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ObservatórioAstronomia

Aglomerado de estrelas

Aglomerado NGC 602

Um aglomerado jovem numa galáxia vizinha, a 200.000 anos-luz, onde estrelas nascem num ambiente muito pobre em elementos pesados.

Aglomerado NGC 602, aglomerado de estrelas, em imagem do James Webb Space Telescope
"NGC 602 (NIRCam and MIRI image)", como o acervo nomeou esta imagem.Perto dos arredores da Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite a cerca de 200.000 anos-luz da Terra, fica o jovem aglomerado estelar NGC 602, que aparece nesta nova imagem do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, P. Zeidler, E. Sabbi, A. Nota, M. Zamani (ESA/Webb) ESA/Webb CC BY 4.0

Tipo
Aglomerado de estrelasSIMBAD: Cl*
Distância
200.000 anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem, em 2024
Constelação
Hidra MachoHyi
Observado por
James Webb Space Telescope, Hubble Space Telescope, DSS
Imagem publicada
outubro de 2024
Original do acervo
8.588 × 5.617 px48 megapixels
Dois telescópios, o mesmo objeto

Veja Aglomerado NGC 602 pelo Hubble e pelo James Webb

Os dois fotografaram este objeto, e o resultado não é a mesma imagem em qualidade diferente. O Hubble registra sobretudo a luz que o olho enxerga; o Webb enxerga infravermelho, que atravessa a poeira e mostra o que estava escondido atrás dela. Arraste a divisória e veja a poeira sumir.

Comparar as duas imagens
Aglomerado NGC 602, em imagem do Hubble
Hubble

Crédito NASA, ESA and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA)-ESA/Hubble Collaboration ESA/Webb CC BY 4.0

Aglomerado NGC 602, em imagem do James Webb
James Webb

Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, P. Zeidler, E. Sabbi, A. Nota, M. Zamani (ESA/Webb) ESA/Webb CC BY 4.0

NGC 602 é um aglomerado de estrelas jovens na Pequena Nuvem de Magalhães, galáxia satélite da Via Láctea, a cerca de 200.000 anos-luz da Terra segundo a distância declarada pelo publicador das imagens. No céu ele aparece na constelação de Hidra Macho, no extremo sul, e nos catálogos leva também a designação N90, que se refere à região de gás ionizado em volta.

O que torna esse objeto especial não é o tamanho nem a beleza, embora ele tenha as duas coisas. É a composição química do ambiente. A Pequena Nuvem de Magalhães tem uma proporção de elementos mais pesados que hidrogênio e hélio bem menor que a da nossa galáxia, e menos elementos pesados significa menos poeira. Um berçário com pouca poeira se comporta de forma diferente de tudo que se estuda de perto na Via Láctea.

Por isso NGC 602 aparece com frequência como referência para discutir o universo jovem. Nas primeiras gerações de estrelas do cosmos não havia elementos pesados nenhum, porque eles são fabricados dentro de estrelas e devolvidos ao espaço depois. Um ambiente empobrecido como o da Pequena Nuvem não reproduz aquela situação, mas se aproxima dela mais do que qualquer região próxima, e permite testar como a formação estelar funciona quando falta matéria-prima sólida.

Por que a falta de poeira muda a formação de estrelas?

Poeira interestelar é feita de grãos sólidos de material pesado, sobretudo compostos de carbono e de silício. Esses grãos fazem duas coisas importantes numa nuvem molecular. Primeiro, blindam o interior da radiação ultravioleta das estrelas próximas, permitindo que o gás fique frio e que moléculas sobrevivam. Segundo, os próprios grãos ajudam a resfriar o gás, irradiando energia em infravermelho.

Resfriar é o ponto central, porque uma nuvem só colapsa quando a gravidade vence a pressão interna, e pressão diminui com temperatura. Menos poeira significa resfriamento menos eficiente e blindagem mais fraca, o que em princípio dificulta o colapso e favorece a formação de estrelas mais massivas em detrimento das pequenas.

É exatamente essa previsão que ambientes como o de NGC 602 permitem testar. Observações do aglomerado identificaram estrelas de massa baixa ainda em formação, o que mostra que o processo funciona mesmo em condições pobres em elementos pesados. Quantificar a proporção entre estrelas grandes e pequenas nesse regime é uma das perguntas ativas da área.

O que esculpiu as cristas de gás em volta?

Nas imagens, o aglomerado ocupa o centro de uma cavidade cercada por cristas de gás e poeira com aspecto de ondas paradas. Todas elas apontam para dentro, na direção das estrelas. Esse alinhamento é a assinatura do mesmo processo que aparece em vários outros objetos deste acervo: erosão por radiação.

