Estudo ValorFinalTrabalhista

Quanto custa demitir: a rescisão por faixa salarial e tempo de casa

Estudo ValorFinal sobre o custo de demitir sem justa causa em 2026: somando aviso indenizado, multa de 40% do FGTS, 13º e férias proporcionais, a demissão custa de 2,3 salários (1 ano de casa) a 7 salários (10 anos), em qualquer faixa salarial. Tabelas em reais por salário e tempo de casa.

Metodologia ValorFinalCLT (verbas rescisórias, art. 484-A), Lei 12.506/2011 (aviso proporcional), Lei 8.036/1990 (FGTS e multa de 40%)
2,3 a 7 saláriosé o custo de demitir um funcionário sem justa causa (aviso indenizado, multa de 40% do FGTS, 13º e férias proporcionais), definido pelo tempo de casa: 2,3 salários com 1 ano e quase 7 com 10 anos.

Principais conclusões

  • Em número de salários, o custo de demitir não depende da faixa salarial: é cerca de 2,3 salários com 1 ano de casa, 4,5 com 5 anos e 7 com 10 anos.
  • Para um salário de R$ 3.000, demitir custa de R$ 6.905 (1 ano de casa) a R$ 20.859 (10 anos); em R$ 12.000 com 10 anos, a conta passa de R$ 83 mil.
  • A multa de 40% do FGTS é o item que mais cresce: com 10 anos de casa ela supera o aviso e o 13º somados, porque incide sobre todo o FGTS depositado no contrato.
  • A rescisão por acordo (art. 484-A) reduz o custo em cerca de 40% (meio aviso e multa de 20%), mas tira do trabalhador 20% do saque do FGTS e o seguro-desemprego.
  • O aviso prévio proporcional (Lei 12.506/2011) soma 3 dias por ano de casa, indo de 33 dias com 1 ano a 60 dias com 10 anos, com teto de 90.

Toda empresa que contrata pela CLT vai, mais cedo ou mais tarde, fazer a conta da demissão. E essa conta surpreende dos dois lados: o empregador descobre que desligar alguém custa vários salários de uma vez, e o trabalhador descobre que a rescisão que vai receber depende muito mais do tempo de casa do que imagina. Neste estudo, o ValorFinal calculou o custo de demitir sem justa causa, faixa de salário por faixa e tempo de casa por tempo, usando a engine da nossa calculadora de rescisão CLT.

O achado central cabe numa frase: em número de salários, demitir custa quase o mesmo para qualquer faixa salarial. O que move o custo é o tempo de casa. Com 1 ano de contrato, a demissão custa cerca de 2,30 salários do funcionário. Com 5 anos, 4,48 salários. Com 10 anos, 6,95 salários. Para um salário de R$ 12.000 e 10 anos de casa, a conta chega a R$ 83.434,67.

O que entra na conta de demitir

O custo somado aqui é o que só existe por causa da demissão sem justa causa: aviso prévio indenizado, multa de 40% sobre o FGTS depositado no contrato, 13º proporcional, férias proporcionais com o terço constitucional e o FGTS que incide sobre o próprio aviso. Saldo de salário fica de fora de propósito: ele remunera dias já trabalhados e seria pago de qualquer jeito. Férias vencidas também, por serem uma dívida que já existia antes da decisão de demitir.

Cada verba tem a sua lei. O aviso proporcional vem da Lei 12.506/2011: 30 dias mais 3 por ano completo, até 90 dias. A multa de 40% vem da Lei 8.036/1990, sobre todo o FGTS depositado no contrato. O 13º e as férias proporcionais vêm da CLT e da Constituição, contados em avos de 1/12 por mês trabalhado, com o aviso indenizado projetando o contrato para a frente (Súmula 305 do TST para o FGTS do aviso).

A tabela do custo, por tempo de casa

A tabela usa um salário de referência de R$ 3.000, admissão em 1º de julho e desligamento em 1º de julho de 2026, variando só o tempo de casa. Todos os valores saem da engine da calculadora.

