se estivesse em vigor, deixou de valer em 2022. Para medir a sua conexão agora, use o teste de velocidade da internet.
Resposta rápida
- Streaming em Full HD pede 5 Mbps; em 4K, 15 Mbps na Netflix e 20 Mbps no YouTube. Reunião com vídeo no Meet, no Zoom ou no Teams fica em até 4 Mbps de download.
- Em videochamada, upload e latência pesam tanto quanto o download; no jogo online, quem manda é a latência. Ping que dispara durante um download (bufferbloat) costuma travar a chamada.
- Mbps não é MB/s: divida por 8. Um plano de 100 Mbps baixa no máximo 12,5 MB por segundo.
- A regra de 40% e 80% deixou de valer em 2022. Hoje vale a velocidade da oferta e do contrato, e a operadora que descumpre o contrato não pode cobrar multa de fidelidade no cancelamento.
Quanta velocidade de internet eu preciso para cada uso?
Para os usos mais comuns, poucos Mbps por pessoa. Os próprios serviços publicam quanto consomem, e a tabela reúne os números das centrais de ajuda de Netflix, YouTube, Google Meet, Zoom e Microsoft Teams, conferidos em setembro de 2026. Download é o que chega até você; upload é o que sai do seu aparelho.
| Uso | Download | Upload | Quem recomenda |
|---|---|---|---|
| Filme em HD (720p) | 3 Mbps ou mais | não informado | Netflix |
| Filme em Full HD (1080p) | 5 Mbps ou mais | não informado | Netflix e YouTube |
| Filme em 4K | 15 Mbps (Netflix) a 20 Mbps (YouTube) | não informado | Netflix e YouTube |
| Google Meet em 720p | até 1,7 Mbps | até 1,7 Mbps | |
| Google Meet em 1080p | até 3,6 Mbps | até 3,6 Mbps | |
| Zoom, reunião em grupo em 720p | 1,8 Mbps | 2,6 Mbps | Zoom |
| Zoom, reunião em grupo em 1080p | 3,0 Mbps | 3,8 Mbps | Zoom |
| Teams, reunião com vídeo | 4 Mbps (recomendado) | 2,5 Mbps (recomendado) | Microsoft |
Jogo online é o caso oposto. A partida troca pouca informação por segundo, e quem decide a experiência é a latência e a estabilidade dela. O tamanho do plano aparece na hora de baixar o jogo e as atualizações, que podem ter dezenas de gigabytes.
Home office
Para trabalhar de casa, olhe primeiro o upload. É ele que leva a sua imagem para a reunião, o arquivo que você envia ao cliente e o backup que sobe para a nuvem. O Teams recomenda 2,5 Mbps de envio por pessoa numa reunião com vídeo. Confira no contrato e na Etiqueta Padrão qual é o upload do seu plano, e não só o download.
Casa com várias pessoas
Some o que acontece ao mesmo tempo, e não o que cada um faz ao longo do dia. Um exemplo: uma TV com filme em 4K (15 a 20 Mbps), duas pessoas em reunião no Teams (4 Mbps de download e 2,5 de upload cada) e um adolescente vendo YouTube em 1080p no celular (5 Mbps). A conta dá entre 28 e 33 Mbps de download e cerca de 5 Mbps de upload. Um plano de 100 Mbps tem folga para isso. Quando algo trava numa casa assim, olhe primeiro o Wi-Fi e a latência sob carga.
Para saber se a conexão de casa dá conta da sua soma, vale medir a velocidade da sua internet no horário em que todo mundo está conectado. A mesma página tem um bloco que faz a conta ao contrário: você marca quantos vídeos, reuniões e jogos na nuvem acontecem ao mesmo tempo, e ela devolve quantos Mbps de download e de upload procurar no plano.
Download, upload, ping e jitter: o que cada número do teste mede
O download é a taxa com que os dados chegam ao seu aparelho. É o número que a propaganda destaca e o que decide quanto tempo um arquivo leva para baixar e a resolução máxima do streaming. O upload é a taxa de envio, e pesa em videochamada, transmissão ao vivo, envio de arquivos grandes e backup.
A latência, que o teste chama de ping, é o tempo que um pacote leva para ir até o servidor e voltar, em milissegundos. Quanto menor, mais rápido o jogo responde ao seu comando e mais natural fica a conversa na chamada. O jitter é a variação dessa latência de um pacote para o outro. Latência um pouco alta e estável incomoda menos que latência que oscila, porque áudio e vídeo ao vivo precisam de pacotes chegando em ritmo regular. Como referência, o RQUAL da Anatel usa na banda larga fixa um valor de corte de 80 ms para a latência de ida e volta, 40 ms para o jitter e 2% para a perda de pacotes. Um teste de ping e jitter feito no cabo mostra de onde a sua conexão parte, e o guia de ping, jitter e latência explica o que é um ping bom em cada uso e de onde vem cada milissegundo.