As estrelas mais quentes do aglomerado emitem grande quantidade de ultravioleta, que ioniza o gás vizinho, aquece a superfície da nuvem e faz o material evaporar. A erosão avança mais depressa onde o gás é menos denso, e mais devagar onde ele é mais denso. Os trechos densos resistem, protegem o material atrás de si e sobram como colunas e cristas apontadas para a fonte da radiação.

A leitura prática disso é temporal. Uma cavidade limpa no meio indica que o gás mais próximo já foi removido, e cristas afiadas indicam que a erosão está ativa agora. É possível estimar há quanto tempo o processo começou comparando o tamanho da cavidade com a velocidade esperada de expansão do gás ionizado.

O que o Webb acrescentou às imagens do Hubble?

O acervo tem duas imagens do Hubble com a câmera ACS, de 2007 e de 2024, e uma imagem do Webb de outubro de 2024 que combina as câmeras NIRCam e MIRI. As imagens do Hubble usam filtros em luz visível, com destaque para a banda estreita em 658 nanômetros, que capta a linha H-alfa do hidrogênio junto com linhas vizinhas do nitrogênio, e é o que dá o tom avermelhado do gás ionizado.

A imagem do Webb declara nove filtros no metadado, de 1.150 até 10.000 nanômetros. Entre eles há um filtro estreito em 3.350 nanômetros associado a moléculas orgânicas grandes e um em 10.000 nanômetros associado a silicatos, ou seja, faixas escolhidas justamente para detectar componentes da poeira.

A comparação é o ponto principal desta página. A versão em luz visível mostra o gás aceso e as estrelas já expostas; a versão infravermelha mostra a poeira e as estrelas ainda envolvidas em material. Num ambiente que tem pouca poeira, conseguir mapear onde ela está e do que é feita tem peso extra, porque cada grão é raro.

Por que aparecem galáxias no fundo da imagem?

Olhando com atenção as imagens de alta resolução de NGC 602, aparecem no fundo manchas alongadas e espirais pequenas que não se parecem com estrelas. Não são objetos do aglomerado nem da Pequena Nuvem de Magalhães: são galáxias muito mais distantes, vistas através da região.

Isso é possível porque a Pequena Nuvem tem pouca poeira e o campo naquela direção é relativamente limpo. Em regiões densas da Via Láctea, a poeira do disco funciona como uma cortina e bloqueia quase completamente a visão do universo além dela. Fora do plano galáctico, ou em direções pouco obstruídas, o fundo profundo aparece.

A presença dessas galáxias na mesma foto cria uma sobreposição de escalas difícil de assimilar. As estrelas do aglomerado estão a 200.000 anos-luz; as galáxias de fundo estão a distâncias muitas ordens de grandeza maiores. Estão no mesmo quadro apenas porque a linha de visada é uma só, e profundidade não aparece numa imagem plana.

Onde fica a Pequena Nuvem de Magalhães?

A Pequena Nuvem de Magalhães é uma galáxia satélite da Via Láctea, visível a olho nu em céu escuro no hemisfério sul, inclusive no Brasil, como uma mancha difusa e pálida. Junto com a Grande Nuvem de Magalhães, forma o par de companheiras mais conhecidas da nossa galáxia.

NGC 602 fica numa região conhecida como a asa da Pequena Nuvem, uma extensão de gás e estrelas que se estende na direção da Grande Nuvem. Essa área é interpretada como resultado da interação gravitacional entre as duas galáxias, que se puxam mutuamente e arrancam material uma da outra.

As coordenadas colocam o objeto em declinação próxima de menos 73 graus, ou seja, muito ao sul. Do Brasil, quanto mais ao sul estiver o observador, mais alta a Pequena Nuvem sobe no céu. Do hemisfério norte, ela simplesmente não aparece, o que explica por que esse tipo de objeto é observado quase sempre por telescópios instalados no Chile ou por telescópios espaciais.

Os números deste objeto

Distância200.000 anos-luzdeclarada pelo publicador das imagens
ConstelaçãoHidra Macho (Hyi)
Identificação principalNGC 602SIMBAD
Outros nomesN90
Classificaçãoaglomerado de estrelas (Cl*)SIMBAD
Galáxia hospedeiraPequena Nuvem de Magalhães
Tamanho aparentenão registrado pelo SIMBAD
Coordenadas J2000AR 22,3839 graus, Dec -73,5606 graus
Imagens no acervo3

O que reparar nesta imagem

  • As cristas apontando para o centroAs bordas de gás em volta da cavidade estão todas voltadas para o aglomerado. Elas marcam onde a radiação das estrelas está corroendo a nuvem neste momento.
  • A cavidade limpa no meioO espaço relativamente vazio em torno das estrelas jovens não é acaso de composição: é gás que já foi ionizado e empurrado para longe.
  • As galáxias de fundoAs manchas alongadas e espirais minúsculas atrás do aglomerado não pertencem à cena. São galáxias muito mais distantes, visíveis porque essa direção do céu tem pouca poeira.
  • A diferença entre as versões do Hubble e do WebbA imagem visível destaca o gás aceso pela linha H-alfa; a infravermelha, com nove filtros até 10.000 nanômetros, destaca poeira e estrelas ainda envolvidas em material.