Custo de demitir por tempo de casa, salário de R$ 3.000
Tempo de casaAviso (dias)Aviso indenizadoMulta 40% FGTS13º + férias prop.Custo totalEm salários
1 ano33R$ 3.300,00R$ 1.257,60R$ 2.083,33R$ 6.904,932,30x
3 anos39R$ 3.900,00R$ 3.580,80R$ 2.083,33R$ 9.876,133,29x
5 anos45R$ 4.500,00R$ 5.904,00R$ 2.666,67R$ 13.430,674,48x
10 anos60R$ 6.000,00R$ 11.712,00R$ 2.666,67R$ 20.858,676,95x

O padrão é claro: o custo quase dobra entre 1 e 5 anos de casa e triplica em 10. Dois itens explicam o crescimento. O aviso ganha 3 dias por ano. E a multa do FGTS cresce sem teto, porque a base dela é todo o FGTS depositado no contrato: quanto mais tempo, mais depósitos, maior a multa.

Quanto custa em reais, faixa a faixa

Como o multiplicador é o mesmo para qualquer salário, a tabela em reais é uma régua simples. Cada linha mostra o custo de demitir para um tempo de casa, nas seis faixas de salário do estudo.

Custo de demitir em reais, por salário e tempo de casa
Salário1 ano3 anos5 anos10 anos
R$ 1.621R$ 3.730,97R$ 5.336,40R$ 7.257,04R$ 11.270,63
R$ 2.000R$ 4.603,29R$ 6.584,09R$ 8.953,78R$ 13.905,78
R$ 3.000R$ 6.904,93R$ 9.876,13R$ 13.430,67R$ 20.858,67
R$ 5.000R$ 11.508,22R$ 16.460,22R$ 22.384,44R$ 34.764,44
R$ 8.000R$ 18.413,16R$ 26.336,36R$ 35.815,11R$ 55.623,11
R$ 12.000R$ 27.619,73R$ 39.504,53R$ 53.722,67R$ 83.434,67

A leitura por linha responde a pergunta prática do empregador: desligar alguém de R$ 5.000 com 5 anos de casa exige R$ 22.384,44 em caixa, além das obrigações do mês. A leitura por coluna responde a do trabalhador: com 10 anos de casa, a rescisória bruta ligada à demissão fica perto de 7 salários, seja qual for a faixa.

Por que o multiplicador não depende do salário

Todas as verbas do custo de demitir são percentuais do salário: o aviso é o salário diário vezes os dias; a multa é 40% de depósitos que valem 8% do salário; 13º e férias são frações de 1/12 do salário por mês. Dobrar o salário dobra cada parcela e o total, mas não muda a proporção. É diferente do salário líquido, em que INSS e IRRF têm faixas e teto e a mordida percentual varia com a renda, como mostra o nosso estudo de salário líquido.

Há exceções nas bordas. Salários no teto do INSS mudam os descontos do trabalhador (não o custo bruto da empresa). Adicionais, comissões e médias de horas extras entram na base das verbas e podem elevar o custo real. E convenções coletivas às vezes criam indenizações extras. O multiplicador do estudo é o piso legal do caso comum, não o teto do caso complexo.

A multa do FGTS é o item que mais cresce

No primeiro ano, a multa é o menor dos grandes itens: R$ 1.257,60 no salário de referência. Com 10 anos, ela vira o maior de todos: R$ 11.712,00, mais que o aviso e o 13º somados. É o efeito do estoque: cada mês de contrato adiciona 8% do salário à conta vinculada, e os 40% incidem sobre o total depositado, mesmo que o trabalhador já tenha usado parte do saldo em saques legais.

Para a empresa, a lição de planejamento é provisionar. O custo da eventual demissão de um funcionário antigo não aparece em nenhuma fatura mensal, mas cresce todo mês. Uma provisão simples de 4% do salário por mês (a multa sobre o depósito de 8%) mais 1/12 de aviso cobre boa parte da conta futura sem susto.