Latência sob carga e bufferbloat
Um bom teste mede a latência duas vezes: com a linha parada e durante a transferência, com a linha cheia. Quando a segunda sai muito maior que a primeira, a conexão tem bufferbloat, o excesso de fila nos equipamentos. Com o download ou o upload saturado, o modem e o roteador acumulam pacotes numa fila, e cada pacote novo, inclusive o da sua chamada, espera a fila andar. Numa conexão com esse problema, o ping baixo em repouso se multiplica assim que alguém começa a baixar um jogo ou o celular sobe as fotos para a nuvem. A chamada congela sem motivo aparente.
O conserto fica no roteador. Algoritmos de gerenciamento ativo de fila, como o FQ-CoDel descrito no RFC 8290 da IETF, separam os fluxos e descartam ou marcam pacotes antes de a fila encher, para que a chamada não espere atrás do download. Alguns roteadores trazem isso com o nome de SQM ou QoS, e a configuração costuma pedir a velocidade da linha. Sem essa opção, o paliativo é limitar o que não tem pressa: backup na nuvem, atualização do console, download de jogo.
Mbps não é MB/s: quanto tempo leva para baixar um arquivo
O plano é vendido em megabits por segundo (Mbps), e o navegador mostra o download em megabytes por segundo (MB/s). Um byte tem 8 bits, então basta dividir por 8: 100 Mbps são 12,5 MB/s, e 1 Gbps (1.000 Mbps) são 125 MB/s. A tabela mostra o tempo mínimo teórico, com a linha inteira dedicada ao arquivo e um servidor que acompanhe essa velocidade.
| Plano | Em MB/s | Arquivo de 1 GB | Arquivo de 10 GB | Jogo de 50 GB |
|---|---|---|---|---|
| 10 Mbps | 1,25 | 13 min 20 s | 2 h 13 min | 11 h 06 min |
| 50 Mbps | 6,25 | 2 min 40 s | 26 min 40 s | 2 h 13 min |
| 100 Mbps | 12,5 | 1 min 20 s | 13 min 20 s | 1 h 06 min |
| 300 Mbps | 37,5 | 27 s | 4 min 27 s | 22 min 13 s |
| 500 Mbps | 62,5 | 16 s | 2 min 40 s | 13 min 20 s |
| 1 Gbps | 125 | 8 s | 1 min 20 s | 6 min 40 s |
Na prática o tempo é um pouco maior, porque parte da capacidade vai para os cabeçalhos dos protocolos e o servidor do outro lado nem sempre entrega tudo. A tabela usa a convenção decimal, em que 1 GB tem 1.000 MB. O Windows mostra o tamanho dos arquivos na base binária, com 1.024 MB por GB, e por isso o mesmo arquivo aparece com um número um pouco menor lá. Todo teste de velocidade também gasta dados: sem um teto, dez segundos de download a 500 Mbps consumiriam cerca de 625 MB, o que faz diferença no pacote do celular. Por isso o teste do ValorFinal para num limite de dados e mostra esse limite antes de começar.
Por que o teste dá menos do que o plano contratado?
Muitas vezes o gargalo está dentro de casa, e alguns testes em condições diferentes mostram onde.
Wi-Fi em 2,4 GHz ou em 5 GHz
A faixa de 2,4 GHz alcança mais longe e atravessa melhor as paredes, mas divide o espaço com as redes dos vizinhos, com fones Bluetooth e com o micro-ondas, e em geral mede bem menos que a de 5 GHz. A faixa de 5 GHz é mais rápida e menos congestionada, porém perde força com a distância e com cada parede no caminho. A documentação do Microsoft Teams resume o dilema: 5 GHz é melhor para mídia em tempo real, mas pede mais pontos de acesso para cobrir o mesmo espaço.
Para saber quanto o Wi-Fi está tirando, rode o teste de velocidade da internet duas vezes seguidas: uma com o celular ao lado do roteador e outra no cômodo onde você costuma usar. Se a diferença for grande, o problema é a cobertura dentro de casa, e trocar de plano não resolve.
Cabo e porta de rede
Uma porta Ethernet de 100 Mbps, o padrão Fast Ethernet, nunca mostra mais que isso, qualquer que seja o plano. Ela ainda aparece em notebooks antigos, em adaptadores USB baratos, em algumas TVs e em roteadores mais velhos. O cabo também conta: o padrão gigabit usa os quatro pares de fios, e um par rompido ou mal crimpado costuma derrubar a conexão para 100 Mbps sem aviso. As configurações de rede do Windows e do macOS mostram a velocidade do link negociado.