Por que esta imagem tem essas cores

Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.

ultravioletainfravermelho e ondas de rádio

  • Azulinfravermelho · NIRCam1,15 µminvisível ao olho
  • Azulinfravermelho · NIRCam1,4 µminvisível ao olho
  • Azulinfravermelho · NIRCam1,5 µminvisível ao olho
  • Cianoinfravermelho · NIRCam · methane2,1 µminvisível ao olho
  • Verdeinfravermelho · NIRCam2,77 µminvisível ao olho
  • Amareloinfravermelho · NIRCam · PAH3,35 µminvisível ao olho
  • Laranjainfravermelho · NIRCam3,56 µminvisível ao olho
  • Vermelhoinfravermelho · NIRCam4,8 µminvisível ao olho
  • Vermelhoinfravermelho · MIRI · Silicate10 µminvisível ao olho

Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Webb junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.

Que tamanho é isso, de verdade

Cerca de 7 recortes como este caberiam lado a lado dentro da Lua cheia. O recorte fotografado mede 4,4 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

A luz desta imagem levou 200.000 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta do fim da última era glacial.

Dá para ver isso daqui?

Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, em boa altura, a 39° de altura, na direção S.

Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 40 graus acima do horizonte, e ele nunca chega a se pôr.

Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.

Quanto já se olhou para aqui

  • 122registros do Hubble
  • 136registros do James Webb
  • 3registros do GALEX

Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 1,2 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.

O que ainda não se sabe

A questão central sobre NGC 602 é se a formação estelar em ambientes pobres em elementos pesados produz a mesma distribuição de massas observada na Via Láctea. Observações já mostraram que estrelas de massa baixa se formam ali, o que contraria as versões mais rígidas da previsão teórica, mas a proporção exata entre estrelas grandes e pequenas continua difícil de medir, porque as menores são fracas mesmo para o Hubble e o Webb a 200.000 anos-luz. Também segue em discussão o papel da interação com a Grande Nuvem de Magalhães: a asa da Pequena Nuvem onde o aglomerado está parece ter sido moldada por essa interação, mas o quanto ela desencadeou a formação daquelas estrelas específicas não está estabelecido.

Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.

Uma coisa que quase ninguém sabe

A imagem do Webb combina as duas câmeras do telescópio, a NIRCam e a MIRI, cobrindo do infravermelho próximo em 1.150 nanômetros até 10.000 nanômetros no infravermelho médio. É uma faixa quase dez vezes mais larga em comprimento de onda que a das imagens do Hubble para o mesmo objeto, e é o que permite ver a poeira num ambiente onde ela é escassa.

Outras imagens deste objeto

Aglomerado NGC 602, aglomerado de estrelas, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.Esta imagem mostra estrelas azuis brilhantes recém-formadas que estão abrindo uma cavidade no centro de uma fascinante região de formação estelar conhecida como NGC 602, também chamada de N90. A radiação de alta energia que jorra das jovens estrelas quentes em N90 está erodindo as porções externas da nebulosa de dentro para fora, já que os confins externos difusos da nebulosa impedem que os fluxos energéticos escapem diretamente do aglomerado.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito NASA, ESA and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA)-ESA/Hubble Collaboration ESA/Webb CC BY 4.0

Aglomerado NGC 602, aglomerado de estrelas, em imagem do James Webb Space Telescope
James Webb Space Telescope, instrumento NIRCam.Perto dos arredores da Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite a cerca de 200.000 anos-luz da Terra, fica o jovem aglomerado estelar NGC 602, que aparece nesta nova imagem do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA.Descrição do acervo ESA/Webb, traduzida.

Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, P. Zeidler, E. Sabbi, A. Nota, M. Zamani (ESA/Webb) ESA/Webb CC BY 4.0

Aglomerado NGC 602, aglomerado de estrelas, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento ACS.Esta imagem mostra estrelas azuis brilhantes recém-formadas que estão abrindo uma cavidade no centro de uma fascinante região de formação estelar conhecida como N90. A radiação de alta energia que jorra das jovens estrelas quentes em N90 está erodindo as porções externas da nebulosa de dentro para fora, já que os confins externos difusos da nebulosa impedem que os fluxos energéticos escapem diretamente do aglomerado.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA)-ESA/Hubble Collaboration ESA/Hubble CC BY 4.0