O acordo do 484-A: a demissão com desconto

Desde a reforma trabalhista de 2017, existe um meio-termo legal entre pedir demissão e ser demitido: a rescisão por acordo (art. 484-A da CLT). Nela, o aviso indenizado cai pela metade e a multa do FGTS cai de 40% para 20%. No cenário de R$ 3.000 e 5 anos de casa, o custo de demitir cai de R$ 13.430,67 para R$ 8.012,67: uma redução de cerca de 40% para a empresa.

O desconto tem contrapartida para o trabalhador: no acordo, ele saca só 80% do saldo do FGTS e não tem direito ao seguro-desemprego. Por isso o acordo só faz sentido quando a saída é, de fato, desejada pelos dois lados. Usar o acordo para mascarar uma demissão comum, devolvendo por fora o que o trabalhador perde, é fraude trabalhista.

Metodologia e limitações

Os números são calculados em tempo de build pela engine da calculadora de rescisão do ValorFinal: demissão sem justa causa, aviso prévio indenizado, admissão em 1º de julho e desligamento em 1º de julho de 2026, sem férias vencidas, sem médias de variáveis e 0 dependentes. O custo de demitir soma aviso indenizado, multa de 40% do FGTS estimado do contrato, 13º proporcional, férias proporcionais com 1/3 e FGTS do aviso; saldo de salário e encargos patronais sobre a rescisão ficam fora. Valores brutos, antes de INSS e IRRF do trabalhador. Datas de desligamento diferentes mudam os avos de 13º e férias. Entenda nossa abordagem em como validamos os cálculos.

Fontes oficiais

Conclusão

Demitir sem justa causa custa de 2,30 a 6,95 salários do funcionário, e o que define o ponto nessa régua é o tempo de casa, não a faixa salarial. A multa do FGTS é o item que transforma funcionários antigos em demissões caras, e o acordo do 484-A é a única forma legal de reduzir a conta, com perdas para o trabalhador. Calcule um caso real na calculadora de rescisão CLT, compare com a rescisão por acordo e veja os demais estudos do ValorFinal, com dados livres para citação.

Como citar esta página

Vai usar este dado em uma matéria, post ou trabalho? Copie a referência pronta. O número vem do ValorFinal (metodologia própria sobre dados oficiais); a página é atualizada automaticamente.

ValorFinal. Quanto custa demitir hoje: 2,3 a 7 salários. Disponível em: https://valorfinal.com.br/estudos/quanto-custa-demitir-um-funcionario. Fonte do dado: ValorFinal (metodologia própria sobre dados oficiais). Acesso em: 01/01/2026.

Para imprensa, blogs e professores

Os números deste estudo são livres para citação com crédito ao ValorFinal (licença Creative Commons BY 4.0). Você pode reproduzir as tabelas e o gráfico em uma matéria, post ou trabalho, desde que cite a fonte e o link desta página. Precisa de um recorte específico ou quer falar com a equipe? Veja a central de estudos e dados ou os widgets gratuitos para incorporar.

Calcule o seu caso

Como calculamos

Os números deste estudo são estimativas calculadas pelas mesmas engines abertas que movem as calculadoras do ValorFinal, a partir de tabelas oficiais (CLT (verbas rescisórias, art. 484-A), Lei 12.506/2011 (aviso proporcional), Lei 8.036/1990 (FGTS e multa de 40%)). Eles podem variar conforme a situação individual, convenção coletiva e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