Horário e rede da operadora
À noite, quando mais gente usa a rede ao mesmo tempo, a capacidade compartilhada da operadora fica mais disputada. A antiga regra da Anatel já tratava o intervalo das 10h às 22h como o período de maior tráfego. Um teste isolado não prova nada: repita em dias e horários diferentes.
Aparelho, servidor do teste e VPN
Celular antigo, placa Wi-Fi de gerações passadas e computador com o processador ocupado limitam o resultado. O servidor também pesa: quanto mais longe fica o datacenter do teste, maior a latência e, em geral, menor a velocidade que uma única conexão alcança. VPN e proxy acrescentam mais um desvio no caminho.
Como medir do jeito certo
- Ligue o computador ao roteador por cabo. Se o plano passa de 100 Mbps, confira se a porta é gigabit.
- Pause downloads, backups e streaming dos outros aparelhos da casa.
- Desligue a VPN.
- Faça vários testes, em dias e horários diferentes, incluindo a noite.
- Anote data, hora, resultado e servidor, ou salve a captura de tela.
- Para ter um registro pelo método oficial, meça também no site Brasil Banda Larga ou no aplicativo ESAQ, as ferramentas indicadas pela Anatel.
O que a Anatel exige da velocidade de internet hoje
A regra atual é contratual. O Regulamento Geral de Direitos do Consumidor (RGC), aprovado pela Resolução nº 765/2023 e em vigor desde 1º de setembro de 2025, manda toda operadora entregar, no momento da contratação, o contrato e uma Etiqueta Padrão que resume as condições do plano. As operadoras que não são de pequeno porte também precisam registrar cada oferta na Anatel antes da venda, com as velocidades de download e de upload. A página de direitos do consumidor da Anatel diz que as velocidades mínima e média devem ser informadas antes da contratação e que o consumidor deve receber a velocidade acordada no contrato.
Na prática, em vez de procurar um percentual na norma, abra a oferta que você contratou e veja que velocidade mínima e média a operadora prometeu. É esse o número que você cobra. As operadoras obrigadas ao registro mantêm no site um repositório com todas as ofertas, inclusive as que já saíram de venda, por três anos depois do fim da vigência.
A qualidade da rede é acompanhada pelo Regulamento de Qualidade dos Serviços de Telecomunicações, o RQUAL (Resolução nº 717/2019). Ele é obrigatório para Claro, TIM, Vivo, Oi e Nio, e as prestadoras de pequeno porte podem aderir por vontade própria. As medições ficam com a Entidade de Suporte à Aferição da Qualidade (ESAQ), função exercida hoje pela ABR Telecom. Em vez de um percentual do plano, os indicadores da banda larga fixa contam a proporção de testes que alcançam valores de corte fixos.
| Indicador do RQUAL | O que mede | Valor de corte na banda larga fixa |
|---|---|---|
| IND4-5 | Velocidade | 5 Mbps de download e 1 Mbps de upload |
| IND4-25 | Velocidade | 25 Mbps de download e 5 Mbps de upload |
| IND5 | Latência de ida e volta | 80 ms |
| IND6 | Jitter | 40 ms |
| IND7 | Perda de pacotes | 2% |
Os valores estão no Documento de Valores de Referência do RQUAL, na versão da Resolução Interna nº 444/2025. Com esses e outros indicadores, a Anatel dá a cada operadora, uma vez por ano, um selo de qualidade por município e por serviço, de A (melhor faixa) a E (pior). O selo tem efeito no seu contrato. Pelo artigo 37 do RGC, a operadora não pode cobrar multa de fidelidade quando descumpre o contrato, e, nas prestadoras que seguem o RQUAL, a queda da sua cidade para selo D ou E depois que você contratou já configura esse descumprimento.
A regra dos 40% e 80% da Anatel ainda vale?
Como norma, não. Os percentuais vinham do Regulamento de Gestão da Qualidade do SCM, aprovado pela Resolução nº 574/2011, que subiu as metas em três etapas: 20% instantânea e 60% de média no primeiro ano, 30% e 70% no segundo, e 40% e 80% a partir do terceiro, sempre sobre a velocidade máxima contratada. A instantânea precisava ser cumprida em 95% das medições feitas no período de maior tráfego, das 10h às 22h, e as metas não se aplicavam às prestadoras de pequeno porte.