Aglomerado NGC 602, aglomerado de estrelas, em imagem do DSS
DSS.Esta imagem mostra a área ao redor de N90 e é uma composição colorida feita a partir de exposição do Digitized Sky Survey 2 (DSS2). O campo de visão é de 3,1x2,8 graus.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito Davide De Martin (ESA/Hubble), the ESA/ESO/NASA Photoshop FITS Liberator & Digitized Sky Survey 2 ESA/Hubble CC BY 4.0

Vídeo de Aglomerado NGC 602

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Ômega Centauri

    Crédito ESO/INAF-VST/OmegaCAM. Acknowledgement: A. Grado, L. Limatola/INAF-Capodimonte Observatory ESO CC BY 4.0

  • 47 Tucanae

    Crédito ESO/M.-R. Cioni/VISTA Magellanic Cloud survey.Acknowledgment: Cambridge Astronomical Survey Unit ESO CC BY 4.0

  • Aglomerado Messier 54

    Crédito ESO CC BY 4.0

  • Caixa de Joias

    Crédito ESO ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Westerlund 1

    Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, M. Zamani (ESA/Webb), M. G. Guarcello (INAF-OAPA) and the EWOCS team ESA/Webb CC BY 4.0

  • Westerlund 2

    Crédito NASA, ESA, the Hubble Heritage Team (STScI/AURA), A. Nota (ESA/STScI), and the Westerlund 2 Science Team ESA/Hubble CC BY 4.0

Perguntas frequentes

O que é o aglomerado NGC 602?
NGC 602 é um aglomerado de estrelas jovens na Pequena Nuvem de Magalhães, galáxia satélite da Via Láctea, a cerca de 200.000 anos-luz da Terra segundo a distância declarada pelo publicador das imagens. Ele fica cercado por uma região de gás ionizado catalogada como N90 e aparece na constelação de Hidra Macho, no extremo sul do céu. As estrelas do aglomerado são jovens o bastante para ainda estarem escavando a nuvem que as gerou.
Por que NGC 602 é comparado ao universo jovem?
Porque a Pequena Nuvem de Magalhães tem uma proporção de elementos mais pesados que hidrogênio e hélio bem menor que a da Via Láctea. Elementos pesados são fabricados dentro de estrelas e devolvidos ao espaço quando elas morrem, então o universo primitivo praticamente não os tinha. NGC 602 não reproduz aquela situação, mas se aproxima dela mais do que qualquer berçário próximo, e serve para testar como a formação estelar funciona com pouca poeira disponível.
Por que a falta de poeira dificulta a formação de estrelas?
Poeira interestelar cumpre duas funções numa nuvem: blinda o interior da radiação ultravioleta, permitindo que o gás fique frio, e ajuda a resfriar esse gás irradiando energia em infravermelho. Como uma nuvem só colapsa quando a gravidade vence a pressão interna, e pressão cai com a temperatura, resfriar é essencial. Com menos poeira, o resfriamento é menos eficiente. Ainda assim, observações de NGC 602 encontraram estrelas de massa baixa em formação, o que mostra que o processo funciona.
O que são as manchas espiraladas ao fundo da imagem?
São galáxias distantes, sem relação com o aglomerado. Elas aparecem porque a direção da Pequena Nuvem de Magalhães tem pouca poeira interestelar no caminho, ao contrário de boa parte do plano da Via Láctea, onde o pó funciona como cortina e bloqueia a visão do universo além. O resultado é uma imagem que mistura escalas muito diferentes: estrelas a 200.000 anos-luz e galáxias a distâncias imensamente maiores, no mesmo quadro.
Qual a diferença entre a imagem do Hubble e a do Webb?
As imagens do Hubble usam filtros em luz visível, incluindo a banda estreita em 658 nanômetros que capta a linha H-alfa do hidrogênio e linhas vizinhas do nitrogênio, responsáveis pelo tom avermelhado do gás ionizado. A imagem do Webb declara nove filtros, de 1.150 a 10.000 nanômetros, combinando as câmeras NIRCam e MIRI. Ela mostra poeira e estrelas ainda envolvidas em material, incluindo faixas específicas para moléculas orgânicas grandes e para silicatos.
Dá para ver a Pequena Nuvem de Magalhães do Brasil?
Sim. A Pequena Nuvem de Magalhães é visível a olho nu em céu escuro no hemisfério sul, inclusive no Brasil, como uma mancha difusa e pálida, mais fácil de notar quanto mais ao sul estiver o observador. O aglomerado NGC 602 em si, porém, não aparece assim: ele é um detalhe minúsculo dentro da galáxia e exige telescópios de grande porte ou instrumentos espaciais para ser separado em estrelas individuais.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Aglomerado NGC 602. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/aglomerado-ngc-602. Consultado em: 23/08/2026.