Quanto custa demitir um funcionário sem justa causa?
Depende quase só do tempo de casa. No cenário deste estudo (aviso indenizado, 0 dependentes), demitir custa cerca de 2,30 salários com 1 ano de casa, 4,48 salários com 5 anos e 6,95 salários com 10 anos. Para um salário de R$ 3.000, isso significa de R$ 6.904,93 a R$ 20.858,67.
O custo de demitir depende do salário do funcionário?
Em reais, sim: quanto maior o salário, maior a rescisão. Mas em número de salários, praticamente não. Como aviso prévio, multa do FGTS, 13º e férias proporcionais são todos proporcionais ao salário, o custo relativo é o mesmo para quem ganha R$ 2.000 ou R$ 12.000: o que muda o multiplicador é o tempo de casa.
O que entra no custo de uma demissão sem justa causa?
As verbas que só existem por causa da demissão: aviso prévio indenizado (30 dias mais 3 por ano de casa, até 90), multa de 40% sobre o FGTS depositado no contrato, 13º proporcional, férias proporcionais com 1/3 e o FGTS sobre o aviso. Saldo de salário e férias vencidas não são custo de demitir: seriam devidos de qualquer forma.
Qual é o item mais caro da rescisão?
Depende do tempo de casa. Em contratos curtos, o aviso prévio indenizado costuma ser o maior item. A partir de uns 3 anos, a multa de 40% do FGTS assume a ponta e não para de crescer: com 10 anos de casa e salário de R$ 3.000, a multa sozinha é R$ 11.712,00, mais que o dobro do aviso.
Como funciona o aviso prévio proporcional?
Pela Lei 12.506/2011, o aviso é de 30 dias mais 3 dias por ano completo de serviço, com teto de 90 dias. Com 1 ano são 33 dias; com 5 anos, 45; com 10 anos, 60; com 20 anos ou mais, 90. Se a empresa não quer o funcionário trabalhando o aviso, indeniza esse período em dinheiro, e ele ainda projeta o contrato para 13º e férias.
A demissão por acordo (484-A) sai mais barata?
Sai. No acordo legal criado pela reforma trabalhista, o aviso indenizado cai pela metade e a multa do FGTS cai de 40% para 20%. No cenário de R$ 3.000 e 5 anos de casa, o custo de demitir cai de R$ 13.430,67 para cerca de R$ 8.012,67. Em troca, o trabalhador saca só 80% do FGTS e abre mão do seguro-desemprego.
A multa de 40% incide sobre o quê?
Sobre todo o FGTS depositado pelo empregador ao longo do contrato (8% do salário por mês), incluindo o FGTS do aviso indenizado, e não apenas sobre o saldo atual da conta. Mesmo que o trabalhador já tenha sacado parte do fundo em algum saque legal, a base da multa é o total depositado naquele contrato.
Demitir no fim do ano custa mais caro?
Costuma custar, porque o 13º proporcional acumula avos ao longo do ano. Uma demissão em novembro carrega quase um 13º inteiro na rescisão, enquanto uma em fevereiro carrega poucos avos. As férias proporcionais seguem a mesma lógica, contando do último aniversário do contrato. Este estudo usa desligamento em julho, um ponto intermediário.
Justa causa zera o custo da demissão?
Reduz muito, mas é outro regime. Na justa causa o trabalhador perde aviso, 13º proporcional, férias proporcionais, multa e saque do FGTS, restando saldo de salário e férias vencidas. Só que justa causa exige falta grave comprovada (art. 482 da CLT) e é frequentemente revertida na Justiça quando mal aplicada, o que pode sair bem mais caro.
Esses valores incluem encargos da empresa sobre a rescisão?
Não. O estudo soma as verbas rescisórias brutas e a multa do FGTS. Custos adicionais possíveis, como INSS patronal sobre as verbas salariais da rescisão, honorários de homologação, outplacement ou eventual passivo judicial, variam caso a caso e ficam fora da conta. O custo real de uma demissão contenciosa pode ser maior.
Onde calculo a rescisão de um caso real?
Na calculadora de rescisão CLT do ValorFinal, que aceita datas reais de admissão e desligamento, tipo de aviso, férias vencidas, dependentes e médias de variáveis, e mostra a memória de cálculo completa, verba a verba, com INSS e IRRF da rescisão. Ela usa a mesma engine deste estudo.
Posso citar estes números?
Pode. Os números são livres para citação com crédito ao ValorFinal e link para esta página, sob licença Creative Commons BY 4.0. Eles saem da engine da nossa calculadora de rescisão, aplicando CLT, Lei 12.506/2011 (aviso proporcional) e Lei 8.036/1990 (FGTS e multa).