O RQUAL revogou esse regulamento, e a coleta dos indicadores antigos terminou com os resultados de fevereiro de 2022. Os números continuam circulando em páginas antigas, e alguns contratos ainda podem trazê-los. Se a oferta que você contratou fala em mínimo de 40% e média de 80%, é esse o compromisso que a operadora assumiu. Se fala em outro número, vale o outro número. Para comparar a medição com a mínima do contrato, digite no teste o plano e os dois percentuais da sua oferta: a comparação usa esses números, e não uma régua fixa. A média só se confere com várias medições ao longo do mês, então um teste isolado é comparado com a mínima.
Como reclamar da velocidade da internet
- Junte as provas: capturas de tela dos testes, com data, hora e se o aparelho estava no cabo ou no Wi-Fi, e a oferta ou a Etiqueta Padrão do seu plano.
- Reclame na operadora. O RGC obriga a empresa a informar um número de protocolo no início do atendimento e dá a ela até 7 dias corridos para resolver a reclamação. Nas operadoras maiores, o protocolo também precisa chegar por meio eletrônico em até um dia.
- Sem solução, procure a ouvidoria. Claro, Nio, Oi, TIM e Vivo têm uma, e a Anatel pede que você passe por ela antes de registrar a reclamação. Guarde o novo protocolo.
- Registre a reclamação no Anatel Consumidor, pelo site ou pelo aplicativo, ou ligue 1331, de graça, em dias úteis, das 8h às 20h. A operadora tem 10 dias corridos para responder, e você pode reabrir o pedido uma vez, em até 10 dias, se a resposta não resolver.
- O consumidor.gov.br, da Secretaria Nacional do Consumidor, é outro caminho, desde que a operadora esteja cadastrada lá. O prazo de resposta também é de 10 dias. O Procon da sua cidade continua disponível.
Para sair da fidelidade sem multa com base num teste individual, o RGC diz que o consumidor pode comprovar o descumprimento do contrato de banda larga fixa conforme o Manual Operacional do RQUAL. Em agosto de 2024, a Anatel e o NIC.br assinaram um acordo para criar o canal oficial de teste que vai servir a essa comprovação, inclusive em aparelhos ligados por Wi-Fi. Antes de contar com ele, confira no site da Anatel se o canal já está disponível e que condições de teste ele exige.
Como usar a ferramenta do ValorFinal
O teste de velocidade do ValorFinal só começa quando você clica, para não gastar dados à toa. Ele mede download, upload, latência com a linha parada e sob carga e jitter, mostra o datacenter usado e o provedor da conexão, e informa quantos MB a medição consumiu. Você digita a velocidade do seu plano e, se quiser, a mínima e a média do contrato, e ele compara com o resultado e dá um veredito por tipo de uso. Ele não é a medição oficial: para uma reclamação, meça também nas ferramentas indicadas pela agência.
Para ver o endereço público que a sua conexão usa, abra o Meu IP, e para entender a diferença entre ele e o endereço da rede de casa, leia o guia de IP público e IP privado. Antes de uma reunião importante, confira a câmera no teste de webcam e o áudio no teste de microfone. Quem configura a rede de um escritório tem a calculadora de sub-rede e o guia de máscara de rede e sub-rede. As demais estão em ferramentas de tecnologia.
Fontes e referências
- Anatel: velocidade de conexão da banda larga: direito de receber a velocidade do contrato e de conhecer as velocidades mínima e média antes de contratar.
- Anatel: Resolução nº 765/2023, Regulamento Geral de Direitos do Consumidor: registro da oferta com as velocidades, protocolo, prazos de atendimento e multa de fidelidade (art. 37).
- Anatel: Regulamento de Qualidade dos Serviços de Telecomunicações (RQUAL): prestadoras obrigadas, indicadores, ESAQ e selos de qualidade.
- Anatel: Resolução nº 574/2011 (revogada): origem das metas de 40% instantânea e 80% de média.
- Anatel: como registrar reclamação: passo a passo, ouvidoria, telefone 1331 e prazo de resposta.
- IETF, RFC 8290 (FQ-CoDel): algoritmo de fila que combate o bufferbloat e reduz a latência sob carga.
Conclusão
Velocidade de internet se avalia por três números: download, upload e latência, esta de preferência medida com a linha cheia. Somando os números das próprias plataformas, uma casa com um filme em 4K, duas reuniões e um celular no YouTube ao mesmo tempo usa perto de 30 Mbps. Quando algo trava, os primeiros suspeitos são o Wi-Fi e o bufferbloat. A regra dos 40% e 80% deixou de valer em 2022. Hoje você cobra da operadora a velocidade que ela prometeu na oferta e no contrato, reclama com protocolo e, se o descumprimento ficar comprovado, cancela sem multa de fidelidade. Meça a sua conexão no teste de velocidade e veja as demais ferramentas de tecnologia.